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Eu, Antonino, Minas e Lisboa

  Praça do Comércio - Lisboa - Portugal  Há dois meses atrás meu amigo Antoninho me falou: - Dutra, quero ir a Portugal em outubro, vamos? Disse que não dava, mas queria combinar algo com ele. Expliquei o que pretendia. Alguns dias depois Antoninho chega na fila do pão e me diz que irá em 6 de outubro, desce em Lisboa e no dia 12 estará em Fátima para celebrar os 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora, a nossa Padroeira Aparecida, nas águas do Paraíba. - Dutra, o que você queria combinar comigo? Pergunta Antoninho. Já tinha me esquecido, mas rapidamente voltei a fita e me lembrei. - Seguinte, amigo, eu quero sair para Belo Horizonte no mesmo momento, ou quase isto, que seu voo decolar do Galeão, quando sair me avise e quando chegar passe mensagem. Combinei com ele. - Saio dia 6/10, em voo das 8:45h, da TAP. Informou Antoninho. No ar, com a TAP rumo a Lisboa Ferrou, pensei eu, acreditei que fosse no voo noturno, 18;45h, mas tudo bem, dever ter um ônibus por perto s...

Éramos felizes e sabíamos

  Andando pelas calçadas de Miracema, olhando os belos casarões da Rua Direita, admirando a beleza de nosso jardim, me encontro com dois amigos da velha guarda, Naipe, também conhecido como Luiz Alberto Aguiar, e Jorge Neiva, nosso querido Dodote, e um punhado de recordações vieram a tona e, claro, com elas as lágrimas de alegria por estarmos vivos e de tristeza por ver o tempo passar tão rapidamente e nos tirar vários amigos queridos do nosso convívio.  Minha prima Janete passou... parou... me deu uma abraço e um beijo e seguiu: - Depois a gente se fala com calma, vou ver algo para minha mãe ali na Leader. Andou e deixou em aberto a  pergunta: - Quem é a moça? Respondi que é filha de tia Maria e neta do Seu Pedrinho Soares.  Boas gargalhadas dos dois amigos e as lembranças vieram de imediato, por parte do Naipe. - Eita, quantas vezes entramos no quintal do Seu Pedrinho para pegar Cajá Manga ou uma outra fruta qualquer, e mais acima subindo pelo ribeirão Santo Antôni...

Um ícone do rádio = Depoimento de José Nunes da Fonseca

  Uma dos mais admirados cronistas esportivos do nosso rádio se aposentou: José Nunes da Fonseca. Hoje Zé Nunes abre seu coração e fala de sua trajetória no Rádio e de sua maravilhosa carreira de comentarista esportivo e redator das grandes notícias dos jornais falados da Campos Difusora. Nunes passou a vida cultivando amigos e seu amor pelo rádio. Jazzista de boa cepa e admirador de um bom scoth, que hoje está proibido pelos médicos, foi um dos mais ouvidos de seu tempo. Aqui, em depoimento gravado em 1997, José Nunes da Fonseca conta um pouco de sua trajetória. O COMEÇO – Foi por acaso, mas a verdade é que sempre desejei integrar-me ao jornalismo esportivo. Tudo, na verdade, começou em jornal, na gloriosa Folha do Povo, dirigida pelo incansável João Rodrigues de Oliveira, que me deu a primeira chance quando um funcionário do jornal entrou em férias e, durante vinte dias, fui responsável pela cobertura do esporte, que cabia ao jornalista Aloísio Bastos, um alvinegro como eu....

