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Quero o gol cinco mil

Esta semana, assistindo a uma matéria antiga em destes canais esportivos, por assinatura, revi as festas do Gol Mil de Pelé, em novembro de 1969, por sinal eu estava nas arquibancadas do Maracanã, a de Romário, que ainda não achou a lista completa dos seus mil gols, e da tentativa frustrada de Túlio em completar a sua agenda para o seu  provável milésimo gol, me senti no direito de reivindicar aos amigos e autoridades da terrinha uma festa para comemorar o meu gol número cinco mil.

Isto mesmo, se Romário e Túlio contaram gols de peladas, joguinhos caça-níqueis, amistosos de final de ano, casados x solteiros, eu também vou comemorar mil, dois mil, três mil ou até cinco mil gols assinalados em minha carreira de atacante goleador.

Vou registrar os gols no gramado da Prefeitura, quando seu Anézio deixava, na Pracinha das Mães, até Cabo Atleta impedir nossa pelada, no salão do Jardim de Infância, enquanto o detetive Tinoco não chegava para acabar a pelada, na Rua José da Silva Bastos, quase uma ladeira, na Praça Ary Parreiras, onde os dedos eram roídos no paralelepípedo ou nos bate bola com Paulinho Leitão ou com Júlio e Gutinho, na calçada do seu Amaro ou do Vovô Vicente.

Ah! Tem os quase quinhentos gols na quadra do Rink, ou seriam mil? Tem oitocentos no campo de pelada do Ginásio, uns duzentos no Buraco da Égua, outros duzentos na quadra do Nossa Senhora das Graças, quando ainda funcionava no Ferreira da Luz, e uns cem ou pouco mais no campo  Prudente de Moraes.

Exagerando? Nada disto, ainda não contei os mais de mil marcados e comemorados com minha turma no soçayte da Piscina, os quinhentos no sítio do João Moreno, mais uns cem no sítio do Gutemberg e outros tantos no campo do João Leitão, nas peladas do Banerj, que eram semanais. Se vou contar os cinquenta do campo da AABB? Claro, se Romário contou os gols que fez no dente de leite do Olaria eu também vou contar os duzentos que fiz no time do Bitico, certo?

Engraçado é que quando sentei aqui, para escrever este texto, disse a Marina que falaria dos meus gols ela perguntou se eu lembrava de todos eles. Quanta ilusão, eu não tenho a boa memória do Alvinho Gonçalves, não tenho anotações como tem Túlio, que conta até gol marcado em treino lá na Suíça, quando por lá passou. 

Claro que me lembro de alguns, principalmente os oficiais, jogando pelo Vasquinho, Esportivo, Tupã, Miracema, Seleção e até vou contar os gols marcados no Flamenguinho, de Cantagalo, com o Laje EC, o Olímpico, e até no Ribeiro Junqueira de breve passagem, mas cá prá nós, se eles podem somar todos aqueles gols, sem documento ou provas, porque não este simples mortal, artilheiro das peladas, não pode comemorar seu feito?

Tá legal, faltam alguns para o de número cinco mil e não tenho mais condições físicas para entrar em campo e faze-los de forma correta e em ótimo nível técnico, mas vou arrumar uma defesa bem na minha medida, a turma da terceira idade, combinar com eles um churrasco e cervejada e, quem sabe, consigo fazer os dez gols que faltam para chegar ao GOL CINCO MIL?

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