quarta-feira, 25 de julho de 2018

Causos de Viagem - Dois causos em Ribeirão Preto

Ainda pelo interior de São Paulo e novamente com a turma da Globo, liderada pelo Zé Maria de Aquino, vou contar mais um causo e aproveitar que falarei em Ribeirão Preto para emendar uma outra, com a turma da Rádio Cidade de Campos, também na Capital do Café, que é também um causo interessante. 

Como fazia sempre, nos anos 80, aproveitava minhas férias para passar um final de semana prolongado com Zé Maria e Kátia, em Sampa, e sempre era um "malinha", como disse certa vez Fausto Silva, ele mesmo, o Faustão, "sempre pentelhando o Zé Maria", nas redações e nas viagens para cobrir jogos para a Globo e a Revista Placar. 

Serviu como aprendizado para mim conviver com as feras do jornalismo brasileiro, aqui incluo Antero Greco, que sempre me recebeu com carinho na redação do Estadão, ele cobria o futebol internacional e eu sempre dei meus pitacos, ele nunca contestou e até hoje recordamos algumas passagens destas, embora acredite que ele não se lembre mas, educadamente, diz que sim e vamos tocando o barco.

Desta vez o causo, como disse acima, vem de Ribeirão Preto, foi lá que conheci o goleiro que Amauri, meu amigo paduano que brilhou no Goiás, no Americano e no Tupi, dizia ser o seu reserva mais bonito que teve, Barbiroto, que confirmou alguns causos contados pelo Amauri, que contei em crônicas no meu Papo de Botequim, e alguns famosos do São Paulo FC já que fiquei, com a turma da Rede Globo, no mesmo hotel da delegação do São Paulo FC.

À noite, com a turma do rádio e da televisão, fui a um restaurante, quase xará da minha terrinha, Piracema's, onde jornalistas e radialistas se encontram em todas as jornadas na Cidade do Café. Ali, nas paredes do local, tem fotos, jornais colados, autógrafos e recados escritos por frequentadores do lugar, e ao ver a turma toda escrevendo me senti também um famoso e fui lá, ao lado da foto e da mensagem de Jorge Curi, o mais brilhante narrador esportivo de todos os tempos, e cravei o meu recado. 

"Adilson Dutra, de Miracema para o mundo, esteve aqui no Piracema's". Carlos Aymar, o comentarista da Rádio Globo, gostou da minha audácia e me convidou para papear com ele e o narrador que me incentivou e de quem copiei bordões incríveis, e se mostrou um baita cantor de tangos, Osvaldo Maciel, um dos mais vibrantes que conheci no rádio. 

Foi legal conviver com esta turma durante algum tempo, mesmo que fosse apenas de um bate papo curto, um café nos bastidores, como fazia com o Zé Maria no Sportv, onde conheci Leivinha, Casagrande, Cléber Machado e Roberto Tomé, (na foto comigo) entre um café e uma prosa, e isto ficará para sempre e nada me faz esquecer estes momentos maravilhosos vividos com meu amigo do peito José Maria de Aquino.

A outra passagem, por Ribeirão Preto, se deu em 87, eu já em Campos e já comum dos chefes da equipe de esportes da Rádio Cidade, arrendamos o esporte e fizemos uma revolução na cidade, e seguimos com equipe completa para cobrir Botafogo/SP x Americano, jogo marcado para um sábado, 16 horas, e que ao chegarmos a cidade fomos informados de que jogo foi adiado para domingo e a pergunta era uma só? O que fazer? O que faremos no tempo livre? 

Adivinhe o que fizemos? Bar Pinguim, o mais famoso chope de Brasil e lá ficamos toda a tarde de sábado e parte da noite e saímos após o garçom dizer que esvaziamos um barril e nos demos conta que era hora de ir embora. 

Pagamos a conta e fomos andando pelas ruas, eu e outros cinco companheiros do rádio campista, e cantando os boleros mais conhecidos do cancioneiro e ao chegarmos ao hotel, olhando para trás, vimos um grupo enorme de ribeirão-pretanos nos acompanhando e aplaudindo os cinco caipiras, que andou por mais de uma hora para aliviar o porre que tomamos no badalado Pinguim. 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Causos de Viagem - Ave Esperança em Franca

Anos 80, não me recordo o ano exato, em Franca, interior de São Pulo, onde estava com o José Maria de Aquino para acompanhar, ele comentando para a Rede Globo e eu, claro, de acompanhante e na boa ali na cabine com o grande Osmar de Oliveira, médico e narrador de alto nível, uma manhã de domingo de forte calor, mas nada que um bom caldo de cana e um ótimo pastel não amenizasse o calor e a fome, afinal o jogo começou às onze da manhã.

Voltando 24 horas no tempo, no exato momento em que chegávamos ao Hotel Imperador, lá, diga-se de passagem, tudo leva (pelo menos era assim nos anos 80) "Imperador" como título, como por exemplo a emissora de rádio que faz parte deste causo bem legal, vivido por este contador de histórias, na cidade de Franca, do Imperador em um dia qualquer de um ano qualquer da década de 1980.

