Outro dia me peguei com saudade dos tempos de guri. Veio aquela imagem clássica: correndo pela rua, leve, solto, sem compromisso com nada além da próxima pelada. Bonito, né? Bonito… mas também meio mentiroso. Porque ninguém lembra do dia em que foi escolhido por último. Nem do tombo feio que fez chorar escondido. Nem da bronca em casa por chegar sujo, rasgado e feliz. A memória tem esse talento: ela dá uma ajeitada nas coisas, passa um pano, dá um brilho. E a gente agradece. Saudade, no fundo, é isso: uma versão melhorada da vida. Outro dia pensei nisso enquanto tomava uma cerveja — coisa que o guri que eu fui certamente trocaria por uma Coca-Cola bem gelada. Olhei em volta e percebi que ainda tem muita coisa boa acontecendo… só que de outro jeito. Não tem mais corrida na rua, mas tem história pra contar. Não tem mais joelho ralado, mas tem umas cicatrizes que rendem conversa. Não tem mais a turma toda junta, mas tem aqueles poucos que continuam — e isso já vale muito. A gente mud...
ABERTURA Cara… quando eu te conheci, mal sabia falar direito. Chegava aqui pelas mãos do Nijel ou do Alvinho. Hoje estou aqui, já grandão, falando de você… falando com você. E, mais do que isso, conversando contigo. Você, que durante tantos anos, me deu um punhado de alegrias. 1. O SILÊNCIO QUE SABIA Tristeza? Não. Nunca fiquei triste ao lado desse velho moço, que agora veste roupa nova e parece ter voltado à infância. Quantas vezes cheguei aqui sozinho, falando baixinho, sonhando que um dia seria famoso, jogador de um grande time brasileiro… Você nunca respondeu. Mas o seu silêncio… já sabia de tudo. 2. OS QUE FIZERAM HISTÓRIA Você viu passar por aqui o grande Lauro Carvalho — que cracaço! —, o Milton Cabeludo, meu primeiro ídolo. Viu nascer a geração do Rink, liderada pelo incrível — e folclórico — Chiquinho Maracanã. Viu o Tupan, com meu velho pai, Zebinho, ao lado de Olavo Cueca, Noqueta e tantos outros. E viu também esse menino teimoso sonhar alto demais. 3. O FIM DO SONHO (...