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Causos de Viagem = Carne de bode no Recife

Continuamos no Nordeste e descemos para Recife, o ano é 2011 e meus companheiros de viagem eram Deise e Capistrano Arenari, ele infelizmente não está mais neste plano e conversa com seus irmãos lá no plano superior, mas esta viagem foi sensacional e fizemos um baita programa.

Saímos de Campos uma semana antes do Carnaval, dia do aniversário de Marina, 02/02/11 e chegamos no Aeroporto de Recife já em ponto de bala, o receptivo nos pegou e ao chegar ao hotel, na Praia da Boa Viagem, foi neste dia que fiquei sabendo que os tubarões, no sentido animal, havia tomado conta da orla e o povo fugia com medo de serem devorados por eles. 

Noite de lua clara, não me lembro se era cheia ou não, mas uma noite linda e logo que chegamos um dos recepcionistas no ofereceu um passeio pela noite, sugeria o Entre Amigos, uma casa que começou em um quiosque, numa banca de revista, e seu dono, um cara de visão, espandiu o negócio e quando conhecemos já era uma casa com cinco ambientes. 

Chegamos, levados por um promoter da casa, fomos apresentados ao proprietário, ouvimos sua história e ele, educadamente, ao saber que queríamos assistir ao jogo Flamengo x Nova Iguaçu, nos tirou da "muvuca" e reservou um cantinho especial para que assistíssemos a partida com tranquilidade. 


Dois garçons se revesaram em nossa mesa, um para petiscos, eu não comi a famosa carne de bode, e outro com as cervejas e refrigerantes, e, após ao jogo, vencido pelo Flamengo por 1x0, o garçom perguntou se éramos cariocas e respondi que não, erados do Rio mas do interior, mas todos nós trabalhamos um bom tempo na capital. 

Ele disse:  - Minha vida toda foi trabalhando no Rio, em hoteis, no que eu respondi: - Eu também comecei por lá em um hotel, em Copacabana, o Regente. E não é que o cara se assustou? - Eu também trabalhei por lá, nos anos 70, fui ainda garoto levado por um conterrâneo e até meio parente nosso. 

Aí ficou legal, o papo prometia tomar proporções maiores e não é que o cara foi meu companheiro de trabalho? Quanto eu perguntei se fora o Vasconcelos, meu companheiro no escritório, que o levou ele ficou  pálido e disse que sim já com a voz embargada, Vavá, como nós o chamávamos, havia falecido meses antes de nossa visita, mas logo se recuperou e tivemos uma prosa sensacional e um atendimento de alto nível. 

Voltamos ao passado, naquele dia fazia exatamente 40 anos que deixei o hotel e voltei para minha terrinha em busca de novos horizontes, mas as lembranças dos dois espanhóis, Felipe e Vidal, do Aquileu Faria, o primo do Paulinho da Viola, do Lima, o gerente que não gostava de ninguém, vieram a tona e belos momentos foram recordados por nós, e no final, quando o proprietário veio nos encontrar, já sabendo que eu e o Raimundo fomos colegas de trabalho, o melhor da festa aconteceu. 

Quem falou que a despesa foi paga? Acertou, paga pelo irmão do proprietário, que vinha a ser cunhado do Raimundo, meu companheiro do Regente, e nós, eu, Capistrano e esposas, ficamos agradecidos e voltamos por lá outra vez, só que com a despesa correndo por nossa conta, mas sem experimentar a tal carne de bode. 

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