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TEVES E FELIPE NA VISÃO DE UM CANÁRIO

Estávamos, como de costume, tomando a nossa cervejinha do final de semana, no Para-Raio’s Bar, quando o amigo Canário adentrou ao recinto e na bucha perguntou: - O que vocês acham do Carlitos? Fiquei meio embuchado e não respondi, achava que viria por ali mais uma gozação do Canário. Motta, mais distante por ter ido ao banheiro, chegou e ouviu somente o final da pergunta e soltou em seguida: - Foi um dos maiores gênios que vi e um dos pais do cinema moderno. Respondeu achando que satisfazia seu amigo. Não satisfeito com a resposta o entrante Canário devolveu. – Ele pode ser gênio, mas ainda não jogou nada no Corinthians. Vocês estão acompanhando o noticiário, os argentinos estão liquidando o Coringão. Dei uma boa gargalhada e a conversa chegou a todas as mesas e ao balcão, onde Paulinho e Flavinho morriam de rir e colocaram mais fogo na conversa, que começava a ficar animada depois de uns momentos de grande silencio proporcionado pela falta de assunto provocada pela decadência do fute...

PINTINHO - O ATAQUE DO CÉU GANHA REFORÇO

Hoje, ao cair da tarde, encontro o bravo Ermenegildo Solon em estado deprimente. Bêbado, apenas resmungando e dizendo frases desconexas. Aproximo-me, um pouco preocupado, e vou aos poucos tentando tirar de sua alma o motivo para tanto desespero. – O que está havendo, parceiro? – Nada. Nada. Deixe-me em paz. Quero curtir a minha dor aqui nesta mesa de bar. Desabafa o doloroso Solon. Motta, que está por perto há algum tempo, apenas acompanha e ao ver que não dá para tirar nada do velho amigo ele tenta entender o que está acontecendo. – Dutra, eu tentei. Garanto que fui simpático, aconselhei e nada. Não tirei uma silaba completa do nosso Solon. Ele não está bem, é melhor chamar o Scilion, que se não resolver o problema pelo menos aplica uma injeção e o faz adormecer. - Chamar Scilion coisa nenhuma. Esbraveja Solon, já mostrando que pelo menos está entendendo o que se passa ao seu redor. – Papa, diz para ele o que está se passando, estes caras não sabem de nada e ainda querem se intromet...

Os Souzas - Uma família de craques

Acervo do Tadeu Miracema Vários são os irmãos que brilharam juntos no futebol brasileiro. Na nossa Miracema o trio Moreira (Zezé, Aymoré e Airton) é o mais famoso entre todos e chegaram ao topo do sucesso dirigindo e jogando em vários clubes de ponta do futebol brasileiro. Outros irmãos se destacaram jogando no Tupã, Esportivo, Miracema, mas ninguém fez tanta história quanto a família Souza. Estou há dias tentando escalar um time, dos bons, só com irmãos e sobrinhos, mas tenho medo de cometer injustiça, até puxei um papo com um dos integrantes da turma, porém o tempo foi curto e não pude trocar um dedo de prosa com o Valdir. Assim, meio ressabiado com o que pode acontecer, tento colocar pra vocês um time, que dificilmente seria batido se todos tivessem a chance de jogar juntos. João fica no gol, afinal foi ali que ele jogou durante um bom tempo. Na lateral direita Clóvis, no fundo de zaga Valdir e Zé Augusto; o Ataíde completa a defesa formando na lateral esquerda. Até aí tudo bem, tud...