Chegamos ao hotel por volta do meio dia, uma longa viagem na Veraneio da Globo, me senti um super star andando no veículo oficial da Platinada e convivendo pelo menos 24 horas com aqueles que eram meus ídolos do jornalismo esportivo, Gilson Ribeiro era o repórter que acompanhou o São Paulo nesta viagem.
 Bem, os profissionais subiram e o amador aqui ficou na portaria do hotel, música boa tocando na Rádio Franca do Imperador, e a cerveja feita com puro malte, naquele tempo a Antártica era puro malte e fabricada com água de Jaguariúna, segundo especialistas e melhor água para a mais pura cerveja.

E pouco mais de dez minutos em que ali estava a  grande surpresa, que é o motivo deste causo, acontece e eu paro tudo que estava fazendo e, para espanto do recepcionista e do garçom, começo a cantar, alto por sinal, a música que chegava para nós no saguão do Hotel Franca do Imperador, era "Ave Esperança", com Marcos Sabino, no pico do sucesso nacional.

Zé Maria, que havia descido para o almoço, se espantou quando me viu ao telefone, não havia celular nos anos 80, sentado do lado de dentro da recepção, e, preocupado me perguntou: - Aconteceu alguma coisa lá na "terrinha"?

Eu ri e com o sorriso já demonstrei para ele que nada aconteceu, apenas fiz sinal para que ele ouvisse a música, que estava no final, e depois eu explicaria para ele. Neste momento o locutor anunciou o nome da música, o cantor e o autor da canção e informou que depois do comercial conversaria com Marcos Sabino.

Eu não sabia que a entrevista era gravada, o locutor me atendeu, muito bem, e quando eu disse que esta música, "Ave Esperança", havia ganho o Festival da Canção, em minha cidade (Miracema) meses antes e que eu era o apresentador do evento, o moço me anunciou e me colocou no ar para falar sobre ela, sobre o Fecami e sobre Marcos Sabino, que eu disse conhecer desde quando tomou gosto pela música e visitava nossa Miracema constantemente.

Zé Maria se emocionou quando contei que ele sempre ficava na casa de Joel Alvim e Tia Ricarda, amigos pessoais do jornalista mais premiado do país, e o locutor, ao saber quem estava comigo, falou: - Você também é da Globo?

Me despedi sem dizer que sim ou dizer que não, e o Zé Maria e o Dr. Osmar caíram na gargalhada e o narrador disse ao Zé, "este menino é dos meus".

Belas lembranças de belos momentos. E arremato dizendo: É mentira, Zé?

Causos de Viagem = Carne de bode no Recife

Continuamos no Nordeste e descemos para Recife, o ano é 2011 e meus companheiros de viagem eram Deise e Capistrano Arenari, ele infelizmente não está mais neste plano e conversa com seus irmãos lá no plano superior, mas esta viagem foi sensacional e fizemos um baita programa.

Saímos de Campos uma semana antes do Carnaval, dia do aniversário de Marina, 02/02/11 e chegamos no Aeroporto de Recife já em ponto de bala, o receptivo nos pegou e ao chegar ao hotel, na Praia da Boa Viagem, foi neste dia que fiquei sabendo que os tubarões, no sentido animal, havia tomado conta da orla e o povo fugia com medo de serem devorados por eles. 

Noite de lua clara, não me lembro se era cheia ou não, mas uma noite linda e logo que chegamos um dos recepcionistas no ofereceu um passeio pela noite, sugeria o Entre Amigos, uma casa que começou em um quiosque, numa banca de revista, e seu dono, um cara de visão, espandiu o negócio e quando conhecemos já era uma casa com cinco ambientes. 

Chegamos, levados por um promoter da casa, fomos apresentados ao proprietário, ouvimos sua história e ele, educadamente, ao saber que queríamos assistir ao jogo Flamengo x Nova Iguaçu, nos tirou da "muvuca" e reservou um cantinho especial para que assistíssemos a partida com tranquilidade. 


Dois garçons se revesaram em nossa mesa, um para petiscos, eu não comi a famosa carne de bode, e outro com as cervejas e refrigerantes, e, após ao jogo, vencido pelo Flamengo por 1x0, o garçom perguntou se éramos cariocas e respondi que não, erados do Rio mas do interior, mas todos nós trabalhamos um bom tempo na capital. 

Ele disse:  - Minha vida toda foi trabalhando no Rio, em hoteis, no que eu respondi: - Eu também comecei por lá em um hotel, em Copacabana, o Regente. E não é que o cara se assustou? - Eu também trabalhei por lá, nos anos 70, fui ainda garoto levado por um conterrâneo e até meio parente nosso. 

Aí ficou legal, o papo prometia tomar proporções maiores e não é que o cara foi meu companheiro de trabalho? Quanto eu perguntei se fora o Vasconcelos, meu companheiro no escritório, que o levou ele ficou  pálido e disse que sim já com a voz embargada, Vavá, como nós o chamávamos, havia falecido meses antes de nossa visita, mas logo se recuperou e tivemos uma prosa sensacional e um atendimento de alto nível. 

