Hoje eu queria ser poeta. Não o contador de histórias, não o cronista das esquinas da vida. Queria vestir a pele de Bilac, passear pelos versos como quem passeia por um jardim. Queria ter a sensibilidade de Chico — não o Anysio do humor inteligente, mas o Buarque das canções que falam baixinho ao coração. Sou dado ao riso, à ironia e às observações do cotidiano, mas hoje queria ser romântico como Roberto Carlos, simples e profundo como Caymmi, deixando que as palavras navegassem mansas, ao sabor da emoção. Hoje não quero falar de futebol. Não vou lembrar escalações, resultados ou histórias de Copa do Mundo. Não quero ser Saldanha, nem o João Saldanha de opiniões firmes e certeiras. Não quero ter a palavra fácil de tantos mestres da crônica esportiva. Se pudesse escolher, sentaria ao lado de Cury e Waldir, ídolos de uma juventude sonhadora que ainda mora em mim. Hoje eu não queria ser locutor. Queria ser o compositor. Queria ser Milton, Gonzaga, Gonzaguinha. Queria transformar sent...
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