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64 anos 15 copas do mundo - Parte 1


Na primeira Copa do Mundo, no Brasil, eu engatinhava e nem sequer pensava que o futebol entraria na minha veia prá ficar, isto em 1950 e só ouvi, anos depois, as histórias contadas pelo meu pai, Zebinho Dutra, que segundo a lenda estava entre os duzentos mil presentes na catástrofe histórica do Maracanã.

Quatro anos depois, 1954, a Alemanha surpreendeu o mundo da bola e venceu a Hungria, na Suíça, e eu, mais uma  vez, nem imaginava qual seria o meu futuro. Chutava as primeiras bolas, na calçada do bar do meu avô e na grama da Prefeitura, mas não fiquei sabendo o que se passava lá pelos gramados suíços.

No ano em que o Brasil venceu o Mundial da Suécia, 1958, já participava das conversas dos adultos, ouvia a transmissão no rádio do Vovô Vicente Dutra e era considerado o amuleto da sorte pelos frequentadores do bar, isto porque eu enchia o saco deles, falando sem parar, e me mandavam até a padaria do Garibaldi comprar balas, e, quando eu voltava, sempre saia um gol do Brasil, que aliás foi campeão naquele ano.

No Chile, em 1962, já percebia o que estava acontecendo a ouvia as transmissões, via rádio, antes de sair para o treino do time do Bitico, no Estádio da Rua da Laje. Já tínhamos nossa torcida organizada e já imaginava os lances dos jogos e festejei bastante o título conquistado, em Santiago, sobre a Tchecoeslováquia.

Foi o pós Copa da Inglaterra, em 1966, que nasceu em mim a vontade louca de ver de perto um Mundial de Futebol. Ouvi, como já contei em prosas e crônicas, três miracemenses a contar histórias doa jogos, das festas e da confraternização dos povos.

Me enchi de coragem para dizer aos senhores Altamiro, Suíço e Newton Gouveia, que um dia eu veria de perto uma Copa do Mundo de Futebol, mas aquela, vencida pelos anfitriões, ouvi pelo rádio e assisti os vídeos tapes na extinta TV Tupi. 

A primeira Copa do Mundo transmitida, via tevê, para o Brasil foi a que mais marcou a minha história boleira. México, 1970, um timaço brasileiro liderado por Pelé e Gérson e festa de verdade pelas ruas de Miracema. Aí sim, de verdade, eu pensei mais forte ainda: Vou ver uma Copa de perto custe o que custar. Brasil campeão vencendo a Itália numa final que hoje tenho gravada em DVD.

Copa da Alemanha em 1974, já com um bom emprego e com chances de realizar meu sonho. Vou a Copa ou me preparo para o casamento no ano seguinte? Acabara de ficar noivo de Marina e ver a Alemanha campeã, em seus domínios, ficou só na vontade, não deu, mas na Argentina eu vou, afinal é aqui pertinho.

Segue... 

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