Voltamos ao passado, naquele dia fazia exatamente 40 anos que deixei o hotel e voltei para minha terrinha em busca de novos horizontes, mas as lembranças dos dois espanhóis, Felipe e Vidal, do Aquileu Faria, o primo do Paulinho da Viola, do Lima, o gerente que não gostava de ninguém, vieram a tona e belos momentos foram recordados por nós, e no final, quando o proprietário veio nos encontrar, já sabendo que eu e o Raimundo fomos colegas de trabalho, o melhor da festa aconteceu. 

Quem falou que a despesa foi paga? Acertou, paga pelo irmão do proprietário, que vinha a ser cunhado do Raimundo, meu companheiro do Regente, e nós, eu, Capistrano e esposas, ficamos agradecidos e voltamos por lá outra vez, só que com a despesa correndo por nossa conta, mas sem experimentar a tal carne de bode. 

domingo, 22 de julho de 2018

Causos de viagem - A primeira vez no Nordeste

Uma das primeiras viagens que fiz, já tentando ser um viajante fanático, foi em 2000, meu cinquentenário, e fomos até o Nordeste pela primeira vez e escolhemos Natal e Fortaleza para começar nossa saga "viajandeira". 

Claro que correu tudo bem, um giro de 12 dias bem proveitoso e fizemos de tudo que estava no programa e um pouco mais, como buscar um velho sonho de minha mãe, que era conhecer o "Gogó da Ema", um ponto turístico de Fortaleza que era constante nos livros de geografia de nossa época. 

Mas aqui se fala em causo de viagem e não narrativas dos passeios, e como sempre nas minhas andanças, tem causos e casos que interessam a todos nos papos de botequim e o primeiro a ser contado foi logo no primeiro dia, em Natal, e foi bem gratificante para este que vos escreve. 
Chegamos ao hotel após cinco horas de voo e quase duas de espera no aeroporto e traslado para nosso primeiro lugar de hospedagem. Chegamos quase na hora do almoço e, já na portaria, o primeiro causo. 

- Boa tarde, as bagagens são só estas? Perguntou o recepcionista. 
- Sim, só estas duas malas e, por favor, agilizem o mais rápido possível e nos indique um bom lugar para almoçar, estamos varados de fome. 

E aí a surpresa: - Oi, tudo bem? Você é Adilson Dutra, radialista no interior do Rio? Pergunta um companheiro, que também chegava para trabalhar na recepção do hotel. 
- Sim, sou eu, me conhece de onde? Perguntei. 

- Não conheço você, pessoalmente, apenas a sua voz e ao ouvir você me veio rapidamente a lembrança de nossos papos na Rádio Cabuji, nas transmissões esportivas,  me surpreendeu o moço. 
Feitas as apresentações, Raimundo Cordeiro é o nome do cara, começamos a nos falar e aos poucos nos transformamos em grandes amigos, ele nos recomendou um bom restaurante, um bom guia para passeios e passamos cinco dias bem legais por Natal. 

Estes momentos é que gratificam o profissional do rádio, que infelizmente hoje não está mais em sintonia e aos poucos vai se perdendo, Raimundo lembrou as transmissões que fiz para eles, quando o América e o ABC vinham a Campos jogar pelo Brasileiro Série C ou B e foram grandes jornadas esportivas que passamos, tanto que ele reconheceu a minha voz em plena recepção do hotel em que trabalha. 

E na outra semana estávamos em Fortaleza e por lá também rendeu um causo que vale a pena ser narrado por aqui. Encontramos em Natal um casal, ele engenheiro da Globo, trabalhava no Nordeste fazendo o programa "No Limite", lembram deste programa? Ela minha colega do Banerj, agência Catete/Rio, e na ida para Fortaleza combinamos de nos encontrar para outros programas. 

O primeiro foi conhecer o famoso "Forró do Pirata" um dos mais famosos da região, e lá fomos nós quatro, com mesa comprada e ávidos para ver um show do mais tradicional e típico ritmo nordestino.

E, para nossa desagradável surpresa, naquela noite não teríamos forró e sim axé baiano com uma banda que já era sucesso, Asa de Águia, mas eu e o casal amigo não queríamos axé e sim forró.
Fui a direção e disse que comprei forró porque estava na melhor casa de espetáculos do Ceará e se quisesse axé iria para Salvador. O cara não quis muita conversa e me encaminhou ao gerente geral e este, educadamente me perguntou: - O senhor quer ir embora ou quer conhecer a casa? 

Eu gostaria de conhecer, porém, tem sempre um porém, não vim aqui para ouvir axé e sim pagode e não pago para ouvir música baiana ou coisa que eu não gosto. Entendeu? Respondi.

- Posso sugerir? Os senhores são nossos convidados vips e não pagarão nada para assistir ao show, não posso devolver o dinheiro, mas poderão consumir todo o valor pago e não terão outras despesas, o que passar do valor pago será por nossa conta. Tá bom assim?

