Pular para o conteúdo principal

Postagens

UM DEDO DE PROSA COM O ARIZÃO

Na quarta-feira, logo após o final do jogo contra o Duque de Caxias, derrota com sabor de chocolate amargo, como disse o Leandro Dutra, fiquei um bom tempo observando a reação do torcedor do Goytacaz, que saia do Arizão triste, com o coração sangrando, como se acabasse de perder um ente querido. De repente uma voz, rouca e nervosa, me chama. - Dutra, você que um dia conversou com o estádio lá da sua terra, li isto em um jornal caído aqui nas minhas arquibancadas, não dá para tirar um tempo para levar um dedo de prosa comigo? – Fiquei louco ou minha sina agora é papear com cimento armado? Pensei. Bem, já que os gigantes de cimento estão se comunicando eu me rendi. – Diz aí, Arizão, o que pretende com este velho escriba? - Você, Dutra, é feliz. Viu jogadores maravilhosos em seu estádio, eu também os vi por aqui, em número bem maior, porém, como você gosta de dizer, tem sempre um porém, tenho um compromisso mais sério do que o seu Municipal, também chamado Plínio Bastos de Barros. Aqui a ...

O FUTEBOL COMO HERANÇA

Na última semana recebi uma série de e-mails, de amigos e conterrâneos, que falaram-me com carinho sobre a coluna da última quinzena. Foram palavras carinhosas e, por coincidência meu guru, Ermenegildo Solon, me contou um “causo” interessante, passado em épocas passadas, mas que poderiam ser retratadas nos tempos modernos. Diz a lenda, conta o velho Solon, que um senhor rico, dono de engenhos e fazendas, tinha por hábito comprar terras vizinhas, principalmente as mais prósperas. Dom Camargo era apaixonado por futebol e criou, em sua fazenda, um belo time e trouxe jogadores de todos os cantos da região. Rico, Dom Camargo não fazia questão de gastar o que fosse preciso para realizar seu sonho de infância, que era ter um time só para ele. “O patrãozinho não joga bola, tem deficiência no andar e por isto trouxe quem sabe para jogar em seu time de futebol”, comentava um criado, craque dentro e fora do campo. O tempo passou e todos os escravos foram libertados e aqueles mais chegados a Dom C...

RÁDIO E TEVÊ NO IMAGINÁRIO DO TORCEDOR

Todo brasileiro, apaixonado por futebol e arte, tem na mente uma frase ou um texto do dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues. Tricolor alucinado, criador da célebre frase, “O Fla x Flu começa quarenta minutos antes do nada”, Nelson Rodrigues fez parte da minha infância, ele escrevia suas crônicas no O Globo e no Jornal dos Sports, criação de seu irmão Mário Filho, e talvez tenha tido influencia de seus textos no momento em que me decidi ser um cronista, não com a verve do gênio, mas com uma sutileza sempre encontrada em seus artigos. Nelson Rodrigues pode não está em moda, mas sua opinião sobre o videoteipe, “o videoteipe é burro”, está na crista da onda. Os árbitros brasileiros estão loucos para retornar ao tempo antigo, quando os jogos eram transmitidos apenas pelo rádio e não tinha esta imensidão de câmaras flagrando os erros de “suas senhorias”. É tira-teima prá lá, ângulo invertido prá cá, e um punhado de armas contra a nossa imaginação e contra os senhores de preto. Cer...

O TEMPO PASSA RÁPIDO DEMAIS

Os anos estão passando muito rapidamente, imagine você, amigo blogueiro, que lá se vão quarenta e cinco anos, em que sentado nas arquibancadas do Maracanã, levado pelo meu saudoso pai (Zebinho), vi Almir, que depois se tornou um bom amigo, detonar o timaço do Milan, do conterrâneo Amarildo, debaixo de uma chuva tipo "arrasa quarteirão", e levar o Santos FC a conquistar o seu segundo título mundial interclubes. Um jogo feio, truncado, onde a força física dos santistas superou o talento dos italianos. Almir jogara na vaga de Pelé, que voltou da Itália, onde o Santos perdera o primeiro jogo pelo placar de 4x2, contundido. O Milan fez 2x0 e o jogo parecia definido, mas Almir comandou a virada, 4x2, e os jornais daquela época destacaram a bravura do "Pernambuquinho", apelido do ex-craque de Vasco e Flamengo, sem deixar uma pitada de maldade com a fera do Santos, tido com um jogador que usava doping para entrar em campo. A tempestade acendeu o Santos, que conseguiu virar ...

