Na quarta-feira, logo após o final do jogo contra o Duque de Caxias, derrota com sabor de chocolate amargo, como disse o Leandro Dutra, fiquei um bom tempo observando a reação do torcedor do Goytacaz, que saia do Arizão triste, com o coração sangrando, como se acabasse de perder um ente querido. De repente uma voz, rouca e nervosa, me chama. - Dutra, você que um dia conversou com o estádio lá da sua terra, li isto em um jornal caído aqui nas minhas arquibancadas, não dá para tirar um tempo para levar um dedo de prosa comigo? – Fiquei louco ou minha sina agora é papear com cimento armado? Pensei.
Bem, já que os gigantes de cimento estão se comunicando eu me rendi.
– Diz aí, Arizão, o que pretende com este velho escriba?
- Você, Dutra, é feliz. Viu jogadores maravilhosos em seu estádio, eu também os vi por aqui, em número bem maior, porém, como você gosta de dizer, tem sempre um porém, tenho um compromisso mais sério do que o seu Municipal, também chamado Plínio Bastos de Barros. Aqui a torcida me pisoteia, me arrebenta e me tira pedaços em cada partida jogada.
-Isto é normal, meu caro. Isto é coisa de torcida apaixonada, que está sofrendo muito com o time.
- Para quem viu jogadores espetaculares: Zico, Ademir da Guia, Carlinhos Santana, Piscina, Chico Preto, Garrincha e tantos outros, fica difícil encarar estes moços de agora. Não é mesmo Dutra?
Eu já estava me achando completamente maluco. Seria o efeito do remédio da pressão, que mudei hoje pela manhã? Perguntava prá mim mesmo. Será que minha sina é conversar com estes gigantes de concretos? Tornei a perguntar baixinho, prá mim mesmo. Daqui uns dias vou ao Maracanã e, pimba, lá vem o Mário Filho querendo um dedo de prosa.
Tentei sair, mas a voz não deixou. – Volta aqui, amigo Dutra. Estou sendo abandonado por todos e só você pode me entender. A Defesa Civil quer me vetar, a Polícia Militar, parece, vai impedir a entrada de meus amigos na próxima partida, tomara que não, se isto acontecer vou ficar adormecido até o próximo ano, se ainda existir algum cimento em meu corpo.
- Nada disto, meu caro Arizão, você não será abandonado. Tem muita gente querendo te arrumar e alguns acham até que você seria uma excelente moeda de troca.
- Já ouvi isto, meu caro. Já ouvi esta conversa e por isto estou preocupado. Já imaginou estes meninos, que nunca viram o Goytacaz ser campeão, que jamais tiveram oportunidade de me ver lotado, servindo de palco para Flamengo, Fluminense, Santos, Palmeiras, Botafogo e Vasco, botarem na cabeça que eu posso virar um shoping center? Vai ser o fim muito mais triste daquele que imaginei prá mim.
- Você já se preparou para o final da vida?
- Claro. Eu sempre pensei que iria ganhar uma nova roupagem, com o time na Primeira Divisão lembrariam de mim, me dariam um colorido mais forte, um azul novinho em folha e um branco limpinho como a neve. Sonhei, todos sonhamos com o sucesso no futuro, mas neste sonho vejo um punhado de craques desfilando novamente em minha grama, com novas camisas e com chances de serem campeões.
- Tá difícil de realizar o sonho, não é mesmo meu amigo de concreto?
Difícil não, impossível. Vi, agora a pouco, um time ruim e sem alma perder para outro que tem um baixinho que nem chega aos pés do outro baixinho (ele falava do Romário), que fez a festa aqui na minha alma. Tá difícil, meu amigo Dutra. Deste jeito vou penar sem ao menos receber um cimento novo ou uma grama fresquinha, viu só como está ruim este velho gramado?
Quando tentei a última pergunta ouvi outras vozes, desta vez dos amigos Gustavo e David, que voltavam para me procurar. – Estávamos preocupados contigo, Dutra. Perguntou o Gustavo. – Tudo bem, estava aqui proseando com o velho Arizão e ouvindo suas histórias e seus sonhos para o futuro.
- FUTURO !!!!!!!! NÃO HÁ FUTURO SEM PRESENTE.
Foi a frase de despedida do gigante de concreto, que se calou e me deixou a sensação de que estou criando uma linguagem diferente, a de papear com estádios de futebol. Um abraço meu caro Arizão, diga ao Municipal de Miracema que estou com saudades.
Canal do Dutra: Uma conversa de bola, viagens e do cotidiano. Aqui posto vídeos, crônicas e converso com vocês.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O FUTEBOL COMO HERANÇA
Na última semana recebi uma série de e-mails, de amigos e conterrâneos, que falaram-me com carinho sobre a coluna da última quinzena. Foram palavras carinhosas e, por coincidência meu guru, Ermenegildo Solon, me contou um “causo” interessante, passado em épocas passadas, mas que poderiam ser retratadas nos tempos modernos.
Diz a lenda, conta o velho Solon, que um senhor rico, dono de engenhos e fazendas, tinha por hábito comprar terras vizinhas, principalmente as mais prósperas. Dom Camargo era apaixonado por futebol e criou, em sua fazenda, um belo time e trouxe jogadores de todos os cantos da região. Rico, Dom Camargo não fazia questão de gastar o que fosse preciso para realizar seu sonho de infância, que era ter um time só para ele. “O patrãozinho não joga bola, tem deficiência no andar e por isto trouxe quem sabe para jogar em seu time de futebol”, comentava um criado, craque dentro e fora do campo.
O tempo passou e todos os escravos foram libertados e aqueles mais chegados a Dom Camargo seguiram fieis ao senhor, principalmente os jogadores de futebol, cuja liberdade foi conquistada muito antes devido as suas habilidades com a bola de couro cru. O patrão, doente terminal, chamou seu filho Manoel, recém formado em Direito, e lhe deu uma missão: “Filho, este time não pode acabar nunca. Foi sustentado contra tudo e contra todos e jamais o entregue para os vizinhos, principalmente ao fazendeiro vizinho, que vive atormentando meus jogadores para trocarem de camisa”. O filho, humilde e servil, não titubeou em prometer ao moribundo pai todo o possível para manter vivo o seu sonho.
O tempo passou e os vizinhos ficaram tristes por não conseguir a herança de Dom Camargo, mas alguns coronéis juraram que não morreriam sem ver o time de verde e branco em suas posses. Todos tentaram, mas em vão, a luta dos jogadores e dos descendentes de Dom Camargo era mais forte e tinha mais calor humano. “Jamais terão o Verde e Branco. Nosso time nasceu com o sangue de nosso velho pai e passou por várias gerações até chegar aos dias de hoje, e aventureiro nenhum irá assumir seu comando”, bradava Camarguinho, bisneto do poderoso Dom Camargo.
A família construiu um belo estádio, em cujas arquibancadas a família do lugarejo promovia encontros maravilhosos. As festas eram constantes e a alegria do povo era uma referencia para todos da região. Tudo aquilo promovia inveja e despertava a cobiça de muitos ricaços, pobres de espírito e fracos em criatividade. “Ninguém teve a audácia de meu bisavô, que trouxe para a fazenda os melhores jogadores do estado e seus descendentes ficaram por aqui e, alem de continuarem no futebol, fincaram raízes no lugar."
A família Jordão, poderosa em toda a região, também almejava conquistar a glória de ter o melhor time e o mais simpático estádio de futebol. Os seus membros mais antigos sempre falaram com certo rancor de Dom Camargo. Os Jordão chegaram a comprar terras por perto da propriedade dos Camargo e, por incrível que possa parecer, assediavam suas filhas para que contraíssem matrimonio com seus descendentes.
O lugarejo cresceu, virou vila e posteriormente virou uma cidade. Os Camargo não quiseram liderança política e mantiveram seus investimentos no time de futebol, que como a vila cresceu e se tornou potencia estadual. Sabe o que aconteceu oitenta anos depois?
A fazenda se transformou em uma bela cidade e seu povo, que não sabia cuidar do patrimônio, foi obrigado a entregar o comando para um forasteiro, que era nada mais nada menos do que um dos descendentes do velho Jordão. O rapaz, rico e inteligente, não só ficou com o estádio, sonho do bisavô, s elegeu prefeito e tem em suas mãos toda a terra que seus antepassados tentaram colocar a mão, mas esbarraram na luta dos valentes escravos e amigos do benfeitor Dom Camargo.
Diz a lenda, conta o velho Solon, que um senhor rico, dono de engenhos e fazendas, tinha por hábito comprar terras vizinhas, principalmente as mais prósperas. Dom Camargo era apaixonado por futebol e criou, em sua fazenda, um belo time e trouxe jogadores de todos os cantos da região. Rico, Dom Camargo não fazia questão de gastar o que fosse preciso para realizar seu sonho de infância, que era ter um time só para ele. “O patrãozinho não joga bola, tem deficiência no andar e por isto trouxe quem sabe para jogar em seu time de futebol”, comentava um criado, craque dentro e fora do campo.
O tempo passou e todos os escravos foram libertados e aqueles mais chegados a Dom Camargo seguiram fieis ao senhor, principalmente os jogadores de futebol, cuja liberdade foi conquistada muito antes devido as suas habilidades com a bola de couro cru. O patrão, doente terminal, chamou seu filho Manoel, recém formado em Direito, e lhe deu uma missão: “Filho, este time não pode acabar nunca. Foi sustentado contra tudo e contra todos e jamais o entregue para os vizinhos, principalmente ao fazendeiro vizinho, que vive atormentando meus jogadores para trocarem de camisa”. O filho, humilde e servil, não titubeou em prometer ao moribundo pai todo o possível para manter vivo o seu sonho.
O tempo passou e os vizinhos ficaram tristes por não conseguir a herança de Dom Camargo, mas alguns coronéis juraram que não morreriam sem ver o time de verde e branco em suas posses. Todos tentaram, mas em vão, a luta dos jogadores e dos descendentes de Dom Camargo era mais forte e tinha mais calor humano. “Jamais terão o Verde e Branco. Nosso time nasceu com o sangue de nosso velho pai e passou por várias gerações até chegar aos dias de hoje, e aventureiro nenhum irá assumir seu comando”, bradava Camarguinho, bisneto do poderoso Dom Camargo.
A família construiu um belo estádio, em cujas arquibancadas a família do lugarejo promovia encontros maravilhosos. As festas eram constantes e a alegria do povo era uma referencia para todos da região. Tudo aquilo promovia inveja e despertava a cobiça de muitos ricaços, pobres de espírito e fracos em criatividade. “Ninguém teve a audácia de meu bisavô, que trouxe para a fazenda os melhores jogadores do estado e seus descendentes ficaram por aqui e, alem de continuarem no futebol, fincaram raízes no lugar."
A família Jordão, poderosa em toda a região, também almejava conquistar a glória de ter o melhor time e o mais simpático estádio de futebol. Os seus membros mais antigos sempre falaram com certo rancor de Dom Camargo. Os Jordão chegaram a comprar terras por perto da propriedade dos Camargo e, por incrível que possa parecer, assediavam suas filhas para que contraíssem matrimonio com seus descendentes.
O lugarejo cresceu, virou vila e posteriormente virou uma cidade. Os Camargo não quiseram liderança política e mantiveram seus investimentos no time de futebol, que como a vila cresceu e se tornou potencia estadual. Sabe o que aconteceu oitenta anos depois?
A fazenda se transformou em uma bela cidade e seu povo, que não sabia cuidar do patrimônio, foi obrigado a entregar o comando para um forasteiro, que era nada mais nada menos do que um dos descendentes do velho Jordão. O rapaz, rico e inteligente, não só ficou com o estádio, sonho do bisavô, s elegeu prefeito e tem em suas mãos toda a terra que seus antepassados tentaram colocar a mão, mas esbarraram na luta dos valentes escravos e amigos do benfeitor Dom Camargo.
RÁDIO E TEVÊ NO IMAGINÁRIO DO TORCEDOR
Todo brasileiro, apaixonado por futebol e arte, tem na mente uma frase ou um texto do dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues. Tricolor alucinado, criador da célebre frase, “O Fla x Flu começa quarenta minutos antes do nada”, Nelson Rodrigues fez parte da minha infância, ele escrevia suas crônicas no O Globo e no Jornal dos Sports, criação de seu irmão Mário Filho, e talvez tenha tido influencia de seus textos no momento em que me decidi ser um cronista, não com a verve do gênio, mas com uma sutileza sempre encontrada em seus artigos.
Nelson Rodrigues pode não está em moda, mas sua opinião sobre o videoteipe, “o videoteipe é burro”, está na crista da onda. Os árbitros brasileiros estão loucos para retornar ao tempo antigo, quando os jogos eram transmitidos apenas pelo rádio e não tinha esta imensidão de câmaras flagrando os erros de “suas senhorias”. É tira-teima prá lá, ângulo invertido prá cá, e um punhado de armas contra a nossa imaginação e contra os senhores de preto.
Certa vez, conversando com eu avô, ouvi dele que a modernidade atrapalhava nosso imaginário. “Eu gosto de filme mudo, ele me faz prestar atenção na fita e imaginar o que os artistas estão falando”. Tem sentido. Hoje, com o sucesso dos filmes na televisão, tenho a certeza de que o velho Vicente Dutra estava certo, os dubladores de hoje nos tiram o prazer de ver uma boa fita de cinema e os tradutores deturpam boa parte do que é dito pelos personagens.
Assim é no futebol, assim é com o videoteipe. Como muita gente da minha geração, ouvi jogo pelo rádio na infância e na adolescência. Não havia a inflação de transmissões televisivas que existe hoje. O rádio nos trazia um futebol vibrante, dramático e misterioso, feito menos dos fatos reais ocorridos em campo do que do talento expressivo dos locutores.
Autênticos artistas da representação, os narradores criavam seus bordões pitorescos, infundiam ao jogo uma velocidade que ele não tinha, modulavam a voz à perfeição para criar atmosfera do jogo. Jorge Curi, o mais vibrante e inventivo narrador do país, Waldir Amaral, “tem peixe na rede ...” Doalcei Camargo, Clóvis Filho, “no canto é gol”, Osmar Santos, “pimba na gorduchinha”, Haroldo Fernandes, “Tá todo mundo correndo prá abraçar aquele moço”, e Oswaldo Maciel, “de peito aberto e o coração cheio de amor prá dar”, são alguns que trago na memória e que me fizeram apaixonar pelas transmissões esportivas e pelo futebol.
Lembro-me bem dos engasgos dos locutores, que faziam silencio profundo por dois ou três segundos apenas, e naquele pequeno espaço de tempo podíamos ouvir o grito da torcida e os xingamentos dos jogadores, isto quando os microfones dos repórteres de campo estavam abertos. Tudo isto nos remetia ao campo de jogo e nos imaginávamos dentro das quatro linhas a perceber, com a imaginação, tudo o que ocorria no estádio.
“A TV registra a verdade, e a verdade é o seu dom de iludir. O rádio, o rádio não. O rádio inventa a verdade junto com a gente.” Diz Rodrigo Bueno, da Folha de São Paulo, autor de um texto sobre o vídeo tape no futebol, que me fez pensar sobre o assunto. Viva o rádio e abaixo o videoteipe burro.
Nelson Rodrigues pode não está em moda, mas sua opinião sobre o videoteipe, “o videoteipe é burro”, está na crista da onda. Os árbitros brasileiros estão loucos para retornar ao tempo antigo, quando os jogos eram transmitidos apenas pelo rádio e não tinha esta imensidão de câmaras flagrando os erros de “suas senhorias”. É tira-teima prá lá, ângulo invertido prá cá, e um punhado de armas contra a nossa imaginação e contra os senhores de preto.
Certa vez, conversando com eu avô, ouvi dele que a modernidade atrapalhava nosso imaginário. “Eu gosto de filme mudo, ele me faz prestar atenção na fita e imaginar o que os artistas estão falando”. Tem sentido. Hoje, com o sucesso dos filmes na televisão, tenho a certeza de que o velho Vicente Dutra estava certo, os dubladores de hoje nos tiram o prazer de ver uma boa fita de cinema e os tradutores deturpam boa parte do que é dito pelos personagens.
