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Costa Amalfitana

  A Costa Amalfitana não é apenas um trajeto; é uma coreografia feita de pedra, precipícios e sal. Diziam, os amigos que por lá estiveram, que subi-la de carro seria o passeio dos sonhos. Mas, como todas as lendas de viagem, a realidade superou qualquer expectativa descrita em fotos de redes sociais. O mérito de nossa jornada coube ao primo Miguel Antinarelle, que nos presenteou com essa imersão mediterrânea, tornando-se o arquiteto de memórias que levaremos pela vida inteira. Ao iniciarmos a rota, logo compreendemos que o título de "estrada mais bonita do mundo" não é um exagero turístico, mas uma constatação geográfica. São 43 quilômetros de pura adrenalina e deslumbramento natural. Entre Salerno e Positano, o asfalto serpenteia a encosta como se tentasse, sem sucesso, seguir uma linha reta. A cada curva, a paisagem se abria em um leque novo de tons de azul e rochas calcárias que parecem mergulhar, orgulhosas, no Tirreno. A logística, na prática, era sabotada pela própria b...
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Baú do Penacho - Forminguinhas ensinadas

  O PIANISTA, AS FORMIGUINHAS E OS LADRÕES PESCADORES Baú do Penacho — Causos, fatos, histórias e crônicas Li no G1, depois de ver uma manchete no Twitter, a notícia de um roubo inusitado em Belo Horizonte. A criatividade dos amigos do alheio me fez recordar um diálogo curioso, ocorrido há muitos anos, lá na minha terrinha. Se nas Minas Gerais os gatunos utilizaram varas de pescar improvisadas com bambus, galhos e ganchos, em Miracema, mais precisamente na Praça Ary Parreiras, um amigo tentava me ensinar uma técnica ainda mais sofisticada: domar formiguinhas para retirar dinheiro da caixa registradora do meu avô Vicente Dutra. — Eu tenho umas dez, de vários tamanhos. Coloco uma na ponta de um barbante e a danada entra pelo buraco da registradora, pega uma notinha e pronto! Dá para sair pela rua e, às vezes, até ir ao cinema — garantia o filho do padeiro. Aquilo despertou minha curiosidade. — Mas como é que faço para domar as formiguinhas? — perguntei, já interessado em aprender o t...

Otavinho o Canhão da Casa Nova

  O CANHONAÇO DE OTAVINHO Baú do Penacho — Causos, fatos, histórias e crônicas No último dia da Expo, o frio resolveu dar as caras em Miracema. Saí de casa pela manhã e, ao passar pelo centro, tive uma agradável surpresa: encontrei meu velho amigo Sólon, cuja última passagem pela terrinha havia rendido uma crônica bastante elogiada. Saudosista de carteirinha, profundo conhecedor da cidade e do futebol, Sólon me propôs um passeio pelo Jardim. Trazia uma máquina fotográfica digital novinha em folha e pretendia registrar alguns cantinhos daquele que considera o lugar mais bonito de Miracema. Começamos pelo parquinho, onde reencontramos Jorge Sabiá, pai de nove filhos e avô de quatorze netos. Uma proeza e tanto para quem ainda estava na casa dos cinquenta e poucos anos. Mas fazer o quê? A vida nos ensina a procriar. Só não precisava levar a lição tão a sério, meu caro Sabiá! Sólon parou diante do velho pé de jambo. O mesmo que, cinquenta anos antes, ele e seus companheiros de me...

