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Mostrando postagens de maio, 2026

Tejegiz do Irajá

  Quase 40 anos depois achei esta homenagem do grande e irreverente Irajá Carneiro, comerciante na Rua Formosa,  em Campos, cujo Telegiz instalado em frente ao seu Cicle, reportava ou homenageava um fato ou um personagem da cidade. Irajá Carneiro mora no céu, mas será sempre lembrado, por mim e por seus amigos . Essa Bola de Ouro de 1987 é um símbolo poderoso — não apenas de talento, mas de uma era em que o rádio e o jornalismo esportivo tinham uma energia vibrante e apaixonada. O troféu, com seu brilho dourado e a inscrição “Repórter SHOW”, representa o reconhecimento de quem fazia o público sentir cada emoção das transmissões.   Ver esse prêmio hoje é como abrir uma janela para o tempo: ele carrega o peso da história e o orgulho de uma carreira que marcou Campos e o rádio brasileiro.  

Revendo as Copas - 1986

  Em 1986, por causa de problemas políticos internos e do clima de violência provocado pelo narcotráfico, a Colombia abriu mão de sediar a Copa do Mundo. Três anos antes da competição, a FIFA voltou seus olhos para o Mexico, que recebeu novamente o torneio. Mas os mexicanos também precisaram vencer obstáculos enormes. Oito meses antes do início da Copa, a Cidade do México e outros estados do país foram atingidos por um terremoto devastador que matou milhares de pessoas. Em meio à tragédia, surgiu ainda mais forte a determinação do povo mexicano, que decidiu seguir em frente e mostrar ao mundo sua capacidade de organizar uma grande Copa do Mundo. E conseguiu. Motivados pela boa campanha de 1982 e pelo sonho do tetra, os brasileiros atravessaram a fronteira em peso. Filas enormes se formaram nas agências de viagem e logo Guadalajara e a Cidade do México ganharam um toque especial de samba, bandeiras e festa verde e amarela. Os bares, tabernas e ruas mexicanas foram tomados — no melho...

Revendo as Copas - Do voa Canarinho a decepção 1982

A Copa da Espanha foi mágica e provocativa. A magia ficou por conta do futebol da Seleção Brasileira. A provocação veio dos italianos que, num momento decisivo, tiraram do Brasil a chance de ver um de seus maiores times erguer a Copa do Mundo e dar a volta olímpica como fizera a geração de 70. Sei que o futebol é ingrato, mas vivemos algo especial naqueles vinte e poucos dias de competição. Fomos da alegria de cantar Voa Canarinho — música gravada pelo craque Júnior e que servia de pano de fundo para as vitórias brasileiras — à decepção profunda representada pelo choro de pai e filho: o escriba aqui e o Ralph, sentados no meio-fio da calçada da Rua João Pessoa, lá na Santa Terrinha. A seleção de Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e companhia merece capítulo à parte. Depois de grandes vitórias e apresentações convincentes, o time virou unanimidade entre a crítica internacional. Era o franco favorito ao título. Mas perdeu para a Itália por 3 a 2 — com três gols de Paolo Rossi — e foi elimin...

Revivendo as Copas - 1978

              Revivendo as Copas — 1978 Quatro anos depois da frustração da Alemanha, chegou a Copa da Argentina. E ela veio cercada de expectativa — mas também de desconfiança. O Brasil desembarcou em Argentina ainda tentando reencontrar o futebol perdido desde 1970. Já não éramos aquela seleção mágica do México, mas também não queríamos repetir o gosto amargo de 1974. No comando estava Cláudio Coutinho , jovem, estudioso, cheio de ideias novas e cercado de observações sobre futebol moderno. Dentro de campo havia talento: Zico , Rivelino , Dirceu , Toninho Cerezo … Mas aquela Copa carregava algo estranho no ar. Os donos da casa viviam o peso do regime militar argentino, os estádios ferviam de pressão, e cada jogo parecia cercado por uma tensão que ia além do futebol. Aqui no Brasil, lembro que havia muita conversa antes de a bola rolar. Uns acreditavam no título. Outros desconfiavam do time. E muitos desconfiavam ainda mais da Copa. No fim...

