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Causos de Viagens - Varsóvia e a música de Teló

Novamente Varsóvia, coincidência ou não um das cidades que mais nos renderam causos e histórias para contar no retorno de nossas viagens. O frio e a neve me levou, pela primeira vez em dez anos andando pelo mundo, a entrar em um Shopping, e justifico, não dava para ficar sem esquentar o peito com uma bebida quente, me ofereceram uma vodka polonesa, e uma comida também caliente. 

Nos muitos abre e fecha blusão o fecho estragou e era preciso, urgentemente comprar um novo agasalho ou uma proteção para o peito, que com o vento gelado não poderia jamais ficar descoberto. Entrei em uma loja da Adidas, a guia nos disse que lá a atendente falava um portunhol bem compreensivo, e como era necessário lá fui eu gastar uns Zlots (moeda local porque na Polônia não circula o Euro). 

Comigo vieram uns quatro companheiros do ônibus da Abreu Tour, ávidos pela promoção oferecida pela loja, realmente o preço era compensador. A atendente abriu a porta, louca para vender, mesmo estando na hora do seu almoço e, imediatamente, o som vindo do aparelho de som me espantou e me tirou do sério. 

Sai correndo, p... da vida, e ninguém entendeu o motivo da minha atitude. Marina veio ver o que havia acontecido, preocupada porque três anos antes eu havia feito a tão famosa cirurgia cardíaca, e ao me perguntar o que aconteceu eu simplesmente respondi: Vá lá na loja e veja se tenho ou não razão para fugir correndo.

E ela foi, ainda preocupada, e por lá a turma queria saber o que aconteceu comigo e logo que a moça abriu a porta, Marina ouviu o som, também saiu, mas ela, educada e cheia de charme, apenas deu uma sonora gargalhada e aí é que ninguém mais entendeu.
- O que houve, Marina? Perguntou, Chico. 

- Meu marido detesta música universitária, me nego a dizer sertaneja pois não é, disse Marina, e olha só o que está tocando em som alto e aborrecedor, "ai se eu te pego..." ele não aguentou a pressão do frio, da vodka e da música que tocava, foi embora e não quer nem saber de comprar um outro agasalho. 

Realmente, fui embora, não sem antes colocar mais uma dose da polonesa da boa pra dentro do peito e enfrentei neve e frio até o restaurante mais próximo para comer alguma coisa, e, por sorte, era um restaurante português e nós, eu e Marina, nos deliciamos com um ótimo vinho e um excelente bacalhau.

Sertanejo Universitário? Eu corro a cem por hora para fugir desta porcaria.  

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