sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Pelo WatsApp o carnaval ainda está vivo em Miracema

Ontem à noite, em reunião de família, via WatsApp, o papo varou a noite e me divertiu bastante, teve momentos que a emoção chegou perto, e o assunto, devido a proximidade do evento, foi o carnaval de Miracema, claro que nos áureos tempos, aliás nem tão áureos assim, década de 90, o fracasso já passava perto, porém, tem sempre um porém, ainda havia gente animada e grupos organizados para manter viva a tradição do bom carnaval da cidade. 

Em certos momentos do papo aconteceram risadas hilárias, principalmente quando alguns personagens, como Magal,  Dona Merência, Joel do Hospital, figuras doces e folclóricas da cidade, que hoje não estão conosco, eram citados pelos membros do grupo, a cada um deste era associada uma história interessante e seus gestos pareciam ser repetidos nas telas dos nossos celulares.

Alguém lembrou do "Levanta Povo" e em seguida veio a lembrança do "Fogaréu",  e deu até para lembrar do samba que fizemos, eu e o Rubinho Tostes, para o "Rancabaço" e um outro, que fiz com o Fernando Nascimento, para o "Sambanerj", maravilhosos momentos vividos em cima daqueles carros que serviam de palco para estes blocos fantásticos, formados por foliões extraordinários e que hoje são lembranças e saudades. 

Contei uma história do Camarote do Clube XV, que era o lugar sonhado pela turma dos sem grana, ali ficava a elite de Miracema  que, mesmo desanimados, ajudava a dar um ar especial ao canarval de salão do centenário clube da cidade. E, depois de enxugar as lágrimas, não sei se pelo riso fácil ou pela saudade que batia, me lembrei que no final dos anos 90 tive condições de comprar um destes camarotes e levar minha família, com a maior pose e pompa, para os bailes da Piscina. 

E não é que o fracasso já estava chegando? E não é que o povo da cidade já tinha trocado os salões e as ruas de Miracema pelas areias e as ruas das cidades praianas? Os bailes foram um fracasso, os camarotes não mais chamava a atenção dos poucos foliões, que se aventuraram a bailar pela quadra do Ginásio de Esportes e a dançar com a Banda do Bilu?

Pois é, fiquei com cara de desapontado. No nosso camarote, além da família, tive o prazer de receber alguns amigos, que tomaram da minha cerveja, comeram do meu tira gosto e me deram a grande alegria de dividir com eles minha frustração em ver um carnaval esvaziado e já começando a ser preterido pela sociedade miracemense. 

Se a gente falou em escolas de samba? Claro, não poderia faltar as lembranças do belo desfile da escola de Paraíso do Tobias, que chegou arrebentando, fez furor na Marechal Floriano e no ano seguinte desapareceu, como também desapareceu a Unidos de Todas as Cores, formada por sócios do Clube XV, que durou pouco tempo e não fez sombra as tradicionais Unidos no Samba e na Cor e a do Chacrinha, apenas um brilho e nada mais.

Tudo foi devidamente gravado e as citações ao Calil Saluan Neto e ao Jair "Polaca" do Nascimento, foram sempre elogiosas e saudosas, os dois deveriam ser eternizados pela municipalidade e algo mais deveria ser feito para reverenciar a memória destes dois baulartes do nosso carnaval, eu sempre dizia, se um dia faltar o Calil e o Polaca o carnaval acaba, e que profecia esta minha, não? 

Minha irmã, Patrícia, lembrava da Sorriso da Criança, criada pelo José do Carmo, Rafael, meu sobrinho, botou no ar a saudade que tinha da Escola da Rua do Café e o Ralph lembrou o dia que esta escola homenageou Célio Silva, recém chegado da seleção brasileira sub-20, e eu, cá de longe, fui obrigado a recordar meus bons tempos de passista na Unidos no Samba e na Cor. 

Enquanto Patrícia contava, lá de Belo Horizonte a Gisele, minha filha, dava gargalhadas e dizia: "Tia Pa, eu queria ser igual a você, com a coragem de sair nas escolas e com liberdade de andar pra lá e pra cá", e cantava os sambas dos blocos e voltava a soltar os seus tradicionais kkkkkkk . 