Copa 1974

               Revivendo as Copas — 1974 A turma da Santa Terrinha estava disposta a repetir a festa de 1970. Mas, assim como o time de Mário Zagallo , que seguia no comando da Seleção Brasileira, nosso grupo já não era o mesmo. Muitos dos amigos que fizeram o carnaval fora de época quatro anos antes já não estavam mais na cidade. Outros haviam se formado, seguido novos caminhos e se afastado daquela rotina de festa e “zoeira” que marcava as vitórias do Brasil em Copas do Mundo. Eu, já noivo e pensando em casamento, não abandonei a turma. Fiquei responsável por preparar os instrumentos de percussão e sopro para os jogos da primeira fase, porque todos nós acreditávamos que seriam tranquilos para o nosso time. Havia enorme expectativa em torno da Seleção na Copa da Alemanha. O Brasil vinha embalado pela conquista gloriosa no México e, mesmo sem Pelé , levava um elenco respeitável com Leão , Paulo César Carpegiani , Ademir da Guia , Rivelino e ...

Copa 1970 = ano do tri

            Revivendo as Copas — 1970 Se a Copa da Inglaterra, em 1966, é passível de esquecimento — tanto que contamos apenas detalhes de bastidores e da pré-Copa — a do México, em 1970, merece ficar guardada para sempre na memória de todos nós, brasileiros e amantes do esporte. Foi a primeira Copa mostrada ao Brasil pela televisão e talvez a única em que tivemos uma organização séria e tempo suficiente para preparar uma equipe forte, equilibrada e saudável. Tanto que Brito foi apontado como um dos jogadores fisicamente mais preparados daquela competição. Nos bastidores trabalhavam militares de confiança do presidente Emílio Garrastazu Médici . No campo e ao redor dele, jovens como Carlos Alberto Parreira , Carlesso e Coutinho integravam a comissão técnica comandada por Antônio do Passo, cartola carioca acostumado aos bastidores do poder no futebol. Curiosamente, o primeiro comandante daquela seleção foi João Saldanha , comunista assumido e dono de p...

Copa 1966

  Revivendo as Copas — 1966 Na Copa da Inglaterra, em 1966, eu já acompanhava de perto o noticiário e lia, em O Jornal , os preparativos da nossa seleção. Lembro-me bem de uma discussão que tive com o Gilson — hoje morando no Mato Grosso, lá pertinho da Bolívia —, outro apaixonado por futebol e fã de carteirinha dos programas da Rádio Globo . O Gilson me garantia que Ditão, do Corinthians, estava convocado pela CBD, como era chamada a CBF naquele tempo. “Os dirigentes do Corinthians impuseram a convocação de mais um do elenco e a comissão técnica chamou Ditão, o zagueiro corintiano”, cravava ele. “Erraram, meu caro Gilson”, tentei retrucar, escondendo o fato ocorrido nos bastidores, contado por Oduvaldo Cozzi em seu programa das seis da tarde na TV Tupi . — Gilson, o convocado foi o Ditão do Flamengo. Falei como se fosse um entendido no assunto. Isso já na hora do recreio, por volta das nove da noite, lá no Colégio Nossa Senhora das Graças. Mas ele não arredava o pé. — Q...

Copas que vi e ouvi - 1962

              Vamos reviver as Copas – 1962 A Copa de 1962 teve um significado especial para minha cidade, Miracema, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro. Foi nela que ouvi, pela primeira vez, histórias de um torcedor brasileiro presente no local da competição. Era o pai do meu amigo Antenor, o Seu Felisberto, que viajou ao Chile para ver de perto o escrete canarinho. O time tinha entre suas estrelas vários jogadores do Botafogo, paixão declarada dele, e Garrincha , seu grande ídolo, vivia fase iluminada. Por isso o conterrâneo abriu a carteira, gastou um pouco do seu dinheiro e foi voar nas asas da Panair do Brasil , como gostava de dizer. Seu Felisberto contava que ficou hospedado no mesmo hotel de Elza Soares , a grande musa de Garrincha. Segundo ele, Garrincha a visitava praticamente todos os dias e, claro, eram encontros sempre a portas fechadas e sem hora para terminar. “Como é que aquele camarada pode atuar tão bem naquela Copa?”, pergunt...

