A segunda-feira em Campos dos Goytacazes despertou com um calor desses que fazem o asfalto tremeluzir e a gente buscar sombra antes mesmo do primeiro café. Aqui, onde o sol parece ter uma intimidade exagerada com a terra, a gente vive no ritmo lento do tempo que o clima impõe. Mas, nesta manhã, o meu ritmo foi ditado por uma lembrança, por um fio invisível de melodia que invadiu o quarto assim que abri os olhos: Antônio Marcos. Não é que a tristeza tenha me visitado; na verdade, o coração acordou habitado por uma nostalgia doce, daquelas que não doem, mas que fazem a gente querer assentar a poeira da alma. E enquanto o ar lá fora fritava o horizonte, me peguei pensando que, às vezes, a gente só quer conversar com Deus para agradecer pelo presente que foi a passagem de certas pessoas por aqui. Antônio foi uma delas. Pode ser que você, que me lê agora — com esse olhar de quem atravessa o cotidiano como o "Homem de Nazaré" ou a sutileza de uma "Menina de Trança" —, so...
" A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação abraça o mundo." Assim disse Albert Einstein. Essa é uma das mais célebres citações do físico alemão. E o que ela tem a ver com o que comento hoje, neste Papo de Botequim? Tudo. Manoel tem pouco estudo e poucas oportunidades. Seu conhecimento formal é limitado, mas lhe sobram imaginação, paciência e vontade de aprender. É torneiro mecânico e lê o suficiente para sentar-se à mesa do bar e conversar, de igual para igual, com os amigos da roda de sábado. Na contramão do que acabei de dizer, José, advogado formado, oriundo de uma família financeiramente abastada, teve todas as oportunidades para adquirir amplo conhecimento. E, de fato, o adquiriu. Mesmo assim, não consegue decolar na carreira que escolheu. No último sábado, mostrei essa citação aos dois, separadamente. Manoel respondeu de imediato: — Essa frase foi feita para mim. Esse cara sou eu! José, por sua vez, disse ap...