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O circo chegou

A cidade está movimentada. Hoje até parece que vai chegar um circo por aqui. Isto mesmo, um circo. Quem não tem saudades de um circo? Eu guardo dentro de mim a alegria e a tristeza de ver um circo. A alegria fica por conta dos palhaços, eternos e velhos palhaços com suas roupas coloridas, frouxas e com babados rasgados caindo pelos lados.  Me recordo de um menino/palhaço fazendo graças, mas de olho nas gurias do Prudente de Moraes. Eu me vejo, quando me lembro de um circo, correndo com medo da dona Edir Tostes, mas ciente de que tinha que fazer algo para entreter a pequena platéia de estudantes naquele circo improvisado em uma tourada. “Viva o seu Laerte, que deu a luz”, foi o que saiu quando a energia foi re-estabelecida e o espetáculo pode continuar. Vejo o lado triste, porém para mim até certo ponto alegre, quando retornava do Maracanã, onde fui ver o meu Flamengo. Na manhã daquele domingo o meu tio, Clery Picanço, me oferecia duas opções: “Guri, Flamengo no Maracanã ...

Miracema: 50 anos de festa e 78 de vida

Ih! Rapaz, o tempo passa correndo e você nem percebe que os filhos cresceram, que já nos deram netos, que os cabelos ficaram brancos, em alguns amigos nem existem mais, e a seu lado estão faltando grandes companheiros de várias jornadas e, o motivo desta prosa de hoje, nossa Exposição Agropecuária de Miracema, completa cinquenta anos de existência. Quanta saudade das festas espetaculares. Quantas paqueras, quantos namoricos, quantas cervejas na Barraca do Bode, quantos papos na Barraca do Dadinho, quantos sapatos gastos no ir e vir do centro até o Parque Jamil Cardoso.  Esta semana, conversando com o amigo Octávio Tostes, que a esta altura deve estar traçando seu texto para o jornal Liberdade de Expressão, sobre o mesmo tema, contei para ele que ali, na Barraca do Bode, comemorei meu noivado com Marina e, marquei a data do casamento, realizado um ano depois, naquele 4 de maio de 1974. No palco principal eu vivi bons shows e também ganhei algum dinheiro extra como locutor of...

64 anos 15 copas do mundo - Parte 1

Na primeira Copa do Mundo, no Brasil, eu engatinhava e nem sequer pensava que o futebol entraria na minha veia prá ficar, isto em 1950 e só ouvi, anos depois, as histórias contadas pelo meu pai, Zebinho Dutra, que segundo a lenda estava entre os duzentos mil presentes na catástrofe histórica do Maracanã. Quatro anos depois, 1954, a Alemanha surpreendeu o mundo da bola e venceu a Hungria, na Suíça, e eu, mais uma  vez, nem imaginava qual seria o meu futuro. Chutava as primeiras bolas, na calçada do bar do meu avô e na grama da Prefeitura, mas não fiquei sabendo o que se passava lá pelos gramados suíços. No ano em que o Brasil venceu o Mundial da Suécia, 1958, já participava das conversas dos adultos, ouvia a transmissão no rádio do Vovô Vicente Dutra e era considerado o amuleto da sorte pelos frequentadores do bar, isto porque eu enchia o saco deles, falando sem parar, e me mandavam até a padaria do Garibaldi comprar balas, e, quando eu voltava, sempre saia um gol do Brasil, qu...