O setentão Maracanã tem um lugar especial no meu coração

Ei, Maracanã! Nascemos no mesmo ano e seguimos nossos caminhos praticamente iguais, ou seja, ambos vivendo intensamente o futebol e nossas histórias, a sua, é claro, um milhão de anos luz a frente da minha, mas voltadas para o esporte bretão mais famoso do mundo e os caminhos paralelos que traçamos fizeram com que encontrássemos muitas vezes e, para mim, noventa por cento destas com imensa felicidade.  Como torcedor vi, na sua Geral, alguns jogos do meu ídolo maior, Dida, meu pai sempre me carregou com ele, em viagens por trem ou no caminhão do Seu Juca Alvim, para assistir aos jogos do nosso Flamengo e, claro, dos bons espetáculos, como Santos x Milan, os dois jogos decisivos do Mundial Inter Clubes, no já longínquo 1963, muita chuva, sem capas, nós dois, eu e o Zebinho Dutra, felizes em ver o Santos virar o jogo e ganhar dos italianos, que tinha Amarildo, mas o Peixe tinha Almir, o Pernambuquinho, e Pepe.  Pois é... Lembrar do Santos e não lembrar do Flamengo? Cla...

Papo de Pinga - Saudade dos bons tempos e da pinga do Saliba

Hoje, 91o dia de quarentena, resolvi conversar com os velhos amigos da terrinha,  todos distantes e também do mesmo grupo de risco deste velho escriba diante da pandemia, ou seja, já dobraram os sessenta e muitos já passaram, como eu, dos anos 60 e se tornaram setentões com muito orgulho.  Grande papo com o Augusto Cardoso, médico ortopedista conceituado na nossa região, hoje cumprindo a quarentena lá na distante Santa Catarina.  Um tema nos levou a dar uma longa volta ao tempo, nos lembramos da Cachaça do Saliba, a famosa Saudade, que inspirou alguns poetas anônimos a se arriscarem em uma trova ou verso com o tema para ganhar alguns litros da ótima cachaça, engarrafada pelo bom libanês radicado em Miracema há logos anos.  "Seu Saliba, que Saudade é esta que o senhor tem? Todo mundo prova dela, eu quero provar também". Recitou Augusto de lá e eu respondi de cá com uma trova do professor Osmar, nem sei se entrou naquele rótulo famoso da cachaça, mas que dizia...

Eu e a música, a música e eu, uma história de amor incompleta

Música sempre foi a minha grande paixão, desde criança pequena, lá em Miracema, tive este amor pelas notas musicais, e este amor pela arte me levou a aprender a juntar as notas e fazer meu instrumento, na época troquei a corneta, da qual era inseparável, por um piston e, com o professor Zeca Garcia, aprendi que música é coisa série e se não me dedicasse totalmente o aprendizado seria em vão.  Aqui, quando era apenas Corneteiro E foi assim,  enquanto me dediquei era bom músico, nunca fui um ótimo, como o amigo José Viana, nem excelente como o Bidica, um paduano amigo meu que considero o mais genial de todos os pistonistas que conheci nesta fase musical. Ele e Marconi Moledo, outro que não levou a sério, como eu, mas que era exímio enquanto tocou o instrumento.  Ouvia Carmindinho tocar seu piano e dizia, prá mim mesmo: Será O instrumento que me fez feliz - Piston  que consigo seguir os passos do filho do seu Carmindo? Tentei, mas a professora Onidéia m...

Quarentena - 80 dias confinados

Então tá nós estamos entrando no dia 80 de uma quarentena forçada, imposta pelo Covid-19,que já matou quase um milhão de pessoas pelo mundo, e nós, eu e minha Marina, receosos de que algo de ruim possa acontecer, ficamos isolados do mundo apenas nos divertindo de acordo com as nossas possibilidades.  Ainda bem que temos um vasto cartel de opções, tipo filmes, séries e algo mais, no Netflix, Prime, Telecine, HBO etc e tal, mas e que não os tem, como suportar passar estes dias tensos? Gostaria de me solidarizar com esta turma, mas como fazer? Sair por ai a procura de algum necessitando de apoio? Impossível. Estamos em quarentena e qualquer saída pode ser fatal para quem, como nós, está incluído no tal grupo de risco.  O que fiz nestes 80 dias de isolamento social? Companheiros! Foi muito duro, principalmente na primeira semana, de 13 a 20 de março, justamente quando retornamos de Belo Horizonte, onde fomos comemorar o aniversário, antecipado, de nossa primeira neta, Luna,...