Assim é no futebol, assim é com o videoteipe. Como muita gente da minha geração, ouvi jogo pelo rádio na infância e na adolescência. Não havia a inflação de transmissões televisivas que existe hoje. O rádio nos trazia um futebol vibrante, dramático e misterioso, feito menos dos fatos reais ocorridos em campo do que do talento expressivo dos locutores.
Autênticos artistas da representação, os narradores criavam seus bordões pitorescos, infundiam ao jogo uma velocidade que ele não tinha, modulavam a voz à perfeição para criar atmosfera do jogo. Jorge Curi, o mais vibrante e inventivo narrador do país, Waldir Amaral, “tem peixe na rede ...” Doalcei Camargo, Clóvis Filho, “no canto é gol”, Osmar Santos, “pimba na gorduchinha”, Haroldo Fernandes, “Tá todo mundo correndo prá abraçar aquele moço”, e Oswaldo Maciel, “de peito aberto e o coração cheio de amor prá dar”, são alguns que trago na memória e que me fizeram apaixonar pelas transmissões esportivas e pelo futebol.
Lembro-me bem dos engasgos dos locutores, que faziam silencio profundo por dois ou três segundos apenas, e naquele pequeno espaço de tempo podíamos ouvir o grito da torcida e os xingamentos dos jogadores, isto quando os microfones dos repórteres de campo estavam abertos. Tudo isto nos remetia ao campo de jogo e nos imaginávamos dentro das quatro linhas a perceber, com a imaginação, tudo o que ocorria no estádio.
“A TV registra a verdade, e a verdade é o seu dom de iludir. O rádio, o rádio não. O rádio inventa a verdade junto com a gente.” Diz Rodrigo Bueno, da Folha de São Paulo, autor de um texto sobre o vídeo tape no futebol, que me fez pensar sobre o assunto. Viva o rádio e abaixo o videoteipe burro.
O TEMPO PASSA RÁPIDO DEMAIS
Os anos estão passando muito rapidamente, imagine você, amigo blogueiro, que lá se vão quarenta e cinco anos, em que sentado nas arquibancadas do Maracanã, levado pelo meu saudoso pai (Zebinho), vi Almir, que depois se tornou um bom amigo, detonar o timaço do Milan, do conterrâneo Amarildo, debaixo de uma chuva tipo "arrasa quarteirão", e levar o Santos FC a conquistar o seu segundo título mundial interclubes. Um jogo feio, truncado, onde a força física dos santistas superou o talento dos italianos. Almir jogara na vaga de Pelé, que voltou da Itália, onde o Santos perdera o primeiro jogo pelo placar de 4x2, contundido.
O Milan fez 2x0 e o jogo parecia definido, mas Almir comandou a virada, 4x2, e os jornais daquela época destacaram a bravura do "Pernambuquinho", apelido do ex-craque de Vasco e Flamengo, sem deixar uma pitada de maldade com a fera do Santos, tido com um jogador que usava doping para entrar em campo. A tempestade acendeu o Santos, que conseguiu virar o jogo em meio a um futebol "aquático". No lamaçal, o Santos marcou quatro gols em 20 minutos, batendo o Milan por 4 a 2. A virada heróica alvinegra levou a decisão da taça para um terceiro, e último, embate.
Dois dias depois, precisamente em 16 de novembro de 1963, novamente no Maracanã, outro triunfo alvinegro sobre os italianos, desta vez por 1 a 0 e sem chuva, deu ao Santos o bicampeonato mundial de clubes. E, felizmente, lá estava eu, com os meus 14 anos, de mãos dada com meu pai, voltando para a Rua José Higino, ali na Tijuca, a pé, com a chuva caindo novamente, mas com o rosto coberto de uma felicidade sem tamanho.
Seis anos depois, já crescido e independente, lá vou eu de novo rumo ao Maracanã, desta vez não para ver Almir, que já abandonara o futebol e vivia rodando pela Galeria Alaska, em Copacabana, onde viveu até morrer assassinado por tentar defender uma de suas amigas da galeria. Mas eu dizia que seis anos depois voltava eu ao Estádio Mário Filho para presenciar um outro fato histórico, o MILÉSIMO GOL DE PELÉ.
Na noite de 19 de novembro de 1969, uma quarta-feira, Santos e Vasco se enfrentavam pela Taça de Prata no Maracanã. O jogo estava empatado: Benetti abriu o placar para o time cruzmaltino aos 17 minutos de jogo, Renê, contra, igualou o marcador aos dez do segundo tempo. Aos 34 minutos da etapa final, Pelé caiu na área do Vasco após um choque com o zagueiro Fernando. O pernambucano Manoel Amaro de Lima não teve dúvidas: marcou pênalti. O que se viu depois foi um dos momentos mais comentados na história do nosso futebol, talvez mais lembrado que o Dia da Bandeira: o milésimo gol de Pelé há exatos 39 anos.
O Milan fez 2x0 e o jogo parecia definido, mas Almir comandou a virada, 4x2, e os jornais daquela época destacaram a bravura do "Pernambuquinho", apelido do ex-craque de Vasco e Flamengo, sem deixar uma pitada de maldade com a fera do Santos, tido com um jogador que usava doping para entrar em campo. A tempestade acendeu o Santos, que conseguiu virar o jogo em meio a um futebol "aquático". No lamaçal, o Santos marcou quatro gols em 20 minutos, batendo o Milan por 4 a 2. A virada heróica alvinegra levou a decisão da taça para um terceiro, e último, embate.
Dois dias depois, precisamente em 16 de novembro de 1963, novamente no Maracanã, outro triunfo alvinegro sobre os italianos, desta vez por 1 a 0 e sem chuva, deu ao Santos o bicampeonato mundial de clubes. E, felizmente, lá estava eu, com os meus 14 anos, de mãos dada com meu pai, voltando para a Rua José Higino, ali na Tijuca, a pé, com a chuva caindo novamente, mas com o rosto coberto de uma felicidade sem tamanho.
Seis anos depois, já crescido e independente, lá vou eu de novo rumo ao Maracanã, desta vez não para ver Almir, que já abandonara o futebol e vivia rodando pela Galeria Alaska, em Copacabana, onde viveu até morrer assassinado por tentar defender uma de suas amigas da galeria. Mas eu dizia que seis anos depois voltava eu ao Estádio Mário Filho para presenciar um outro fato histórico, o MILÉSIMO GOL DE PELÉ.
Na noite de 19 de novembro de 1969, uma quarta-feira, Santos e Vasco se enfrentavam pela Taça de Prata no Maracanã. O jogo estava empatado: Benetti abriu o placar para o time cruzmaltino aos 17 minutos de jogo, Renê, contra, igualou o marcador aos dez do segundo tempo. Aos 34 minutos da etapa final, Pelé caiu na área do Vasco após um choque com o zagueiro Fernando. O pernambucano Manoel Amaro de Lima não teve dúvidas: marcou pênalti. O que se viu depois foi um dos momentos mais comentados na história do nosso futebol, talvez mais lembrado que o Dia da Bandeira: o milésimo gol de Pelé há exatos 39 anos.
O NETO DO BEBETO
O fato se deu na casa do neto de um amigo (céus, meus amigos já têm netos!). Garoto de cinco anos. Diz o jovem avô coruja (tem 50, antigamente avô tinha pra mais de setenta, não era, não?), bem, diz o avô que o menino, desde o primeiro natal, ainda no colo, ficava deslumbrado com a árvore que todo ano aparecia na sala. Com quatro e cinco já ajudava e colocar os badulaques todos.
Pois foi em janeiro do ano que está terminando que o Joaquim (nome do neto e não do avô) – mais precisamente no dia 6 – reclamou com aquela autoridade de cinco anos já completados:
- Mas vai desmanchar a árvore de novo? (e quase chorando) Porque que todo ano tem que desmanchar a árvore? Por quê?
Era hora do café da manhã, todo mundo reunido. Pai, mãe, irmãos mais velhos: senhores de 10 e 14 anos. E todos se entreolharam.
- É uma tradição, meu filho.
- Tradição? Perguntou o Joaquim que não tinha a mínima idéia do que fosse uma tradição.
- Tradição.
Não sabia o que era aquela palavra esquisita, mas devia ser coisa muito séria, porque a tal da tradição obrigava todas as casas da rua, da cidade, a desarrumarem a árvore de natal no dia 6 de janeiro. Dias de Reis! Acrescentou a mãe.
Joaquim se calou, mas aprendeu que rei e tradição deveriam ter alguma coisa em comum. De rei só conhecia os reis magos. Ou magros, como ele dizia.
- Se é coisa de dia de rei, então os reis magros ficam no presépio.
O pai encarou:
- E posso saber por quê?
E o garoto não pestanejou:
- Tradição!
E a árvore não foi desmontada. E o presépio está lá até hoje. Tá certo que foi incremento com umas motos, uma perna de Barbie, um Homem-Aranha e uma nota de um dólar que ninguém sabe de onde saiu. Fora um relógio de plástico cor-de-rosa
E a árvore de natal, no lugar das bolas vermelhas, amarelas “Iguais as do Guga”. E, lá em cima, no lugar da tradicional estrela-cometa, uma bandeira do Brasil escrito com a letra dele, em forma: R-O-N-A-L-D-O
Pois foi em janeiro do ano que está terminando que o Joaquim (nome do neto e não do avô) – mais precisamente no dia 6 – reclamou com aquela autoridade de cinco anos já completados:
- Mas vai desmanchar a árvore de novo? (e quase chorando) Porque que todo ano tem que desmanchar a árvore? Por quê?
Era hora do café da manhã, todo mundo reunido. Pai, mãe, irmãos mais velhos: senhores de 10 e 14 anos. E todos se entreolharam.
- É uma tradição, meu filho.
- Tradição? Perguntou o Joaquim que não tinha a mínima idéia do que fosse uma tradição.
- Tradição.
Não sabia o que era aquela palavra esquisita, mas devia ser coisa muito séria, porque a tal da tradição obrigava todas as casas da rua, da cidade, a desarrumarem a árvore de natal no dia 6 de janeiro. Dias de Reis! Acrescentou a mãe.
Joaquim se calou, mas aprendeu que rei e tradição deveriam ter alguma coisa em comum. De rei só conhecia os reis magos. Ou magros, como ele dizia.
- Se é coisa de dia de rei, então os reis magros ficam no presépio.
O pai encarou:
- E posso saber por quê?
E o garoto não pestanejou:
- Tradição!
E a árvore não foi desmontada. E o presépio está lá até hoje. Tá certo que foi incremento com umas motos, uma perna de Barbie, um Homem-Aranha e uma nota de um dólar que ninguém sabe de onde saiu. Fora um relógio de plástico cor-de-rosa
E a árvore de natal, no lugar das bolas vermelhas, amarelas “Iguais as do Guga”. E, lá em cima, no lugar da tradicional estrela-cometa, uma bandeira do Brasil escrito com a letra dele, em forma: R-O-N-A-L-D-O
ENCONTRO SEMANAL DO MODERNO COM O ANTIGO
Desce um chope, sai um frango picadinho e torradinho, desce mais dois chopes, desce um amendoim sem casca e a discussão vai em frente. Sábado chuvoso, mas um calor típico de verão e a conversa já passara por todos os cantos do planeta bola, mas teimosamente não saia do passado e as comparações eram inevitáveis. Por raros momentos a prosa saia da esfera doméstica, às vezes o Chico, que não viveu o auge do nosso futebol, tirava o foco sobre Braizinho, Milton Cabeludo e outros, para nos lembrar que em décadas passadas a capital do Rio produzia craques aos borbotões.
Todos os sábados, pela manhã, a turma se reúne no Snob’s para falar do velho e nobre esporte bretão. Eu, que quando em vez participo do papo, fico esperando a deixa para entrar ou não na roda, que muitas vezes é formada por experts, aqueles que já jogaram, e muito, e vez por outra apenas por leigos ou não chegados à redondinha no gramado, são apenas conhecedores via televisão ou induzidos por comentaristas, que no caso não é o escriba aqui, mas com conhecimento muito acima da média, afinal são homens letrados e intelectuais centrados e bem informados.
Os modernos falam sobre os campeonatos europeus, mostrado atualmente nos canais pagos da tevê por assinatura, suas administrações profissionais e altamente lucrativas. Os saudosistas se recusam a prosear sobre a atualidade, se negam a falar sobre Inter, Juventus, Real Madrid, Barcelona, às vezes se rendem ao Benfica e Milan, que marcaram sua geração nos épicos duelos com o Santos, de Pelé e cia. Na verdade o que querem é falar sobre o futebol de um passado um pouco distante e da velha guarda do esporte.
Chico, que é do tempo em que o Maraca lotava com quase duzentas mil pessoas, gosta mesmo é de falar dos grandes clássicos entre Vasco e Flamengo, onde o dinheiro era um mero detalhe e a paixão pela camisa era autêntica e sem a motivação financeira que move hoje noventa por cento da lotação do Maraca.
Os clubes eram imensas famílias, se erravam, davam bronca, se erravam de novo, uma surra. Os treinadores tinham que merecer sentar naqueles lendários bancos de reserva, reservas que, aliás, eram melhores do que muito time titular por aí. No gramado, tática e força física ficava de lado, o que se via mesmo era o balé de fintas e dribles desconcertantes.
As discussões, quando locais, são acirradas e sempre dá empate. O Nenenzinho não conseguiria jogar hoje, levaria pau na primeira tentativa de passar por um marcador. O Júlio, com sua calma no melhor estilo Gérson, não faria aqueles lançamentos de cinqüenta metros no futebol de hoje. Estas afirmações, muitas contestadas e discutidas quase as vias de fato, são normais em roda de chopes e entre velhos conhecedores do futebol de ontem e de hoje.
Eu, quando pedem, dou meu pitaco e faço as comparações colocando mais lenha na fogueira da discussão. Sempre fico no muro, sei das divergências e também sou partidário das idéias do Chico, mas no fundo eu quero mesmo é alimentar a prosa para não deixar cair o velho e bom hábito de se falar do futebol de algumas décadas passadas, onde o grande mote era a busca pelo gol e o amor pela camisa que vestia, o dinheiro, tirando o Genuíno, era algo que ninguém buscava.
Quem tem razão? O Gustavo, que conhece futebol como poucos, mas o que sabe é o que a tevê mostra e os jornais contam? O Chico, que sabe tudo do passado e tudo lê e vê na modernidade, mas não viu o passado da Santa Terrinha? O Clóvis Helsinque, que narrou os bons jogos pela Rádio Emissora de Miracema e conviveu com os craques do passado? O Zé Hamilton, um profundo conhecedor do Fluminense e sabedor, através dos causos contados pelo pai, Binó, que foi um grande craque do passado?
Melhor do que descobrir a enigmática resposta é participar e assistir a leal discordância de todos, o da velha guarda armando arapucas para criar um ato falho do moderno. Este fingindo que concorda para na hora H sair pela tangente e assumir sua posição contraditória. Sempre leais, atacavam-se com cautela, querendo pontuar, mas nunca apelando para a violência.
Ás vezes, você podia ouvir uma pausa na guerra de argumentos, uma trégua, paz. Podia-se imaginar que talvez tivessem chegado a uma conclusão. Mas bastava verem os gols da rodada na TV que começava tudo de novo.
- Esse Robinho é craque!
- Que nada, você fala isso porque nunca viu o Tostão jogar.
Todos os sábados, pela manhã, a turma se reúne no Snob’s para falar do velho e nobre esporte bretão. Eu, que quando em vez participo do papo, fico esperando a deixa para entrar ou não na roda, que muitas vezes é formada por experts, aqueles que já jogaram, e muito, e vez por outra apenas por leigos ou não chegados à redondinha no gramado, são apenas conhecedores via televisão ou induzidos por comentaristas, que no caso não é o escriba aqui, mas com conhecimento muito acima da média, afinal são homens letrados e intelectuais centrados e bem informados.