Acabou o carnaval de Miracema, que agora só é lembrado nas redes sociais, nos bate papos com amigos nos bares ou nas esquinas e nas fotos de quem guardou os belos momentos vividos na cidade que carregava o título de "O segundo melhor carnaval do Estado do Rio", que hoje é só lembrança e saudade. 

domingo, 25 de janeiro de 2015

Sonho e realidade: Um passeio pelos meus passeios

Nem sempre é de saudade que vivo, as vezes vivo o momento certo, lembro de coisas recentes e, principalmente, as viagens que fiz com Marina por este mundo de meu Deus. Se olho as fotos do futebol e da música sinto um vazio no peito, os amigos que se foram fazem muita falta, as fotos de viagens me trazem belas recordações e com ela faço voos históricos e retorno as belas capitais do planeta e me vejo novamente em um avião da Varig, da Vasp, da Rio Sul ou de outra operadora de voo que ainda funciona, como TAM, TAP, Air France etc e tal.

Minhas fotos estão arquivadas por lugares que visitei, haja memória no meu laptop, e navego por elas contando, mentalmente, cada um dos passos e como foi tirada, quando, a que horas e em que lugar.


Veja esta foto aqui do lado, no Estádio Santiago Bernabeu, em 2005, e imagine a emoção que este veterano sentiu ao pisar no gramado onde D'Stéfano, Puskas, Zidane, Ronaldo, Cristiano Ronaldo e tantos outros ídolos se consagraram? 

Eu fui lá e, claro, minha primeira lembrança e minha primeira oração foi para ela e para agradecer a Deus por ter a possibilidade de fazer o que ela não pode fazer. 
Andar na neve ao lado das irmãs foi gostoso, conhecer as montanhas da Suíça e do Leste Europeu está no mesmo nível. Sentir o frio, andar com cuidado, tomar um vinho para esquentar o corpo não passou pela minha cabeça, pelo menos no tempo de garoto, lá em Miracema, mas foi aflorando a cada momento em que sentia que viajar não era um bicho de sete cabeças e o sonho estava perto de acontecer.


Esta aqui, por exemplo, me leva a pensar na minha mãe, Dona Lili, que um dia me disse que gostaria de ir a Roma e conhecer o Vaticano. 

Nos filmes italianos, assistidos no antigo Cine XV, como Candelabro Italiano ou a Princesa e o Plebeu, víamos as fontes de Roma, a famosa Fontana di Trevi, e pensávamos que aquilo era só para os milionários ou para os playboys da época, que nada, olha só como eu realizei este sonho e transformei a imaginação em realidade. 

Nas minhas viagens como radialista esportivo, por este Brasil afora, não era possível fazer turismo, era hotel, estádio, ônibus, avião e trabalho e quando se chega em uma capital, como Recife, e não poder fazer um tour pela cidade é frustrante e doído. Aí você sai a passeio e pode conhecer o Marco Zero de Recife, ver a obra de Maurício de Nassau e olhar aqueles bonecos de Olinda, que você só via nas revistas ou na televisão. 

E as praias de Porto de Galinhas? Sempre ouvimos falar e nunca pensávamos, quando criança, que trocaríamos a represa da Usina e as águas do Ribeirão Santo Antônio ou do Rio Pomba pelas águas mornas das praias nordestinas. Meu Deus, como agradeço todas as noite por me proporcionar estas viagens incríveis e maravilhosas. 

Sempre, mas eu digo com peito aberto e o coração cheio de amor pra dar, sempre pensei em conhecer Lisboa, botar o pé no Rio Tejo, comer um bacalhau e me sentar para ouvir um fado, mas acreditava que isto era impossível e, como dizia meu avô, coisa para comerciante rico como seu Newton da Casa Nova, que um dia me despertou, sentado no bar do Vovô Vicente, que era possível ir a Londres e conhecer a Trafalgar e ver um jogo futebol em Wembley. E o sonho se transformou em realidade. 


Andar nos canais de Veneza era possível? Eita, nem pensar. Andar no famoso Bateaux Mouche, em Paris? Ahhhhh, só rindo destes sonhos. Ver de perto os diques da Holanda? Nossa, quanta pretensão. Desfilar pelas ruas de Florença e nas cantinas italianas? Só mesmo em filmes, na imaginação e nunca, mas nunca mesmo, pensávamos que fosse transformar em realidade.

E nós, eu e Marina, fizemos tudo isto e queremos mais e você, meu caro amigo que me lê agora, se tem um sonho, vá a luta que um dia terá muitas histórias pra contar, basta ser independente e sonhador. 

Sobre fotos, saudade, futebol e música

Estou aqui, em um domingo de sol, calor, do jeito que os praianos gostam, a pensar na vida, quietinho em minha sala, olhando fotográficas antigas, do tempo em que eu fazia algo de bom nesta vida, e fico observando como tempo passou e eu, ufa, aproveitei bastante cada momento destes, vividos intensamente, seja nos gramados, seja nos palcos, seja lá onde é que tenha sido clicada a foto que estou a olhar e a admirar profundamente. 

