QUANDO A TARDE CAI, A SAUDADE ACORDA Do Baú do Penacho — Memórias de Miracema São muitas as lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes que desapareçam do pensamento. Algumas chegam sem avisar, outras vêm acompanhadas de uma música, de um cheiro, de uma imagem distante. Mas existem aquelas que parecem ter hora marcada para aparecer. Principalmente quando a tarde começa a cair. O cair da tarde, ou o cair da noite, como preferirem os poetas, sempre exerceu sobre mim um fascínio misturado com uma inexplicável angústia. Talvez pela lembrança da voz de Augusto Calheiros, cantando sua Ave Maria, que embalava os fins de tarde e fazia suspirar um punhado de senhorinhas sentadas à beira das calçadas, quem sabe recordando algum possível par romântico dos bailes da vida. Ou talvez pela solidão que me acompanhava nos tempos em que morava no Rio de Janeiro, longe de minha Miracema, quando o entardecer parecia aumentar a distância entre mim e minha terra. Nessas horas, vinham à mem...
Baú do Penacho - Fotos, casos e causos de viagens e da vida. Crônicas e muito mais. Um Papo de Botequim