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DOMINGO DAS MÃES UM DOMINGO DE AMOR

Hoje tem campeonato brasileiro, um prato cheio para que todas as mães do Brasil tenham um dia de explicações sobre ausências ou retiradas estratégicas. Os fanáticos terão desculpas esfarrapadas para saírem de casa mais cedo, logo após o almoço da “mama” e partirem com tudo para as arquibancadas dos estádios deste país do futebol. Hoje é dia de almoçar, beijar, abraçar e dar carinho àquela que nos colocou no mundo, felizes são os torcedores que ainda podem sentar à mesa para um bate-papo gostoso com a mãezona, mas tudo bem, eu já tive o meu tempo e hoje aprecio os filhos fazendo o mesmo com minha mãe dois, a minha esposa Marina.

O Leandro, que é jornalista esportivo e tem uma paciencia de Jó, há quinze anos vem tentando, sem sucesso, explicar para sua mãe o que é um impedimento. Há oito, tentava explicar a diferença entre Dida e Cafu, e que nem todo cabeça de bagre, digo cabeça de área se chama Dunga. Não obteve sucesso aí também.

Mas eis que me lembro de quando meu pai levou a Dona Lili, minha mãe, pela primeira vez ao Maracanã, se não me engano era um Flamengo x Santos pelo Torneio Rio/São Paulo. Antes de acabarem os primeiros 45 minutos de jogo, o Zebinho já havia explicado dezenas de vezes o que era impedimento, o que era escanteio e até mesmo uma simples falta era explicada com carinho pelo apaixonado marido. Dona Lili percebe vários impedimentos, refere-se aos jogadores e suas respectivas posições com os nomes certos e... Que emoção (!)... Sabia até o nome do goleiro, mas o do adversário, que minha “tia” Elizabeth tinha dito que era casado com sua prima, no caso o goleiro era o santista Gilmar.

Já que contei esta do Zebinho e da Lili, conto mais uma outra, também acontecida no Maracanã, quando este colunista resolveu levar a esposa ao “Maior do Mundo”. Era um clássico nacional, Flamengo x Atlético Mineiro, e valia pelo Campeonato Brasileiro de 76, isto se minha memória não me traiu. Atlético mandando no jogo e o então ponta direita rubro-negro, Rogério, por quem eu nutria um ódio tremendo, tudo porque ele não repetia no Flamengo as mesmas atuações que tivera no Botafogo, e a cada jogada errada do camisa 7 eu xingava e ficava vermelho de raiva.

- Calma, meu filho, assim você vai enfartar. Dizia-me Marina com a mesma frieza que lia a sua revista nos degraus quentes do Maracanã. Eu, incendiado pela ira contra o ponta, esbravejei e quando ela olhou o Rogério fazer um magnífico passe para o atacante Lola, do Atlético, meter um balaço nas redes do Flamengo. – Viu só, amor, eu não disse que ele iria acertar um passe e o gol iria sair? Eu, já nervoso, mas não querendo comprar uma briga com a mulher, eu casara em 75 e vivíamos praticamente em lua-de-mel, apenas fiz umas perguntinhas básicas: - Qual a cor da camisa do Rogério? Ela respondeu: Vermelha e preta. – Qual a cor da camisa do Atlético? Ela rapidamente detonou: Preta e Branca. E para não brigar eu apenas soprei no seu ouvido, doido para dar um berro, então, amor, o Rogério fez uma tremenda M... ele deu um passe açucarado para o cara do Galo fazer o gol.
Ela entendendo a mancada disse com um sorriso: - Quando acabar o jogo me chama, vou continuar lendo a minha revistinha. Tá bom, amor?

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