Vejo, com saudade, a foto do nosso Vasquinho, e de cara vou às lágrimas com facilidade, ali estão pessoas maravilhosas, jogadores, dirigentes e a turma da comissão técnica, que não estão conosco faz um tempo e a saudade é danada de Heleno Morua, José Barros, Edson Barros, Jacy Lopes, Bizuca, Paulinho, Teco, Herança e outros que foram embora ainda cedo ou no tempo em que venceu sua passagem por aqui e foram chamados por Ele.

Fico admirando as fotos dos festivais da canção, no tempo de intérprete e no tempo de apresentador, olho para uma delas, com a Elke Maravilha, e fico a pensar: Como era movimentada a nossa Miracema, quantos artistas passaram por aqui e saíram maravilhados com a recepção ou com o evento organizado por nós, miracemenses amantes da arte, do esporte e da cultura. 

As fotos das peladas, organizadas, no Rink, onde o futebol de salão era a febre dos anos 60/70 e vejo que realmente o tempo passou. O meu time, comandado pelo Gilson Coimbra, que ganhou o nome de Gemini V, em homenagem a nave americana que foi para o espaço naquele tempo, tinha gente que jogava bola com classe, eu, claro, Thiara, Júlio, Cacá, Vilmar Guimarães e Gilson, mas tinham outros times por ali no mesmo nível. 

Olho para as fotos do tempo do Banerj e a saudade também bate muito forte, só no time do banco, que era um timaço e não perdia lá no sítio do Moreno, já se foram três craques, praticamente a base do nosso soçayte, que agora devem estar juntos jogando no time Dele, ou seja, João Moreno, Jorginho e Sidney agora só jogam no nosso pensamento e o pior, bem pior, é que na foto de algumas festas muitos também já nos deixaram e se transformaram em saudade. 

Viram só porque estou neste domingo de sol, bonito para quem gosta de praia, triste e solitário no meu apartamento? Como sou um cara da saudade e de contar coisas boas da vida, procurei as fotos para contar causos alegres, divertidos e cheio de graça, porém, tem sempre um porém, o que veio a lembrança foram os amigos que se foram e nos deixaram prematuramente.

Eita vida danada.

E, para completar, enquanto olhos as fotos, escrevo este texto, assisto um DVD do Bee Gee e não é que ali também só resta um? Outros quatro se foram e agora Barry Geeb é o único que resta do grupo vocal mais gostoso de ouvir nas boas horas. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Meu amigo Betinho ou seria "Pico da Neblina"?

Hoje quero me redimir, porém, tem sempre um porém, em momento algum me senti triste,  ofensor ou até mesmo um cara malvado ou preconceituoso, e, pela primeira vez, conto aqui um fato acontecido no início dos anos 60, exatamente em 1962, lá na terrinha, quando minha caixa de engraxate fazia ponto na frente da Prefeitura e tinha a companhia de grandes amigos para a labuta do final de semana e para garantir o ingresso do circo ou do cinema. 

Me lembro bem do Carlos Alberto, do Luíz Márcio, do Toninho e de tantos outros que depois conto por aqui em outra coluna, porque hoje eu quero contar um fato interessante e que surgiu após uma lição de geografia, no primeiro ano do ginásio, e vocês, amigos de longa data, que viveram aquele tempo e os anos que vieram depois, irão se lembrar do personagem e não do causo vivido entre mim e meus companheiros de graxa. 

Um dos nossos companheiros, o Betinho, era um negro bacana, falante, simpático, mas tinha uma cabeça um pouco diferente e quando chegava logo despertava a curiosidade de todos nós, que ficávamos olhando um para o outro loucos para arrumar um apelido para o companheiro, mas cadê criatividade naquela hora de trabalho e qualquer vacilo um dos engraxates da caldada da prefeitura pegava o freguês e lá se desfazia uma parte do ingresso do cinema do final de semana. 

Um certo dia, na aula de geografia, dona Nerilda, nossa simpática e querida professora da matéria, nos contava que um grupo de pesquisadores brasileiros e venezuelanos descobriu que um pico, de nome Phelps, estava em solo brasileiro e portanto pertencia ao Brasil e logo foi batizado de Pico da Neblina por sua temperatura agradável, 20 graus de dia e seis graus a noite e, claro, por ser um território muito nebuloso. 

E no sábado, quando a turma se reuniu para o trabalho do dia, chega o Betinho todo animado, com sua caixa no ombro, não era possível colocar na cabeça como todos os outros, e lá da outra calçada, em frente ao bar do meu avô, eu gritei para o Carlos Alberto:

- Cá, chegou o Pico da Neblina. 

