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Copa do Mundo 1958 a 2014

 E aí, semelhança ou mera coincidência?

Analisamos desde a organização — e até a surpresa que foi na Suécia. O time era forte e, mesmo sem poder fazer alterações durante os jogos, tinha um elenco poderoso, com dois jogadores de alto nível para praticamente cada posição. Tanto que usou o “banco”, trocou seis peças ao longo da campanha, o time não sentiu e chegou ao título.

A história conta que a linha de ataque era Joel, Mazzola, Dida e Zagallo, com Dino Sani e Didi no meio, e De Sordi na lateral direita. Mas todos lembram também que a equipe terminou a Copa com na lateral, ao lado de e um novo trio ofensivo: , e , mantendo apenas do quarteto original.

Em 1962, o grupo foi praticamente mantido. Poucas mudanças — e uma delas resolveu tudo. Amarildo entrou no lugar de Pelé, lesionado e já o maior do mundo, e ao lado de Garrincha deu conta do recado. Fácil? Nem um pouco. Foi complicado. Teve apito amigo contra a Espanha, pressão, bastidor… mas terminou com o Brasil bicampeão.

Aí veio 1966, na Inglaterra, e começaram a soberba e a bagunça generalizada. Quarenta e quatro convocados, festa em Minas Gerais, dias e mais dias entre Caxambu e Poços de Caldas… e Servílio, titular em todos os jogos-treino, acabou cortado às vésperas da viagem. Enquanto isso, veteranos como Garrincha, já sem condição física, foram mantidos. O fiasco todo mundo conhece.

O vexame de 1966 acendeu o alerta. O país vivia o regime militar e precisava de um símbolo de vitória. Formou-se então uma comissão técnica nova, muitos nomes surgiram daquele trabalho, Zagallo entrou no lugar de Saldanha, houve organização, treino sério e preparação específica até para a altitude. Resultado: o tricampeonato.

Zagallo foi mantido para 1974 — e talvez tenha se sentido grande demais. Quando perguntado se havia estudado os adversários europeus, especialmente Holanda e Polônia, respondeu com segurança: “Eles é que precisam estudar o nosso futebol.” O resultado veio em campo: derrota para a Laranja Mecânica e depois para a Polônia, terminando num quarto lugar amargo.

Em 1978, comandou um bom time. Cometeu, para muitos, a injustiça de não levar , já craque naquele tempo, e levou Chicão com a justificativa de que precisava de um homem forte para enfrentar a Argentina. Ainda assim, ficou a sensação de que o Brasil poderia ter ido além. Terminou em terceiro.

Na Espanha, em 1982, veio talvez a maior dor esportiva. Mais uma vez a teimosia pesou. tinha um time brilhante, mas faltou humildade para administrar o empate contra a Itália. A Azzurra esperou atrás, encontrou seu momento, e o Brasil voltou para casa sob choro coletivo.

No México, em 1986, mais problemas. Mais insistência. Mais teimosia. Levaram sem condição ideal de jogo, colocaram o craque para cobrar pênalti contra a França e, até hoje, muita gente lembra daquele momento. Mas todos sabem que o problema era bem maior do que aquela cobrança.

Melhor nem falar de 1990. Na Itália, bagunça total. Uma Copa esquecível.

Em 1994 surgiu , vindo daquela escola da comissão de 70. Trabalho sério, convocações acertadas, ambiente controlado e seriedade. Resultado: o tetra.

Em 1998, Zagallo voltou — e junto com ele uma certa arrogância também. Sem Romário, cortado por lesão, o Brasil chegou à final, mas quando Ronaldo viveu aquela noite dramática contra a França ficou a sensação de que o Baixinho poderia ter sido a solução que faltou. Não foi. E veio o vice.

Depois surgiu , com seu jeito firme, quase de coronel, no Japão e na Coreia. Organização, grupo fechado, bons jogadores, comando forte. Resultado: pentacampeonato.

Mas em 2006… zorra total. A seleção de estrelas da Europa se perdeu completamente na preparação na Suíça. Muito brilho, pouca concentração. E o fracasso veio cedo.

Com , em 2010, a história terminou de forma parecida: eliminação precoce.

Aí veio 2014 e a volta de Felipão como “salvador da pátria”. O desfecho virou trauma nacional: . O maior vexame da nossa história.

E depois disso, proteção, apadrinhamento, excesso de confiança… tudo isso voltou a aparecer de tempos em tempos.

No fim, fica a pergunta:

Seria coincidência?

Porque olhando para trás, Copa após Copa, parece que a história sempre repete a mesma lição:

Seriedade, organização e trabalho levam ao título; empáfia, soberba e desorganização costumam levar ao fracasso.



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