Tarciso
Certa vez comentei aqui sobre minhas aventuras de “vendedor” pelas ruas da minha Miracema, pelos parques e circos que chegavam à cidade e, principalmente, nas filas do Cine Sete e do Cine XV, tentando angariar algum dinheiro para os matinês de sábado.
Também falei do meu tempo de engraxate, dos amigos que dividiam as calçadas comigo. O tempo passou e, felizmente, tudo deu certo em meu caminho e cá estou hoje, já grandinho e quase um setentão miracemense, falando e escrevendo sobre os personagens e os fatos da nossa terrinha.
E hoje faço um abre-alas para um personagem que já caminha para meio século de presença no nosso jardim.
Sempre alegre, educado e com um carinho especial pelas crianças que frequentam o parque. Elas puxam os pais pela mão e pedem:
— Quero pipoca do seu Tarcísio!
E ele, sempre com um belo e largo sorriso, atende a todos contando um causo ou lembrando do pai, do avô ou de algum parente da criança que está à sua frente. Tarcísio conhece a história de muita gente que viu crescer ali.
Quando chego por perto é sempre um abraço afetuoso e uma lembrança dos tempos do bar do meu avô ou das travessuras dos meus filhos em volta do seu carrinho de pipoca.
Um assunto que o deixa particularmente feliz é falar do filho, que vive em Santa Catarina e conseguiu organizar sua vida profissional com segurança. Hoje, com as facilidades do celular, os dois mantêm contato quase diário, e Tarcísio se diverte contando as aventuras do rapaz nas terras da terra vermelha.
Tarcísio talvez nunca ganhe um busto no jardim.
Mas aquele lugar — onde ele faz a alegria das crianças da cidade — jamais será esquecido.
E tenho certeza de que, sempre que um homem ou uma mulher, já bem sucedido na vida, passar por ali, vai se lembrar do grande personagem daquele espaço: Tarcísio, o pipoqueiro.
Mas eu sempre gosto de ouvir dele a resposta que dá quando elogio sua alegria de viver:
— Devo tudo isso à minha Maria.
Um amor de muitos anos — e que eu admiro profundamente.
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