Os modernos falam sobre os campeonatos europeus, mostrado atualmente nos canais pagos da tevê por assinatura, suas administrações profissionais e altamente lucrativas. Os saudosistas se recusam a prosear sobre a atualidade, se negam a falar sobre Inter, Juventus, Real Madrid, Barcelona, às vezes se rendem ao Benfica e Milan, que marcaram sua geração nos épicos duelos com o Santos, de Pelé e cia. Na verdade o que querem é falar sobre o futebol de um passado um pouco distante e da velha guarda do esporte.
Chico, que é do tempo em que o Maraca lotava com quase duzentas mil pessoas, gosta mesmo é de falar dos grandes clássicos entre Vasco e Flamengo, onde o dinheiro era um mero detalhe e a paixão pela camisa era autêntica e sem a motivação financeira que move hoje noventa por cento da lotação do Maraca.
Os clubes eram imensas famílias, se erravam, davam bronca, se erravam de novo, uma surra. Os treinadores tinham que merecer sentar naqueles lendários bancos de reserva, reservas que, aliás, eram melhores do que muito time titular por aí. No gramado, tática e força física ficava de lado, o que se via mesmo era o balé de fintas e dribles desconcertantes.
As discussões, quando locais, são acirradas e sempre dá empate. O Nenenzinho não conseguiria jogar hoje, levaria pau na primeira tentativa de passar por um marcador. O Júlio, com sua calma no melhor estilo Gérson, não faria aqueles lançamentos de cinqüenta metros no futebol de hoje. Estas afirmações, muitas contestadas e discutidas quase as vias de fato, são normais em roda de chopes e entre velhos conhecedores do futebol de ontem e de hoje.
Eu, quando pedem, dou meu pitaco e faço as comparações colocando mais lenha na fogueira da discussão. Sempre fico no muro, sei das divergências e também sou partidário das idéias do Chico, mas no fundo eu quero mesmo é alimentar a prosa para não deixar cair o velho e bom hábito de se falar do futebol de algumas décadas passadas, onde o grande mote era a busca pelo gol e o amor pela camisa que vestia, o dinheiro, tirando o Genuíno, era algo que ninguém buscava.
Quem tem razão? O Gustavo, que conhece futebol como poucos, mas o que sabe é o que a tevê mostra e os jornais contam? O Chico, que sabe tudo do passado e tudo lê e vê na modernidade, mas não viu o passado da Santa Terrinha? O Clóvis Helsinque, que narrou os bons jogos pela Rádio Emissora de Miracema e conviveu com os craques do passado? O Zé Hamilton, um profundo conhecedor do Fluminense e sabedor, através dos causos contados pelo pai, Binó, que foi um grande craque do passado?
Melhor do que descobrir a enigmática resposta é participar e assistir a leal discordância de todos, o da velha guarda armando arapucas para criar um ato falho do moderno. Este fingindo que concorda para na hora H sair pela tangente e assumir sua posição contraditória. Sempre leais, atacavam-se com cautela, querendo pontuar, mas nunca apelando para a violência.
Ás vezes, você podia ouvir uma pausa na guerra de argumentos, uma trégua, paz. Podia-se imaginar que talvez tivessem chegado a uma conclusão. Mas bastava verem os gols da rodada na TV que começava tudo de novo.
- Esse Robinho é craque!
- Que nada, você fala isso porque nunca viu o Tostão jogar.
JOSÉ, O MODESTO E NADA CARMO TREINADOR
Hoje é dia de homenagear a todos aqueles comandantes de times de bairros, distritos, povoados, etc e tal, que um dia se nomearam treinador e sentiram na carne o que é dirigir um time avulso. Muitos amigos, como Zé “Modesto” do Carmo, Geraldo, Adilson, Beirute, Botão, Chiquinho Maracanã, Ailton e outros desconhecidos de todos nós, um dia tiveram causos, como este, mas jamais tiveram a notoriedade que tem um Luxemburgo, Joel Santana e até mesmo Alexandre Gama, que pegou o ônibus e sentou-se à janela logo na primeira parada.
O time de Laranjais até que ia bem no campeonato, mas nunca tinha ido tão longe como naquela competição regional. A cidade, digo, o distrito, estava orgulhoso do feito e o assunto lá pelas bandas de Batatais era só um: O sucesso do Laranjais.
O time azul, não vestia laranja, era composto por jogadores esforçados, o melhorzinho era mediano e não havia craques vestindo a camisa endeusada pelos moradores. O time, segundo Do Carmo, tinha determinação e valentia. “Todos seguem a minha batuta e meus métodos intergaláctico”. O que isto queria dizer a gente não sabe, mas os métodos nada convencionais de Do Carmo, que usava o xingamento como base de suas instruções, fazia efeito e seu time vencia uma partida atrás da outra na Liga de Batatais.
A Rádio do Primeiro Distrito resolveu premiar o esforço do treinador e seus comandados e colocou um setorista (repórter exclusivo) no distrito, que enviava diariamente um vasto noticiário sobre o Laranjais EC. Serjão Salles, com dois eles, diretor do time interiorano, pedia para que o repórter Carlos Augusto desse força ao Do Carmo, pois o moço era modesto até no nome.
Em sua primeira entrevista o já famoso treinador foi profundo em sua análise: “Meu nome é José Modesto do Carmo, mas modesto eu posso ser, mas carmo eu não sou não. Se não seguirem minhas orde fico nervoso, de verdade, e sorto as cachorra”, dizia ele em sua narrativa ao bravo repórter da rádio Batatais, a primeira a dar as últimas.
E este linguajar do técnico, estava deixando sem sono toda a diretoria do Laranjais, e até o líder político do local, que por lá é conhecido como prefeitinho, afinal os jogos a partir daquela fase seriam transmitidas pelo rádio para toda a região. Zelosos pela imagem da localidade e preocupados com o que poderia falar nas entrevistas, resolvem substituí-lo, logo na grande decisão. E contratam para seu lugar, um famoso técnico da capital, daqueles de paletó e gravata e fala empolada...
E chega o grande dia... Terminado o primeiro tempo, o Laranjais parece irreconhecível: 3 x 0 para os visitantes. Atordoados, os jogadores não conseguem assimilar as orientações técnicas e variações táticas propostas pelo “professor”, que propunha mudanças alternadas do sistema 4-4 -2 para o 3- 5 -2 , com Over Laping, pelas laterais...
Atendendo ao apelo desesperado da torcida que urrava pelo velho Modesto, o dono do time tenta a última cartada:
- Busca o homem!...
E pela primeira vez na historia do futebol, um técnico foi substituído no intervalo...
E nosso herói, que assistia ao jogo da arquibancada, volta à cena, irrompendo pelo vestiário, já disparando suas máximas a torto e a direito:
- O time “tá” muito manso. Parece pardal de igreja!
- E o capitão, muito calado! Precisa bancar o cabrito entrando na faca:
Berrar o tempo todo!...
- Zagueiro tem que jogar quiném pé de milho:
PLANTADO!
- E tem mais:
- Atacante inimigo é feito cabeça de prego:
Tem que levar pancada, até sumir da sua frente!...
- Meio de campo não pode enrolar, tem que distribuir a bola igual a rabo de vaca:
Prum lado e pro outro!...
- A linha “tá” paradona! Esqueceu da tática do “tatu com porco?”“:
É Cavar e fuçar o tempo todo!...
E arremata furibundo:
Quando nóis tiver sendo atacado,
Arrecúa todo o time!...
E na hora do ataque, é quiném enterro de Coronel:
Vai todo mundo!...
Final do jogo: Em memorável virada, o Laranjais vence o jogo por 4 x 3, com o nosso bravo Modesto do Carmo sendo carregado em triunfo, nos braços pela torcida...
Um pouco menos “Modesto” e mais “Carmo” que nunca.
O time de Laranjais até que ia bem no campeonato, mas nunca tinha ido tão longe como naquela competição regional. A cidade, digo, o distrito, estava orgulhoso do feito e o assunto lá pelas bandas de Batatais era só um: O sucesso do Laranjais.
O time azul, não vestia laranja, era composto por jogadores esforçados, o melhorzinho era mediano e não havia craques vestindo a camisa endeusada pelos moradores. O time, segundo Do Carmo, tinha determinação e valentia. “Todos seguem a minha batuta e meus métodos intergaláctico”. O que isto queria dizer a gente não sabe, mas os métodos nada convencionais de Do Carmo, que usava o xingamento como base de suas instruções, fazia efeito e seu time vencia uma partida atrás da outra na Liga de Batatais.
A Rádio do Primeiro Distrito resolveu premiar o esforço do treinador e seus comandados e colocou um setorista (repórter exclusivo) no distrito, que enviava diariamente um vasto noticiário sobre o Laranjais EC. Serjão Salles, com dois eles, diretor do time interiorano, pedia para que o repórter Carlos Augusto desse força ao Do Carmo, pois o moço era modesto até no nome.
Em sua primeira entrevista o já famoso treinador foi profundo em sua análise: “Meu nome é José Modesto do Carmo, mas modesto eu posso ser, mas carmo eu não sou não. Se não seguirem minhas orde fico nervoso, de verdade, e sorto as cachorra”, dizia ele em sua narrativa ao bravo repórter da rádio Batatais, a primeira a dar as últimas.
E este linguajar do técnico, estava deixando sem sono toda a diretoria do Laranjais, e até o líder político do local, que por lá é conhecido como prefeitinho, afinal os jogos a partir daquela fase seriam transmitidas pelo rádio para toda a região. Zelosos pela imagem da localidade e preocupados com o que poderia falar nas entrevistas, resolvem substituí-lo, logo na grande decisão. E contratam para seu lugar, um famoso técnico da capital, daqueles de paletó e gravata e fala empolada...
E chega o grande dia... Terminado o primeiro tempo, o Laranjais parece irreconhecível: 3 x 0 para os visitantes. Atordoados, os jogadores não conseguem assimilar as orientações técnicas e variações táticas propostas pelo “professor”, que propunha mudanças alternadas do sistema 4-4 -2 para o 3- 5 -2 , com Over Laping, pelas laterais...
Atendendo ao apelo desesperado da torcida que urrava pelo velho Modesto, o dono do time tenta a última cartada:
- Busca o homem!...
E pela primeira vez na historia do futebol, um técnico foi substituído no intervalo...
E nosso herói, que assistia ao jogo da arquibancada, volta à cena, irrompendo pelo vestiário, já disparando suas máximas a torto e a direito:
- O time “tá” muito manso. Parece pardal de igreja!
- E o capitão, muito calado! Precisa bancar o cabrito entrando na faca:
Berrar o tempo todo!...
- Zagueiro tem que jogar quiném pé de milho:
PLANTADO!
- E tem mais:
- Atacante inimigo é feito cabeça de prego:
Tem que levar pancada, até sumir da sua frente!...
- Meio de campo não pode enrolar, tem que distribuir a bola igual a rabo de vaca:
Prum lado e pro outro!...
- A linha “tá” paradona! Esqueceu da tática do “tatu com porco?”“:
É Cavar e fuçar o tempo todo!...
E arremata furibundo:
Quando nóis tiver sendo atacado,
Arrecúa todo o time!...
E na hora do ataque, é quiném enterro de Coronel:
Vai todo mundo!...
Final do jogo: Em memorável virada, o Laranjais vence o jogo por 4 x 3, com o nosso bravo Modesto do Carmo sendo carregado em triunfo, nos braços pela torcida...
Um pouco menos “Modesto” e mais “Carmo” que nunca.
Nossos craques eternos
Para não falar da Turma do Funil, do Bloco Levanta Povo, da turma do Fogaréu, do Mané Badeco, do Zé Faca, vou parar por aqui para não me esquecer de ninguém e ser cobrado na próxima vez que por aqui chegar, volto a minha velha rotina de relembrar os bons jogadores, alguns craques e aqueles esforçados imprescindíveis, que passaram pelo futebol da terrinha e que hoje estão por algum canto contando histórias e pedindo testemunho de quem os viu jogar no Municipal ou no Campo do América, já que a memória de nosso povo, aqui e acolá, só está aberta para o que viu, ou vê, na telinha da televisão.
RUBINHO - Ele e Bizuca foram os grandes goleiros da cidade, mas Rubinho era o meu favorito. Quieto, educado, até pequeno para a posição, Rubinho "Camelo" era um monstro dentro da área e excelente debaixo das traves. A gente tem conversado pouco ultimamente, prometi a ele que teríamos um dedo de prosa lá no seu cantinho, mas a dívida ainda será paga. Joguei com ele, assisti bons jogos nas arquibancadas e tenho grande admiração pela pessoa e pelo goleiro que foi Rubinho, irmão do meu grande amigo, já morando no andar de cima, Haroldo Bodica. Se um dia vocês ouvirem dizer que Rubinho fazia milagres no gol do Miracema FC, podem acreditar, eu assino embaixo.
VALDIR - Jamais passou perto de ser chamado de craque, mas se fizermos uma seleção, dos anos 60/70, na cidade ele não pode estar fora dela. Valdir do Táxi, como hoje e conhecido, foi um zagueiro-zagueiro, daqueles xerifes que impões respeito e que sabiam sair jogando e impor respeito na área. Diziam que muitos atacantes eram medrosos e que não chegavam à área do Tupã, depois Associação, por causa do Valdir. Ele batia, quando precisava, saia jogando, quando podia, e não dava bola para chiadeiras dos atacantes. Se fosse no futebol atual Valdir tinha vaga em qualquer time destes aí, que jogam o Brasileiro ou Estaduais, Odivan, Fábio Luciano e muitos outros não teriam vez se tivessem um Valdir no elenco.
MANOEL LIMA - Taí um craque. Polivalente, clássico, raçudo e com um toque de bola diferenciado. Manoel Lima, que eu conheci jogando no time do TG 217, e dai prá frente jogou em todas e em todas se saiu bem. Se o colocassem no meio campo, armava como poucos, como segundo atacante sabia chegar para finalizar, como lateral já atuava como os alas de hoje e na quarta zaga, com ultima impulsão e noção de espaço, foi excelente. Um nome para entrar na história do futebol da cidade.
ADEMIR - Já que falei em craque, no tópico acima, este foi um dos mais brilhantes meias que vi jogar em todas as partes por onde andei. Ademir, irmão do Valdir, do Chocalho, do Pedrinho, do Ataíde, do Clóvis, do Zé Augusto, foi o mais brilhante da família Souza. Craque e com visão de jogo excepcional. Se um dia eu fiz alguns gols metade destes eu tenho que colocar em sua conta. Craque.
JÚLIO - Um dos meus mais fraternos amigos, ele e Tiara (veja abaixo) foi um dos caras mais perfeitos que vi em campo, ele e Ademir foram no grupo dos intocáveis em qualquer seleção de sonhos. Júlio só tinha um defeito, não ligava muito para futebol e jogava apenas para ficar com os amigos. Seus passes eram geniais e já o conhecia desde criança, fomos criados juntos ali na Ary Parreiras, e sabia de cor e salteado as suas jogadas preferidas. Lançamento perfeito, ótima visão de jogo e um passe tão bom que até Jucão se cansou de fazer gols com seus passes. Além do grande amigo que é Júlio é um dos meus personagens preferidos quando o assunto é futebol.
VADECO - Um dia, vendo Toninho Cerezzo jogando, eu disse: Este é filho do Vadeco. Cerezo foi um dos ótimos jogadores brasileiros e Vadeco foi um dos ótimos jogadores de nosso tempo. Perfeito na marcação, saída de bola com qualidade, arrancada de coração forte e disciplina tática muito boa. Vadeco jogou no tempo em que não se dava oportunidades aos interioranos, mas deixou seu nome escrito em qualquer página que lembre o futebol miracemense.
