Sonho de artilheiro
GOL QUE ESPEROU POR MIM Naquela madrugada, quando o calor nem deixava o sono descansar direito, eu viajei. Não de ônibus, não de trem, nem de avião. Viajei no tempo. Voltei a ser menino. Sem barba, sem pressa, sem cansaço. Só sonho. E lá estava eu, em Miracema, com a camisa do Rink colada ao corpo e o coração batendo mais forte que qualquer torcida. O campo não tinha arquibancada, mas tinha história. E tinha eles. Lauro. Cabeludo. Braizinho. Não eram homens. Eram luz. Jogavam fácil, como quem conversa com a bola e ela entende. Eu corria. Tentava acompanhar. Chegava perto, errava, voltava. Como sempre. Mas o sonho… ah, o sonho tem piedade da gente. E então veio. Pelo lado direito, como se o tempo desacelerasse só pra ver melhor. Braizinho toca. Cabeludo sorri com a bola nos pés. Lauro recebe como quem já sabia o final. E eu… eu estava lá. Pela primeira vez, no lugar certo. No tempo certo. A bola veio. Mansa. Redonda. Perfeita. Como um presente guardado a vida inteira. Dominei. O mundo p...