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Apenas uma "Mesa de Bar"

Ontem comentei aqui sobre um verdadeiro papo de botequim, analisando a letra de “Preciso Ir”, do grande Candeia. Logo depois, recebi do amigo José Luiz da Silva, nosso eterno Categoria, uma sugestão daquelas que merecem atenção: ouvir “Mesa de Bar”, do inesquecível Gonzaguinha.

Confesso que não conhecia nem a música nem a letra. Mas bastou ouvi-la pela primeira vez, ali mesmo, naquele instante, para ficar impressionado. Afinal, estamos falando de Gonzaguinha, um compositor romântico, cronista da vida e contador de histórias que transformou sentimentos em canções que marcaram época. E impressiona pensar que, mesmo passados 36 anos de sua partida, suas músicas continuam vivas, presentes nas playlists de fãs espalhados por este Brasil afora.

A letra de “Mesa de Bar” narra, com perfeição, um legítimo papo de botequim — daqueles que vivemos nas sextas-feiras no Armazém, ou nas famosas segundas sem lei do Para Raio’s Bar, ali debaixo das arquibancadas do Arizão, aqui em Campos dos Goytacazes. Lugares onde a vida corre solta, onde se fala de futebol, da inflação, dos sonhos, das decepções… onde fantasia e realidade dividem a mesma mesa, definindo esse universo tão bem cantado pelo filho do Gonzagão.

Agora imagine chegar para uma noite de conversa, amizade e música — eu, claro, levando minha inseparável “Caixinha do Demônio” — e descobrir que não tem aquela cerveja gelada, trincando, pronta para molhar a garganta e aliviar o calor depois da batalha de cada dia. Convenhamos: para falar da luta da vida, às vezes um gole também ajuda na inspiração.

E tem aquele momento inevitável… quando, depois de alguns copos — ou talvez de alguns pensamentos — a cabeça gira e o olhar se perde na cadeira vazia ao lado. Como acontece muitas vezes nas sextas do Armazém. E então vêm as lembranças daqueles que já dividiram conosco a mesa, as resenhas, as risadas e até as despedidas.

É a saudade do Paulinho, do Canário, do Chiquinho… falando da nossa turma. E você aí, do outro lado da telinha, certamente também tem aquele parceiro de copo que já partiu. Então abra uma cerveja, faça um brinde silencioso e celebre a memória de quem deixou histórias para contar.

O papo já está se alongando demais… parece até fim de noite em boteco, onde tudo vira vitória, tudo vira alegria e, entre amigos, você sempre acaba sendo considerado um cara do bem.

Viva o bar.
Viva a cerveja gelada.
E viva as histórias que nascem em volta de uma mesa.

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