LAURO - Este, sem dúvida, foi um dos maiores talentos surgidos em nosso futebol. Eu não o vi em seus áureos tempos, era muito pequeno e não sabia distinguir quem era aquém no futebol, mas joguei com eles nas peladas e nos times avulsos da cidade e, tenho certeza, de que hoje teria lugar no Milan, Real Madrid, Chelsea, Manchester, etc e tal. Lauro Carvalho é saudade, como pessoa, é saudade como craque, é saudade como amigo, mas está vivo na memória de quem gosta, ou gostou, do futebol classudo e cheio de arte e malícia.
MILTON CABELUDO - Meu grande ídolo e um dos maiores craques do meu tempo, claro que quando comecei a jogar ele estava parando, mais por problemas físicos do que ela idade, mas tive o orgulho de jogar ao seu lado e ouvir dele alguns elogios e conselhos. Fez sucesso no Porto Alegre e deixou sua marca de qualidade pelos campos de todo Noroeste Fluminense. Milton Cabeludo era um fora de série e qualquer comentário sobre ele estaria "chovendo no molhado". Cracaço.
GENUÍNO - Desde os tempos das peladas do Ginásio ele já se destacava pela qualidade do seu futebol e pela fome de bola, não passava, não cruzava e só tinha um objetivo: Fazer gols. Genuíno foi um dos grandes atacantes do nosso futebol, mas como gostava mais de dinheiro do que de bola, e naquele tempo o futebol pagava pouco, optou por trabalhar duro para juntar uma graninha e deixou o futebol como uma forma de prazer, mas cá prá nós, prazer mesmo era ver Genuíno dar seus dribles desconcertantes e marcar seus gols sensacionais.
TIARA - Meu grande companheiro de ataque, rápido, inteligente, dono de um bom chute e de um cruzamento perfeito, Tiara cansou de me colocar na cara do gol e, infelizmente, me tirou vários títulos de artilheiros de campeonatos, pois também sabia marcar os seus golzinhos. Jogamos juntos desde os cinco anos de idade e formamos, eu, ele e Júlio, um trio de amigos inseparáveis e até hoje, quando a gente se vê, dá para tirar um pouquinho de prosa e lembrar de nossos bons momentos nos campos do ginásio, no Rink e nos gramados da região.
Não é uma seleção de sonhos, eu já disse acima, mas são jogadores de minha geração que eu acredito serem diferenciados. Claro que existem outros tantos ou muito mais, com qualificação para entrar neste pequeno grupo, mas o que me leva a escrever este texto é a tentativa de fazer você lembrar da sua turma e me enviar nomes daqueles craques que você viu jogar.
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Um dia chego a casa mais cedo, tive um dia cheio e enervante no trabalho, e encontro uma cerveja na geladeira, um petisco fresquinho sobre a mesa e uma pergunta: O Flamengo joga hoje? Com a resposta afirmativa minha mulher faz outra pergunta. Posso convidar uma amiga para assistir contigo? Ela, sabendo que não gosto de dividir o sofá com mulheres, em dia de futebol fica bem claro, jogou um charme e, a cerveja era chantagem, para que pudesse aceitar o pedido todo especial, que diga-se de passagem aceitei sem nenhum contragosto, afinal era a Deca, nossa prima, que estava na cidade nos visitando e queria ver o seu Flamengo jogar.
Deca é daquelas que sabe tudo do esporte, assim como a minha mana Teresa, que compra pacote do “paga prá ver” do Brasileiro, do Carioca e até do Paulista. Deca, a nossa Angélica, é fera como o mano Zé Renato. Sabe tudo sobre qualquer esporte e tem sempre uma resposta pronta e assunto diverso, sobre o mundo dos esportes, para colocar em discussão, e não perde uma.
Assim é a mulher no dia de hoje, totalmente liberta do preconceito de que mulher não sabe nada de futebol. Teresa e Deca vieram para desmentir esta colocação e falam como ninguém sobre o mundo da bola. Uma outra mulher me veio a lembrança quando o nosso editor me ligou pedindo para falar na mulher, na edição de hoje. Lembrei-me da Diva, uma amiga de juventude e apaixonada pelo Fluminense. Ela, a Diva, foi a primeira menina que vi discutindo futebol com autoridade de gente grande, conhecia os bastidores do tricolor como ninguém e sua coleção de revistas não eram apenas para olhar os rostos bonitos dos jogadores, era mesmo para ficar por dentro e dar um olé nos meninos da terrinha.
Assim são estas mulheres do esporte, sem medo de enfrentar as arquibancadas e sem medo de serem felizes. Poderia falar nas nadadoras, nas jogadoras de futebol, nas atletas olímpicas, mas nada disto me veio a cabeça, pois tenho certeza de que todos os jornais, do mundo inteiro, irão tecer loas a estas atletas fenomenais ou esquecidas. Até o presidente Lula vai homenagear as atletas brasileiras no Dia Internacional da Mulher.
Por isto, ao ser convidado para falar sobre elas no dia reservado a elaS, escolhi a Teresa, a Deca e a Diva, torcedoras fieis, freqüentadoras de sofás e arquibancadas, conhecedoras profundas do mundo da bola. Diva e Teresa jogaram basquete, ambas têm em casa medalhas do JAI (Jogos Abertos do Interior) e do saudoso JENF (Jogos Estudantis do Norte Fluminense), e representam a liberdade de expressão futebolística da mulher brasileira, que hoje tem na Soninha e na Milli Lacombe, suas fieis representantes na tevê brasileira.
Deca é daquelas que sabe tudo do esporte, assim como a minha mana Teresa, que compra pacote do “paga prá ver” do Brasileiro, do Carioca e até do Paulista. Deca, a nossa Angélica, é fera como o mano Zé Renato. Sabe tudo sobre qualquer esporte e tem sempre uma resposta pronta e assunto diverso, sobre o mundo dos esportes, para colocar em discussão, e não perde uma.
Assim é a mulher no dia de hoje, totalmente liberta do preconceito de que mulher não sabe nada de futebol. Teresa e Deca vieram para desmentir esta colocação e falam como ninguém sobre o mundo da bola. Uma outra mulher me veio a lembrança quando o nosso editor me ligou pedindo para falar na mulher, na edição de hoje. Lembrei-me da Diva, uma amiga de juventude e apaixonada pelo Fluminense. Ela, a Diva, foi a primeira menina que vi discutindo futebol com autoridade de gente grande, conhecia os bastidores do tricolor como ninguém e sua coleção de revistas não eram apenas para olhar os rostos bonitos dos jogadores, era mesmo para ficar por dentro e dar um olé nos meninos da terrinha.
Assim são estas mulheres do esporte, sem medo de enfrentar as arquibancadas e sem medo de serem felizes. Poderia falar nas nadadoras, nas jogadoras de futebol, nas atletas olímpicas, mas nada disto me veio a cabeça, pois tenho certeza de que todos os jornais, do mundo inteiro, irão tecer loas a estas atletas fenomenais ou esquecidas. Até o presidente Lula vai homenagear as atletas brasileiras no Dia Internacional da Mulher.
Por isto, ao ser convidado para falar sobre elas no dia reservado a elaS, escolhi a Teresa, a Deca e a Diva, torcedoras fieis, freqüentadoras de sofás e arquibancadas, conhecedoras profundas do mundo da bola. Diva e Teresa jogaram basquete, ambas têm em casa medalhas do JAI (Jogos Abertos do Interior) e do saudoso JENF (Jogos Estudantis do Norte Fluminense), e representam a liberdade de expressão futebolística da mulher brasileira, que hoje tem na Soninha e na Milli Lacombe, suas fieis representantes na tevê brasileira.
O DILEMA: TORCER OU NÃO TORCER
Foi uma noite diferente para o torcedor alvinegro, principalmente para aqueles que estiveram na noite de quarta-feira no Maracanã para ver uma decisão reunindo dois pequenos e simpáticos clubes do Estado do Rio de Janeiro. Por aqui, na cidade de Campos, quem ficou lotou bares e quiosques na certeza de que teriam uma festa alvinegra, com um toque de alvianil, isto mesmo, alguns campistas alvianis desfraldaram as bandeiras do Goytacaz FC para saudar (seria?) o arqui-rival, que buscava mais uma vez o título sempre almejado por eles.
Nos bares da Rua Formosa, próximos ao Estádio Ary de Oliveira e Souza, a movimentação era a de um Fla x Flu. Torcedores ansiosos por uma noite de festa reservavam desde as primeiras horas da noite uma cadeira ou um lugar próximo do aparelho de televisão. – O jogo é da Globo! Gritava um alvianil que antecipava a sua torcida pelo Madureira. – O Madura é tricolor e como um bom tricolor (Fluminense) vou torcer pelo time da capital. Assim, em boa paz e em harmonia, foi o pré-jogo no Para-Raio’S Bar, no Chora na Rampa e no Bar do Papa, que está em reforma e mesmo assim recebeu um bom público.
A bola já estava no centro do gramado e o telefone toca na mesa ao lado. –Alô!! Pode falar, sou eu mesmo. Era Joacir recebendo uma ligação do filho, que foi escondido ao Maracanã, avisando que chegara bem e que estava vestindo uma camisa do Americano FC. – Que vergonha, meu filho. Que mal eu fiz a Deus para receber uma notícia desta antes de um jogo do meu grande rival. Você tá louco? Perguntou o pai angustiado, que recebeu como resposta um lacônico não. – Pai, preste atenção, eu estou praticamente a três horas de meu primeiro título e você quer cortar o meu barato? Por isto não te avisei que viria ao Maracanã, sabia que ia dar um contra na idéia.
Pobre alvianil. Agüentou firme e iniciou uma torcida pelo Madureira só para que o filho, mais novo por sinal, não mudasse de camisa e, segundo ele, não envergonhasse a família, que é desde o avô formada por fieis torcedores do Azul do Povo.
A bola começou a rolar e lá estão os opostos. Eu afirmo para o amigo leitor que nem mesmo aqueles fanáticos alvianis estavam dispostos a torcer contra o rival, o muito que ouvi e vi eram torcedores dizendo que ficariam em cima do muro, se desse Madureira zoariam os alvinegros, mas se o Cano vencesse até que ficariam calados, mas um pouco felizes.
Não deu tempo sequer para todos os torcedores se acomodarem às mesas e logo o Madureira marcou. Eram decorridos apenas cinco minutos do primeiro tempo quando Maicon errou um cruzamento e a bola entrou no canto de Erivelton. Com 1x0 para o Madureira ouviu-se o barulho de fogos no ar. – Tem comício do Mocaiber? Pergunta Joilson. – Não, meu caro amigo, são fogos da Fiel Alvianil comemorando o gol do Madureira.
Nos bares da Rua Formosa, próximos ao Estádio Ary de Oliveira e Souza, a movimentação era a de um Fla x Flu. Torcedores ansiosos por uma noite de festa reservavam desde as primeiras horas da noite uma cadeira ou um lugar próximo do aparelho de televisão. – O jogo é da Globo! Gritava um alvianil que antecipava a sua torcida pelo Madureira. – O Madura é tricolor e como um bom tricolor (Fluminense) vou torcer pelo time da capital. Assim, em boa paz e em harmonia, foi o pré-jogo no Para-Raio’S Bar, no Chora na Rampa e no Bar do Papa, que está em reforma e mesmo assim recebeu um bom público.
A bola já estava no centro do gramado e o telefone toca na mesa ao lado. –Alô!! Pode falar, sou eu mesmo. Era Joacir recebendo uma ligação do filho, que foi escondido ao Maracanã, avisando que chegara bem e que estava vestindo uma camisa do Americano FC. – Que vergonha, meu filho. Que mal eu fiz a Deus para receber uma notícia desta antes de um jogo do meu grande rival. Você tá louco? Perguntou o pai angustiado, que recebeu como resposta um lacônico não. – Pai, preste atenção, eu estou praticamente a três horas de meu primeiro título e você quer cortar o meu barato? Por isto não te avisei que viria ao Maracanã, sabia que ia dar um contra na idéia.
Pobre alvianil. Agüentou firme e iniciou uma torcida pelo Madureira só para que o filho, mais novo por sinal, não mudasse de camisa e, segundo ele, não envergonhasse a família, que é desde o avô formada por fieis torcedores do Azul do Povo.
A bola começou a rolar e lá estão os opostos. Eu afirmo para o amigo leitor que nem mesmo aqueles fanáticos alvianis estavam dispostos a torcer contra o rival, o muito que ouvi e vi eram torcedores dizendo que ficariam em cima do muro, se desse Madureira zoariam os alvinegros, mas se o Cano vencesse até que ficariam calados, mas um pouco felizes.
Não deu tempo sequer para todos os torcedores se acomodarem às mesas e logo o Madureira marcou. Eram decorridos apenas cinco minutos do primeiro tempo quando Maicon errou um cruzamento e a bola entrou no canto de Erivelton. Com 1x0 para o Madureira ouviu-se o barulho de fogos no ar. – Tem comício do Mocaiber? Pergunta Joilson. – Não, meu caro amigo, são fogos da Fiel Alvianil comemorando o gol do Madureira.
MARK OLAF, UM AMIGO SUL AFRICANO
O amigo Mark Olaf, alemão naturalizado sul-africano, me escreve uma carta, isto mesmo, uma carta, que me foi entregue lá em Miracema, no último final de semana, por minhas irmãs. O detalhe interessante foi a forma com que Olaf endereçou a missiva, da forma que o ensinei, na década de 70, quando trabalhamos juntos no Hotel Regente, em Copacabana. Naquela época eu brincava que para falar comigo, na terrinha, bastava procurar pelo Adilson Penacho, e que se mandasse uma carta para o Penacho, no Bar do Zebinho, Miracema/RJ, ela chegava até a mim. Dito e feito, o amigo me enviou as noticias da sua terra, em abril deste ano, e a dita cuja, com o endereço aprendido aqui no Brasil, e a tal carta chegou. Atrasada, mas chegou.
Mark Olaf faz um convite para que eu vá, com toda a família, acho que ele pensa que estou rico e que tenho “bala na agulha” para sair do Brasil com cinco pessoas e bancando todas as despesas aérea. “A hospedagem eu garanto”, diz o sul-africano, acreditando que eu possa mesmo fazer uma viagem destas. Ele dividia comigo uma sala no escritório de conferência do Hotel Regente, nós éramos controladores de estoque do Restaurante Forno & Fogão e do Regente, e trocávamos idéias sobre o futebol mundial, ele, Olaf, sonhava em ser jornalista internacional e conseguiu apenas ser dono de uma agencia de automóveis na terra que escolheu para viver. E não uma marca qualquer, é representante da Mercedez Benz na África do Sul.
“Copa do Mundo de 2010 será realizada pela primeira vez no continente africano. A África do Sul, por ser o país-sede, é o único pré-classificado entre os trinta e dois países que participarão da Copa.
A África do Sul está construindo atualmente cinco novos estádios de futebol em preparação para a Copa do Mundo de 2010. Será a primeira vez da história do país que a região terá estádios especialmente dedicados ao futebol. Sob o antigo governo do Apartheid, estádios eram construídos exclusivamente para o rugby e o críquete.
A África do Sul tem pouca tradição no futebol, em 2002 participou da Copa da Coréia e do Japão no grupo B, sendo eliminada na 1ª fase da copa num grupo que tinha Espanha, Eslovênia e Paraguai, participou também da Copa de 98, na França.
Uma delegação da Fifa completou uma primeira visita à África do Sul depois que o país foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2010. Os dirigentes disseram na quarta-feira que vários aspectos técnico e legal foram debatidos antes dos membros da Fifa deixarem o país.
"A Fifa está procurando cumprir todo o processo do país-sede o mais rápido possível e vai montar um escritório na África do Sul no início do ano que vem", disse Danny Jordaan, que encabeça o Comitê local.
Um comitê de quatro homens, do qual Jordaan é um dos integrantes, foi composto para acertar a organização local, o que deve ser finalizado no mês que vem”. Diz o amigo em sua carta.
