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Como vai você?

 A segunda-feira em Campos dos Goytacazes despertou com um calor desses que fazem o asfalto tremeluzir e a gente buscar sombra antes mesmo do primeiro café. Aqui, onde o sol parece ter uma intimidade exagerada com a terra, a gente vive no ritmo lento do tempo que o clima impõe. Mas, nesta manhã, o meu ritmo foi ditado por uma lembrança, por um fio invisível de melodia que invadiu o quarto assim que abri os olhos: Antônio Marcos. Não é que a tristeza tenha me visitado; na verdade, o coração acordou habitado por uma nostalgia doce, daquelas que não doem, mas que fazem a gente querer assentar a poeira da alma. E enquanto o ar lá fora fritava o horizonte, me peguei pensando que, às vezes, a gente só quer conversar com Deus para agradecer pelo presente que foi a passagem de certas pessoas por aqui. Antônio foi uma delas. Pode ser que você, que me lê agora — com esse olhar de quem atravessa o cotidiano como o "Homem de Nazaré" ou a sutileza de uma "Menina de Trança" —, so...
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Manoel, José e Einstein

  " A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação abraça o mundo." Assim disse Albert Einstein. Essa é uma das mais célebres citações do físico alemão. E o que ela tem a ver com o que comento hoje, neste Papo de Botequim? Tudo. Manoel tem pouco estudo e poucas oportunidades. Seu conhecimento formal é limitado, mas lhe sobram imaginação, paciência e vontade de aprender. É torneiro mecânico e lê o suficiente para sentar-se à mesa do bar e conversar, de igual para igual, com os amigos da roda de sábado. Na contramão do que acabei de dizer, José, advogado formado, oriundo de uma família financeiramente abastada, teve todas as oportunidades para adquirir amplo conhecimento. E, de fato, o adquiriu. Mesmo assim, não consegue decolar na carreira que escolheu. No último sábado, mostrei essa citação aos dois, separadamente. Manoel respondeu de imediato: — Essa frase foi feita para mim. Esse cara sou eu! José, por sua vez, disse ap...

Conversa de Botequim

 Garrincha: A alegria do povo  Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos — embora tenha vivido como poucos. Carregava no corpo as marcas de muitas batalhas, das contusões acumuladas, e na vida travava uma luta dura contra o alcoolismo. Ainda assim, guardo uma certeza: jamais vi Garrincha jogar mal com a camisa da Seleção Brasileira. Com ela, foi sempre brilho, sempre encanto. E, ao lado de Pelé, nunca conheceu a derrota. Eu e Fisíco, botafoguense fanático e apaixonado por Garrincha, travávamos debates memoráveis nos fins de tarde, no velho Bar do Vicente Dutra. A discussão era sempre a mesma: quem foi o maior jogador brasileiro daqueles anos dourados do nosso futebol, Pelé ou Garrincha? Eu, rendido à arte e à magia do Rei, defendia com unhas e dentes o camisa 10 do Santos e da Seleção. Fisíco, fiel à sua paixão, não dava o braço a torcer. Sempre tinha uma jogada genial do "Seu Mané" na ponta da língua. E, como acontece nas melhores discussões de botequim, a conve...

Conversa de Botequim

 As profecias de Motta e Sollon Sexta-feira é dia de reunião no Armazém — e quase sempre rende ótimos papos para a nossa coluna semanal. Ontem não foi diferente. Tivemos o prazer de receber uma dupla carioca daquelas: dois flamenguistas juramentados, afinados nas ideias, que logo transformaram a calçada mais disputada da Rua Formosa em palco de uma boa resenha. O melhor de tudo é que eles ainda não se conheciam. A surpresa foi dos dois. Eu vivia falando de um para o outro, mas o encontro só aconteceu ali, como se estivesse marcado pelo destino. Segundo Motta, conhecer o velho jornalista Ermenegildo Sollon era quase um sonho. E veja a coincidência: chegaram a Campos no mesmo dia e foram parar no mesmo prédio. Sollon hospedou-se lá em casa; Motta, na residência do mano. Fernandinho, ao saber da presença dos dois rubro-negros, tratou logo de avisar a turma que chegava, como de costume, aos poucos: — Hoje aqui só vai dar Flamengo! Dudu, outro do mesmo time, não deixou por menos: — Aqui...

Ralph Quintal - Um campeão

  As boas notícias sobre Miracema, segundo os pessimistas de plantão, às vezes parecem demorar a chegar. Mas, quando chegam, vêm daquelas capazes de empolgar uma família, uma rua e uma cidade inteira. E esta chegou acompanhada de um cinturão e uma medalha de ouro, conquistados em um esporte ainda pouco conhecido por aqui e por um atleta que vive a milhares de quilômetros de distância, nos Emirados Árabes Unidos, onde está radicado há cerca de cinco anos. Os amigos de Ralph Pinto Quintal amanheceram escrevendo nas redes sociais o famoso refrão: "É campeão!" Em pouco tempo, a notícia ganhou destaque no Facebook e levou alegria aos miracemenses. O atleta, hoje morando em Abu Dhabi, conquistava o título mundial levando o jiu-jítsu nas veias e a fé em Jesus no coração. Sim, Ralph Quintal tornou-se Campeão Mundial de Jiu-Jítsu de 2017, na categoria Faixa Preta Master 4 (45 a 49 anos), até 85 quilos. O título foi conquistado em Abu Dhabi, após vitórias sobre adversários consagrado...

Papo de Copa - Deu a lógica na fas de grupos

Alguém esperava algo diferente do que aconteceu na fase de grupos da Copa 2026? Prevaleceu a lógica e os palpites de quem entende pelo menos um pouco do chamado esporte bretão. Algum de vocês imaginavam Brasil, só os que torcem contra, Argentina, Alemanha, França, Espanha e outras seleções de nível A e B fora dos dezesseis avos, ou seja, da chamada segunda fase?  Pois é... Todas as favoritas estão, inclusive os três mandantes, e das Sul Americanas apenas um, a grande surpresa, para não dizer zebra, da Copa, o Uruguai já está arrumando as malas para voltar a Montevidéu e liberar seus jogadores para uma pequena férias de inverno aqui na América ou de verão para os que jogam na Europa.  Os africanos não fizeram feio, muito pelo contrário, nove seleções do continente estão na segunda fase  e alguns deles podem ir mais longe. Japão e Coreia do sul, os asiáticos, fizeram bonito e os europeus, claro, são maioria entre os trinta e dois que jogarão os dezesseis jogos desta fase. e...

Ando... Logo existo

  Minhas Andanças Sabem aquela máxima: “Penso, logo existo”? Pois eu gosto de adaptá-la para uma que combina mais comigo: “Ando, logo existo.” É isso mesmo. Andar por aí é viver intensamente. Viajar é um programa que está sempre aberto na minha agenda. E, para refrescar a memória, estou sempre revisitando fotografias — são quase sessenta mil arquivadas —, relendo textos sobre viagens e conversando com gente que, como eu, gosta da estrada, dos aviões e está sempre reinventando destinos e roteiros. Já contei histórias em blogs, publiquei no Facebook, no Instagram... e continuo com novas lembranças e causos na cabeça. Minhas andanças vão do Noroeste Fluminense ao Leste Europeu; de Laje do Muriaé, meu primeiro destino de férias, a Paris, a cidade que mais visitei nestes anos de viagens internacionais. Gosto de andar por aí. E gosto ainda mais de contar essas aventuras. Afinal, tenho que aproveitar o dom que Deus me deu. Certa vez, em uma conversa sobre viagens, um amigo do Recife me pe...