Pelé não tinha carimbo... e Canhoteiro carimbado Estávamos na beira do meio-fio, descalços, sem camisa e com o corpo suado de tanto correr atrás da bola no rink da Praça Dona Ermelinda. Eu, Júlio e Gutinho iniciávamos mais um bafo-bafo para disputar as últimas figurinhas disponíveis no embornal das repetidas — aquelas que sobravam, as que ninguém mais queria por serem fáceis demais e sem grande atrativo. A primeira a entrar no tapa — porque bafo-bafo era isso: tapa ou muito jeito para virar a figurinha de cara para cima — foi a do goleiro mexicano Antonio Carbajal , já veterano naquela época, mas sem nenhum apelo comercial nos álbuns comprados nas padarias, que vendiam as balas recheadas com figurinhas. Cada página completada valia um brinde: um relógio, um rádio, uma panela e até um fogão a gás, novidade naquele longínquo ano de 1962. Ninguém no Brasil — muito menos os idealizadores da coleção — imagin...
Ontem comentei aqui sobre um verdadeiro papo de botequim, analisando a letra de “Preciso Ir” , do grande Candeia. Logo depois, recebi do amigo José Luiz da Silva, nosso eterno Categoria, uma sugestão daquelas que merecem atenção: ouvir “Mesa de Bar” , do inesquecível Gonzaguinha. Confesso que não conhecia nem a música nem a letra. Mas bastou ouvi-la pela primeira vez, ali mesmo, naquele instante, para ficar impressionado. Afinal, estamos falando de Gonzaguinha, um compositor romântico, cronista da vida e contador de histórias que transformou sentimentos em canções que marcaram época. E impressiona pensar que, mesmo passados 36 anos de sua partida, suas músicas continuam vivas, presentes nas playlists de fãs espalhados por este Brasil afora. A letra de “Mesa de Bar” narra, com perfeição, um legítimo papo de botequim — daqueles que vivemos nas sextas-feiras no Armazém, ou nas famosas segundas sem lei do Para Raio’s Bar, ali debaixo das arquibancadas do Arizão, aqui em Campos dos Goytaca...