E o Cá (Carlos Alberto, neto da Dona Fiuta) queria saber o que era aquilo e eu mandei lá do outro lado, com medo do Betinho não gostar.

- Descobriram um pico, lá na divisa do Brasil com a Venezuela, e deram o nome de Pico da Neblina, e o pico é igual a cabeça do Betinho. 

Todo mundo riu, gostou e até o Betinho aprovou a brincadeira, não queimou no golpe e adotou o apelido para o resto de sua vida, que foi curta, Betinho morreu cedo por problemas no coração, se não me engano, mas deixou saudade nos campos de peladas e nos times por onde jogou, sempre carregando o apelido, que um dia saia o Neblina e outro dia saia o Pico e no fim de sua curta carreira de boleiro ficou apenas PICO para os amigos e para os que gostavam dele pela sua simpatia e alegria. 

E nunca mais coloquei apelido em nenhum amigo, mas até hoje procuro entender como é que o Marcinho Feinho era bonitinho e como o Marcinho Bonitinho era feinho, vocês sabem quem são estes dois e quem deu o apelido para ambos? 

Eu conto depois. Combinado? 

Um dedo de prosa no banco da praça

Gosto de chegar na terrinha, me sentar em um dos bancos do jardim e, além de ler meu jornal de cada dia, esperar por um companheiro que passa, um amigo que senta, um desconhecido que puxa prosa ou até mesmo uma criança que chega ao Rink me chama a atenção. Sou destes que vê o seu passado em qualquer pedaço daquela praça, que muitos dizem ser meu ponto principal da minha Miracema.

Dias destes, bota um bom tempo nisto, quem sentou ao meu lado foi o Eduardo César Machado Amaral, falando assim, nome completo, você será capaz de não saber quem é o personagem citado, mas se seu disser que é o Piazza, professor de educação física, meu parceiro de Tiro de Guerra e dos times da cidade, você fica sabendo na hora e vai me ilustrar com um monte de causos do professor. Certo?

Certo. Ele, Piaza, gosta de relembrar os bons momentos  daquelas peladas do Rink, do Ginásio Miracemense, e,  certa hora, o velho amigo parou, olhou para o alto, deixou a respiração vir com calma e me perguntou: - Você sabe alguma coisa sobre o Hamiltão? (Hamilton Damasceno), que nunca mais apareceu após ser sequestrado pelos homens da ditadura?

Ao receber a resposta negativa Piaza emendou: - Era um amigo, meu vizinho de frente e bom parceiro nas peladas aqui do Rink e lá do Ginásio,você também viveu estes momentos, mas como era encrenqueiro, tretou e rolou ele acabava com a brincadeira com uma confusão arrumada para que seu time não perdesse, disse Piaza soltando uma bela gargalhada, daquelas que você já conhece dele.

Em agosto do ano passado, em Niterói, no encontro promovido pela dupla Hércules Salles e Marista Felix Linhares, me encontrei com o Valzenir e novamente o papo foi o Rink, o Hamiltão e outros personagens, companheiros do Valza nos jogos de baleba, de finco e das intrépidas peladas do Rink, que por sinal o Valzenir era fera em todos estes tópicos, um craque com a bola pesada e com as bolinhas de gude.

E o Rink tem muitos heróis,  uns anônimos outros famosos, como  Miguel Prescura, artilheiro matador, o terror de Luxo, o goleiro oficial das peladas, e o Zé Bolão, um dos grandes goleiros de Miracema, principalmente no Futebol de Salão, onde se destacava com mérito e entrou na galeria dos famosos.

Era uma época de ouro do Futebol de Salão, os campeonatos esquentavam as noites e às tardes eram reservadas para peladas de alto nível, que tinha plateia garantida nos muros e os craques, como Júlio, Thiara, Scilio Filho, Faustino, e alguns outros, que como eu, tentava entrar no ritmo das feras e quando não tinha lugar garantido ia para o gol para poder participar da brincadeira.

Na minha memória vem um time dos bons, era tão bom que eu não tinha lugar na linha e sim no gol, Gilson, David, Tiara, Cacá e Júlio formavam os caras da linha e eu ali atrás tentava segurar o placar que eles construíam e, quando arrumávamos um para ir para o gol, minha hora de buscar as redes chegava, mas isto era só nas peladas, nos jogos eu tinha mesmo que me contentar com a camisa um, que ninguém queria e ninguém a tirava de mim.


