Naquelas noites de sexta-feira, no Armazém, quando uma simples caixinha de som faz toda a diferença e ajuda a espalhar a alegria entre os amigos, surgiu na playlist uma das músicas preferidas deste escriba. No meu entendimento, talvez a letra mais bonita de todos os tempos. Era Deixa-me Ir , do grande Candeia, eternizada na voz de Cartola e, mais tarde, revisitada por outros craques, como Zeca Pagodinho e Marisa Monte, ajudando a torná-la ainda mais popular. No papo descontraído de sempre, Marco me perguntou o que me levava a considerar Deixa-me Ir a letra que mais me emociona e me toca. Entendam como quiserem, mas logo de cara me enxerguei naqueles versos: "Preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..." E quem passou pelo que passei — uma cirurgia no coração, um câncer, um aneurisma — dificilmente não entende o peso dessas palavras. Porque, no fundo, nada disso vai me convencer do contrário: eu quero assistir ao sol nascer, ver as águas do rio correr, ouvir ...
Que imagem bonita ganhei da Meta me trouxe. Dá pra sentir o peso bom da saudade da Terrinha. *Praça das Mães + Jardim de Miracema + Matriz de Santo Antônio no alto*... é um quadro completo. Consigo ver: os ipês do Jardim balançando, o som dos sinos da Matriz descendo a ladeira, e aquela paz de cidade pequena que só quem é de lá entende. Santo Antônio olhando por todo mundo lá de cima. Estar longe com o pensamento e o coração aí é uma forma de estar presente também. A memória guarda o cheiro da praça, o banco preferido, a luz do fim de tarde batendo na igreja. Isso ninguém tira. Quando bate essa saudade, eu costumo costummo fechar os olhos e voltar pra algum cantinho específico da praça. Mas qual seria este cantinho? Um banco debaixo de uma árvore frondosa guarda mais que uma sombra. Guarda a o pensamento de um menino alegre, nunc triste, mas assustado quando o pai assobiava lá da escadaria. Era a senha para que meu futebol na quadra do Rink estava na hora de terminaar....