64 anos 15 copas do mundo - parte 2

... continuação E veio 1978 e, mais uma vez, frustração total. Faltou grana, a firma em que eu trabalhava fechou as portas e o dinheiro ficou curto e nem sonhei em ir a Buenos Aires ver a final entre Argentina e Holanda ou muito menos assistir alguns jogos do Brasil em gramados portenhos. Como diria meu avô, deu água. Espanha 1982 e o Brasil monta a melhor seleção pós geração 1970. Um timaço comandado por Telê Santana e Zico no apogeu. Vou lá, mas o destino foi melhor comigo, entrei naquele ano para o Banerj e não tive tempo hábil para entrar em férias e viajar para Madrid ver a Itália campeã, chorei mesmo em Miracema, ao lado do filho Ralph, na calçada da casa na Rua João Pessoa.  A oportunidade bateu a porta, concretamente, pela primeira vez, o Geneci Pestana me incentivou e dizia que o México era tudo de bom e que iríamos em comitiva bem legal, com vários brasileiros juntos, e o Zé Maria de Aquino seria nosso mestre de cerimônias. Veio a transferência para Campos e o dinhe...

64 anos 15 copas do mundo -final

... continuação  Em 1998 a maior frustração de todas as copas. A emissora que eu trabalhava fez cadeia nacional com a Record e nosso time levaria dois profissionais para a França. Férias no Banerj marcada, convite efetuado pelo chefe da emissora, em Campos, dinheiro liberado e lá vou eu trabalhar em uma Copa do Mundo e, finalmente, realizar meu sonho de juventude. Que nada, o Itaú assume o Banerj e tudo se complica. A expectativa da resposta ao chefe, que era positiva, passou a ser uma interrogação e lá foram meus dois companheiros, Sérgio Tinoco e Pessanha Filho, para a primeira Copa de ambos, e eu, imagina? Fiquei aqui, nos bastidores, ao lado dos companheiros da Rádio Cultura de Campos fazendo os jogos em tubo e comentando a vitória da França sobre o Brasil, no pós jogo. Coréia/Japão, 2002, foi mais ou menos o que ocorreu em 94, nos Estados Unidos, não dei a mínima para o sonho e nem sequer pensei em viajar. Não tinha grana, a viagem era das mais caras, e a distância muito...

Quero o gol cinco mil

Esta semana, assistindo a uma matéria antiga em destes canais esportivos, por assinatura, revi as festas do Gol Mil de Pelé, em novembro de 1969, por sinal eu estava nas arquibancadas do Maracanã, a de Romário, que ainda não achou a lista completa dos seus mil gols, e da tentativa frustrada de Túlio em completar a sua agenda para o seu  provável milésimo gol, me senti no direito de reivindicar aos amigos e autoridades da terrinha uma festa para comemorar o meu gol número cinco mil. Isto mesmo, se Romário e Túlio contaram gols de peladas, joguinhos caça-níqueis, amistosos de final de ano, casados x solteiros, eu também vou comemorar mil, dois mil, três mil ou até cinco mil gols assinalados em minha carreira de atacante goleador. Vou registrar os gols no gramado da Prefeitura, quando seu Anézio deixava, na Pracinha das Mães, até Cabo Atleta impedir nossa pelada, no salão do Jardim de Infância, enquanto o detetive Tinoco não chegava para acabar a pelada, na Rua José da Silva Basto...

O pior Natal de minha vida

As vezes me lembro dos natais, passados no balcão do bar do meu avô, que era o dia, como já cansei de falar aqui, de grande faturamento para a família Dutra, e não penso que foram natais ruins ou para serem esquecidos, mas hoje, ainda faltando alguns dias para comemorarmos a data máxima da cristandade, me pego procurando na memória o pior natal que vivi na vida e estes, no trampo do bar, não entram no contexto. O pior Natal de minha vida foi o de 1971, ano da pior enchente na minha Miracema e, por sorte, não  houve vítima fatal e, por ser Natal e ser uma cidade eminentemente religiosa, o Aniversariante poupou as famílias de um desastre maior por elas estarem unidas e fraternalmente reunidas para comemorarem a data. Eu não estava na terrinha, trabalhava o Hotel Regente, em Copacabana/Rio de Janeiro, e cumpria meu plantão na véspera do feriado, saí do trabalho por volta das oito da noite, rumando para a casa de minha tia, onde morava no apartamento dos fundos, para curtir o dia c...