As águas dos Paraíbas

Compartilho com você este texto reflexivo sobre a fascinante história do Rio Paraíba do Norte e o Rio Paraíba do Sul, abordando como um representa a celebração e o turismo, enquanto o outro simboliza o sustento e a história do nosso país: Dois gigantes, dois xarás, que não se encontram e estão distantes na posição geográfica. Seus segredos nunca foram revelados e ficam no Atlântico, onde deságuam e, como não se encontram no curso físico, quem sabe se encontram nas águas do oceano. O Paraíba do Norte, vivaz e reluzente sobre a terra árida do Planalto da Borborema, carregava consigo o sal da euforia. Ele tinha a vaidade dos poetas e a precisão de um regente de orquestra. Em seu estuário, lá onde o encontro com o mar em Cabedelo forma um delta que parece ter sido esculpido pelo pincel de um artista barroco, ele dançava conforme a música. "Sente este ritmo?", soprava o do Norte para o seu irmão, durante um sonho compartilhado das águas. "Cada gota que vazo é uma nota de um s...

Baú do Penacho - Futsal do Rink

 O RINK, A BOLA PESADA E OS CRAQUES DA NOSSA JUVENTUDE         Causos, fatos, histórias e crônicas De vez em quando, alguém me pergunta sobre os campeonatos de futebol de salão disputados no Rink, lá no Jardim de Miracema, durante as décadas de 60 e 70. E, quando isso acontece, a primeira imagem que me vem à cabeça não é propriamente a bola rolando. É a multidão! Gente por todos os lados, espremida ao redor da quadra, sentada nas muretas, pendurada nos muros, procurando um cantinho para acompanhar aqueles jogos que transformavam as noites de Miracema em verdadeiras festas esportivas. Eu era um garoto que circulava por ali, entre os amigos, as brincadeiras e os sonhos de um dia entrar naquela quadra e fazer sucesso. Queria ser craque! Quem sabe defender como Zé Bolão, o melhor goleiro da terrinha? Ou ter a pontaria de Miguel, dono de um chute certeiro que metia medo em qualquer adversário? Havia também Otavinho, cujo chute talvez fosse ainda mais forte, embora ne...

Napoleão e Joca dois personagens da Terrinha

  NAPOLEÃO, O REI DA MENTIRA QUE NUNCA MENTIU Baú do Penacho — Causos, fatos, histórias e crônicas Esta semana, o Telecine, canal de filmes da Globosat, anuncia a exibição da refilmagem do famoso faroeste dos anos 60, Sete Homens e um Destino. Não estou aqui para comentar as atuações dos novos artistas, muito menos para compará-los aos veteranos. Aliás, sequer me lembro dos nomes de todos aqueles personagens e seus intérpretes. O que me traz aqui é outra coisa: a saudade dos bons faroestes que assistíamos nos cinemas XV e Sete, nas inesquecíveis matinês de sábados e domingos, lá na minha Miracema. Naquele tempo, filme era fita. E fita boa era aquela que tinha mocinho, bandido, cavalo, tiroteio e uma plateia que participava da história como se estivesse dentro da tela. E por falar em plateia, impossível esquecer o Joca! Figura maravilhosa da nossa terrinha, Joca tinha uma particularidade que o tornava atração à parte nas sessões de bangue-bangue: torcia desesperadamente pelo bandido...

Águas de março

  Hoje acordei pensando seriamente em voltar a fazer o que gosto, andar por aí, sem destino, e rever alguns lugares que não vejo há algum tempo. Levantei animado, fui até meu mecânico favorito, Tatau, e pedi que olhasse meu veículo porque precisava dar um giro pelo interior de Minas e boa parte do Noroeste Fluminense. Tatau me olhou firmemente nos olhos e perguntou: - O senhor está no seu juízo perfeito? Tem lido ou assistido o noticiário sobre a sua região e de grande parte de Minas Gerais? Foi aí que atualizei o modo atual do meu cérebro e vi que o caos se instalou em toda minha região e por praticamente toda Minas Gerais. E voltei para casa abatido, desencantado da vida, epa.. esta é a letra da canção preferida do amigo Farrim Chaim Elias, meu gerente no Banerj, agência 107 Miracema, e, claro, então percebi que a viagem será apenas no sonho ou no imaginário.  Sentir o desejo de voltar ao Rio Muriaé, na cidade de Laje do Muriaé, rever meus primos, muitos já se despediram de ...