Mark Olaf me mandou o número de seu telefone e, aproveitando a promoção de minha operadora de celular, liguei para o velho amigo e troquei um dedo de prosa a respeito da possível troca de país sede da Copa 2010, por problemas envolvendo o vírus da Aids. Olaf foi franco e respondeu assim, também citando uma reportagem de Jordaan. “A reação de Jordaan foi a uma reportagem publicada pelo jornal "Business Day". Segundo esta, a Fifa já estaria trabalhando nos bastidores para transferir a sede do Mundial-2010 da África do Sul para a Austrália. Ainda de acordo com a reportagem, a mudança seria porque a África do Sul apresenta alta criminalidade, baixa qualidade de transporte público, alto índice de pessoas infectadas pelo vírus HIV e insuficiência de acomodações. Eu ouvi sobre essa história, mas realmente não estou interessado nela, disse Olaf. A imprensa local vem questionando sistematicamente a capacidade do país de sediar um evento tão grande quanto a Copa do Mundo, sobretudo por identificar no governo uma suposta lentidão em iniciar o processo”. Arrematou.
Que bonito é a amizade, trinta e seis anos após revejo, mesmo que em carta, um amigo que me recorda os bons momentos vividos no Regente e ainda se lembra que sou um apaixonado pelo futebol.
Mark Olaf faz um convite para que eu vá, com toda a família, acho que ele pensa que estou rico e que tenho “bala na agulha” para sair do Brasil com cinco pessoas e bancando todas as despesas aérea. “A hospedagem eu garanto”, diz o sul-africano, acreditando que eu possa mesmo fazer uma viagem destas. Ele dividia comigo uma sala no escritório de conferência do Hotel Regente, nós éramos controladores de estoque do Restaurante Forno & Fogão e do Regente, e trocávamos idéias sobre o futebol mundial, ele, Olaf, sonhava em ser jornalista internacional e conseguiu apenas ser dono de uma agencia de automóveis na terra que escolheu para viver. E não uma marca qualquer, é representante da Mercedez Benz na África do Sul.
“Copa do Mundo de 2010 será realizada pela primeira vez no continente africano. A África do Sul, por ser o país-sede, é o único pré-classificado entre os trinta e dois países que participarão da Copa.
A África do Sul está construindo atualmente cinco novos estádios de futebol em preparação para a Copa do Mundo de 2010. Será a primeira vez da história do país que a região terá estádios especialmente dedicados ao futebol. Sob o antigo governo do Apartheid, estádios eram construídos exclusivamente para o rugby e o críquete.
A África do Sul tem pouca tradição no futebol, em 2002 participou da Copa da Coréia e do Japão no grupo B, sendo eliminada na 1ª fase da copa num grupo que tinha Espanha, Eslovênia e Paraguai, participou também da Copa de 98, na França.
Uma delegação da Fifa completou uma primeira visita à África do Sul depois que o país foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2010. Os dirigentes disseram na quarta-feira que vários aspectos técnico e legal foram debatidos antes dos membros da Fifa deixarem o país.
"A Fifa está procurando cumprir todo o processo do país-sede o mais rápido possível e vai montar um escritório na África do Sul no início do ano que vem", disse Danny Jordaan, que encabeça o Comitê local.
Um comitê de quatro homens, do qual Jordaan é um dos integrantes, foi composto para acertar a organização local, o que deve ser finalizado no mês que vem”. Diz o amigo em sua carta.
Mark Olaf me mandou o número de seu telefone e, aproveitando a promoção de minha operadora de celular, liguei para o velho amigo e troquei um dedo de prosa a respeito da possível troca de país sede da Copa 2010, por problemas envolvendo o vírus da Aids. Olaf foi franco e respondeu assim, também citando uma reportagem de Jordaan. “A reação de Jordaan foi a uma reportagem publicada pelo jornal "Business Day". Segundo esta, a Fifa já estaria trabalhando nos bastidores para transferir a sede do Mundial-2010 da África do Sul para a Austrália. Ainda de acordo com a reportagem, a mudança seria porque a África do Sul apresenta alta criminalidade, baixa qualidade de transporte público, alto índice de pessoas infectadas pelo vírus HIV e insuficiência de acomodações. Eu ouvi sobre essa história, mas realmente não estou interessado nela, disse Olaf. A imprensa local vem questionando sistematicamente a capacidade do país de sediar um evento tão grande quanto a Copa do Mundo, sobretudo por identificar no governo uma suposta lentidão em iniciar o processo”. Arrematou.
Que bonito é a amizade, trinta e seis anos após revejo, mesmo que em carta, um amigo que me recorda os bons momentos vividos no Regente e ainda se lembra que sou um apaixonado pelo futebol.
Futebol é uma lição de geografia
Esta foi uma semana muito especial para este velho escriba. Bota especial nisto, afinal o meu Leandro, o Leandro Dutra, aqui do O Diário, terminou a faculdade e dentro de poucos dias irá receber seu diploma de jornalista.
Aquele diploma que eu sempre sonhei e, por vários motivos, não pude recebê-lo, como muitos jovens de meu tempo que tiveram que optar por trabalhar para sustento próprio e deixar de lado a carreira tão desejada.
Olhando para ontem, e bota ontem nisto, me vejo no quarto de costura de minha velha casa, em Miracema, onde minha mãe, Lili, sentava com toda calma do mundo para tomar-me a lição do dia.
Eu adorava, mamãe tinha sempre um bolo, um chocolate ou um salgadinho preparado para cada dia de estudo, olha que eu só era ruim em matemática, as outras matérias eu tirava de letra, e a geografia, que era “decoreba” pura, eu era fera.
As capitais do mundo eu aprendi lendo as páginas esportivas de O Jornal, que o velho Vicente Dutra assinava e que chegava no dia seguinte, vindo de trem da capital do estado.
Hoje, conversando com estes meninos, apaixonados pelo futebol, sinto saudades daquele tempo dos jornais, único veículo, além do rádio “rabo quente”, a nos oferecer um pequeno noticiário sobre Roma, Londres, Berlim, Madrid, Lisboa, Estocolmo, Paris e tantas outras belas capitais do mundo.
Os jovens de agora sabem onde ficam Manchester, Barcelona, Munique, Porto e outras grandes cidades deste planeta, basta dar uma olhadinha na tevê, que hoje nos oferece cinco canais fechados de esportes, e por lá estão em destaque estas cidades europeias.
Até a África, território que no passado a gente só conhecia pelos Atlas escolares, nos dias de hoje nos é mostrada quase que diariamente nos noticiários esportivos, afinal os grandes jogadores do mundo da bola são do continente negro, entre estes o grande ídolo do futebol inglês, Didier Drogba, que atua no Chelsea, clube que recusou uma imensa fortuna por seu passe.
Dona Lili ficava admirada quando eu respondia sobre as capitais do mundo. Dona Nerilda, minha professora de geografia, certa vez me tirou pontos porque eu escrevia mais ou menos assim: Capital de Portugal? Benfica, de Lisboa, pensava e escrevia assim, para depois escrever o correto, somente Lisboa. Capital da Espanha? Primeiro pensava no time, Real Madrid, para em seguida escrever Madrid. E assim desfilava todas as capitais, na ponta da língua e sem erros, claro que tinha que colocar o nome do time em destaque, caso contrário errava literalmente.
O Yves Lima, meu amigo mais novo, é um exemplo da modernidade que a tevê nos dá. O jovem, quinze anos apenas, sabe do mundo o que qualquer um cidadão, de minha idade, não sabia em seus tempos de guri. Isto é informação, é cultura geral, é prazer em ver futebol misturado com estudo involuntário.
Qualquer garoto, da idade do Yves ou até um pouco mais velho, além da paixão pelo basquete americano, a NBA, sabe onde ficam as grandes cidades americanas e quais são as suas características, isto vem da informação da Liga Americana, que criou fãs pelo mundo inteiro.
Nos meses de dezembro, véspera de natal, a cidade recebe seus “boleiros” e os encontros destes são recheados de peladas e churrascos em grande estilo. Este ano, se é que eles virão, dois campistas que ganharam o mundo poderão ensinar a garotada alguma coisa sobre a Turquia e Portugal, Wéderson e Léo brilham intensamente com as camisas do Fernebahçce e do Benfica.
O primeiro, até pouco tempo, não passava de um ilustre desconhecido, mas com a chegada da caravana brasileira, liderada pelo Zico e que tem Roberto Carlos, David, Edu Dracena, Marco Aurélio e o uruguaio Lugano, que vestiu com sucesso a camisa do São Paulo FC, além do nosso Nunu, já faz parte da rotina dos frequentadores assíduos das transmissões internacionais, aumentada consideravelmente este ano com o time turco encontrando o bom futebol na Liga dos Campeões.
Experimente você, pai ou mãe destes meninos de hoje, dar uma olhada nas páginas esportivas dos jornais especializados, como Lance! ou Jornal dos Sports, ou até mesmo assistir uma destas transmissões pelos canais esportivos, tenho certeza de que aprenderá muito mais do que naquele tempo de lições de casa decoradas.
Veja lá na internet a quantidade de links que a rapaziada olha para uma boa conversa de fim de noite. Aprendi muito com estes meninos e hoje recebo boas lições do Leandro, que dentro de pouco tempo me fará aposentar, com muito orgulho. Parabéns, meu garoto!
FIGURAS E TIPOS INESQUECÍVEIS
O Erasmo Tostes conta muito bem deste assunto, em seu livro, mas é preciso reviver também alguns nomes incríveis da cidade, como o Adão, o Paraoquena, um negro valente e trabalhador, que quando tomava além da cota, mistrurada aos remédios controlados que tomava, saía pelas ruas a correr e a brigar com quem lhe ofendesse. A ofensa, entendida pelo Adão, era um simples “Paraoquena pé de pato, comedor de carrapato”.
Outro simplório tipo era o Raul, dono de uma voz bonita e de uma cabeleira grisalha e alinhada. Raul, conhecido também por Juquitinha, era outro que se empombava com os gritos da garotada, mas jamais correu atrás de alguém ou tentou agredir quem quer que seja, apenas se aborrecia e deixava de lado aquele que não gostasse de ouvir o seu cantar.
Foram tantos personagens que marcaram nossa infância e juventude, que poderia ser transcrito em quatro ou colunas semanais. Joel do Hospital, tão bem descrito pelo médico Carlos Sérgio Barbuto em uma crônica espetacular, era outro tipo simpático e folclórico. Seus pulos e seus gritos em bailes e brincadeiras dançantes faziam correr dezenas de moçoilas, preocupadas com um possível “agarrão” do Joel, coisa que jamais aconteceu por se tratar de um homem de bem e com uma mente civilizada.
Mané Catinga, um negro forte e sempre disposto a um biscate, trabalhar duro nunca foi o seu forte. Mané era uma figura incrível, presente em todos os sepultamentos –era ele quem distribuía os convites impressos- e que muitas vezes foi flagrado jogando-os no ribeirão e nos campos de futebol.
Neca Solão, que viva nos seu habitat preferido, o coreto da pracinha, era outro que impunha medo sem nunca ter sido violento. Até hoje não descobri o porque do temor por aquele homem, dever ser aquela máxima de mães duronas: “fique quieto senão eu chamo o Neca Solão!” Nos tempos de peladas no Rink era uma figura fácil de ser encontrada.
Cabo Atleta, não sei se era militar mesmo ou o título era apenas simbólico, era um pacato cidadão que guardava o nosso jardim. Cabo Atleta vigiava constantemente as nossas jambeiras e estava sempre alerta quando as pedras subiam procurando um jambo mais vermelho.
O mesmo jardim nos traz a mente o grande Mocinho, locutor de voz bonita. Mocinho, o Geraldo Brandão, dividia com o Nicanor Bastos o serviço de som, que funcionava na oca do jardim, e comandava programas de calouros e shows na Praça das Mães.
No bar do meu avô, Vicente Dutra, atendia diariamente uma dezenas destes tipos incríveis, que ficaram meus amigos e que até hoje ainda tenho um espaço reservado, no coração, para lembrar de suas aventuras.
E quem, da minha geração, não se lembra do Jorginho, aquele baixinho que a turma chamava de Tché-Tchê?
Em breve mais um capítulo desta "novela" chamada Figuras Folclóricas da cidade.
FERIADO DA INDEPENDENCIA
Nestas últimas visitas a Miracema, como temos feriados neste país, tive a oportunidade de conversar com dezenas de amigos, conhecer outro tanto e criar novos contatos com outras dezenas de pessoas. Ando, como todos sabem, de esquina em esquina, de bar em bar, não em busca da bebida, mas por conversa diferente que tenho aqui no meu canto, em Campos dos Goytacazes. Rodo a procura de novas idéias, de novos causos e de outros assuntos diferentes daqueles que tenho na minha memória e no meu computador.
No feriado de 7 de setembro, abro aqui um parêntesis para me queixar da pouca importância que nossos patrícios dão a esta data, mas abrindo um outro parêntesis eu destaco a grande concentração de conterrâneos, miracemenses ou visitantes, na nossa Rua Direita durante toda a sexta-feira e, apesar da música desagradável aos meus ouvidos, fiquei ali na Kiskina ouvindo o funk da rapaziada e conversando com meu velho e bom amigo Homerinho Feijó, cujo neto e seu amigo de infância me surpreenderam cantando, ou melhor, me soprando no ouvido pois o barulho infernal, vindo dos carros estacionados na Marechal Floriano detonavam em volume altíssimo as músicas dos jovens que estavam na rua.
Mas eu dizia que os garotos tentavam cantar alguma coisa, e pasmem, eram músicas do tempo do velho Homero Feijó, do Vicente Dutra ou do Zebinho. E assim se passaram os cinco dias que por aí estive, uma conversa aqui, outra ali e os pedidos eram os mesmos, sempre alguém me relembrando um causo antigo ou pedindo para eu contar alguma coisa sobre a bola ou sobre música.
Na noite da Mira Fantasy, parabéns ao pessoal do Clube XV, alô Paulinho Azevedo, que fizeram uma festa inesquecível, ali em frente ao antigo Banerj, que conversa boa eu tive lá no Tio Nilo com o Jorginho, Mário e o Fernando, tirei até uma foto para o meu álbum particular. Volto à noite do Mira Fantasy, ali em frente ao antigo Banerj, eu e Fernando Nascimento falávamos sobre bola, sobre música e sobre os tempos de colégio, com Zé Luiz, o de Categoria, o Zé Souto e o Assis de ouvidos atentos e entrando no papo quando necessário.
Ali, naquela espera pelo primeiro desfile na rua, eu e Fernando lembrávamos do Télio Mercante, o Ferrugem, cuja crônica especial está no forno e sai dentro de alguns números, do Felicíssimo, ambos professores de matemática, com muita influencia sobre este que vos fala, mas que também tiveram sucesso no Tupã, ambos zagueiros, beliscando as canelas adversárias.
Mais um pouco a frente, ainda na mesma calçada, abraço meu grande amigo Júlio Barros, se não foi o melhor meia que vi jogar pelo menos é um dos três melhores, olha que eu estou falando no geral e não só em Miracema ou região. Júlio foi craque e por causa dos estudos não seguiu em frente, queria ser doutor e hoje o é, além de professor universitário. Foi bom ver Fernando, Júlio, foi bom ver Assis, pessoas que fazem parte de um passado legal, foi ótimo estar novamente com os Josés, Luiz e Souto, amigos que estão sempre em contato comigo.
Volto um pouco nas horas, lembram daquele movimento na Rua Direita, que falei acima? Foi ali que cruzei com o Erasmo Tostes e mandei minha bronca ao distinto amigo e nobre colega das letrinhas. – Erasmo, estou bravo contigo. Ele, espantado, sem saber do que se tratava, me retruca. – O que te fiz, acho que há algum engano, falou o amigo me fixando atentamente. – Você publicou uma lista com nomes de ilustres miracemenses, que fizeram a história ou participaram da história da cidade e, este o motivo da minha bronca, conheci todos estes, os cem Erasmo, e estão me chamando de velho gagá, ninguém mais acredita que eu tenha a idade que falo, até meus filhos já está desconfiados que o Zebinho tenha me registrado dez ou quinze anos depois.
