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Postagens

O baile dos Brothers

  O relógio da vida insiste em correr, e os anos 2012, 2013 e 2014, marcados pelas batidas vibrantes do The Brothers no Salão Nobre do Clube XV, hoje não passam de capítulos reluzentes num diário que o tempo, com sua grafia serena, insiste em não deixar apagar. Lembro-me de como o Big Brother nos é apresentado: uma montra de vidas editadas, dramas efêmeros e a torcida nervosa por quem pouco conhecemos.  Eu olho para isso e sinto a distância de um abismo geracional.  O meu "BBB" sempre foi outro. O meu reality show favorito sempre teve uma trilha sonora imbatível: as guitarras de Harrison, o baixo de McCartney, o arranjo orquestral de um sucesso do Roupa Nova ou o sotaque apaixonado de um Rei que embalou nossos primeiros beijos no Aero Clube. O baile de 13 de outubro de 2012 não foi apenas uma reunião social; foi um experimento de contra-fluxo. Enquanto o mundo lá fora se dividia entre seguidores de perfis digitais, nós voltávamos para a fisicalidade da existência.  É...
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Seria ela a grande vilã?

  A BOLA O Google diz que bola é objeto de lazer em diversos esportes. Esférica por aqui, mas pode ter outras formas, como no futebol americano. Pode ser oca, cheia de ar, ou sólida, como a de bilhar. No meu tempo de guri, lá em Miracema, a bola era de meia, recheada de pano. Pequenininha. A gente corria atrás dela numa rua em descida, sem medo de ser feliz, sonhando com dribles e golaços. Depois veio a bola de capotão, feita pelo sapateiro Deoclides e seu auxiliar Nogueira, de Laje do Muriaé. Se molhasse na chuva, um abraço. Pesava uma tonelada, ainda mais com a camisa suada e a chuteira feita do couro que sobrava na sapataria. Teve a Dente de Leite também, com aquele quique traiçoeiro, e a de borracha, que deixava a marca da chuteira ardendo até o dia seguinte. Era o que tínhamos. E jogávamos. Conhecíamos cada manha dela. Digo isso pra entender o Tite, do Flamengo, elegendo a bola como vilã do empate com o Vasco no Maracanã: "A bola do Carioca 24 é horrível".  Eu digo isso ...

Braizinho, o Tostão de Miracema

  Brás José Oliveira Filho, o Braizinho, foi um dos atacantes mais talentosos que vi jogar. Não sou só eu que digo. O cronista Fernando Nascimento o comparou a Tostão, o Mineirinho de Ouro. Braizinho chegou antes. Baixinho e talentoso como o craque da Seleção, só não brilhou nos gramados do mundo por ter nascido em época errada. Braizinho era genial. Tinha faro de gol e uma perspicácia rara dentro da grande área. Para quem não o viu, imagine o jeito de finalizar de Romário, mas com o drible seco, em velocidade, de Tostão. Era aquilo e um pouco mais. Eu vi. Por isso digo sem medo de errar. Ao lado dele, outro gênio: Lauro, que depois passou a ser chamado de Lauro Carvalho. Juntos, formariam uma das duplas mais talentosas que já vi. Não escrevo isso para aumentar o patrimônio futebolístico de Miracema, nem apenas para homenagear um amigo que partiu para o Oriente Eterno na tarde de 25 de maio de 2020. Escrevo como quem gosta de futebol, vive futebol e trabalha com futebol, jornalisti...

Circo ou futebol? Salvo pelo Flamengo

                    O CIRCO, O PALHAÇO E O MENINO QUE FICOU EM MIM Baú do Penacho — Uma crônica de outros tempos, revisitada em 2026 A cidade está movimentada. Gente andando de um lado para outro, crianças agitadas, um clima diferente no ar. Parece até que vai chegar um circo! E por que não? Quem viveu a infância numa cidade pequena sabe muito bem o que representava a chegada de um circo. Era quase um acontecimento oficial, daqueles que mexiam com a rotina da cidade e, principalmente, com a imaginação da garotada. Eu guardo duas lembranças do circo: a alegria e a tristeza. A alegria vem dos palhaços, eternos personagens de roupas largas, coloridas, remendadas, sapatos enormes e um sorriso pintado no rosto. A tristeza vem de outras recordações, algumas tão fortes que o tempo jamais conseguiu apagar. E quando penso em palhaços, lembro-me de um menino que um dia resolveu fazer graça para uma pequena plateia de estudantes do Prudente de Mora...

Em Miracema ou no Cinema

               A NOITE EM QUE A SAUDADE DANÇOU EM MIRACEMA Baú do Penacho — 13 de outubro de 2012 Tem gente que gosta do Big Brother Brasil, torce pelos participantes, faz apostas e comemora a vitória de seus preferidos. Tem gente que curte os brothers das aventuras e das baladas. Eu, particularmente, sempre fui dos Beatles, Rolling Stones, Bee Gees, Creedence Clearwater Revival, Roupa Nova, Erasmo e Roberto Carlos. Tem gente que mata a saudade numa mesa de bar. Outros preferem encontrá-la numa pista de dança. Eu gosto das duas coisas. E foi justamente numa pista de dança, no Salão Nobre do Clube XV, em Miracema, que vivi uma daquelas noites que a gente gostaria de guardar num frasco, fechar bem e abrir de vez em quando, apenas para sentir novamente o perfume da felicidade. Era sábado, 13 de outubro de 2012. No palco, o conjunto The Brothers, nome que atravessou gerações e embalou os sonhos de tantos jovens da minha época. Na pista, uma turma que ...

Baú do Penacho - A Mulinha ficou órfã

                                           A MULINHA E O ÚLTIMO CARNAVAL Baú do Penacho — Memórias de Miracema Era sexta-feira, pouco depois das seis da tarde. O treino do Operário havia terminado e Francisco já tinha outro compromisso, talvez o mais importante de seu calendário: o carnaval. Vestia a fantasia surrada, calçava os sapatos velhos e ajustava ao pequeno corpo os apetrechos de sua inseparável mulinha. Estava pronto. Pela frente, cinco dias de folia, brincadeiras e alegria, que só terminariam na manhã da Quarta-feira de Cinzas. Assim era Francisco, o nosso personagem do Carnaval  Baixinho, habilidoso, ponta-direita de velocidade impressionante, daqueles que infernizavam os defensores adversários. E, fora dos gramados, uma figura folclórica de Miracema, capaz de transformar uma fantasia simples num espetáculo de alegria. Sua mulinha não precisava de companhia. Fran...

Saudade de Dona Bilu

                           DONA BILU, SEEDORF E UM BOTAFOGO CAMPEÃO Baú do Penacho — Crônica de 2013, revisitada em 2026 Estava demorando a ligação de Dona Bilu, minha quase centenária amiga tijucana, botafoguense de quatro costados e, naquele domingo de 2013, campeã carioca com todas as honras e emoções a que tinha direito. O Botafogo havia conquistado o título estadual, mas a senhorinha não dava notícias. Estranhei. Afinal, Dona Bilu jamais perderia a oportunidade de provocar este velho flamenguista, principalmente depois de uma conquista do seu Glorioso de General Severiano. Já passava das onze da noite quando o celular vibrou no canto da cama. Eu estava quase apagado, ainda sofrendo os efeitos da festa em Miracema. Olhei a tela: Dona Bilu. Pronto. Lá se foi o sono! Do outro lado da linha, uma voz rouca, embargada pela emoção e carregada de felicidade anunciava que a festa ainda estava longe de terminar. — Dutra, e...