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Duas derrotas em 98

 🇫🇷 A Copa do Mundo de 1998 — entre o brilho e o mistério Você captou bem o espírito: o Brasil chegou à final, mas nunca passou confiança plena. Era um time forte no papel — com Ronaldo Nazário e Rivaldo decidindo — mas irregular, meio aos trancos e barrancos. E aquela estreia contra a Scotland national football team já deu o tom: vitória, sim… mas com sofrimento. Depois, o alívio contra Morocco national football team, e a pancada inesperada diante da Norway national football team — ali, como você disse, começou a aparecer algo errado no ambiente. ⚽ Caminho até a final — mais suor do que brilho A goleada sobre o Chile national football team deu aquela falsa sensação de “agora vai”. Mas logo voltou o aperto: Dinamarca: jogo duro, decidido no detalhe Holanda: drama puro… e Cláudio Taffarel virando herói nos pênaltis Ali, muita gente acreditou: “esse time tem estrela”. Só que… 😶 O enigma Ronaldo Você tocou

94 em outra visão

  Copa de 1994: Entre o grito e a barba O grito de Galvão Bueno — “É tetra! É tetra! É tetra!” — ao lado de Pelé, ainda ecoa como um exagero folclórico. Até hoje me pergunto se aquilo foi o pior da Copa de 1994, jogada nos Estados Unidos, ou se foi a frase de Carlos Alberto Parreira, “gol é um mero detalhe”, dita para esculhambar antes de elogiar a conquista de Romário e companhia. Foi a segunda Copa que vivi em Campos dos Goytacazes, minha morada desde 1986, e a primeira em que não participei das decorações de rua. Nem bandeirinhas, nem fogos. Fiz até uma aposta com minha filha: se o Brasil fosse campeão, eu rasparia a barba que cultivava desde 1970. Não acreditava naquele time. Era bom, sim, mas jogava feio. Parreira era o retrato do que havia de pior no nosso futebol: defensivista, adepto do jogo bruto, com Mauro Silva e Dunga segurando o meio sem criatividade alguma. Bons na marcação, péssimos na saída de bola. Na Rua Pereira Nunes, a turma acreditava. Ricardo e seus amigos ped...

Copa 1994

 🇺🇸⚽ COPA DE 94 – A REDENÇÃO Depois do gosto amargo de 90, o Brasil chegou aos Estados Unidos carregando mais desconfiança do que esperança. Era um time eficiente, organizado… mas longe de encantar. Nada de futebol arte como em 82 ou 86. Era outro estilo. Mais pragmático. Mais europeu. E isso incomodava muita gente. Mas tinha algo diferente. Tinha fome. Sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o Brasil foi avançando sem fazer barulho. Vitória aqui, empate ali, e o time ia se ajeitando. Não brilhava… mas também não se perdia. Até que surgiram eles. Romário e Bebeto. Dois baixinho, endiabrados, decisivos. Um faro de gol absurdo. O outro, inteligência e parceria. E, juntos, carregaram o Brasil. Veio o jogo contra a Holanda — talvez o grande momento da Copa. 3 a 2, jogo aberto, emoção até o fim. Ali deu pra sentir: podia ser. Na semifinal, a Suécia. Jogo duro. Truncado. Tenso. Até que Romário… claro, ele… subiu mais que todo mundo e fez o gol da classificação. E aí, a final. Brasil ...

