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Revendo as Copas - 1986

  Em 1986, por causa de problemas políticos internos e do clima de violência provocado pelo narcotráfico, a Colombia abriu mão de sediar a Copa do Mundo. Três anos antes da competição, a FIFA voltou seus olhos para o Mexico, que recebeu novamente o torneio. Mas os mexicanos também precisaram vencer obstáculos enormes. Oito meses antes do início da Copa, a Cidade do México e outros estados do país foram atingidos por um terremoto devastador que matou milhares de pessoas. Em meio à tragédia, surgiu ainda mais forte a determinação do povo mexicano, que decidiu seguir em frente e mostrar ao mundo sua capacidade de organizar uma grande Copa do Mundo. E conseguiu. Motivados pela boa campanha de 1982 e pelo sonho do tetra, os brasileiros atravessaram a fronteira em peso. Filas enormes se formaram nas agências de viagem e logo Guadalajara e a Cidade do México ganharam um toque especial de samba, bandeiras e festa verde e amarela. Os bares, tabernas e ruas mexicanas foram tomados — no melho...
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Revendo as Copas - Do voa Canarinho a decepção 1982

A Copa da Espanha foi mágica e provocativa. A magia ficou por conta do futebol da Seleção Brasileira. A provocação veio dos italianos que, num momento decisivo, tiraram do Brasil a chance de ver um de seus maiores times erguer a Copa do Mundo e dar a volta olímpica como fizera a geração de 70. Sei que o futebol é ingrato, mas vivemos algo especial naqueles vinte e poucos dias de competição. Fomos da alegria de cantar Voa Canarinho — música gravada pelo craque Júnior e que servia de pano de fundo para as vitórias brasileiras — à decepção profunda representada pelo choro de pai e filho: o escriba aqui e o Ralph, sentados no meio-fio da calçada da Rua João Pessoa, lá na Santa Terrinha. A seleção de Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e companhia merece capítulo à parte. Depois de grandes vitórias e apresentações convincentes, o time virou unanimidade entre a crítica internacional. Era o franco favorito ao título. Mas perdeu para a Itália por 3 a 2 — com três gols de Paolo Rossi — e foi elimin...

Revivendo as Copas - 1978

              Revivendo as Copas — 1978 Quatro anos depois da frustração da Alemanha, chegou a Copa da Argentina. E ela veio cercada de expectativa — mas também de desconfiança. O Brasil desembarcou em Argentina ainda tentando reencontrar o futebol perdido desde 1970. Já não éramos aquela seleção mágica do México, mas também não queríamos repetir o gosto amargo de 1974. No comando estava Cláudio Coutinho , jovem, estudioso, cheio de ideias novas e cercado de observações sobre futebol moderno. Dentro de campo havia talento: Zico , Rivelino , Dirceu , Toninho Cerezo … Mas aquela Copa carregava algo estranho no ar. Os donos da casa viviam o peso do regime militar argentino, os estádios ferviam de pressão, e cada jogo parecia cercado por uma tensão que ia além do futebol. Aqui no Brasil, lembro que havia muita conversa antes de a bola rolar. Uns acreditavam no título. Outros desconfiavam do time. E muitos desconfiavam ainda mais da Copa. No fim...

Copa 1974

               Revivendo as Copas — 1974 A turma da Santa Terrinha estava disposta a repetir a festa de 1970. Mas, assim como o time de Mário Zagallo , que seguia no comando da Seleção Brasileira, nosso grupo já não era o mesmo. Muitos dos amigos que fizeram o carnaval fora de época quatro anos antes já não estavam mais na cidade. Outros haviam se formado, seguido novos caminhos e se afastado daquela rotina de festa e “zoeira” que marcava as vitórias do Brasil em Copas do Mundo. Eu, já noivo e pensando em casamento, não abandonei a turma. Fiquei responsável por preparar os instrumentos de percussão e sopro para os jogos da primeira fase, porque todos nós acreditávamos que seriam tranquilos para o nosso time. Havia enorme expectativa em torno da Seleção na Copa da Alemanha. O Brasil vinha embalado pela conquista gloriosa no México e, mesmo sem Pelé , levava um elenco respeitável com Leão , Paulo César Carpegiani , Ademir da Guia , Rivelino e ...

Copa 1970 = ano do tri

            Revivendo as Copas — 1970 Se a Copa da Inglaterra, em 1966, é passível de esquecimento — tanto que contamos apenas detalhes de bastidores e da pré-Copa — a do México, em 1970, merece ficar guardada para sempre na memória de todos nós, brasileiros e amantes do esporte. Foi a primeira Copa mostrada ao Brasil pela televisão e talvez a única em que tivemos uma organização séria e tempo suficiente para preparar uma equipe forte, equilibrada e saudável. Tanto que Brito foi apontado como um dos jogadores fisicamente mais preparados daquela competição. Nos bastidores trabalhavam militares de confiança do presidente Emílio Garrastazu Médici . No campo e ao redor dele, jovens como Carlos Alberto Parreira , Carlesso e Coutinho integravam a comissão técnica comandada por Antônio do Passo, cartola carioca acostumado aos bastidores do poder no futebol. Curiosamente, o primeiro comandante daquela seleção foi João Saldanha , comunista assumido e dono de p...

Copa 1966

  Revivendo as Copas — 1966 Na Copa da Inglaterra, em 1966, eu já acompanhava de perto o noticiário e lia, em O Jornal , os preparativos da nossa seleção. Lembro-me bem de uma discussão que tive com o Gilson — hoje morando no Mato Grosso, lá pertinho da Bolívia —, outro apaixonado por futebol e fã de carteirinha dos programas da Rádio Globo . O Gilson me garantia que Ditão, do Corinthians, estava convocado pela CBD, como era chamada a CBF naquele tempo. “Os dirigentes do Corinthians impuseram a convocação de mais um do elenco e a comissão técnica chamou Ditão, o zagueiro corintiano”, cravava ele. “Erraram, meu caro Gilson”, tentei retrucar, escondendo o fato ocorrido nos bastidores, contado por Oduvaldo Cozzi em seu programa das seis da tarde na TV Tupi . — Gilson, o convocado foi o Ditão do Flamengo. Falei como se fosse um entendido no assunto. Isso já na hora do recreio, por volta das nove da noite, lá no Colégio Nossa Senhora das Graças. Mas ele não arredava o pé. — Q...

Copas que vi e ouvi - 1962

              Vamos reviver as Copas – 1962 A Copa de 1962 teve um significado especial para minha cidade, Miracema, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro. Foi nela que ouvi, pela primeira vez, histórias de um torcedor brasileiro presente no local da competição. Era o pai do meu amigo Antenor, o Seu Felisberto, que viajou ao Chile para ver de perto o escrete canarinho. O time tinha entre suas estrelas vários jogadores do Botafogo, paixão declarada dele, e Garrincha , seu grande ídolo, vivia fase iluminada. Por isso o conterrâneo abriu a carteira, gastou um pouco do seu dinheiro e foi voar nas asas da Panair do Brasil , como gostava de dizer. Seu Felisberto contava que ficou hospedado no mesmo hotel de Elza Soares , a grande musa de Garrincha. Segundo ele, Garrincha a visitava praticamente todos os dias e, claro, eram encontros sempre a portas fechadas e sem hora para terminar. “Como é que aquele camarada pode atuar tão bem naquela Copa?”, pergunt...