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O foco da Cannon

  Decepção Tecnológica sob as Luzes do Sena Naquele fim de setembro de 2008, eu acreditava piamente que nada, absolutamente nada, poderia arranhar o brilho da nossa despedida da França. Paris se entregava a nós com aquela aura cinematográfica, o Sena refletindo o âmbar dos postes sob a brisa da noite, e nós, em um Bateaux-Mouche, éramos apenas passageiros em um quadro perfeito. Ou, ao menos, foi o que achei até encontrar aquela turista asiática. Nós, brasileiros, carregamos um orgulho quase mítico com nossos equipamentos fotográficos. Eu, com minha Canon pendurada no pescoço, sentia-me o próprio correspondente internacional em missão oficial. Tinha nas mãos a extensão da minha visão. Foi então que ela surgiu, operando algo que, para os olhos de 2008, não pertencia ao nosso tempo. Ela não fotografava; ela orquestrava um espetáculo de autossuficiência. Montou um tripé compacto com a elegância de quem arma um tripé de laboratório em uma estação espacial. Enquanto eu me contorcia em ân...
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Mangue Seco molhado pela chuva

  Depois de três dias no Sergipe, curtindo um City Tour, uma noite legal, e uma visita super bacana no Cânion do Xingó, chegou a vez de conhecer aquilo que a TV Globo nos mostrou, há alguns anos bem distantes deste 2024, através da famosa novela "Tieta", baseada em uma obra do baiano Jorge Amado, "Tieta do Agreste", que teve como cenário este canto da Bahia, divisa com Sergipe, que ganhou o nome de Mangue Seco e ficou nacionalmente conhecido através da citada obra do grande escritor brasileiro.  Sábado, 11 de maio de 2024, partimos cedo do Real Praia Hotel, na Orla Atalaia, em Aracaju, levados pela Top Tour, a operadora que nos serviu neste sétimo passeio pelo Nordeste Brasileiro, e logo na saída percebemos que não seria uma jornada "seca" no Mangue Seco, a chuva caía desde a madrugada e a previsão do serviço de meteorologia era chuva para o dia inteiro, mas não nos importamos e seguimos, liderados pela dupla de guias, me perdoem mas o nome não me recordo ...

Dançando em Cracóvia

    Leste Europeu, primavera mais fria dos últimos 40 anos, e já estávamos há quase dez dias rodando pelas estradas e era preciso um pouco de diversão.   Saímos à noite, um frio de menos três graus e um belo progama nos esperava em u ma casa simpática, acolhedora e ao chegar eu comentei com Marina e o Chico, que estavam à mesa comigo.  - Hoje será uma grande noite, a música e a dança polaca me faz voltar ao tempo de Miracema e as audições da professora Onidéia, onde eu, por várias vezes, dancei as músicas de vários países em shows ensaiados por ela.  E depois de alguns vinhos e algumas danças dos bailarinos poloneses, veio a surpresa da noite. O guia perguntou quem queria dançar com eles, lá no palco, e o Chico, que já ouvira meus causos de dançarino, disse alto e em bom tom:  - Chame o Dutra, ele está contando que sabe dançar a polca.  E fui, sem medo de ser feliz. Dancei, segundo a polaca que fez par comigo, maravilhosamente bem e dei o meu show...

Paris: Le Figaro e O Diário se encontram

Diário de Viagem – Paris e além Sentado no hotel, cappuccino à mão, vinho da casa na taça, fingia ler o Le Figaro enquanto meus olhos se perdiam nas imagens de um jogo da Champions League. Foi então que percebi um homem bem vestido, andando de um lado para outro, olhando fixamente para mim. Parecia inglês, talvez me confundisse com alguém.   Resolvi dar espaço. Pedi uma jarra pequena do mesmo vinho, como quem abre caminho para uma aproximação. E ela veio.   O encontro inesperado   Ele chegou, tomou coragem e perguntou em bom português:   — Eu te conheço de onde?   Ofereci o vinho, ele aceitou, e respondi:   — Sou Adilson Dutra, de Miracema, moro em Campos, interior do Rio de Janeiro.   O homem sorriu:   — Estava certo. Mostrei sua foto à minha esposa, leio sempre sua coluna em O Diário. Sou de Vitória, moro em Campos há muitos anos e sou dono da franquia da Loja Taco.   Novos companheiros de viagem...

Cantando em Madrid

 O Violão no Palácio Real: Um Encontro de Acordes em Madrid A noite descia sobre Madrid como um veludo. Em maio de 2005, o frio madrilenho não era agressivo, mas tinha a sutileza de quem queria permanecer ali até a última hora da madrugada. Nas redondezas do Palácio Real, a cidade pulsava entre o ir e vir frenético dos turistas tardios e a cadência mais serena dos moradores. Eu estava ali, sozinho com um copo de vinho espanhol e a quietude de um observador. O mundo, por alguns instantes, reduziu-se ao contorno das taças e às luzes alaranjadas das lamparinas que iluminavam a praça.  Foi então que o silêncio da noite foi cortado por uma vibração familiar. Não era uma melodia local; era um dedilhado preciso, a cadência inconfundível de quem cresceu sob o sol de um país distante. Era música brasileira.  Aproximei-me, contornando as mesas com a timidez de quem não queria quebrar o feitiço. Ouvi, reconheci, respirei fundo. Ganhei coragem e, num arroubo de ousadia, fiz o pedido ...

Pagode em Veneza? Não terá

  O ar de Veneza tinha uma densidade diferente, como se a cidade estivesse suspensa entre a água e o sonho, presa num sortilégio que mantinha o tempo em uma estranha letargia. Quando Marina e eu subimos na gôndola, a superfície do canal não era apenas água; parecia uma chapa de mercúrio escuro, refletindo os palácios como se estes tentassem alcançar sua própria alma nas profundezas. O gondoleiro, um homem cuja pele era um mapa de séculos de história veneziana, movia o remo com uma precisão que beirava a bruxaria. Não havia ruído. Apenas o deslizar silencioso, cortando o véu entre a realidade e o maravilhoso. Atrás de nós, os músicos – um sanfoneiro e um violinista – pareciam saídos de um quadro do século XVIII, cujas figuras haviam escapado da moldura para dar vida aos nossos desejos. Enquanto Volare ecoava pelos muros de pedra, os acordes não viajavam apenas pelo ar. Eles se enroscavam nas nossas peles como uma carícia invisível. Naquela harmonia, senti as memórias de nosso casame...

A Praça, eu e minhas lembranças

QUE SAUDADE DA MINHA PRACINHA! Tem coisas na vida que nos proporcionam tanto prazer que gostamos de repeti-las sem cessar, sem jamais sentir que estamos sendo repetitivos. Uma delas, pelo menos para mim, é voltar a Miracema. E, principalmente, ao meu cantinho favorito, onde fui, sou e continuarei sendo feliz enquanto vida tiver: a nossa Praça Dona Ermelinda. Mas o último final de semana de outubro de 2026 foi fora da curva. Daqueles que merecem ficar guardados não apenas na memória, mas também em fotografias espetaculares. Algumas estão no meu álbum de fotos, outras aparecem aqui no blog, onde sigo contando histórias, causos e lembranças da nossa querida Terrinha. E vamos ao que interessa. O Festival da Cultura, que chega à sua quinta edição, trouxe como tema Miracema Antiga, numa viagem pelos anos de 1920 até 1936, quando aconteceu a emancipação política e administrativa do município. E que viagem! Voltamos aos tempos de glória do café, quando nossa cidade conheceu fama, prestígio e p...