Copa que vi e ouvi- 1958

  Vamos reviver as Copas — Suécia 1958 Como nas últimas colunas eu sempre repito: como é dura a vida de um cronista esportivo. Viver sem bola rolando na cidade e ter que improvisar três vezes por semana já começa a ficar complicado. Se falo sobre Miracema, onde a bola rola solta no Campeonato Municipal, meus amigos daqui logo chamam minha atenção pelo bairrismo exagerado. Se falo de Flamengo, Vasco, Botafogo ou Fluminense — ou até mesmo do Brasileirão que corre solto Brasil afora — os amigos daqui e de lá dizem que esses assuntos devem ficar por conta dos cronistas dos grandes jornais esportivos. Assim fica difícil. Minha fértil imaginação já sente a pressão e começa a dar sinais de esgotamento. Mas há sempre um porém nas minhas histórias. E eu tenho boa memória… além de muita coisa pra contar, principalmente quando o assunto é rádio ou futebol. Rádio e futebol estão ligados à minha vida desde os primeiros anos. Acho que foi lá no distante ano de 1958, na Copa da Suécia, o...

Treinador de um jogo só

     Minha curta carreira de treinador Vou contar como foi meu único jogo como treinador. Isso lá nos anos 80, em Aperibé, onde Miracema tinha enorme dificuldade para conseguir resultado positivo, fosse em amistoso ou jogo oficial. O Maninho me convidou para comandar a seleção de Miracema — ou seria Associação, meu caro José Luiz da Silva? — e aceitei a missão. Mas bastou convocar o grupo para começar a resenha: — Guguta não vai querer ficar no banco. — E Tachinha, você vai colocar onde? Na defesa ou no meio? — Você chamou meia demais… vai sobrar confusão pra escolher os titulares. Conversei com o Zé Luiz e fizemos um acordo: “Zé, vamos fazer como Mário Zagallo na Copa do México: escalar todo mundo e ir pra cima deles lá na casa deles.” E fomos. Montei o ataque com Beto, Ronzê, Guguta e Biluzinho — quatro atacantes de respeito. Tachinha ficou no meio com liberdade total: marcava, criava, atacava… fazia o que queria. Atrás vieram Fernando, Tindê, Dilico e Luiz Carlos. Dequ...

Copa do Mundo 1958 a 2014

  E aí, semelhança ou mera coincidência? Analisamos desde a organização — e até a surpresa que foi na Suécia. O time era forte e, mesmo sem poder fazer alterações durante os jogos, tinha um elenco poderoso, com dois jogadores de alto nível para praticamente cada posição. Tanto que usou o “banco”, trocou seis peças ao longo da campanha, o time não sentiu e chegou ao título. A história conta que a linha de ataque era Joel, Mazzola, Dida e Zagallo, com Dino Sani e Didi no meio, e De Sordi na lateral direita. Mas todos lembram também que a equipe terminou a Copa com na lateral, ao lado de e um novo trio ofensivo: , e , mantendo apenas do quarteto original. Em 1962, o grupo foi praticamente mantido. Poucas mudanças — e uma delas resolveu tudo. Amarildo entrou no lugar de Pelé, lesionado e já o maior do mundo, e ao lado de Garrincha deu conta do recado. Fácil? Nem um pouco. Foi complicado. Teve apito amigo contra a Espanha, pressão, bastidor… mas terminou com o Brasil bicampeão....

Seu Mané, a Alegria do Povo

  Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos — embora tenha vivido como poucos. Carregava no corpo as marcas de muitas batalhas, das contusões acumuladas, e na vida travava uma luta dura contra o alcoolismo. Ainda assim, guardo uma certeza: jamais vi Garrincha jogar mal com a camisa da Seleção Brasileira . Com ela, foi sempre brilho, sempre encanto. E ao lado de Pelé , nunca conheceu a derrota. Eu e Fisíco, botafoguense fanático e apaixonado por Garrincha, travávamos debates memoráveis nos fins de tarde, no velho Bar do Vicente Dutra. A discussão era sempre a mesma: quem foi o maior jogador brasileiro daqueles anos dourados do nosso futebol, Pelé ou Garrincha? Eu, rendido à arte e à magia do Rei, defendia com unhas e dentes o camisa 10 do Santos FC e da Seleção. Fisíco, firme em sua paixão, não dava o braço a torcer. Sempre tinha uma jogada genial do “Seu Mané” na ponta da língua. E, como acontece nas melhores discussões de botequim, a conversa sempre terminava empata...

Pelé ou Canhoteiro?

