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UM ÁRBITRO TEM UM POUCO DE GUARDA-DE-TRÂNSITO

Li, recentemente, um artigo do campineiro (nascido em Campinas/SP) Valter Mariano, que falava sobre as coincidências dos gestos dos árbitros de futebol e o antigo guarda-de-trânsito. Sim, os antigos, pois os modernos não usam mais aqueles uniformes bonitos e não são exatamente guardas-de-trânsito, são funcionários das prefeituras lotados nesta função e que podem, sem problemas, exercer outras tarefas indicadas pelos seus superiores.
Hoje homenageio dois personagens: um de minha infância, Marino Silva, e outro mais atual e campista, Jaburu. Marino Silva era um mulato alto, falante e que trajava sempre uma farda branca, bem vincada, lindamente passada e com detalhes em ouro e prata nos ombros e nos bolsos. Seu apito de som mavioso, era fino e de cor prateada e o silvo (ou trilhar) era ouvido com clareza.
Jaburu, flamenguista e alvianil apaixonado, era o símbolo da simpatia e da competência de um organizador de trânsito. Por onde passava era cantado em verso e prosa. Estes dois policiais do trânsito são sinônimos da boa qualidade do homem e, por seus gestos e apitos fazemos a comparação com o árbitro de futebol, os honestos é claro.
COMPARAÇÕES - Já percebeu os vários sinais do “homem de preto”? Há sinais feitos com os braços, com as mãos, com o som de um apito e com um par de cartões (amarelo e vermelho). Isso me lembra outra profissão...

Lendo o parágrafo acima podemos fazer uma pequena comparação entre o árbitro de futebol e guarda-de-trânsito. Percebam que ambos utilizam de sinais, apito e blocos de anotações. O árbitro usa um uniforme diferente dos jogadores. O guarda usa uma farda impecável. Ambos os casos, para mostrar suas autoridades.

O árbitro usa o sinal com os braços para mandar seguir uma jogada onde foi observada uma vantagem. O guarda usa o mesmo sinal para que o trânsito siga em frente. O árbitro levanta o braço sinalizando uma cobrança de falta em dois toques (tiro livre indireto). O guarda levanta o braço sinalizando que o veículo deve parar, não pode seguir em frente.

O árbitro usa seu apito para interromper uma jogada irregular. Já o guarda usa o seu apito para chamar atenção dos motoristas.

Os cartões são os blocos de anotação das ocorrências dentro de uma partida de futebol, ali os números das camisas dos jogadores podem ser comparados com as placas dos veículos, pois o guarda usa seu bloco para anotar as infrações (multas) cometidas no trânsito.

Os árbitros são ultimamente chamados de “máfia do apito”, já os guardas e fiscais de trânsito de “máfia da indústria da multa”.

FIM DAS COMPARAÇÕES - O árbitro de futebol por mais que tenha autoridade, sempre será contestado, desrespeitado e pouco temido pela sociedade futebolística. Já a autoridade do guarda, esta sim, será contestada, porém, amplamente respeitada e temida pelos motoristas.

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