UM TRISTE DOMINGO DE CARNAVAL

Na sexta-feira, logo após o treino do Operário, ele vestia sua fantasia surrada, calçava os sapatos velhos, e acertava os apetrechos da “mulinha” junto ao pequeno corpo. Estava pronto para cinco dias de folia e brincadeiras, que começava naquele momento, dezoito ho ras da sexta-feira, e só terminava por volta das dez da manhã da quarta-feira de cinzas. Este personagem é o Nenenzinho, ponta direita habilidoso, goleador, apesar do tamanho, pelo apelido vocês devem perceber que era mignon, por isso atuava pelas laterais do gramado. Neném era uma figura folclórica. Jamais fez mal a alguém. Brincava sozinho, no verdadeiro bloco da solidão.  Sua alegria era a fuga de uma vida sofrida, barbeiro por profissão, não dava conta do trabalho, o vício do álcool o impedia de manusear com cuidado uma tesoura ou uma navalha, mas não o impedia de fazer as duas coisas que mais gostava na vida, a bola e o carnaval. há alguns anos sua “mulinha” estilizada já não tinha a alegria de outros carnavais, Nen...

UM MIRACEMENSE NO EXÍLIO

Creio que pela primeira vez, em quarenta e três anos, estarei ausente da maior festa dos miracemenses. Levado por uma recauchutagem coronariana, realizada em março, no excelente Hospital São José do Avaí, em Itaperuna, estou vetado pelo Departamento Médico das solenidades, dos shows, dos chopes e do bate papo com amigos presentes e ausentes nestes cinco dias de festa na cidade. Não sei se vou entoar a “Canção do Exílio”, do poeta maranhense, Gonçalves Dias, motivação para isto não me falta, afinal minha residência, em Campos dos Goytacazes, está situada na rua que lhe toma emprestado o nome famoso, ou se vou reviver o tempo de solidão, na Cidade Maravilhosa, quando declamava um verso do poema de Fernando Nascimento, que diz: “Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a lua surge cor de prata, eu relembro Miracema em serenata”. Não sei se na minha terra os sabiás gorjeiam como na terra de Gonçalves Dias, mas as palmeiras estão lá, mesmo danificad...

O DIA SEGUINTE DE UM TRICOLOR APAIXONADO

Silencio, por favor, enquanto esqueço ouço a dor do peito. Não diga nada sobre meus defeitos, eu não me lembro mais o que me deixou assim. Desta forma o vascaíno Paulo César Farias, o Paulinho da Viola, narra algum sofrimento passado em sua vida, e desta forma, algum tricolor pode estar cantando desde quarta-feira, após a decepção da perda de um título comemorado antecipadamente. Algum menino, carregado pelas mãos fortes de um pai tricolor, dizia alegremente ao subir a rampa do Maracanã: “Tinha eu catorze anos de idade, quando meu pai me chamou. Perguntou-me se eu queria estudar filosofia, medicina ou engenharia”, e o animado guri, ainda sonhando acordado, dizia quere ser jogador de futebol e tricolor. Sonho de qualquer menino de catorze anos, sonho de quem vê um grande time em fase ascendente. Tudo muito natural. Na saída do antigo maior do mundo o guri, já solto das mãos do triste pai, ouve atentamente o homem se lamentando após alguns, bota alguns nisto, goles de conhaque misturado ...

UM ÁRBITRO TEM UM POUCO DE GUARDA-DE-TRÂNSITO

Li, recentemente, um artigo do campineiro (nascido em Campinas/SP) Valter Mariano, que falava sobre as coincidências dos gestos dos árbitros de futebol e o antigo guarda-de-trânsito. Sim, os antigos, pois os modernos não usam mais aqueles uniformes bonitos e não são exatamente guardas-de-trânsito, são funcionários das prefeituras lotados nesta função e que podem, sem problemas, exercer outras tarefas indicadas pelos seus superiores. Hoje homenageio dois personagens: um de minha infância, Marino Silva, e outro mais atual e campista, Jaburu. Marino Silva era um mulato alto, falante e que trajava sempre uma farda branca, bem vincada, lindamente passada e com detalhes em ouro e prata nos ombros e nos bolsos. Seu apito de som mavioso, era fino e de cor prateada e o silvo (ou trilhar) era ouvido com clareza. Jaburu, flamenguista e alvianil apaixonado, era o símbolo da simpatia e da competência de um organizador de trânsito. Por onde passava era cantado em verso e prosa. Estes dois policiai...