O NETO DO BEBETO

O fato se deu na casa do neto de um amigo (céus, meus amigos já têm netos!). Garoto de cinco anos. Diz o jovem avô coruja (tem 50, antigamente avô tinha pra mais de setenta, não era, não?), bem, diz o avô que o menino, desde o primeiro natal, ainda no colo, ficava deslumbrado com a árvore que todo ano aparecia na sala. Com quatro e cinco já ajudava e colocar os badulaques todos. Pois foi em janeiro do ano que está terminando que o Joaquim (nome do neto e não do avô) – mais precisamente no dia 6 – reclamou com aquela autoridade de cinco anos já completados: - Mas vai desmanchar a árvore de novo? (e quase chorando) Porque que todo ano tem que desmanchar a árvore? Por quê? Era hora do café da manhã, todo mundo reunido. Pai, mãe, irmãos mais velhos: senhores de 10 e 14 anos. E todos se entreolharam. - É uma tradição, meu filho. - Tradição? Perguntou o Joaquim que não tinha a mínima idéia do que fosse uma tradição. - Tradição. Não sabia o que era aquela palavra esquisita, mas devia ser cois...

ENCONTRO SEMANAL DO MODERNO COM O ANTIGO

Desce um chope, sai um frango picadinho e torradinho, desce mais dois chopes, desce um amendoim sem casca e a discussão vai em frente. Sábado chuvoso, mas um calor típico de verão e a conversa já passara por todos os cantos do planeta bola, mas teimosamente não saia do passado e as comparações eram inevitáveis. Por raros momentos a prosa saia da esfera doméstica, às vezes o Chico, que não viveu o auge do nosso futebol, tirava o foco sobre Braizinho, Milton Cabeludo e outros, para nos lembrar que em décadas passadas a capital do Rio produzia craques aos borbotões. Todos os sábados, pela manhã, a turma se reúne no Snob’s para falar do velho e nobre esporte bretão. Eu, que quando em vez participo do papo, fico esperando a deixa para entrar ou não na roda, que muitas vezes é formada por experts, aqueles que já jogaram, e muito, e vez por outra apenas por leigos ou não chegados à redondinha no gramado, são apenas conhecedores via televisão ou induzidos por comentaristas, que no caso não é o...

JOSÉ, O MODESTO E NADA CARMO TREINADOR

Hoje é dia de homenagear a todos aqueles comandantes de times de bairros, distritos, povoados, etc e tal, que um dia se nomearam treinador e sentiram na carne o que é dirigir um time avulso. Muitos amigos, como Zé “Modesto” do Carmo, Geraldo, Adilson, Beirute, Botão, Chiquinho Maracanã, Ailton e outros desconhecidos de todos nós, um dia tiveram causos, como este, mas jamais tiveram a notoriedade que tem um Luxemburgo, Joel Santana e até mesmo Alexandre Gama, que pegou o ônibus e sentou-se à janela logo na primeira parada. O time de Laranjais até que ia bem no campeonato, mas nunca tinha ido tão longe como naquela competição regional. A cidade, digo, o distrito, estava orgulhoso do feito e o assunto lá pelas bandas de Batatais era só um: O sucesso do Laranjais. O time azul, não vestia laranja, era composto por jogadores esforçados, o melhorzinho era mediano e não havia craques vestindo a camisa endeusada pelos moradores. O time, segundo Do Carmo, tinha determinação e valentia. “Todos se...