Olhei para o Bandeira e para Marina e esperei a resposta deles, que foi positiva e lá fomos nós, em mesa vip, beber e comer por conta do Forró do Pirata e assistimos a um ótimo show do Asa de Águia e não nos arrependemos. 

sábado, 21 de julho de 2018

Causos de Viagens - Varsóvia e a música de Teló

Novamente Varsóvia, coincidência ou não um das cidades que mais nos renderam causos e histórias para contar no retorno de nossas viagens. O frio e a neve me levou, pela primeira vez em dez anos andando pelo mundo, a entrar em um Shopping, e justifico, não dava para ficar sem esquentar o peito com uma bebida quente, me ofereceram uma vodka polonesa, e uma comida também caliente. 

Nos muitos abre e fecha blusão o fecho estragou e era preciso, urgentemente comprar um novo agasalho ou uma proteção para o peito, que com o vento gelado não poderia jamais ficar descoberto. Entrei em uma loja da Adidas, a guia nos disse que lá a atendente falava um portunhol bem compreensivo, e como era necessário lá fui eu gastar uns Zlots (moeda local porque na Polônia não circula o Euro). 

Comigo vieram uns quatro companheiros do ônibus da Abreu Tour, ávidos pela promoção oferecida pela loja, realmente o preço era compensador. A atendente abriu a porta, louca para vender, mesmo estando na hora do seu almoço e, imediatamente, o som vindo do aparelho de som me espantou e me tirou do sério. 

Sai correndo, p... da vida, e ninguém entendeu o motivo da minha atitude. Marina veio ver o que havia acontecido, preocupada porque três anos antes eu havia feito a tão famosa cirurgia cardíaca, e ao me perguntar o que aconteceu eu simplesmente respondi: Vá lá na loja e veja se tenho ou não razão para fugir correndo.

E ela foi, ainda preocupada, e por lá a turma queria saber o que aconteceu comigo e logo que a moça abriu a porta, Marina ouviu o som, também saiu, mas ela, educada e cheia de charme, apenas deu uma sonora gargalhada e aí é que ninguém mais entendeu.
- O que houve, Marina? Perguntou, Chico. 

- Meu marido detesta música universitária, me nego a dizer sertaneja pois não é, disse Marina, e olha só o que está tocando em som alto e aborrecedor, "ai se eu te pego..." ele não aguentou a pressão do frio, da vodka e da música que tocava, foi embora e não quer nem saber de comprar um outro agasalho. 

Realmente, fui embora, não sem antes colocar mais uma dose da polonesa da boa pra dentro do peito e enfrentei neve e frio até o restaurante mais próximo para comer alguma coisa, e, por sorte, era um restaurante português e nós, eu e Marina, nos deliciamos com um ótimo vinho e um excelente bacalhau.

Sertanejo Universitário? Eu corro a cem por hora para fugir desta porcaria.  

Causos de Viagens = Caminhando e cantando...

Tentando cantar na Praia do Jacaré, na Paraíba 
Desde criança pequena, lá em Miracema, que tenho esta mania de cantar, posso até não ser um bom cantor, tentei carreira mas não deu certo, como também tentei no futebol profissional, não deu certo, sou músico com formação em banda de música, mas cantar sempre foi um sonho e sempre foi minha praia, tem até alguns amigos que gostam e que deram força, como o Thiara, sempre incentivando ou o saudoso amigo Bebeto Alvim, que um dia formou um conjunto e me disse: "você não será pistonista, será nosso crooner". 

Gostei da ideia e me lembrei do Geraldo Brandão, o Mocinho, famoso locutor miracemense que um dia, em seu programa de calouros, no Jardim, divulgado através do serviço de som ali instalado, me convidou para cantar no Calouro Mirim e, taí a surpresa, ganhei o primeiro prêmio do programa, um belo copo da Coca Cola e, neste dia,  cismei que seria um artista e todas as tardes, no quintal de minha casa, cantava para quem quisesse ouvir o futuro astro da música brasileira. 

O tempo passou e o sonho não se realizou, cantei em algumas bandas, nem sei se tive sucesso ou não, mas jamais fui despedido por desagradar ao público, sempre saí porque a paixão pelo futebol era maior e o sonho de me tornar um profissional da bola era um patamar mais elevado, mas nada deu certo, não sei se feliz ou infelizmente, mas uma coisa deu certo, foi cantando no Festival da Canção de Miracema, em 1970, que conheci Marina e cinco anos depois nos casamos. 

Seria este o meu único e precioso troféu? Tenho certeza que sim, afinal Marina é minha companheira desde então e juntos concretizamos todos os outros sonhos, se não cantei, não joguei ou não brilhei nos palcos e gramados, no palco da vida eu não me decepcionei e vivi intensamente todos os momentos. 
Em Madrid, cantando Garota de Ipanema

Conto tudo isto para chegar nos dias de hoje e nas minhas andanças pelo mundo, onde, quando tenho chance, solto a voz pelas ruas ou pelos bares sempre que alguém me provoca, como por exemplo, em 2005, em Madrid, quando um violonista espanhol,  tocando músicas brasileiras, me desafiou dizendo que se eu cantasse "Garota de Ipanema" ele pagava a rodada de vinho. Cantei, sei que agradei, mas ele ficou devendo o vinho e quem deu a gorjeta fui eu. 

