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  Meu amigo, é com o coração pesado que digo até breve, jamais um adeus.  Você foi mais do que um amigo — foi um irmão que a vida me deu. Levarei sempre comigo as aventuras, as risadas e tantos momentos que compartilhamos ao longo dessa caminhada. Você vai me fazer muita falta. Mas sei que, onde quer que esteja agora, continuará fazendo o que sempre fez: liderando, ensinando e espalhando sabedoria. Obrigado por tudo, meu amigo. Você sempre será lembrado. Amigo, chegou a hora da despedida. Mas não se preocupe: continuarei contando seus causos e mantendo viva a sua memória. Você foi um parceiro extraordinário e deixa uma saudade imensa. Foram quarenta anos de amizade fraterna. Formávamos um trio inesquecível: eu, você e Sérgio Tinoco — que certamente o receberá aí nessa nova morada. Foram anos de ensinamentos, de troca de opiniões — nem sempre amenas —, mas que nunca ultrapassaram as paredes do estúdio, porque acima de tudo havia respeito, companheirismo e amizade verdadeira. At...

Falso fantasma

Durante décadas, uma lenda assustou incrédulos e curiosos em Miracema. Muitos juravam ter visto, outros zombavam das histórias contadas pelos atiradores do Tiro de Guerra 217 , que garantiam existir um velho soldado — um atirador morto em serviço, embora ninguém jamais tenha confirmado isso — que voltava para atormentar os rapazes de plantão. Se existem duas histórias sobre o tal fantasma, de uma eu fui testemunha ocular. A outra deu origem a toda essa lenda. A primeira aconteceu no primeiro ano do sargento Lecine no comando da tropa de Miracema. Durante uma noite de guarda, alguns soldados começaram a ouvir passos no salão de reuniões, localizado acima do dormitório e da sala de armas. E não eram apenas passos. Junto com eles vinha o som de um instrumento musical, tocando suavemente, sem parar, como se alguém estivesse ali ensaiando na madrugada. O susto foi geral. Os rapazes saíram às pressas do prédio e se reuniram em frente à prefeitura. No dia seguinte o boato correu pela tropa ...

Tarciso

  Certa vez comentei aqui sobre minhas aventuras de “vendedor” pelas ruas da minha Miracema, pelos parques e circos que chegavam à cidade e, principalmente, nas filas do Cine Sete e do Cine XV, tentando angariar algum dinheiro para os matinês de sábado. Também falei do meu tempo de engraxate, dos amigos que dividiam as calçadas comigo. O tempo passou e, felizmente, tudo deu certo em meu caminho e cá estou hoje, já grandinho e quase um setentão miracemense, falando e escrevendo sobre os personagens e os fatos da nossa terrinha. E hoje faço um abre-alas para um personagem que já caminha para meio século de presença no nosso jardim. Sempre alegre, educado e com um carinho especial pelas crianças que frequentam o parque. Elas puxam os pais pela mão e pedem: — Quero pipoca do seu Tarcísio! E ele, sempre com um belo e largo sorriso, atende a todos contando um causo ou lembrando do pai, do avô ou de algum parente da criança que está à sua frente. Tarcísio conhece a história de muita ...
  Assim que cheguei por aqui, em outubro de 1985, um amigo do banco me disse: — Em Campos, naquele tempo ainda não havia sido agregado o sobrenome “dos Goytacazes”, temos o segundo melhor carnaval do Rio de Janeiro e o melhor do interior fluminense. Claro que discordei. Poderia até ser o maior desfile de agremiações carnavalescas do interior, com blocos, bois — que não são pintadinhos como os nossos — e toda aquela estrutura. Porém… sempre existe um porém. Faltava animação, organização e, principalmente, não havia carnaval de rua como na minha Miracema. O tempo passou e nós dois deixamos de participar das coberturas carnavalescas. Nunca havia horário certo para começar ou terminar os desfiles e nós, radialistas e jornalistas, ficávamos à mercê dos donos dos blocos e da boa vontade das agremiações para entrar na Avenida XV de Novembro. Foram tantos atrasos que me aborreci até chegar o dia do basta. Serginho também decidiu parar. No ano seguinte, ele me procurou e disse: — ...

A Merche do Lúcio

  O Bar Pracinha e o “Merche” Mexido O Bar Pracinha, que conheci na esquina da Rua Francisco Procópio com a Rua Direita, guarda histórias incríveis e personagens inesquecíveis. Ali passaram ricos e pobres, brancos, negros, mulatos e índios. Gente de todo tipo viveu momentos especiais naquele que, no meu ponto de vista, foi o bar mais elegante da cidade. Principalmente no prédio antigo, o da famosa esquina, já comentado em outras crônicas. Havia ali uma atmosfera que lembrava os bares europeus dos anos 1950 — balcão imponente, garçons atentos, conversa alta e aquele ar de importância que só certos lugares conseguem manter. Conheci o Pracinha já na administração dos Irmãos Salim — Jofre, Nacif e José — vindos de Palma, Minas Gerais, para viver seus grandes momentos em Miracema. Com amor, dedicação e espírito inovador, comandaram o estabelecimento numa época em que o município vivia talvez seu melhor momento comercial e industrial. Cada um que frequentou o Pracinha até seu fechamento ...

Cajá e tiro de sal

  Tiro de Sal, Cajá-Manga e Rua Direita Relendo esta crônica, escrita há alguns anos, percebo que já havia ali uma vontade de segurar o tempo pelas mãos. Hoje, com mais estrada percorrida, entendo melhor: não eram apenas lembranças. Era gratidão. Gratidão por ter vivido uma Miracema de portas abertas, quintais generosos e amizades que atravessaram décadas. Andando pelas calçadas de Miracema, olhando os belos casarões da Rua Direita e admirando a beleza do nosso Jardim, encontro dois amigos da velha guarda: Naipe — Luiz Alberto Aguiar — e Jorge Neiva, nosso querido Dodote. Bastou o cumprimento para que um punhado de recordações viesse à tona. Vieram gargalhadas. Vieram lágrimas. Lágrimas de alegria por estarmos vivos… e de tristeza ao perceber como o tempo passou rápido demais, levando tantos amigos queridos do nosso convívio. Minha prima Janete passou, parou, me deu um abraço e um beijo apressado: — Depois a gente se fala com calma, vou ali na Leader ver algo para minha mãe. ...
 Tiro de Sal, Cajá-Manga e Rua Direita Andando pelas calçadas de Miracema, olhando os belos casarões da Rua Direita e admirando a beleza do nosso Jardim, encontro dois amigos da velha guarda: Naipe — Luiz Alberto Aguiar — e Jorge Neiva, nosso querido Dodote. Bastou o cumprimento para que um punhado de recordações viesse à tona. Vieram gargalhadas. Vieram lágrimas. Lágrimas de alegria por estarmos vivos… e de tristeza ao perceber como o tempo passou rápido demais, levando tantos amigos queridos do nosso convívio. Minha prima Janete passou, parou, me deu um abraço e um beijo apressado: — Depois a gente se fala com calma, vou ali na Leader ver algo para minha mãe. Saiu andando e deixou no ar a pergunta: — Quem é a moça? Respondi: — Filha da tia Maria, neta do Seu Pedrinho Soares. Foi o bastante. Naipe abriu aquele sorriso antigo: — Eita! Quantas vezes entramos no quintal do Seu Pedrinho para pegar cajá-manga! E lá em cima, subindo pelo Ribeirão Santo Antônio, tinha o pomar do Seu Lino...