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Causos de Viagens = Caminhando e cantando...

Tentando cantar na Praia do Jacaré, na Paraíba 
Desde criança pequena, lá em Miracema, que tenho esta mania de cantar, posso até não ser um bom cantor, tentei carreira mas não deu certo, como também tentei no futebol profissional, não deu certo, sou músico com formação em banda de música, mas cantar sempre foi um sonho e sempre foi minha praia, tem até alguns amigos que gostam e que deram força, como o Thiara, sempre incentivando ou o saudoso amigo Bebeto Alvim, que um dia formou um conjunto e me disse: "você não será pistonista, será nosso crooner". 

Gostei da ideia e me lembrei do Geraldo Brandão, o Mocinho, famoso locutor miracemense que um dia, em seu programa de calouros, no Jardim, divulgado através do serviço de som ali instalado, me convidou para cantar no Calouro Mirim e, taí a surpresa, ganhei o primeiro prêmio do programa, um belo copo da Coca Cola e, neste dia,  cismei que seria um artista e todas as tardes, no quintal de minha casa, cantava para quem quisesse ouvir o futuro astro da música brasileira. 

O tempo passou e o sonho não se realizou, cantei em algumas bandas, nem sei se tive sucesso ou não, mas jamais fui despedido por desagradar ao público, sempre saí porque a paixão pelo futebol era maior e o sonho de me tornar um profissional da bola era um patamar mais elevado, mas nada deu certo, não sei se feliz ou infelizmente, mas uma coisa deu certo, foi cantando no Festival da Canção de Miracema, em 1970, que conheci Marina e cinco anos depois nos casamos. 

Seria este o meu único e precioso troféu? Tenho certeza que sim, afinal Marina é minha companheira desde então e juntos concretizamos todos os outros sonhos, se não cantei, não joguei ou não brilhei nos palcos e gramados, no palco da vida eu não me decepcionei e vivi intensamente todos os momentos. 
Em Madrid, cantando Garota de Ipanema

Conto tudo isto para chegar nos dias de hoje e nas minhas andanças pelo mundo, onde, quando tenho chance, solto a voz pelas ruas ou pelos bares sempre que alguém me provoca, como por exemplo, em 2005, em Madrid, quando um violonista espanhol,  tocando músicas brasileiras, me desafiou dizendo que se eu cantasse "Garota de Ipanema" ele pagava a rodada de vinho. Cantei, sei que agradei, mas ele ficou devendo o vinho e quem deu a gorjeta fui eu. 

No Vaticano, em 2008, soltei a voz com um mexicano e sua gaita, acordeon para nós,
Vaticano, cantando Cielito Lindo 
que animava a fila, enorme, que aguardava a hora e a vez de adentrar a Capela Sistina e ao Museu do Vaticano, o "Sole Mio" não saiu completo, mas "Cielito Lindo" estava na ponta da língua e o povo, várias nacionalidades presentes, aplaudiu e cantou junto. 

Em Lisboa, em 2015, arrisquei um fado de Amália Rodrigues, me dei mal, desafinei e o líder do grupo trocou para "Nem as paredes confesso" e aí, com ajuda do Google no celular, deu para enganar e levar adiante. Tem que ter cara de pau e não ligar para as críticas, no ônibus as vezes o grupo canta animadamente, mas a primeira vez que tentei um solo também me estrepei, fui péssimo e o povo não acreditou que um dia eu tentei ser cantor. 

Na Paraíba, mais precisamente em Cabedelo, na famosa Praia do Jacaré, onde o famoso, e fabuloso, saxofonista Juarez do Sax brilha, eu tentei pegar o microfone  como mostra a foto lá de cima, mas o trio que tocava não me acompanhou e me deixou falando sozinho, mais um fiasco. 


Em Campos, chance rara de cantar com Sérgio Fiuza 
E meu sonho era ser como meu ídolo, Dom Américo, que conheci como Osvaldão, este cara é dos melhores do país, hoje é meu amigo, e me proporcionou uma chance única, cantar com sua banda em um baile, no Clube de Regatas Saldanha da Gama, em Campos, e dei o recado afinadinho cantando "Marina" bem ao estilo Gilberto Gil. 

Eu até que tive outra chance, depois disto, mas  prometi que aposentaria e estou cumprindo rigorosamente, semana passada, em uma casa noturna que ele, meu ídolo Dom Américo, cantava, ouvi que ele me chamava, mas fingi que não entendi e continuei o papo dom o Zé Luis da Silva e Marina, que me acompanhavam, afinal quem brilhou um dia não pode se arriscar uma segunda chance e jogar por terra tudo aquilo que mostrou. Certo? 

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