No Vaticano, em 2008, soltei a voz com um mexicano e sua gaita, acordeon para nós,
Vaticano, cantando Cielito Lindo 
que animava a fila, enorme, que aguardava a hora e a vez de adentrar a Capela Sistina e ao Museu do Vaticano, o "Sole Mio" não saiu completo, mas "Cielito Lindo" estava na ponta da língua e o povo, várias nacionalidades presentes, aplaudiu e cantou junto. 

Em Lisboa, em 2015, arrisquei um fado de Amália Rodrigues, me dei mal, desafinei e o líder do grupo trocou para "Nem as paredes confesso" e aí, com ajuda do Google no celular, deu para enganar e levar adiante. Tem que ter cara de pau e não ligar para as críticas, no ônibus as vezes o grupo canta animadamente, mas a primeira vez que tentei um solo também me estrepei, fui péssimo e o povo não acreditou que um dia eu tentei ser cantor. 

Na Paraíba, mais precisamente em Cabedelo, na famosa Praia do Jacaré, onde o famoso, e fabuloso, saxofonista Juarez do Sax brilha, eu tentei pegar o microfone  como mostra a foto lá de cima, mas o trio que tocava não me acompanhou e me deixou falando sozinho, mais um fiasco. 


Em Campos, chance rara de cantar com Sérgio Fiuza 
E meu sonho era ser como meu ídolo, Dom Américo, que conheci como Osvaldão, este cara é dos melhores do país, hoje é meu amigo, e me proporcionou uma chance única, cantar com sua banda em um baile, no Clube de Regatas Saldanha da Gama, em Campos, e dei o recado afinadinho cantando "Marina" bem ao estilo Gilberto Gil. 

Eu até que tive outra chance, depois disto, mas  prometi que aposentaria e estou cumprindo rigorosamente, semana passada, em uma casa noturna que ele, meu ídolo Dom Américo, cantava, ouvi que ele me chamava, mas fingi que não entendi e continuei o papo dom o Zé Luis da Silva e Marina, que me acompanhavam, afinal quem brilhou um dia não pode se arriscar uma segunda chance e jogar por terra tudo aquilo que mostrou. Certo? 

Causos de viagens - Minha Nikon foi humilhada no Sena


Paris sempre é acolhedora, nas três vezes que por lá estive, 2008, 2011 e 2013, os asiáticos sempre foram  a maioria esmagadora entre os milhões de turistas que por lá passam, anualmente, e por isto os causos acontecidos com eles, bons ou ruins, sempre fazem a diferença para quem gosta, como eu, de contá-los por aqui ou em outro veículo de mídia. 

Este povo, alegre e viajante, é encontrado em todas as partes da Europa e em todos os períodos do ano, chuva, sol, frio, calor, inverno ou verão não faz diferença para eles e se você andar por aí, viajando a negócios ou em turismo, esbarrará sempre com um japonês, um chinês, um coreano e até um vietnamita, como é o caso deste causo que narro hoje.


Antes da nossa terceira viagem ao Velho Mundo Marina resolveu comprar uma nova máquina fotográfica, uma Nikon, semiprofissional que, segundo os especialistas, a mais moderna daquele ano de 2011, uma máquina de alta tecnologia, dizia na época Leandro Nunes, jornalista com experiência em fotografia e meu amigo pessoal. 

Nosso primeiro ponto de parada foi Paris, descemos no Aeroporto Charles De Gaule, no dia seguinte teria um motivo para estrear bem minha Nikon, o passeio pelo Rio Sena estava programado para o entardecer da sexta-feira e, como já tinha feito este cruzeiro, três anos antes, sabia que uma boa máquina fotográfica me daria excelentes fotos. 

Chegou o final da tarde e lá estávamos, juntamente com centenas de asiáticos, para entrar no Bateaux Mouche e vislumbrar a beleza de Paris, o maravilhoso pôr do sol, que deixa a Torre Eiffel muito mais bonita.  Baterias da Nikon carregadas e as reservas no ponto para serem utilizadas caso necessário. 

Quando comecei a clicar as margens do Sena uma asiática, depois fiquei sabendo que era uma vietnamita, do Vietnã do Sul, resolveu montar seu equipamento fotográfico justamente ao lado de onde eu e Marina estávamos sentados. Colocou o tripé, ajustou a máquina sobre ele, ligou o controle remoto e por onde andava fazia pose e clicava no botão em sua mão. 

Fiquei intrigado com aquilo, a moça fazia pose e disparava o botão e a máquina fazia o foco exatamente como ela queria. Olhava para a minha máquina, segundo os especialistas brasileiro o que há de melhor em tecnologia, e pensava comigo mesmo. Puxa vida, eu aqui, exibindo uma máquina acreditando ser o que há de melhor e ela, a moça asiática, "humilhando" todos nós com sua ultrapossante e ultramoderna Samsung digital e com sensor de localização. 


Ela, a vietnamita, passeou pelo convés do navio, fez pose, se exibiu e depois, calmamente, foi até onde estava o tripé, sacou a máquina e começou a enviar, via Internet, as fotos para as amigas e familiares. Claro que pedi para ver e lá estavam as fotos mais sensacionais que já tinha visto até aquele momento. 