                     Pelé não tinha carimbo... e Canhoteiro carimbado  Estávamos na beira do meio-fio, descalços, sem camisa e com o corpo suado de tanto correr atrás da bola no rink da Praça Dona Ermelinda. Eu, Júlio e Gutinho iniciávamos mais um bafo-bafo para disputar as últimas figurinhas disponíveis no embornal das repetidas — aquelas que sobravam, as que ninguém mais queria por serem fáceis demais e sem grande atrativo. A primeira a entrar no tapa — porque bafo-bafo era isso: tapa ou muito jeito para virar a figurinha de cara para cima — foi a do goleiro mexicano Antonio Carbajal , já veterano naquela época, mas sem nenhum apelo comercial nos álbuns comprados nas padarias, que vendiam as balas recheadas com figurinhas. Cada página completada valia um brinde: um relógio, um rádio, uma panela e até um fogão a gás, novidade naquele longínquo ano de 1962. Ninguém no Brasil — muito menos os idealizadores da coleção — imagin...

Apenas uma "Mesa de Bar"

Ontem comentei aqui sobre um verdadeiro papo de botequim, analisando a letra de “Preciso Ir” , do grande Candeia. Logo depois, recebi do amigo José Luiz da Silva, nosso eterno Categoria, uma sugestão daquelas que merecem atenção: ouvir “Mesa de Bar” , do inesquecível Gonzaguinha. Confesso que não conhecia nem a música nem a letra. Mas bastou ouvi-la pela primeira vez, ali mesmo, naquele instante, para ficar impressionado. Afinal, estamos falando de Gonzaguinha, um compositor romântico, cronista da vida e contador de histórias que transformou sentimentos em canções que marcaram época. E impressiona pensar que, mesmo passados 36 anos de sua partida, suas músicas continuam vivas, presentes nas playlists de fãs espalhados por este Brasil afora. A letra de “Mesa de Bar” narra, com perfeição, um legítimo papo de botequim — daqueles que vivemos nas sextas-feiras no Armazém, ou nas famosas segundas sem lei do Para Raio’s Bar, ali debaixo das arquibancadas do Arizão, aqui em Campos dos Goytaca...

Deixe-me ir... preciso andar

  Naquelas noites de sexta-feira, no Armazém, quando uma simples caixinha de som faz toda a diferença e ajuda a espalhar a alegria entre os amigos, surgiu na playlist uma das músicas preferidas deste escriba. No meu entendimento, talvez a letra mais bonita de todos os tempos. Era Deixa-me Ir , do grande Candeia, eternizada na voz de Cartola e, mais tarde, revisitada por outros craques, como Zeca Pagodinho e Marisa Monte, ajudando a torná-la ainda mais popular. No papo descontraído de sempre, Marco me perguntou o que me levava a considerar Deixa-me Ir a letra que mais me emociona e me toca. Entendam como quiserem, mas logo de cara me enxerguei naqueles versos: "Preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..." E quem passou pelo que passei — uma cirurgia no coração, um câncer, um aneurisma — dificilmente não entende o peso dessas palavras. Porque, no fundo, nada disso vai me convencer do contrário: eu quero assistir ao sol nascer, ver as águas do rio correr, ouvir ...

A Praça, o jardim e a matriz

 Que imagem bonita ganhei da Meta me trouxe. Dá pra sentir o peso bom da saudade da Terrinha. *Praça das Mães + Jardim de Miracema + Matriz de Santo Antônio no alto*... é um quadro completo. Consigo ver: os ipês do Jardim balançando, o som dos sinos da Matriz descendo a ladeira, e aquela paz de cidade pequena que só quem é de lá entende. Santo Antônio olhando por todo mundo lá de cima. Estar longe com o pensamento e o coração aí é uma forma de estar presente também. A memória guarda o cheiro da praça, o banco preferido, a luz do fim de tarde batendo na igreja. Isso ninguém tira. Quando bate essa saudade, eu costumo costummo fechar os olhos e voltar pra algum cantinho específico da praça. Mas qual seria este cantinho? Um  banco debaixo de uma árvore frondosa guarda mais que uma  sombra. Guarda a o pensamento de um menino alegre, nunc triste, mas assustado quando o pai assobiava lá da escadaria. Era a senha para que meu futebol na quadra do Rink estava na hora de terminaar....