Me lembro bem do Carlos Alberto, do Luíz Márcio, do Toninho e de tantos outros que depois conto por aqui em outra coluna, porque hoje eu quero contar um fato interessante e que surgiu após uma lição de geografia, no primeiro ano do ginásio, e vocês, amigos de longa data, que viveram aquele tempo e os anos que vieram depois, irão se lembrar do personagem e não do causo vivido entre mim e meus companheiros de graxa.
Um dos nossos companheiros, o Betinho, era um negro bacana, falante, simpático, mas tinha uma cabeça um pouco diferente e quando chegava logo despertava a curiosidade de todos nós, que ficávamos olhando um para o outro loucos para arrumar um apelido para o companheiro, mas cadê criatividade naquela hora de trabalho e qualquer vacilo um dos engraxates da caldada da prefeitura pegava o freguês e lá se desfazia uma parte do ingresso do cinema do final de semana.
Um certo dia, na aula de geografia, dona Nerilda, nossa simpática e querida professora da matéria, nos contava que um grupo de pesquisadores brasileiros e venezuelanos descobriu que um pico, de nome Phelps, estava em solo brasileiro e portanto pertencia ao Brasil e logo foi batizado de Pico da Neblina por sua temperatura agradável, 20 graus de dia e seis graus a noite e, claro, por ser um território muito nebuloso.
E no sábado, quando a turma se reuniu para o trabalho do dia, chega o Betinho todo animado, com sua caixa no ombro, não era possível colocar na cabeça como todos os outros, e lá da outra calçada, em frente ao bar do meu avô, eu gritei para o Carlos Alberto:
- Cá, chegou o Pico da Neblina.
E o Cá (Carlos Alberto, neto da Dona Fiuta) queria saber o que era aquilo e eu mandei lá do outro lado, com medo do Betinho não gostar.
- Descobriram um pico, lá na divisa do Brasil com a Venezuela, e deram o nome de Pico da Neblina, e o pico é igual a cabeça do Betinho.
Todo mundo riu, gostou e até o Betinho aprovou a brincadeira, não queimou no golpe e adotou o apelido para o resto de sua vida, que foi curta, Betinho morreu cedo por problemas no coração, se não me engano, mas deixou saudade nos campos de peladas e nos times por onde jogou, sempre carregando o apelido, que um dia saia o Neblina e outro dia saia o Pico e no fim de sua curta carreira de boleiro ficou apenas PICO para os amigos e para os que gostavam dele pela sua simpatia e alegria.
E nunca mais coloquei apelido em nenhum amigo, mas até hoje procuro entender como é que o Marcinho Feinho era bonitinho e como o Marcinho Bonitinho era feinho, vocês sabem quem são estes dois e quem deu o apelido para ambos?
Eu conto depois. Combinado?
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