Guardei minha máquina e pensei, novamente, o Brasil está anos luz atrasado em matéria de tecnologia, seja ela qual for. E continua

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Causos de viagens = Com os Hare Krishna

Em 2015 voltamos a Espanha, desta vez acompanhado da mana Maria Celeste, que fazia seu debut internacional e, logo na primeira parada, que foi Barcelona, o encantamento tomou conta de todos nós, Barcelona estava diferente, mais alegre, um pouco mais receptiva do que da primeira vez, em 2008, que passamos por lá. 

Andamos pela cidade procurando um novo lugar, diferente daqueles que visitamos na viagem anterior, desta vez teve a tão sonhada visita ao Estádio Camp Nou, do mais famoso time catalão, o Barça, de Messi e Neymar (ainda estava por lá), claro que voltamos a ver de perto a Basílica da Sagrada Família, quase no fim de uma obra que começou em 1882 e é um sonho do arquiteto catalão Antônio Gaudi e que até hoje não terminou. 

E quem chega a Barcelona o primeiro lugar a ser visitado são Las Ramblas,  a avenida mais central que corta o coração do centro da cidade e é uma avenida vibrante e animada cheia de ação Barcelona no seu melhor ou pior momento, mas este pior eu deixo para quem já se decepcionou, que não foi nosso caso, que inclusive teve uma passagem marcante, que é a razão desta crônica, na tarde quem passamos por lá. 


Todos os domingos, os Hare Krishna andam pelas ruas de Barcelona para cantar seus mantras e rezar e foi em destes encontros que Marina e Maria Celeste foram surpreendidas e, claro, no bom sentido da coisa, foram convidadas para dançar com eles, que desenvolviam uma dança conhecida por todos lá e elas, dançarinas experientes, não se furtaram do convite e entraram na roda, literalmente, para alegria dos Krishnas e de todos nós que assistíamos e fotografávamos. 

E não é que as meninas agradaram? O grupo aumentava e nada delas desistirem, o grupo aumentava, as duas continuavam e se tornaram, em certo momento, como recrutadoras de novos dançarinos porque chamavam as mulheres do grupo para a roda e depois, ufa, depois de quase dez minutos, ou mais, de giro, gritos e cânticos, as duas deixaram a roda extenuadas mas felizes por tudo aquilo que vivenciaram e participaram na roda de orações e danças do grupo Hare Krishna nas Ramblas de Barcelona. 

E nada melhor do que uma pausa no famoso Mercado de La Boqueria, ali na Rambla, para matar a sede e a fome que foram provocadas pelos exercícios físicos com o grupo dançante da seita. 

Causos de viagem - Depois do susto a alegria

E, na bela Itália, onde estivemos, eu e Marina, por duas vezes, alguns fatos marcantes aconteceram em nossas passagens por Roma, Costa Almafitana, Toscana, Assis ou Nápoles, claro que sem esquecer Latina e Sermoneta, cidades que me foram apresentadas pelo primo Miguel Antinarele, vários causos interessantes aconteceram e, como não há espaço para muito papo vou apenas detalhar um, acontecido em Veneza, que está inserido no contexto futebol, para ilustrar nossa conversa de hoje. 

Vestia eu uma bonita camisa do Americano FC, de Campos, (foto acima) e falávamos, eu e o companheiro de viagem, sobre o futeol italiano, era ano de Eurocopa e a Azurra estava se preparando para a competição, e, do nada, surgiu um italiano, metido a falar português, mas ele falava tão bem nosso idioma como eu falo o japonês, mas deu para entender o que pretendia dizer. 

O cara queria dizer, aproveitando a dica sobre o tema futebol, que Amauri, os que acompanham futebol lembrarão que é um atacante brasileiro que fez sucesso na Itália, não poderia jogar na seleção deles e que deveria ir para a seleção brasileira. Discutimos, como se nós dois estivéssemos entendendo alguma coisa, mas pelo visto nos fizemos entender bem porque o moço, feliz da vida, foi andando e olhando para trás fazia o sinal com o polegar, aquele que a gente entende que está tudo OK. 

Legal, seguimos em frente e nos detemos a Piazza de São Marcos, nos canais de Veneza e, quando aguardávamos a hora de entrar na gôndola, uma das maiores emoções de minha vida, veio novamente o italiano em nossa direção. Pensei comigo mesmo, agora vai ter briga, o cara deve ter queimado no golpe. Marina ficou tensa e o Denis, nosso amigo mineiro, veio até onde eu estava e falou: - O que este cara tá querendo, tem um embrulho na mão, vamos tomar cuidado. 

Denis pensou como eu, achava que fosse uma arma e até o guia se aproximou de nós. E, traduzindo, foi nos informando o que ele falava para nós, gesticulando em em altura audível por todo o espaço. 
- Ele quer sua camisa, disse o guia, ele falou que é igual a da Juventus(time italiano que tem as cores preta e branca), ele quer trocar com você, completou o guia. 

