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FERIADO DA INDEPENDENCIA

Nestas últimas visitas a Miracema, como temos feriados neste país, tive a oportunidade de conversar com dezenas de amigos, conhecer outro tanto e criar novos contatos com outras dezenas de pessoas. Ando, como todos sabem, de esquina em esquina, de bar em bar, não em busca da bebida, mas por conversa diferente que tenho aqui no meu canto, em Campos dos Goytacazes. Rodo a procura de novas idéias, de novos causos e de outros assuntos diferentes daqueles que tenho na minha memória e no meu computador.

No feriado de 7 de setembro, abro aqui um parêntesis para me queixar da pouca importância que nossos patrícios dão a esta data, mas abrindo um outro parêntesis eu destaco a grande concentração de conterrâneos, miracemenses ou visitantes, na nossa Rua Direita durante toda a sexta-feira e, apesar da música desagradável aos meus ouvidos, fiquei ali na Kiskina ouvindo o funk da rapaziada e conversando com meu velho e bom amigo Homerinho Feijó, cujo neto e seu amigo de infância me surpreenderam cantando, ou melhor, me soprando no ouvido pois o barulho infernal, vindo dos carros estacionados na Marechal Floriano detonavam em volume altíssimo as músicas dos jovens que estavam na rua.

Mas eu dizia que os garotos tentavam cantar alguma coisa, e pasmem, eram músicas do tempo do velho Homero Feijó, do Vicente Dutra ou do Zebinho. E assim se passaram os cinco dias que por aí estive, uma conversa aqui, outra ali e os pedidos eram os mesmos, sempre alguém me relembrando um causo antigo ou pedindo para eu contar alguma coisa sobre a bola ou sobre música.

Na noite da Mira Fantasy, parabéns ao pessoal do Clube XV, alô Paulinho Azevedo, que fizeram uma festa inesquecível, ali em frente ao antigo Banerj, que conversa boa eu tive lá no Tio Nilo com o Jorginho, Mário e o Fernando, tirei até uma foto para o meu álbum particular. Volto à noite do Mira Fantasy, ali em frente ao antigo Banerj, eu e Fernando Nascimento falávamos sobre bola, sobre música e sobre os tempos de colégio, com Zé Luiz, o de Categoria, o Zé Souto e o Assis de ouvidos atentos e entrando no papo quando necessário.

Ali, naquela espera pelo primeiro desfile na rua, eu e Fernando lembrávamos do Télio Mercante, o Ferrugem, cuja crônica especial está no forno e sai dentro de alguns números, do Felicíssimo, ambos professores de matemática, com muita influencia sobre este que vos fala, mas que também tiveram sucesso no Tupã, ambos zagueiros, beliscando as canelas adversárias.

Mais um pouco a frente, ainda na mesma calçada, abraço meu grande amigo Júlio Barros, se não foi o melhor meia que vi jogar pelo menos é um dos três melhores, olha que eu estou falando no geral e não só em Miracema ou região. Júlio foi craque e por causa dos estudos não seguiu em frente, queria ser doutor e hoje o é, além de professor universitário. Foi bom ver Fernando, Júlio, foi bom ver Assis, pessoas que fazem parte de um passado legal, foi ótimo estar novamente com os Josés, Luiz e Souto, amigos que estão sempre em contato comigo.

Volto um pouco nas horas, lembram daquele movimento na Rua Direita, que falei acima? Foi ali que cruzei com o Erasmo Tostes e mandei minha bronca ao distinto amigo e nobre colega das letrinhas. – Erasmo, estou bravo contigo. Ele, espantado, sem saber do que se tratava, me retruca. – O que te fiz, acho que há algum engano, falou o amigo me fixando atentamente. – Você publicou uma lista com nomes de ilustres miracemenses, que fizeram a história ou participaram da história da cidade e, este o motivo da minha bronca, conheci todos estes, os cem Erasmo, e estão me chamando de velho gagá, ninguém mais acredita que eu tenha a idade que falo, até meus filhos já está desconfiados que o Zebinho tenha me registrado dez ou quinze anos depois.

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