No feriado de 7 de setembro, abro aqui um parêntesis para me queixar da pouca importância que nossos patrícios dão a esta data, mas abrindo um outro parêntesis eu destaco a grande concentração de conterrâneos, miracemenses ou visitantes, na nossa Rua Direita durante toda a sexta-feira e, apesar da música desagradável aos meus ouvidos, fiquei ali na Kiskina ouvindo o funk da rapaziada e conversando com meu velho e bom amigo Homerinho Feijó, cujo neto e seu amigo de infância me surpreenderam cantando, ou melhor, me soprando no ouvido pois o barulho infernal, vindo dos carros estacionados na Marechal Floriano detonavam em volume altíssimo as músicas dos jovens que estavam na rua.
Mas eu dizia que os garotos tentavam cantar alguma coisa, e pasmem, eram músicas do tempo do velho Homero Feijó, do Vicente Dutra ou do Zebinho. E assim se passaram os cinco dias que por aí estive, uma conversa aqui, outra ali e os pedidos eram os mesmos, sempre alguém me relembrando um causo antigo ou pedindo para eu contar alguma coisa sobre a bola ou sobre música.
Na noite da Mira Fantasy, parabéns ao pessoal do Clube XV, alô Paulinho Azevedo, que fizeram uma festa inesquecível, ali em frente ao antigo Banerj, que conversa boa eu tive lá no Tio Nilo com o Jorginho, Mário e o Fernando, tirei até uma foto para o meu álbum particular. Volto à noite do Mira Fantasy, ali em frente ao antigo Banerj, eu e Fernando Nascimento falávamos sobre bola, sobre música e sobre os tempos de colégio, com Zé Luiz, o de Categoria, o Zé Souto e o Assis de ouvidos atentos e entrando no papo quando necessário.
Ali, naquela espera pelo primeiro desfile na rua, eu e Fernando lembrávamos do Télio Mercante, o Ferrugem, cuja crônica especial está no forno e sai dentro de alguns números, do Felicíssimo, ambos professores de matemática, com muita influencia sobre este que vos fala, mas que também tiveram sucesso no Tupã, ambos zagueiros, beliscando as canelas adversárias.
Mais um pouco a frente, ainda na mesma calçada, abraço meu grande amigo Júlio Barros, se não foi o melhor meia que vi jogar pelo menos é um dos três melhores, olha que eu estou falando no geral e não só em Miracema ou região. Júlio foi craque e por causa dos estudos não seguiu em frente, queria ser doutor e hoje o é, além de professor universitário. Foi bom ver Fernando, Júlio, foi bom ver Assis, pessoas que fazem parte de um passado legal, foi ótimo estar novamente com os Josés, Luiz e Souto, amigos que estão sempre em contato comigo.
Volto um pouco nas horas, lembram daquele movimento na Rua Direita, que falei acima? Foi ali que cruzei com o Erasmo Tostes e mandei minha bronca ao distinto amigo e nobre colega das letrinhas. – Erasmo, estou bravo contigo. Ele, espantado, sem saber do que se tratava, me retruca. – O que te fiz, acho que há algum engano, falou o amigo me fixando atentamente. – Você publicou uma lista com nomes de ilustres miracemenses, que fizeram a história ou participaram da história da cidade e, este o motivo da minha bronca, conheci todos estes, os cem Erasmo, e estão me chamando de velho gagá, ninguém mais acredita que eu tenha a idade que falo, até meus filhos já está desconfiados que o Zebinho tenha me registrado dez ou quinze anos depois.
DOMINGO DAS MÃES UM DOMINGO DE AMOR
Hoje tem campeonato brasileiro, um prato cheio para que todas as mães do Brasil tenham um dia de explicações sobre ausências ou retiradas estratégicas. Os fanáticos terão desculpas esfarrapadas para saírem de casa mais cedo, logo após o almoço da “mama” e partirem com tudo para as arquibancadas dos estádios deste país do futebol. Hoje é dia de almoçar, beijar, abraçar e dar carinho àquela que nos colocou no mundo, felizes são os torcedores que ainda podem sentar à mesa para um bate-papo gostoso com a mãezona, mas tudo bem, eu já tive o meu tempo e hoje aprecio os filhos fazendo o mesmo com minha mãe dois, a minha esposa Marina.
O Leandro, que é jornalista esportivo e tem uma paciencia de Jó, há quinze anos vem tentando, sem sucesso, explicar para sua mãe o que é um impedimento. Há oito, tentava explicar a diferença entre Dida e Cafu, e que nem todo cabeça de bagre, digo cabeça de área se chama Dunga. Não obteve sucesso aí também.
Mas eis que me lembro de quando meu pai levou a Dona Lili, minha mãe, pela primeira vez ao Maracanã, se não me engano era um Flamengo x Santos pelo Torneio Rio/São Paulo. Antes de acabarem os primeiros 45 minutos de jogo, o Zebinho já havia explicado dezenas de vezes o que era impedimento, o que era escanteio e até mesmo uma simples falta era explicada com carinho pelo apaixonado marido. Dona Lili percebe vários impedimentos, refere-se aos jogadores e suas respectivas posições com os nomes certos e... Que emoção (!)... Sabia até o nome do goleiro, mas o do adversário, que minha “tia” Elizabeth tinha dito que era casado com sua prima, no caso o goleiro era o santista Gilmar.
Já que contei esta do Zebinho e da Lili, conto mais uma outra, também acontecida no Maracanã, quando este colunista resolveu levar a esposa ao “Maior do Mundo”. Era um clássico nacional, Flamengo x Atlético Mineiro, e valia pelo Campeonato Brasileiro de 76, isto se minha memória não me traiu. Atlético mandando no jogo e o então ponta direita rubro-negro, Rogério, por quem eu nutria um ódio tremendo, tudo porque ele não repetia no Flamengo as mesmas atuações que tivera no Botafogo, e a cada jogada errada do camisa 7 eu xingava e ficava vermelho de raiva.
- Calma, meu filho, assim você vai enfartar. Dizia-me Marina com a mesma frieza que lia a sua revista nos degraus quentes do Maracanã. Eu, incendiado pela ira contra o ponta, esbravejei e quando ela olhou o Rogério fazer um magnífico passe para o atacante Lola, do Atlético, meter um balaço nas redes do Flamengo. – Viu só, amor, eu não disse que ele iria acertar um passe e o gol iria sair? Eu, já nervoso, mas não querendo comprar uma briga com a mulher, eu casara em 75 e vivíamos praticamente em lua-de-mel, apenas fiz umas perguntinhas básicas: - Qual a cor da camisa do Rogério? Ela respondeu: Vermelha e preta. – Qual a cor da camisa do Atlético? Ela rapidamente detonou: Preta e Branca. E para não brigar eu apenas soprei no seu ouvido, doido para dar um berro, então, amor, o Rogério fez uma tremenda M... ele deu um passe açucarado para o cara do Galo fazer o gol.
Ela entendendo a mancada disse com um sorriso: - Quando acabar o jogo me chama, vou continuar lendo a minha revistinha. Tá bom, amor?
O Leandro, que é jornalista esportivo e tem uma paciencia de Jó, há quinze anos vem tentando, sem sucesso, explicar para sua mãe o que é um impedimento. Há oito, tentava explicar a diferença entre Dida e Cafu, e que nem todo cabeça de bagre, digo cabeça de área se chama Dunga. Não obteve sucesso aí também.
Mas eis que me lembro de quando meu pai levou a Dona Lili, minha mãe, pela primeira vez ao Maracanã, se não me engano era um Flamengo x Santos pelo Torneio Rio/São Paulo. Antes de acabarem os primeiros 45 minutos de jogo, o Zebinho já havia explicado dezenas de vezes o que era impedimento, o que era escanteio e até mesmo uma simples falta era explicada com carinho pelo apaixonado marido. Dona Lili percebe vários impedimentos, refere-se aos jogadores e suas respectivas posições com os nomes certos e... Que emoção (!)... Sabia até o nome do goleiro, mas o do adversário, que minha “tia” Elizabeth tinha dito que era casado com sua prima, no caso o goleiro era o santista Gilmar.
Já que contei esta do Zebinho e da Lili, conto mais uma outra, também acontecida no Maracanã, quando este colunista resolveu levar a esposa ao “Maior do Mundo”. Era um clássico nacional, Flamengo x Atlético Mineiro, e valia pelo Campeonato Brasileiro de 76, isto se minha memória não me traiu. Atlético mandando no jogo e o então ponta direita rubro-negro, Rogério, por quem eu nutria um ódio tremendo, tudo porque ele não repetia no Flamengo as mesmas atuações que tivera no Botafogo, e a cada jogada errada do camisa 7 eu xingava e ficava vermelho de raiva.
- Calma, meu filho, assim você vai enfartar. Dizia-me Marina com a mesma frieza que lia a sua revista nos degraus quentes do Maracanã. Eu, incendiado pela ira contra o ponta, esbravejei e quando ela olhou o Rogério fazer um magnífico passe para o atacante Lola, do Atlético, meter um balaço nas redes do Flamengo. – Viu só, amor, eu não disse que ele iria acertar um passe e o gol iria sair? Eu, já nervoso, mas não querendo comprar uma briga com a mulher, eu casara em 75 e vivíamos praticamente em lua-de-mel, apenas fiz umas perguntinhas básicas: - Qual a cor da camisa do Rogério? Ela respondeu: Vermelha e preta. – Qual a cor da camisa do Atlético? Ela rapidamente detonou: Preta e Branca. E para não brigar eu apenas soprei no seu ouvido, doido para dar um berro, então, amor, o Rogério fez uma tremenda M... ele deu um passe açucarado para o cara do Galo fazer o gol.
Ela entendendo a mancada disse com um sorriso: - Quando acabar o jogo me chama, vou continuar lendo a minha revistinha. Tá bom, amor?
XERIFES, ARTILHEIROS E O ETERNO
Tem muita gente que me lembra nomes e passa informações sobre este ou aquele jogador, miracemense ou que passou por aqui, quando este escriba ainda corria atrás da bola. Anoto tudo no bloco da memória e vou sacando folha por folha com o passar dos dias.
DOIS XERIFES – Brecó, um zagueiro não muito alto, era o símbolo de um time raçudo, aquele formado pelo Altino Monteiro, lá na Usina Santa Rosa. Brecó jogou também no Miracema e no Operário, mas foi com o Polaca, no alvinegro da Rua da Laje, que viveu seus melhores momentos. Um zagueiro pau puro, como disse o Thiara, mas com banca e força de durão.
Um outro xerifão, só que com muita bola, era o Geraldinho, que quando jogava ao meu lado, no TG 217, no Vasquinho ou em outro time qualquer, era bonito de vê-lo em campo distribuindo jogo, botando raça e impondo sua força, que era aliada do seu talento, às vezes abusava do jogo duro e a turma reclamava. Geraldinho, nos tempos modernos, seria uma espécie de Mauro Silva, aquele volante da Copa 98, que tinha qualidade técnica e muita disposição durante os noventa minutos.
UM CORAÇÃO – Clóvis, zagueiro vigoroso e raçudo, não o incluo na relação dos xerifes devido a sua elegância dentro de campo. Duro, nunca desleal, Clóvis era um dos esteios daquele que foi o melhor time do Paraíso, comandado pelo Ciro, pai do Totonho e do Assad, e fazia pulsar todos os corações de sua equipe.
DOIS ARTILHEIROS – Careca, que há muito penso em escrever sobre seu futebol, era um artilheiro genial, bem ao estilo Luis Fabiano. Cabeceio mortal, presença de área e muita inteligência no toque e na colocação dentro da área. Às vezes o achavam lento, talvez por ser um pouco maior do que os outros atacantes, mas os cruzamentos do Nenenzinho, no período em que jogaram juntos, no Miracema, sempre encontravam a cabeçada certeira do artilheiro Careca.
Outro artilheiro fabuloso foi Edil, lá de Flores, filho do Neném Fachada. Edil era um ícone e um líder do rubro negro de Venda das Flores, além de um baita atacante, um dos melhores que vi jogar, quando precisava de um goleiro lá estava ele com a camisa um. Edil nos deixou cedo demais, porém, tem sempre um porém, foi o meu melhor companheiro de ataque durante o meu curto período de boleiro, na confusão dentro da área, com os zagueiros preocupados com ele, a bola sempre sobrava limpinha para eu empurrar para o gol e correr para o abraço. Edil foi genial em campo e “bestial” fora dele, não se cuidava e subiu cedo de mais para o andar de cima.
O ETERNO – Alvinho ou Álvaro Gonçalves Júnior, foi um dos mais perfeitos cavalheiros que vi jogar por estes anos todos. Além de craque de bola é um craque fora das quatro linhas. Educado, leal e amigo de seus amigos, é também um grande contador de histórias da bola. Jogou praticamente em todas as posições, nas laterais, na zaga, no meio e no ataque, onde fiz com ele uma boa dupla no início de minha carreira no Tupã. Alvinho é eterno e joga até hoje, com brilho, suas peladas por times de veteranos que rodam a região.
Aguardem que já tenho anotado mais gente, inclusive aqueles que jamais brilharam com estrelas principais, mas foram figurantes de ótimo nível, e por isto fizeram a alegria de muitos artilheiros, como o Juarez “Beiçola” ou o Pernoca, os xerifes como o Dida, e raçudos como Toninho Garrinchinha e coração valente como Ataíde ou Jorge Sete Pernas e outros clássicos como o Eduardo Piazza. Ainda espero o seu e-mail lembrando estes jogadores, que como disse acima, estão na história do nosso futebol.
A MÚSICA CLÁSSICA E O ERUDITO FUTEBOL
Sou um cara que adora música, tenho formação musical e por alguns anos soprei um trompete, aquele famoso piston das bandas de música tradicionais, fui crooner de conjunto, hoje bandas de rock ou de músicas modernas, e, sempre que posso vejo bons programas culturais na tevê. A TVs Sesc e Senado proporcionam ótimos momentos musicais, para quem gosta da música clássica ou erudita. Quando vou a São Paulo acompanho meu guru, José Maria de Aquino, na peregrinação artística cultural, que sempre termina em um ótimo restaurante em algum ponto nobre da cidade.
Ou seja, nada de presenciar somente futebol. Certo dia o Célio Silva me convidou para ver Santos e Botafogo. Felizmente não vi a virada santista sobre o alvinegro carioca por 2 a 1. Olha, naquele dia era possível até ficar em casa, na do Zé Maria, claro, com meus olhos atentos a campanha de recuperação do Náutico, que goleou o Juventude por 4 a 1, mas não, aceitei o convite de Lídia, esposa do Célio, para ver um espetáculo no Museu do Ypiranga, ali perto de sua casa. Pelo menos por algumas horas, o futebol deixou de ser minha prioridade profissional e de lazer.
Fomos assistir a apresentação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, que tinha na regência o maestro John Neschling. No cardápio, obras de Franz Liszt e de Ferrucio Busoni. Dizer que o programa é espetacular é economizar nos elogios. E quando sai do local passei a entender porque os fãs desse tipo de música torcem o nariz para os acordes simples do rock´n rool ou uma melodia mais simples feita especialmente para vender disco. Não digo que passei a ser fã de música erudita. Mas entendi um pouco da resistência dos seguidores e pesquisadores da chamada música clássica.
O amigo pode estar se perguntando, intrigado: afinal, qual a relação de um concerto de música clássica e o futebol? Simples: o episódio me fez reservar uma porção de compreensão aos cronistas esportivos que defendem o futebol arte das décadas de 1950, 1960, 1970 ou até 1980.
Pare e analise: por anos e anos, o sujeito conviveu aos domingos com craques do naipe de Didi, Pelé, Pepe, Garrincha, Rivelino, Gerson, Zizinho, Carpegiani, Zico, Reinaldo, Roberto Dinamite, Tostão, Dirceu Lopes, entre outros. Presenciou esses craques em estádios lotados e sem um pingo de confusão. Torcida Organizada era apenas sinônimo de fila na catraca. O camarada saiu às ruas para comemorar três títulos mundiais sempre sob o signo da arte e do talento. De quebra, ninguém era vendido ao exterior. Os campeonatos europeus eram eventos exóticos e que abrigava apenas atletas brasileiros que já tinham dado sua contribuição à Seleção Brasileira. Ou não tinham nada a almejar com a camisa amarela.
