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Sonho e realidade: Um passeio pelos meus passeios

Nem sempre é de saudade que vivo, as vezes vivo o momento certo, lembro de coisas recentes e, principalmente, as viagens que fiz com Marina por este mundo de meu Deus. Se olho as fotos do futebol e da música sinto um vazio no peito, os amigos que se foram fazem muita falta, as fotos de viagens me trazem belas recordações e com ela faço voos históricos e retorno as belas capitais do planeta e me vejo novamente em um avião da Varig, da Vasp, da Rio Sul ou de outra operadora de voo que ainda funciona, como TAM, TAP, Air France etc e tal.

Minhas fotos estão arquivadas por lugares que visitei, haja memória no meu laptop, e navego por elas contando, mentalmente, cada um dos passos e como foi tirada, quando, a que horas e em que lugar.


Veja esta foto aqui do lado, no Estádio Santiago Bernabeu, em 2005, e imagine a emoção que este veterano sentiu ao pisar no gramado onde D'Stéfano, Puskas, Zidane, Ronaldo, Cristiano Ronaldo e tantos outros ídolos se consagraram? 

Eu fui lá e, claro, minha primeira lembrança e minha primeira oração foi para ela e para agradecer a Deus por ter a possibilidade de fazer o que ela não pode fazer. 
Andar na neve ao lado das irmãs foi gostoso, conhecer as montanhas da Suíça e do Leste Europeu está no mesmo nível. Sentir o frio, andar com cuidado, tomar um vinho para esquentar o corpo não passou pela minha cabeça, pelo menos no tempo de garoto, lá em Miracema, mas foi aflorando a cada momento em que sentia que viajar não era um bicho de sete cabeças e o sonho estava perto de acontecer.


Esta aqui, por exemplo, me leva a pensar na minha mãe, Dona Lili, que um dia me disse que gostaria de ir a Roma e conhecer o Vaticano. 

Nos filmes italianos, assistidos no antigo Cine XV, como Candelabro Italiano ou a Princesa e o Plebeu, víamos as fontes de Roma, a famosa Fontana di Trevi, e pensávamos que aquilo era só para os milionários ou para os playboys da época, que nada, olha só como eu realizei este sonho e transformei a imaginação em realidade. 

Nas minhas viagens como radialista esportivo, por este Brasil afora, não era possível fazer turismo, era hotel, estádio, ônibus, avião e trabalho e quando se chega em uma capital, como Recife, e não poder fazer um tour pela cidade é frustrante e doído. Aí você sai a passeio e pode conhecer o Marco Zero de Recife, ver a obra de Maurício de Nassau e olhar aqueles bonecos de Olinda, que você só via nas revistas ou na televisão. 

E as praias de Porto de Galinhas? Sempre ouvimos falar e nunca pensávamos, quando criança, que trocaríamos a represa da Usina e as águas do Ribeirão Santo Antônio ou do Rio Pomba pelas águas mornas das praias nordestinas. Meu Deus, como agradeço todas as noite por me proporcionar estas viagens incríveis e maravilhosas. 

Sempre, mas eu digo com peito aberto e o coração cheio de amor pra dar, sempre pensei em conhecer Lisboa, botar o pé no Rio Tejo, comer um bacalhau e me sentar para ouvir um fado, mas acreditava que isto era impossível e, como dizia meu avô, coisa para comerciante rico como seu Newton da Casa Nova, que um dia me despertou, sentado no bar do Vovô Vicente, que era possível ir a Londres e conhecer a Trafalgar e ver um jogo futebol em Wembley. E o sonho se transformou em realidade. 


Andar nos canais de Veneza era possível? Eita, nem pensar. Andar no famoso Bateaux Mouche, em Paris? Ahhhhh, só rindo destes sonhos. Ver de perto os diques da Holanda? Nossa, quanta pretensão. Desfilar pelas ruas de Florença e nas cantinas italianas? Só mesmo em filmes, na imaginação e nunca, mas nunca mesmo, pensávamos que fosse transformar em realidade.

E nós, eu e Marina, fizemos tudo isto e queremos mais e você, meu caro amigo que me lê agora, se tem um sonho, vá a luta que um dia terá muitas histórias pra contar, basta ser independente e sonhador. 

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