Eu, surpreso e aliviado, disse que tudo bem e até trocaria, mas só se fosse por uma camisa do Francesco Totti, um dos maiores craques italianos de todos os tempos. O guia traduziu, na íntegra e o cara, fanático e lunático, tirou da sacola uma bela camisa da Azurra, com o número 10 às costas, com o nome do craque Totti e... sacramentamos o fato com um abraço e ainda ganhei um bacio como lembrança. 

O que é bacio? Em bom português é um beijo e este foi o beijo do alívio, para quem pesava que seria agredido ou baleado, ganhar uma camisa do Totti e um beijo do italiano foi até um lucro extraordinário nesta viagem que estava apenas na metade dos vinte e dois dias que passamos pelo Velho Continente. 

Causos de viagem - O dançarino de polca polonesa

Continuamos na Polônia, onde também visitamos o campo de concentração de Auschwitz, uma rede de campos de concentração e extermínio construídos e operados pela Alemanha nazista na Polônia ocupada durante a Segunda Guerra Mundial, um dia triste e cinzento para todos nós do ônibus da Abreu-tour. 

Tudo bem, se teve a lembrança amarga do extermínio dos judeus, no dia seguinte, em Varsóvia, teve a alegria de recordar meus bons momentos em Miracema, minha juventude foi bem feliz e sequer pensava nestas viagens ou em conhecer lugar como estes que estive durante minhas viagens por aí. 

Nevava demais, a temperatura variava entre 2 graus positivos e 5 graus negativos e, à noite, nosso guia perguntou se queríamos uma boa opção para sair e, este que vos fala, sempre tomando decisões acertadas, ufa, decidi que só sairíamos do hotel se fossemos para um lugar bem protegido, tipo bunker, para um show de música e dança polacas. 

Bingo! Ideia aprovada por todos e bem acolhida pelo nosso guia, um português inteligente e cheio de histórias e por isto nos entendemos muito bem. E por volta das vinte horas, hora de lá, saímos bem agasalhados, a pé, em direção ao restaurante, distante três quarteirões do nosso hotel. 

Uma casa simpática, acolhedora e ao chegar eu comentei com Marina e o Chico, que estavam à mesa comigo. - Hoje será uma grande noite, a música e a dança polaca me faz voltar ao tempo de Miracema e as audições da professora Onidéia, onde eu, por várias vezes, dancei as músicas de vários países em shows ensaiados por ela. 


E depois de alguns vinhos e algumas danças dos bailarinos poloneses, veio a surpresa da noite. O guia perguntou quem queria dançar com eles, lá no palco, e o Chico, que já ouvira meus causos de dançarino, disse alto e em bom tom:  - Chame o Dutra, ele está contando que sabe dançar a polca. 
E fui, sem medo de ser feliz. Dancei, segundo a polaca que fez par comigo, maravilhosamente bem e dei o meu show particular, fui aplaudido e pediram bis, e eu, polidamente recusei para não pagar mico na segunda chance. 

E aí, em conversa entre eles, lá nos bastidores, os dançarinos resolveram em surpreender e, com certeza surpreenderam, me chamaram de volta ao palco e tocaram uma polca mais alegre, mais movimentada e, se eles pensaram que iriam me derrubar se estreparam, novamente surpreendi a todos, inclusive a mim mesmo, e, com a mesma polaca da música anterior, deslizamos pelo palco como dois dançarinos profissionais. 

Foi um barato, gostei demais e sequer sabia que Marina estava fotografando e filmando tudo aquilo, e o Chico, aplaudindo de pé, dizia que queria me ver dando vexame porque eu falava demais em Miracema e na nossa velha tradição de excelentes dançarinos, e o cearense teve que me engolir. 

Causos de viagem - A polenta mais cara do mundo

Passei por algumas cidades da Polônia e por lá consegui alguns causos para contar, rir e vangloriar de meu jeito de ser e de viver. Andamos pela terra do Papa João Paulo II, hoje meu Santo Protetor em minhas viagens por aí, Wadowice é bela mas com neve e chuva ficou meio tensa e cinzenta, conhecemos a morada da Virgem Negra da Polônia, em Czestochowa, lugar abençoado onde um monge, com a cara do ator Emiliano Queirós, me fez rir durante toda a visita ao Santuário, fui obrigado a ficar de longe, fotografando e rindo com o trejeito do religioso. 

Em Cracóvia, segunda maior cidade polonesa, o primeiro causo desta coluna aconteceu e em um restaurante, por lá este tipo de estabelecimento fica nos antigos bunkers, para quem não sabe são os velhos abrigos antiaéreos usados na Segunda Guerra Mundial, e, dito isto vamos ao causo acontecido em um destes restaurantes. 

Meu amigo de viagem, um cearense, acompanhado da esposa, nos convida para almoçar e lá fomos nós, sozinhos, sem guia e desacompanhado, nenhum de nós falava a língua de lá, e nos arriscamos a pedir pelas fotografias do cardápio, que aliás nos oferecia uma bela massa italiana, pedido meu e de Marina, uma lazanha e um talharim, mas os dois, o casal cearense radicado em Brasília, ouviram a garçonete "arranhar" um inglês e arriscaram a pedir falando na língua de Shakespeare. 