Hoje, o torcedor vê todos os dias um craque despedindo-se dos gramados brasileiros. Craques? Contentamos-nos com Toró, Pierre, Thiago Neves, Zelão, Gustavo Nery, Souza, Ibson, Marcel, Fernandão...tudo craque de segunda linha. Analiso o futebol europeu por um motivo: convivo com ele quase que diariamente, via tevê. Tenho amigos fanáticos por Liverpool, Manchester, Milan e Benfica, por exemplo, que só verei, ao vivo, se resolver fazer um tour pela Europa, mas para isto falta o principal, grana. Muita grana, a não ser que a Espn resolva me premiar novamente, com aquela passagem, para algum país europeu.
Tento analisar o que está próximo. E infelizmente, o quadro é terrível. Os jogos do Campeonato Brasileiro se transformaram em ringues com grama. O vale tudo prevalece. Fica a pergunta: como pedir complacência a quem já presenciou a fina flor do futebol brasileiro? Tenho visto uma imensidão de jogos pelos campeonatos europeus, já escrevi aqui sobre o assunto, e esta semana mais uma vez fiquei encantado com o trio de ferro inglês, Manchester, Arsenal e Liverpool. O Chelsea não está me convencendo.Mas o trio é fantástico, seus jogos, naqueles gramados que parecem tapetes verdes, são como um espetáculo dos Três Tenores, Pavarotti, Carreras e Plácido Domingos, você ouve em silêncio e aplaude no fim.
É duro admitir: os amantes da música clássica e erudita ainda possuem orquestras sinfônicas para manter a tradição e deleitar seus ouvidos. Já os aficionados do futebol arte só possuem uma saída: o aparelho de DVD de sua residência. Triste. Gosto das valsas vienenses, de Strauss, assim como gosto das belas jogadas de Cristiano Ronaldo. Sou fã de Schubert, mas não dispenso as atuações maviosas de Lionel Messi, que como Gardel nos deixa de queixo caído com suas interpretações. De Verdi, com suas composições rápidas e que fazem apologia ao amor e a guerra, tiro a comparação com o futebol italiano, sempre as voltas com brigas, mortes e amor sem compromisso.
Ou seja, nada de presenciar somente futebol. Certo dia o Célio Silva me convidou para ver Santos e Botafogo. Felizmente não vi a virada santista sobre o alvinegro carioca por 2 a 1. Olha, naquele dia era possível até ficar em casa, na do Zé Maria, claro, com meus olhos atentos a campanha de recuperação do Náutico, que goleou o Juventude por 4 a 1, mas não, aceitei o convite de Lídia, esposa do Célio, para ver um espetáculo no Museu do Ypiranga, ali perto de sua casa. Pelo menos por algumas horas, o futebol deixou de ser minha prioridade profissional e de lazer.
Fomos assistir a apresentação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, que tinha na regência o maestro John Neschling. No cardápio, obras de Franz Liszt e de Ferrucio Busoni. Dizer que o programa é espetacular é economizar nos elogios. E quando sai do local passei a entender porque os fãs desse tipo de música torcem o nariz para os acordes simples do rock´n rool ou uma melodia mais simples feita especialmente para vender disco. Não digo que passei a ser fã de música erudita. Mas entendi um pouco da resistência dos seguidores e pesquisadores da chamada música clássica.
O amigo pode estar se perguntando, intrigado: afinal, qual a relação de um concerto de música clássica e o futebol? Simples: o episódio me fez reservar uma porção de compreensão aos cronistas esportivos que defendem o futebol arte das décadas de 1950, 1960, 1970 ou até 1980.
Pare e analise: por anos e anos, o sujeito conviveu aos domingos com craques do naipe de Didi, Pelé, Pepe, Garrincha, Rivelino, Gerson, Zizinho, Carpegiani, Zico, Reinaldo, Roberto Dinamite, Tostão, Dirceu Lopes, entre outros. Presenciou esses craques em estádios lotados e sem um pingo de confusão. Torcida Organizada era apenas sinônimo de fila na catraca. O camarada saiu às ruas para comemorar três títulos mundiais sempre sob o signo da arte e do talento. De quebra, ninguém era vendido ao exterior. Os campeonatos europeus eram eventos exóticos e que abrigava apenas atletas brasileiros que já tinham dado sua contribuição à Seleção Brasileira. Ou não tinham nada a almejar com a camisa amarela.
Hoje, o torcedor vê todos os dias um craque despedindo-se dos gramados brasileiros. Craques? Contentamos-nos com Toró, Pierre, Thiago Neves, Zelão, Gustavo Nery, Souza, Ibson, Marcel, Fernandão...tudo craque de segunda linha. Analiso o futebol europeu por um motivo: convivo com ele quase que diariamente, via tevê. Tenho amigos fanáticos por Liverpool, Manchester, Milan e Benfica, por exemplo, que só verei, ao vivo, se resolver fazer um tour pela Europa, mas para isto falta o principal, grana. Muita grana, a não ser que a Espn resolva me premiar novamente, com aquela passagem, para algum país europeu.
Tento analisar o que está próximo. E infelizmente, o quadro é terrível. Os jogos do Campeonato Brasileiro se transformaram em ringues com grama. O vale tudo prevalece. Fica a pergunta: como pedir complacência a quem já presenciou a fina flor do futebol brasileiro? Tenho visto uma imensidão de jogos pelos campeonatos europeus, já escrevi aqui sobre o assunto, e esta semana mais uma vez fiquei encantado com o trio de ferro inglês, Manchester, Arsenal e Liverpool. O Chelsea não está me convencendo.Mas o trio é fantástico, seus jogos, naqueles gramados que parecem tapetes verdes, são como um espetáculo dos Três Tenores, Pavarotti, Carreras e Plácido Domingos, você ouve em silêncio e aplaude no fim.
É duro admitir: os amantes da música clássica e erudita ainda possuem orquestras sinfônicas para manter a tradição e deleitar seus ouvidos. Já os aficionados do futebol arte só possuem uma saída: o aparelho de DVD de sua residência. Triste. Gosto das valsas vienenses, de Strauss, assim como gosto das belas jogadas de Cristiano Ronaldo. Sou fã de Schubert, mas não dispenso as atuações maviosas de Lionel Messi, que como Gardel nos deixa de queixo caído com suas interpretações. De Verdi, com suas composições rápidas e que fazem apologia ao amor e a guerra, tiro a comparação com o futebol italiano, sempre as voltas com brigas, mortes e amor sem compromisso.
AINDA TEMOS ESPERANÇAS?
Minha terra tinha palmeiras, será que ainda as têm? Minha terra tinha brilho intenso. Está perdendo a luz? Minha terra tinha gente de bem. Será que estão se dissipando? Minha terra tinha Ventura Lopes. Minha terra tinha Melchiades Cardoso. Minha terra tinha capitães corajosos. Minha terra tinha políticos arrojados. Onde andam estes respeitáveis cidadãos? Infelizmente Ventura Lopes, Melchiades Cardoso e todos aqueles valentes e abnegados conterrâneos não estão conosco, fazem reuniões eternas em outra morada e, acredito gargalham com tudo o que acontece por aqui após setenta anos de uma separação conquistada a ferro e sangue.
Nas minhas andanças pela “Santa Terrinha”, agora se escasseando, encontro amigos que me falam do passado, me falam de coisas lindas acontecidas no futebol, nas artes e na política miracemense. Hoje recordar o passado é uma constante, mas falar do futuro parece ser proibido por aqueles que ainda estão por lá. Por que não falar de um presente ruim e comprometedor? Acredito que seja consentimento por tudo aquilo que acontece na cidade. A Exposição foi um fracasso. O carnaval um fiasco. Os bailes já não existem mais, justificativa? “Está assim em todos os lugares”.
Legal. Vamos então fazer o que fazem em todas as cidades. Vamos sentar à beira da calçada e lamentar, como faziam meus avós e seus amigos nos finais de tarde. Vicente Dutra e Dona Maria esperavam a passagem do Custódio Cruz e Dona Sotera para que juntos aguardassem a dona Ubaldina, o Neném Braga, o Scilio Faver e outros vizinhos para uma prosa sobre o dia. Naquele tempo não havia televisão para preencher o vazio da noite e os homens trabalhavam pensando no amanhã e no futuro da cidade.
Na Rua Direita o Jofre Salim se reunia com intelectuais da terrinha para agendar os finais de semana, uma retreta da XV de Novembro, um baile no Aero Clube ou até mesmo um recital de Dona Maria do Carmo nos salão nobre da Sete de Setembro.
E hoje? O que fazer na terrinha além de encher a cara nos bares da vida? Qual a diversão de um jovem da cidade? “Larga prá lá, meu caro amigo. Você está querendo muito, a cidade não tem dinheiro e a prefeitura não tem recurso para um apoio maior a cultura e arte”, diz um poeta antigo e hoje enturmado no grupo dos puxa-saco de plantão. A cidade empobrece culturalmente e com isto vê seus jovens envolvidos em noitadas de bebidas e drogas. Uma terra sem amor a cultura e ao esporte. Não me venham com esta demagogia de que o prefeito está ajudando o futebol, vá aos estádios e confira o exagerado número de atletas de outras plagas que estão atuando nos times da cidade. Confira a idade dos jogadores e verá que a cada ano os novos estão perdendo terreno.
Dê uma olhada no que faz a Sociedade Musical Sete de Setembro, com uma direção forte e de pulso firme. A Banda Sete é um orgulho para a cidade e uma forte inspiração para os carentes de arte e cultura. Os meninos que ali estão sendo formados poderão ser os homens que precisamos no amanhã. Por lá se tem o mínimo exigido para dar um pouco de dignidade ao garoto, música e disciplina. Onde estão os saudosistas que não re-erguem a Banda XV, a centenária Sociedade Musical XV de Novembro?
Falam-me do Polaca com lágrimas nos olhos, mas o que fizeram para reverenciar a memória de Jair do Nascimento? Qual a homenagem que prestaram a este grande miracemense, que ao partir para outra vida levou com ele o carnaval e o futebol, sem deixar herdeiros. Falam-me, com lágrimas nos olhos, do Milton Cabeludo, do Lauro Carvalho, de outros tantos craques criados na terrinha, mas o que fazem no presente para formar novos miltons e novos lauros? Nada. Absolutamente, nada. Tocam a bola como se fosse apenas uma obrigação e nos períodos eleitorais os “políticos” da terrinha distribuem camisas de times, bolas e “bancam” até campeonatos de peladas.
Não quero insistir no assunto saudade, mas é impossível escrever sem lembrar-me dos grêmios estudantis, do Aero Clube, da Cabana da Piscina, da Associação ou do Primavera, locais freqüentados pela juventude dos anos 50,60 e 70, que foram destruídos pelas gerações que seguiram, não por culpa destes jovens, mas dos dirigentes que assumiram as entidades e não deram seqüência em um trabalho iniciado por grandes miracemenses.
Está na hora de se formar um grande e único bloco, o bloco da defesa de Miracema, sem conotação política, sem partido e com a participação de toda a sociedade da terrinha. Se está ruim dividida em quatro ou cinco grupos, cada líder trabalhando por interesse próprio, que tal agrupar todas as forças apenas a serviço do salvamento da cidade?
Nas minhas andanças pela “Santa Terrinha”, agora se escasseando, encontro amigos que me falam do passado, me falam de coisas lindas acontecidas no futebol, nas artes e na política miracemense. Hoje recordar o passado é uma constante, mas falar do futuro parece ser proibido por aqueles que ainda estão por lá. Por que não falar de um presente ruim e comprometedor? Acredito que seja consentimento por tudo aquilo que acontece na cidade. A Exposição foi um fracasso. O carnaval um fiasco. Os bailes já não existem mais, justificativa? “Está assim em todos os lugares”.
Legal. Vamos então fazer o que fazem em todas as cidades. Vamos sentar à beira da calçada e lamentar, como faziam meus avós e seus amigos nos finais de tarde. Vicente Dutra e Dona Maria esperavam a passagem do Custódio Cruz e Dona Sotera para que juntos aguardassem a dona Ubaldina, o Neném Braga, o Scilio Faver e outros vizinhos para uma prosa sobre o dia. Naquele tempo não havia televisão para preencher o vazio da noite e os homens trabalhavam pensando no amanhã e no futuro da cidade.
Na Rua Direita o Jofre Salim se reunia com intelectuais da terrinha para agendar os finais de semana, uma retreta da XV de Novembro, um baile no Aero Clube ou até mesmo um recital de Dona Maria do Carmo nos salão nobre da Sete de Setembro.
E hoje? O que fazer na terrinha além de encher a cara nos bares da vida? Qual a diversão de um jovem da cidade? “Larga prá lá, meu caro amigo. Você está querendo muito, a cidade não tem dinheiro e a prefeitura não tem recurso para um apoio maior a cultura e arte”, diz um poeta antigo e hoje enturmado no grupo dos puxa-saco de plantão. A cidade empobrece culturalmente e com isto vê seus jovens envolvidos em noitadas de bebidas e drogas. Uma terra sem amor a cultura e ao esporte. Não me venham com esta demagogia de que o prefeito está ajudando o futebol, vá aos estádios e confira o exagerado número de atletas de outras plagas que estão atuando nos times da cidade. Confira a idade dos jogadores e verá que a cada ano os novos estão perdendo terreno.
Dê uma olhada no que faz a Sociedade Musical Sete de Setembro, com uma direção forte e de pulso firme. A Banda Sete é um orgulho para a cidade e uma forte inspiração para os carentes de arte e cultura. Os meninos que ali estão sendo formados poderão ser os homens que precisamos no amanhã. Por lá se tem o mínimo exigido para dar um pouco de dignidade ao garoto, música e disciplina. Onde estão os saudosistas que não re-erguem a Banda XV, a centenária Sociedade Musical XV de Novembro?
Falam-me do Polaca com lágrimas nos olhos, mas o que fizeram para reverenciar a memória de Jair do Nascimento? Qual a homenagem que prestaram a este grande miracemense, que ao partir para outra vida levou com ele o carnaval e o futebol, sem deixar herdeiros. Falam-me, com lágrimas nos olhos, do Milton Cabeludo, do Lauro Carvalho, de outros tantos craques criados na terrinha, mas o que fazem no presente para formar novos miltons e novos lauros? Nada. Absolutamente, nada. Tocam a bola como se fosse apenas uma obrigação e nos períodos eleitorais os “políticos” da terrinha distribuem camisas de times, bolas e “bancam” até campeonatos de peladas.
Não quero insistir no assunto saudade, mas é impossível escrever sem lembrar-me dos grêmios estudantis, do Aero Clube, da Cabana da Piscina, da Associação ou do Primavera, locais freqüentados pela juventude dos anos 50,60 e 70, que foram destruídos pelas gerações que seguiram, não por culpa destes jovens, mas dos dirigentes que assumiram as entidades e não deram seqüência em um trabalho iniciado por grandes miracemenses.
Está na hora de se formar um grande e único bloco, o bloco da defesa de Miracema, sem conotação política, sem partido e com a participação de toda a sociedade da terrinha. Se está ruim dividida em quatro ou cinco grupos, cada líder trabalhando por interesse próprio, que tal agrupar todas as forças apenas a serviço do salvamento da cidade?
ARRUMANDO O ARMÁRIO DA GARAGEM
Se dar-te um beijo é pecado, eu quero morrer de amor... Assim dizia, em uma de suas belas trovas, o professor/poeta Osmar Barbosa, um dos grandes sábios que passaram pelo Colégio Miracemense nas décadas de 60 e 70, de onde saiu para brilhar na serra friburguense. Se amar-te é perder a vida... Completava o poeta nesta mesma trova de amor, não se sabe a quem dedicada, e por mim e pela turma da Gráfica Normalista, liderada pelo meu tio Ary, inserida em um de seus livros, “Para as mãos do meu amor”, que hoje achei amarelado, empoeirado, mas ainda com páginas livres dos arranhões ou riscos de lápis ou caneta de um depedrador qualquer.
