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XERIFES, ARTILHEIROS E O ETERNO

Tem muita gente que me lembra nomes e passa informações sobre este ou aquele jogador, miracemense ou que passou por aqui, quando este escriba ainda corria atrás da bola. Anoto tudo no bloco da memória e vou sacando folha por folha com o passar dos dias.

Hoje, por exemplo, após passar quatro dias na terrinha, muitos foram lembrados e outros citados algumas vezes, mas não fazem parte do meu repertório ou jogaram em tempos mais atuais e não tive o prazer de ver jogar. Durante o carnaval pude conversar com o Rubinho, o Tiara, o Júlio, o Totonho (do Paraíso), o Renato (lá de Flores) e aos poucos o bloco vai ganhando forma e os pitacos vão chegando devagar, mas sempre com muita saudade de todos aqueles que um dia contaram à história do nosso alegre futebol dentro das quatro linhas.

DOIS XERIFES – Brecó, um zagueiro não muito alto, era o símbolo de um time raçudo, aquele formado pelo Altino Monteiro, lá na Usina Santa Rosa. Brecó jogou também no Miracema e no Operário, mas foi com o Polaca, no alvinegro da Rua da Laje, que viveu seus melhores momentos. Um zagueiro pau puro, como disse o Thiara, mas com banca e força de durão.

Um outro xerifão, só que com muita bola, era o Geraldinho, que quando jogava ao meu lado, no TG 217, no Vasquinho ou em outro time qualquer, era bonito de vê-lo em campo distribuindo jogo, botando raça e impondo sua força, que era aliada do seu talento, às vezes abusava do jogo duro e a turma reclamava. Geraldinho, nos tempos modernos, seria uma espécie de Mauro Silva, aquele volante da Copa 98, que tinha qualidade técnica e muita disposição durante os noventa minutos.

UM CORAÇÃO – Clóvis, zagueiro vigoroso e raçudo, não o incluo na relação dos xerifes devido a sua elegância dentro de campo. Duro, nunca desleal, Clóvis era um dos esteios daquele que foi o melhor time do Paraíso, comandado pelo Ciro, pai do Totonho e do Assad, e fazia pulsar todos os corações de sua equipe.

DOIS ARTILHEIROS – Careca, que há muito penso em escrever sobre seu futebol, era um artilheiro genial, bem ao estilo Luis Fabiano. Cabeceio mortal, presença de área e muita inteligência no toque e na colocação dentro da área. Às vezes o achavam lento, talvez por ser um pouco maior do que os outros atacantes, mas os cruzamentos do Nenenzinho, no período em que jogaram juntos, no Miracema, sempre encontravam a cabeçada certeira do artilheiro Careca.

Outro artilheiro fabuloso foi Edil, lá de Flores, filho do Neném Fachada. Edil era um ícone e um líder do rubro negro de Venda das Flores, além de um baita atacante, um dos melhores que vi jogar, quando precisava de um goleiro lá estava ele com a camisa um. Edil nos deixou cedo demais, porém, tem sempre um porém, foi o meu melhor companheiro de ataque durante o meu curto período de boleiro, na confusão dentro da área, com os zagueiros preocupados com ele, a bola sempre sobrava limpinha para eu empurrar para o gol e correr para o abraço. Edil foi genial em campo e “bestial” fora dele, não se cuidava e subiu cedo de mais para o andar de cima.

O ETERNO – Alvinho ou Álvaro Gonçalves Júnior, foi um dos mais perfeitos cavalheiros que vi jogar por estes anos todos. Além de craque de bola é um craque fora das quatro linhas. Educado, leal e amigo de seus amigos, é também um grande contador de histórias da bola. Jogou praticamente em todas as posições, nas laterais, na zaga, no meio e no ataque, onde fiz com ele uma boa dupla no início de minha carreira no Tupã. Alvinho é eterno e joga até hoje, com brilho, suas peladas por times de veteranos que rodam a região.

Aguardem que já tenho anotado mais gente, inclusive aqueles que jamais brilharam com estrelas principais, mas foram figurantes de ótimo nível, e por isto fizeram a alegria de muitos artilheiros, como o Juarez “Beiçola” ou o Pernoca, os xerifes como o Dida, e raçudos como Toninho Garrinchinha e coração valente como Ataíde ou Jorge Sete Pernas e outros clássicos como o Eduardo Piazza. Ainda espero o seu e-mail lembrando estes jogadores, que como disse acima, estão na história do nosso futebol.

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