Os pratos escolhidos chegaram e o espanto deles, e nosso, foi incrível, até os nativos ou turistas, que estavam nas mesas ao lado, sorriram se esparantaram também. Marta olhou para o Chico e Chico olhou para nós. 
- O que é isto? Perguntou a esposa para Marina. 
- Isto me parece um daqueles pedaços de angu frito ou coisa parecida. 


E era, dois pedaços de polenta e o custo? Bem, coisa de 25 Euros os três pedacinhos de angu. Chico, que arranhou o inglês com a garçonete, recebeu dois pedaços de carne crua, que eles chamam de carpaccio e nós, com pena do casal, dividimos nossos pratos, com deliciosas massas italianas, com os cearenses, que ficaram agradecidos e nos ofereceram uma bela garrafa de vinho italiano para compensar o prejuízo. 

Sabe porque eu conto esta história? Simples, em viagem ao exterior não invente pedindo o que você não conhece ou não sabe pedir na língua do país que está, peça sempre uma massa, ou pasta, como queira, que venha no cardápio porque será sempre bem servido e sem medo de ser lesado ou enganado por você mesmo.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Causos de viagem - Pub na Gran Via de Madrid

A Copa da Rússia passou e ficou aquela vontade imensa de conhecer o país sede do Mundial 2018. Há muito tempo, em minhas andanças por aí, me bate um desejo louco de visitar a Rússia, a Croácia, a Islândia e deixo de lado até os giros curtos, que faço pelo nosso Brasil, economizando uma boa grana para somar as economias que me levam a desafiar o tempo e viajar por aí, com destino certo, para conhecer novos povos, novas culturas e novos países. 

Andei por muitos lugares, sonhos de crianças, desejos de um velho, e pelo simples prazer de viajar pelo mundo conhecendo novos pedaços deste Planeta Terra. Andei pela Espanha, por três vezes, conheci a terra de Antonio Galdi, Barcelona me encanta e se dinheiro tivesse, podem ter certeza, é la que moraria, conheci Valência, a paella valenciana ainda marca meu paladar até hoje, vi de perto as Muralhas de Toledo, a capital medieval de Espanha e a terra de Dom Quixote de La Mancha, Salamanca, Santiago de Compostela, Zaragoza e Madrid.

Madrid dispensa comentários, a bela capital é quase milenar mas se mantém jovem, saudável e com uma vida noturna de dar inveja a qualquer grande centro do mundo, Plaza Mayor pode ser a referência, mas a Cibeles não deixa você fazer comparações, a Gran Via e seus encantos é para acreditar que a noite não tem fim, porém, tem sempre um porém, na maioria dos lugares as portas são fechadas antes das doze badaladas noturnas. 

Foi em uma destas casa da Gran Via, no já distante 2005, que vivi o primeiro bom "causo de viagem" que começo a narrar por aqui, e, podem ter certeza, foi um momento maravilhoso e daqueles que eu digo aqui, falei acima, o motivo real das minhas andanças, que é conhecer novas culturas e novas pessoas. 

Em um pub, estilo anglo/italiano, (foto) na Gran Via, entramos eu, Marina e nossos quatro companheiros de viagem, e o napolitano, dono do estabelecimento, me chamou no canto, descobrindo que eu era o líder do grupo, e me disse que fecharia às onze horas e não poderia esperar sequer um minuto a mais. Segundo ele eram ordens e estas medidas estavam pregadas na porta. 

Me apresentei dizendo que era jornalista brasileiro, com descendência italiana e que o futebol era meu carro chefe. - Sou amigo de Careca e Alemão, estive com amigos na semana passada, em Campinas, e até o Maradona estava por lá, dizia eu para o italiano esperando que isto o amolecesse e ele nos deixasse beber nosso vinho e comer nossa pizza em paz. 

- Brasiliano, disse ele, venha cá, vamos conversar no balcão. E, entendendo bem o que ele falava, uma mistura de italiano com espanhol, mas eu sou bom neste negócio de conversar e não me mostro desentendido, e lá fomos nós, para trás do balcão papear sobre o futebol, falar sobre o Nápole, de Maradona e Careca, da seleção brasileira e ganhando a confiança do proprietário foi mais fácil ganhar um tempo a mais no pub.

A esta altura Marina e sua turma já faziam amizade com o garçom, um rapaz de Sevilha que a ensinou como se fala corretamente Paella e como se faz alguns tapas, o tira gosto tradicional na Espanha, e copia
va algumas receitas em um guardanapo de papel. Para quem ficaria apenas uma hora no pub as três horas e as quatro garrafas de vinho, duas por conta da casa, como "saideira", foram suficiente para comemorar meu prêmio, ganho no concurso de crônicas da Espn/Internacional, sobre a recém criada Liga das Estrelas, que vem a ser o Campeonato Espanhol de futebol. 

Foi um verdadeiro cartão postal da Europa e era apenas o segundo dia de uma primeira viagem ao continente europeu e depois disto vieram outras cinco que vou contando por aqui durante as próximas semanas. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...