E o Piaza continuou a prosa até a chegada do Sabiá, guardião do jardim, que queria saber como eram os bons tempos da nossa infância e como ele poderia fazer para que o jardim tivesse o mesmo brilho e intensidade do movimento do nosso tempo. E a resposta foi rápida e quase em dueto: Nosso tempo era mais fácil, não tinha internet, não tinha televisão e nossas brincadeiras eram todas por aqui, neste jardim espetacular e com tantas histórias guardadas em sua memória. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lá em o chato outra vez...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

De bar em bar por aí

Entra verão sai verão e o povo reclama do calor, da chuva, da seca e jamais reclama da cerveja sem aquela temperatura ideal, com a chamada camada de talco por cima da garrafa, ou do tira gosto ruim e engordurado. 

Entra ano sai ano e o papo é sempre o mesmo no Armazém do João Righ ou no Bar do Cabeção, que por sinal primam pela cerveja estupidamente gelada e, no Tio's Nilos, do amigo Amauri Fontoura, o tira gosto vem no ponto certo e o papo sobre futebol é bem agitado tanto em  um quanto em outro. 

Entra janeiro sai janeiro e minhas idas e vindas até Miracema aumentam a cada ano e meu roteiro é sempre o mesmo, de bar em bar para a boa prosa sobre os grandes momentos do esporte na cidade e os pontos de encontros são sempre os mesmos e alguns mais frequentados, como o Snob's e o BDF, do meu amigo Sebastião, mas este ano vou sentir saudade de um grande amigo/irmão, o Néres Ricardo de Sá, o pai do Chiquinho e do Gustavo, se foi logo depois do Natal e está descansando no Oriente Eterno deixando por aqui uma grande saudade. 

Na Kiskina, onde para em local privilegiado, espero a turma da bola passar, puxar uma cadeira e sentar ao meu lado para prosear sobre aquele jogo, aquele gol feito, aquele gol perdido, aquela defesa espetacular ou uma cobrança sobre um personagem que esqueci de citar em minhas colunas aqui no Dois Estados. 

No João Righ tenho a sorte de encontrar, de vez em quando, o Celso, do Maninho, ou o Zé Pestana, joguei com ambos e os dois me alimentam com histórias incríveis e com fatos que não mais fazem parte da minha memória e que se transformaram em crônicas deliciosas e com alguma repercursão, tudo isto movido a uma Boa, sem tira gosto e sob o calor de quase 50 graus a sombra. 

Aliás, e a propósito, ali no Armazém do João, sou obrigado a ouvir algumas historinhas que chegam ser escabrosas de tão mentirosas que são, tem até gol de placa em certo campo da cidade que nem placa foi colocada por não ser a verdade verdadeira, no Cabeção tem amigo que me cerca e conta que jogou comigo, que fez acontecer e minha memória não lembra de nada que ele contou, mas por ser educado tenho que anotar e prometer que irei contar em uma próxima coluna. 

No BDF a turma que se encontra, pelo menos até a últma vez que por lá passei, tem histórias reais, quem não acredita em um causo contado pelo Cacá Moura, um dos grandes craques de minha geração? Quem irá duvidar de uma história contada pelo Tininho (hoje Celestino Tostes) que também desfilou pelos gramados da cidade com seu futebol inteligente?

E aí você, que me lê agora, irá pensar: "Pô, este cara só fala de boteco e de cerveja", e eu respondo: Onde é que vou encontrar assunto para desenvolver aqui no nosso Papo de Bola se não estiver pelos cantos da cidade ou pelos botecos da vida? Será que em um restaurante  de luxo ou em um consultório médico, vou encontar o Juquinha do Matadouro para me contar que ele fez e aconteceu? Será que vou ver o grande goleiro Zil contando sobre suas defesas e de sua sorte quando jogava contra mim em um salão de cabeleireiro?

Nada disto, continuo gostando de frequentar os bares do Mercado Municipal porque lá encontro sempre um atacante especial, o Guguta, que infernizou muitas defesas no seu tempo de artilheiro da Associação, Bandeirantes e Goytacaz. não vou encontrar o Guguta em um escritório de contabilidade mas por um destes eu encontro o César Feijó, que só não foi longe na bola porque não quis, ou o João Campeão, um zagueiro classudo que tem histórias para contar e estas são por mim avalisadas. 

Que venham outras andanças por Miracema, que venham idas até Paraíso do Tobias, para encontrar o Clóvis, o Clênio, o Zé Chacourt e tantos outros amigos do lugar e ouvir a turma contar sobre a classe de Totonho, os dribles do Boia, a raça do Toninho e os gols do Chiquinho.
Onde mais posso encontrar uma prosa destas? 

40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...