Minha curta carreira de treinador
Vou contar como foi meu único jogo como treinador. Isso lá nos anos 80, em Aperibé, onde Miracema tinha enorme dificuldade para conseguir resultado positivo, fosse em amistoso ou jogo oficial.
O Maninho me convidou para comandar a seleção de Miracema — ou seria Associação, meu caro José Luiz da Silva? — e aceitei a missão.
Mas bastou convocar o grupo para começar a resenha:
— Guguta não vai querer ficar no banco.
— E Tachinha, você vai colocar onde? Na defesa ou no meio?
— Você chamou meia demais… vai sobrar confusão pra escolher os titulares.
Conversei com o Zé Luiz e fizemos um acordo:
“Zé, vamos fazer como Mário Zagallo na Copa do México: escalar todo mundo e ir pra cima deles lá na casa deles.”
E fomos.
Montei o ataque com Beto, Ronzê, Guguta e Biluzinho — quatro atacantes de respeito. Tachinha ficou no meio com liberdade total: marcava, criava, atacava… fazia o que queria. Atrás vieram Fernando, Tindê, Dilico e Luiz Carlos. Dequinha completava o meio, sem esse negócio de cabeça de área fixo.
Vou resumir:
Antes da meia hora já estava 4 a 0 pra Miracema.
A seleção de Aperibé praticamente não tocava na bola e o nosso time sobrava em campo. Foi um passeio.
Chegou um ponto em que eles literalmente jogaram a toalha. O jogo acabou antes dos trinta minutos porque simplesmente não havia mais clima para continuar.
Pelo menos, dessa vez, não teve a briga que quase sempre aparecia quando tinha Miracema x Aperibé.
Só que a turma do contra não gostou muito.
Diziam que, no jogo de volta — ou nos próximos — seria loucura repetir aquele esquema. Que daquele jeito não dava.
Aí eu conversei com o pessoal, ouvi daqui e dali… e como ninguém queria ser reserva, tomei minha decisão.
Encerrei ali mesmo minha carreira de treinador.
Fiquei com um retrospecto perfeito: Um jogo, uma vitória, quatro gols marcados e nenhum sofrido.
Melhor assim.
Até porque eu também nunca gostei de ser reserva.
Mas, no meu tempo, só tinha fera jogando… e,as vezes, eu acabava mesmo era esquentando
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