Ao arrumar o armário da família, na garagem de meu prédio, além da bela surpresa de encontrar o livro de Osmar Barbosa, tive a felicidade de achar uma partitura de um dobrado, pena que eu não toque mais o meu piston, se não os moradores do Condomínio Itaparica, aqui em Campos, fechariam as janelas, desceriam à rua e me apedrejariam sem dó ou piedade, afinal o som estridente do meu instrumento favorito, aliado a má qualidade do sopro, seria demais para os amigos visinhos.
Liguei imediatamente para meu amigo, e guru, Ermenegildo Sollon, um expert em música e amigo do maestro Zeca Garcia, autor do arranjo em questão, e começamos uma conversa, que passou pelo Colégio Miracemense, onde estudamos, claro que em décadas diferentes, ele em 40/50 e o escriba aqui entre 60/70, meus professores, muito deles, eram seus contemporâneos e ao falarmos da Banda Sete bateu saudade do Daniel Pimenta, pai do Paulo, Lula, Bizuca, todos meus velhos e bons amigos, exceto o Adailton, que é o Bizuca, eram parceiros da nossa velha e boa Sociedade Musical Sete de Setembro, na ocasião regida por este mesmo Zeca Garcia, que apesar do jeito duro e severo, era uma doce criatura, e me fez apaixonar pela música e pelo piston.
Sollon me falava sobre um texto, do Mauricio Monteiro, sobre o coreto que o prefeito de Miracema, Carlos Roberto Freitas de Medeiros, mandou refazer e, pelo visto, ficará tal qual era quando ali subi, pela primeira vez, para uma retreta da nossa Sete de Setembro, era eu um guri de pouco mais de 12 anos, que pouco tempo depois chorava e lamentava a derrubada daquele ícone de nossa infância, mas pelo visto teremos novas emoções e vamos poder mostrar aos nossos descendentes como era gostoso brincar na Praça Dona Ermelinda.
Ali a gente não escrevia trovas, ensinadas nas salas de aulas de português, pelo professor/poeta Osmar Barbosa, não jogávamos basquete, orientados pelo professor Nézio, nem mesmo fazíamos ginásticas, liderados pelo professor Manoel Soutinho, mas corríamos do Neca Solão, que dominava a área, do Tinoco, um guarda de trânsito severo e impiedoso em sua missão de não deixar a bola rolar na grama do jardim, e mesmo assim formávamos, eu, Júlio e Gutinho (hoje o Tiara) bons jogos de bola de meia ou de borracha, e nossos adversários, as vezes o Custódio (hoje desembargador), o Ivan, craque de bola, Nandinho ou o Neném da dona Darquinha Cabeleleira.
O Mauricio Monteiro, permissão para reproduzir um pedaço do texto meu caro amigo, diz assim: “Eu não tenho dúvidas de que à medida que os tapumes que cercam o Jardim de Miracema forem retirados, ele irá figurar como o mais belo do Noroeste do Estado, um orgulho para Miracema que é pobre em matéria de Praças. Admirado desde os idos de 1922 quando o Presidente do Estado Nilo Peçanha o visitou. Ele, agora, foi projetado por técnicos e executado pelo Dr. Antônio Augusto Tostes, o Guta, que tem se esforçado para dotar nossa terra de uma praça que voltará a ser o Point da cidade como foi outrora. O mesmo acontecerá com a Praça das Mães. O coreto é uma réplica fiel do antigo, com todos os detalhes, e devolverá à cidade a sua marca registrada desde que foi inaugurado na década de 1930 pelo Prefeito Altivo Mendes Linhares que, mais tarde, muito se entristecia ao ver o Rink coberto com folhas de zinco: parecia mais uma tulha de fazenda desfigurando completamente o seu traçado original. Coube ao Prefeito Jairo Tostes desmanchá-lo e devolver o seu antigo traçado.”
Assim, meu caro prefeito, termino esta crônica enviando a você, meu companheiro de sala de aula, do Nossa Senhora das Graças, te abraço fraternalmente e agradeço por me fazer cantar Ataufo Alves: “Eu daria tudo que eu pudesse, prá voltara aos tempos de criança... Obrigado, Carlos Roberto.
Ao arrumar o armário da família, na garagem de meu prédio, além da bela surpresa de encontrar o livro de Osmar Barbosa, tive a felicidade de achar uma partitura de um dobrado, pena que eu não toque mais o meu piston, se não os moradores do Condomínio Itaparica, aqui em Campos, fechariam as janelas, desceriam à rua e me apedrejariam sem dó ou piedade, afinal o som estridente do meu instrumento favorito, aliado a má qualidade do sopro, seria demais para os amigos visinhos.
Liguei imediatamente para meu amigo, e guru, Ermenegildo Sollon, um expert em música e amigo do maestro Zeca Garcia, autor do arranjo em questão, e começamos uma conversa, que passou pelo Colégio Miracemense, onde estudamos, claro que em décadas diferentes, ele em 40/50 e o escriba aqui entre 60/70, meus professores, muito deles, eram seus contemporâneos e ao falarmos da Banda Sete bateu saudade do Daniel Pimenta, pai do Paulo, Lula, Bizuca, todos meus velhos e bons amigos, exceto o Adailton, que é o Bizuca, eram parceiros da nossa velha e boa Sociedade Musical Sete de Setembro, na ocasião regida por este mesmo Zeca Garcia, que apesar do jeito duro e severo, era uma doce criatura, e me fez apaixonar pela música e pelo piston.
Sollon me falava sobre um texto, do Mauricio Monteiro, sobre o coreto que o prefeito de Miracema, Carlos Roberto Freitas de Medeiros, mandou refazer e, pelo visto, ficará tal qual era quando ali subi, pela primeira vez, para uma retreta da nossa Sete de Setembro, era eu um guri de pouco mais de 12 anos, que pouco tempo depois chorava e lamentava a derrubada daquele ícone de nossa infância, mas pelo visto teremos novas emoções e vamos poder mostrar aos nossos descendentes como era gostoso brincar na Praça Dona Ermelinda.
Ali a gente não escrevia trovas, ensinadas nas salas de aulas de português, pelo professor/poeta Osmar Barbosa, não jogávamos basquete, orientados pelo professor Nézio, nem mesmo fazíamos ginásticas, liderados pelo professor Manoel Soutinho, mas corríamos do Neca Solão, que dominava a área, do Tinoco, um guarda de trânsito severo e impiedoso em sua missão de não deixar a bola rolar na grama do jardim, e mesmo assim formávamos, eu, Júlio e Gutinho (hoje o Tiara) bons jogos de bola de meia ou de borracha, e nossos adversários, as vezes o Custódio (hoje desembargador), o Ivan, craque de bola, Nandinho ou o Neném da dona Darquinha Cabeleleira.
O Mauricio Monteiro, permissão para reproduzir um pedaço do texto meu caro amigo, diz assim: “Eu não tenho dúvidas de que à medida que os tapumes que cercam o Jardim de Miracema forem retirados, ele irá figurar como o mais belo do Noroeste do Estado, um orgulho para Miracema que é pobre em matéria de Praças. Admirado desde os idos de 1922 quando o Presidente do Estado Nilo Peçanha o visitou. Ele, agora, foi projetado por técnicos e executado pelo Dr. Antônio Augusto Tostes, o Guta, que tem se esforçado para dotar nossa terra de uma praça que voltará a ser o Point da cidade como foi outrora. O mesmo acontecerá com a Praça das Mães. O coreto é uma réplica fiel do antigo, com todos os detalhes, e devolverá à cidade a sua marca registrada desde que foi inaugurado na década de 1930 pelo Prefeito Altivo Mendes Linhares que, mais tarde, muito se entristecia ao ver o Rink coberto com folhas de zinco: parecia mais uma tulha de fazenda desfigurando completamente o seu traçado original. Coube ao Prefeito Jairo Tostes desmanchá-lo e devolver o seu antigo traçado.”
Assim, meu caro prefeito, termino esta crônica enviando a você, meu companheiro de sala de aula, do Nossa Senhora das Graças, te abraço fraternalmente e agradeço por me fazer cantar Ataufo Alves: “Eu daria tudo que eu pudesse, prá voltara aos tempos de criança... Obrigado, Carlos Roberto.
UM PAPO COM AIRTON MOREIRA
Parece que foi ontem, mas lá se foram quarenta anos, se a memória não prega uma peça neste escriba eu sou capaz de jurar que foi no final dos anos 60, ali por volta de 1968, quando ainda servia o TG 217, lá na terrinha, que conheci um dos mais fantásticos conterrâneos meus. Airton Moreira, treinador do Cruzeiro EC, de Belo Horizonte, o homem que montou aquela fabulosa máquina de jogar futebol e que desbancou o extraordinário Santos FC, de Pelé & Cia Ltda., com uma incrível goleada, no Mineirão, 6x2, e, em virada histórica, no Pacaembu, e faturou a Taça Brasil ao vencer por 3x2 após 0x2 no intervalo do jogo.
Airton, mais simples e menos badalado do que os irmãos Zezé e Aymoré, ambos chegaram à seleção brasileira (Aymoré foi campeão no Chile, em 62), mas com uma bagagem também carregada de sucesso. Quem gosta de futebol não se esquece do timaço do Cruzeiro, que tinha Raul e sua famosa camisa amarela, Procópio, um xerife que também fez sucesso no Fluminense, um meio campo de dar inveja a qualquer um destes times modernos, veja só: Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; e um ataque infernal, onde se destacava, além de Natal e Hilton Oliveira, dois pontas rápidos e habilidosos, o campista Evaldo, que saiu daqui para o Fluminense e foi brilhar no Cruzeiro, de Airton Moreira.
Lembro-me do curto, mas proveitoso papo com o “seu” Airton, nas muretas do Rink, que fica ali na Praça Dona Ermelinda, em Miracema, ele, acompanhado do atacante Marco Antonio, passara rapidamente pela cidade para visitar a irmã, que estava doente, e ver os sobrinhos, alguns até pela primeira vez. A conversa, não poderia deixar de ser, girou em torno da decisão, eu naquela época já era “metido” a repórter e já falava muito, e fui perguntando sobre o jogo e sobre Pelé, Tostão, Dirceu Lopes, etc e tal. Minhas anotações, ainda sobrevivendo a este longo período, mostram alguns detalhes, que repasso para os amigos do Papo de Bola.
- Chovia muito e nós jogaríamos pelo empate. O Lula (treinador do Santos) escalou Amauri no lugar de Dorval para ajudar a marcação sobre os nossos garotos (Dirceu e Tostão) e eles dominaram o primeiro tempo inteiro, se não fosse nosso goleiro (Raul) voltaríamos do intervalo com uma baita goleada. Relata Airton Moreira.
- Qual era o placar, “seu” Airton?
- Dois a zero eles. Só isto, graças a Deus.
Ele contou alguma coisa a mais, porém, tem sempre um porém, esta parte das anotações se foram com o tempo e fugiram da minha imagem, mas sei de outros detalhes, por jornais, revistas e entrevistas dos irmãos famosos, Aymoré e Zezé, daquela histórica decisão.
Aírton Moreira, que na chegada a São Paulo, recebera apoio dos irmãos mais famosos, Aymoré e Zezé, estava perplexo. “Tá tão ruim que nem eu sei como consertar. Façam o que vocês acharem melhor”, recomendou aos jogadores.
Para piorar, num gesto de provocação, Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol e Athiê Jorge Cury, presidente do Santos, procuraram Felício Brandi para acertar data e local do terceiro jogo. Foram enxotados, aos berros, do vestiário.
Felício aproveitou a visita inoportuna para mexer com os brios dos jogadores. Na volta, os craques conversavam, combinavam jogadas, animavam-se mutuamente. Estavam certos de que podiam virar o placar. Afinal, já haviam vencido duas vezes o time de Pelé naquele ano.
Prá finalizar os dois times, que fizeram um dos mais dramáticos e espetaculares jogos de todos os tempos: Santos – Cláudio, Zé Carlos, Oberdan, Haroldo e Lima, Zito, Mengálvio e Amauri (Dorval), Toninho Guerreiro, Pelé e Edu. Técnico: Lula – Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, Wilian, Procópio e Neco, Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira
Gols de Pelé e Toninho (Santos) e Tostão, Dirceu Lopes e Natal (Cruzeiro).
Armando Marques apitou e o público, estimado, foi de trinta mil pessoas.
Airton, mais simples e menos badalado do que os irmãos Zezé e Aymoré, ambos chegaram à seleção brasileira (Aymoré foi campeão no Chile, em 62), mas com uma bagagem também carregada de sucesso. Quem gosta de futebol não se esquece do timaço do Cruzeiro, que tinha Raul e sua famosa camisa amarela, Procópio, um xerife que também fez sucesso no Fluminense, um meio campo de dar inveja a qualquer um destes times modernos, veja só: Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; e um ataque infernal, onde se destacava, além de Natal e Hilton Oliveira, dois pontas rápidos e habilidosos, o campista Evaldo, que saiu daqui para o Fluminense e foi brilhar no Cruzeiro, de Airton Moreira.
Lembro-me do curto, mas proveitoso papo com o “seu” Airton, nas muretas do Rink, que fica ali na Praça Dona Ermelinda, em Miracema, ele, acompanhado do atacante Marco Antonio, passara rapidamente pela cidade para visitar a irmã, que estava doente, e ver os sobrinhos, alguns até pela primeira vez. A conversa, não poderia deixar de ser, girou em torno da decisão, eu naquela época já era “metido” a repórter e já falava muito, e fui perguntando sobre o jogo e sobre Pelé, Tostão, Dirceu Lopes, etc e tal. Minhas anotações, ainda sobrevivendo a este longo período, mostram alguns detalhes, que repasso para os amigos do Papo de Bola.
- Chovia muito e nós jogaríamos pelo empate. O Lula (treinador do Santos) escalou Amauri no lugar de Dorval para ajudar a marcação sobre os nossos garotos (Dirceu e Tostão) e eles dominaram o primeiro tempo inteiro, se não fosse nosso goleiro (Raul) voltaríamos do intervalo com uma baita goleada. Relata Airton Moreira.
- Qual era o placar, “seu” Airton?
- Dois a zero eles. Só isto, graças a Deus.
Ele contou alguma coisa a mais, porém, tem sempre um porém, esta parte das anotações se foram com o tempo e fugiram da minha imagem, mas sei de outros detalhes, por jornais, revistas e entrevistas dos irmãos famosos, Aymoré e Zezé, daquela histórica decisão.
Aírton Moreira, que na chegada a São Paulo, recebera apoio dos irmãos mais famosos, Aymoré e Zezé, estava perplexo. “Tá tão ruim que nem eu sei como consertar. Façam o que vocês acharem melhor”, recomendou aos jogadores.
Para piorar, num gesto de provocação, Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol e Athiê Jorge Cury, presidente do Santos, procuraram Felício Brandi para acertar data e local do terceiro jogo. Foram enxotados, aos berros, do vestiário.
Felício aproveitou a visita inoportuna para mexer com os brios dos jogadores. Na volta, os craques conversavam, combinavam jogadas, animavam-se mutuamente. Estavam certos de que podiam virar o placar. Afinal, já haviam vencido duas vezes o time de Pelé naquele ano.
Prá finalizar os dois times, que fizeram um dos mais dramáticos e espetaculares jogos de todos os tempos: Santos – Cláudio, Zé Carlos, Oberdan, Haroldo e Lima, Zito, Mengálvio e Amauri (Dorval), Toninho Guerreiro, Pelé e Edu. Técnico: Lula – Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, Wilian, Procópio e Neco, Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira
Gols de Pelé e Toninho (Santos) e Tostão, Dirceu Lopes e Natal (Cruzeiro).
Armando Marques apitou e o público, estimado, foi de trinta mil pessoas.
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