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O DILEMA: TORCER OU NÃO TORCER

Foi uma noite diferente para o torcedor alvinegro, principalmente para aqueles que estiveram na noite de quarta-feira no Maracanã para ver uma decisão reunindo dois pequenos e simpáticos clubes do Estado do Rio de Janeiro. Por aqui, na cidade de Campos, quem ficou lotou bares e quiosques na certeza de que teriam uma festa alvinegra, com um toque de alvianil, isto mesmo, alguns campistas alvianis desfraldaram as bandeiras do Goytacaz FC para saudar (seria?) o arqui-rival, que buscava mais uma vez o título sempre almejado por eles.

Nos bares da Rua Formosa, próximos ao Estádio Ary de Oliveira e Souza, a movimentação era a de um Fla x Flu. Torcedores ansiosos por uma noite de festa reservavam desde as primeiras horas da noite uma cadeira ou um lugar próximo do aparelho de televisão. – O jogo é da Globo! Gritava um alvianil que antecipava a sua torcida pelo Madureira. – O Madura é tricolor e como um bom tricolor (Fluminense) vou torcer pelo time da capital. Assim, em boa paz e em harmonia, foi o pré-jogo no Para-Raio’S Bar, no Chora na Rampa e no Bar do Papa, que está em reforma e mesmo assim recebeu um bom público.

A bola já estava no centro do gramado e o telefone toca na mesa ao lado. –Alô!! Pode falar, sou eu mesmo. Era Joacir recebendo uma ligação do filho, que foi escondido ao Maracanã, avisando que chegara bem e que estava vestindo uma camisa do Americano FC. – Que vergonha, meu filho. Que mal eu fiz a Deus para receber uma notícia desta antes de um jogo do meu grande rival. Você tá louco? Perguntou o pai angustiado, que recebeu como resposta um lacônico não. – Pai, preste atenção, eu estou praticamente a três horas de meu primeiro título e você quer cortar o meu barato? Por isto não te avisei que viria ao Maracanã, sabia que ia dar um contra na idéia.

Pobre alvianil. Agüentou firme e iniciou uma torcida pelo Madureira só para que o filho, mais novo por sinal, não mudasse de camisa e, segundo ele, não envergonhasse a família, que é desde o avô formada por fieis torcedores do Azul do Povo.

A bola começou a rolar e lá estão os opostos. Eu afirmo para o amigo leitor que nem mesmo aqueles fanáticos alvianis estavam dispostos a torcer contra o rival, o muito que ouvi e vi eram torcedores dizendo que ficariam em cima do muro, se desse Madureira zoariam os alvinegros, mas se o Cano vencesse até que ficariam calados, mas um pouco felizes.

Não deu tempo sequer para todos os torcedores se acomodarem às mesas e logo o Madureira marcou. Eram decorridos apenas cinco minutos do primeiro tempo quando Maicon errou um cruzamento e a bola entrou no canto de Erivelton. Com 1x0 para o Madureira ouviu-se o barulho de fogos no ar. – Tem comício do Mocaiber? Pergunta Joilson. – Não, meu caro amigo, são fogos da Fiel Alvianil comemorando o gol do Madureira.

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