Histórias das Copas 1990

COPA DE 90 - A PIOR COPA DOS TEMPOS MODERNOS A Copa da Itália, em 90, parecia ter sido feita exclusivamente para Maradona brilhar intensamente. O argentino, ídolo no país da bota, vivia a melhor fase de sua vida jogando no Nápoles. Ídolo em todo o país, Maradona pensava ter o apoio de todos os italianos. Engano total. O gringo foi vaiado pelos “compatriotas’ e, momento raro, só recebeu aplausos na vitória sobre o Brasil, com aquele gol de Cannigia que ainda está entalado na garganta de muitos brasileiros, alguns tiraram o entalo na Copa de 94 nos Estados Unidos." O Brasil teve um desempenho decepcionante. Sob o comando de Sebastião Lazaroni, que adotou o esquema com três zagueiros, a equipe venceu Suécia, Costa Rica e Escócia sem jogar bem. E quando atuou melhor, um lance genial de Maradona e a conclusão de Cannigia eliminou a equipe da competição. Muitos brasileiros viram a copa nos estádios italianos. Meu amigo Solon, velho jornalista e meu guru eterno, tem muitas histórias sobr...

Histórias das Copas - 1986

 SEU SONHO – MÉXICO 86 Em 1986, por conta de problemas políticos e de um clima de violência provocado pelos narcotraficantes, a Copa do Mundo foi retirada da Colômbia. Três anos antes da competição, em 1983, a FIFA voltou a indicar o México como sede. Mas o México também teve que superar seu drama. Oito meses antes do início da Copa, a Cidade do México e outras regiões foram devastadas por um terremoto que matou cerca de 25 mil pessoas. Era o caos. Era dor. E, mesmo assim, emergiu a força de um povo que decidiu não desistir. O México seguiu em frente — e fez da Copa um símbolo de superação. Do lado de cá, embalados pelo título de 70 e pela esperança renovada, os brasileiros invadiram o país. Filas em agências de viagem, bandeiras nas malas e o samba no coração. Guadalajara e a Cidade do México ganharam um tempero verde e amarelo, com torcedores tomando — no melhor dos sentidos — bares, ruas e estádios. Foi, até então, a maior presença de brasileiros em uma Copa. E, para mim, teve u...

Histórias das Copas 1982

  COPA 82 – DO VOA CANARINHO AO CHORO NA CALÇADA A Copa da Espanha foi mágica e provocativa. A magia fica por conta do futebol do time brasileiro, a provocação ficou a cargo dos italianos, que em um momento de sorte sacaram dos brasileiros a oportunidade de ver um de seus melhores times erguer a Copa do Mundo e dar a volta olímpica como fizera a geração 70.  Sei que o futebol é ingrato, mas vivemos um momento especial naqueles vinte e poucos dias de competição. Fomos da alegria, como cantar o Voa Canarinho, música que o craque Júnior gravou e servia de pano de fundo para as vitórias do Brasil, à decepção, representada pelo choro de pai e filho, o escriba aqui e o Ralph, no meio fio da calçada da Rua João Pessoa lá na Santa Terrinha.  A seleção de Zico, Sócrates e Falcão mereceu um destaque à parte. Após boas vitórias e um futebol extremamente convincente, o time virou unanimidade na crítica internacional,franco favorito ao título. Mas perdeu para a Itália por 3 a 2 (com...

Histórias das Copas 1978

  ARGENTINA 78 – A COPA DAS SOMBRAS A situação na Argentina era das mais delicadas. A linha-dura do regime do general Jorge Rafael Videla impunha censura, repressão e medo. Ainda assim, a realização da Copa do Mundo virou trunfo político para os militares. Houve protestos, pedidos de boicote e pressões para que a FIFA mudasse a sede. Mas o então presidente, o brasileiro João Havelange, foi irredutível. No Brasil, a turbulência era outra. A bronca caía sobre o técnico Cláudio Coutinho. A imprensa e os apaixonados por futebol não engoliam suas improvisações — embora ele carregasse no currículo o sucesso no Flamengo e a participação na preparação física da seleção de 70. Para que a Copa acontecesse, chegou-se a um acordo silencioso: uma espécie de trégua entre militares e grupos de oposição, que prometeram evitar ações durante o torneio. Era o futebol tentando sobreviver em meio ao caos. Na nossa Santa Terrinha, já não tínhamos mais a presença constante do guru Ermenegildo Solon, que ...