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Pelo WatsApp o carnaval ainda está vivo em Miracema

Ontem à noite, em reunião de família, via WatsApp, o papo varou a noite e me divertiu bastante, teve momentos que a emoção chegou perto, e o assunto, devido a proximidade do evento, foi o carnaval de Miracema, claro que nos áureos tempos, aliás nem tão áureos assim, década de 90, o fracasso já passava perto, porém, tem sempre um porém, ainda havia gente animada e grupos organizados para manter viva a tradição do bom carnaval da cidade. 

Em certos momentos do papo aconteceram risadas hilárias, principalmente quando alguns personagens, como Magal,  Dona Merência, Joel do Hospital, figuras doces e folclóricas da cidade, que hoje não estão conosco, eram citados pelos membros do grupo, a cada um deste era associada uma história interessante e seus gestos pareciam ser repetidos nas telas dos nossos celulares.

Alguém lembrou do "Levanta Povo" e em seguida veio a lembrança do "Fogaréu",  e deu até para lembrar do samba que fizemos, eu e o Rubinho Tostes, para o "Rancabaço" e um outro, que fiz com o Fernando Nascimento, para o "Sambanerj", maravilhosos momentos vividos em cima daqueles carros que serviam de palco para estes blocos fantásticos, formados por foliões extraordinários e que hoje são lembranças e saudades. 

Contei uma história do Camarote do Clube XV, que era o lugar sonhado pela turma dos sem grana, ali ficava a elite de Miracema  que, mesmo desanimados, ajudava a dar um ar especial ao canarval de salão do centenário clube da cidade. E, depois de enxugar as lágrimas, não sei se pelo riso fácil ou pela saudade que batia, me lembrei que no final dos anos 90 tive condições de comprar um destes camarotes e levar minha família, com a maior pose e pompa, para os bailes da Piscina. 

E não é que o fracasso já estava chegando? E não é que o povo da cidade já tinha trocado os salões e as ruas de Miracema pelas areias e as ruas das cidades praianas? Os bailes foram um fracasso, os camarotes não mais chamava a atenção dos poucos foliões, que se aventuraram a bailar pela quadra do Ginásio de Esportes e a dançar com a Banda do Bilu?

Pois é, fiquei com cara de desapontado. No nosso camarote, além da família, tive o prazer de receber alguns amigos, que tomaram da minha cerveja, comeram do meu tira gosto e me deram a grande alegria de dividir com eles minha frustração em ver um carnaval esvaziado e já começando a ser preterido pela sociedade miracemense. 

Se a gente falou em escolas de samba? Claro, não poderia faltar as lembranças do belo desfile da escola de Paraíso do Tobias, que chegou arrebentando, fez furor na Marechal Floriano e no ano seguinte desapareceu, como também desapareceu a Unidos de Todas as Cores, formada por sócios do Clube XV, que durou pouco tempo e não fez sombra as tradicionais Unidos no Samba e na Cor e a do Chacrinha, apenas um brilho e nada mais.

Tudo foi devidamente gravado e as citações ao Calil Saluan Neto e ao Jair "Polaca" do Nascimento, foram sempre elogiosas e saudosas, os dois deveriam ser eternizados pela municipalidade e algo mais deveria ser feito para reverenciar a memória destes dois baulartes do nosso carnaval, eu sempre dizia, se um dia faltar o Calil e o Polaca o carnaval acaba, e que profecia esta minha, não? 

Minha irmã, Patrícia, lembrava da Sorriso da Criança, criada pelo José do Carmo, Rafael, meu sobrinho, botou no ar a saudade que tinha da Escola da Rua do Café e o Ralph lembrou o dia que esta escola homenageou Célio Silva, recém chegado da seleção brasileira sub-20, e eu, cá de longe, fui obrigado a recordar meus bons tempos de passista na Unidos no Samba e na Cor. 

Enquanto Patrícia contava, lá de Belo Horizonte a Gisele, minha filha, dava gargalhadas e dizia: "Tia Pa, eu queria ser igual a você, com a coragem de sair nas escolas e com liberdade de andar pra lá e pra cá", e cantava os sambas dos blocos e voltava a soltar os seus tradicionais kkkkkkk . 

Acabou o carnaval de Miracema, que agora só é lembrado nas redes sociais, nos bate papos com amigos nos bares ou nas esquinas e nas fotos de quem guardou os belos momentos vividos na cidade que carregava o título de "O segundo melhor carnaval do Estado do Rio", que hoje é só lembrança e saudade. 

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