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Badaladas da Ave Maria

QUANDO A TARDE CAI, A SAUDADE ACORDA Do Baú do Penacho — Memórias de Miracema São muitas as lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes que desapareçam do pensamento. Algumas chegam sem avisar, outras vêm acompanhadas de uma música, de um cheiro, de uma imagem distante. Mas existem aquelas que parecem ter hora marcada para aparecer. Principalmente quando a tarde começa a cair. O cair da tarde, ou o cair da noite, como preferirem os poetas, sempre exerceu sobre mim um fascínio misturado com uma inexplicável angústia. Talvez pela lembrança da voz de Augusto Calheiros, cantando sua Ave Maria, que embalava os fins de tarde e fazia suspirar um punhado de senhorinhas sentadas à beira das calçadas, quem sabe recordando algum possível par romântico dos bailes da vida. Ou talvez pela solidão que me acompanhava nos tempos em que morava no Rio de Janeiro, longe de minha Miracema, quando o entardecer parecia aumentar a distância entre mim e minha terra. Nessas horas, vinham à mem...

A vingança do Amaury

  O BAÚ DO PENACHO — UMA HISTÓRIA DE 2009 Amigos e amigas do nosso querido Colégio de Pádua! Em quase todos os nossos encontros, o velho amigo Amaury, companheiro de escola de Marina, me pede para contar uma história dos tempos em que defendia o Goiás. Pois bem, resolvi atender ao pedido e recuperar uma crônica que escrevi em 2009, contando uma das aventuras desse goleirão que, além de defender grandes clubes, sempre soube colecionar bons causos. A história envolve um goleiro galã, uma torcida feminina, uma substituição pra lá de suspeita e uma vingança que quase custou um título! Amaury, agora a história é pública. E você está intimado a confirmar tudo! Boa leitura e boas gargalhadas! AMAURY, O GOLEIRO, O GALÃ E UMA VINGANÇA NO SERRA DOURADA Do Baú do Penacho — Crônica de 2009 O Paduano foi um dos destaques da semana no nosso Papo de Bola. Não por estar realizando uma excelente campanha na Terceira Divisão. Longe disso! O Paduano foi destaque pela sequência de derrotas e pela troc...

O rádio moderno e meu cunhado Arthur

  O RÁDIO AMERICANO QUE MORREU NO ARISÃO Uma história de futebol, amizade, confusão e saudade O ano era 1987. A data, 14 de fevereiro, consegui recuperar agora há pouco, graças à memória do amigo Ademir Tadeu. Os personagens desta história são muitos. Começando pela Fiel Torcida Alvianil e pela famosa Turma do Alambrado, liderada pelo meu saudoso amigo Bebeto Alvim, o Passarinho, com a colaboração luxuosa de Vórcio e Fernando Bimbinha. Mas o personagem principal é Arthur Monteiro, meu cunhado, que naquele fim de semana estava me visitando em Campos para acompanhar seu Glorioso Botafogo diante do Goytacaz, no Arisão. Na véspera, fomos ao Estádio Godofredo Cruz, onde o Americano enfrentou o Vasco da Gama. E Arthur teve tratamento de gente grande! Vestiu o uniforme da Campos Difusora, entrou no gramado como meu auxiliar e acompanhou tudo de um lugar privilegiado. Viu de pertinho as estrelas vascaínas, entre elas Célio, ainda sem o Silva, formando a zaga ao lado de Donato. E assistiu à...

Devaneio de um mulambo

  DUAS MÚSICAS, UMA NOITE E MUITAS LEMBRANÇAS Do desencanto da política aos encantos do amor Ontem resolvi dormir mais cedo. Não vi futebol, preferi ficar ouvindo minhas músicas no Spotify, que, aliás, está cada dia melhor. Estou conseguindo organizar minhas playlists com muito carinho e, quem quiser, é só pedir. Já entrando pela madrugada, duas músicas me chamaram a atenção. O fone no ouvido, as letras desfilando pela telinha do celular e o sono que não chegava. Confesso que também não estava muito a fim de me entregar aos braços de Morfeu. A primeira, de Augusto Mesquita e Jayme Florence, o Meira, me levou diretamente à política, especialmente àquelas eleições que tanto me fizeram perder a paciência. E olha que já vivi muitas neste país de políticos que prometem mundos e fundos, mentem, mudam de lado e, no dia seguinte, aparecem sorridentes ao lado daqueles que, até ontem, eram seus maiores inimigos. A música me fez lembrar dos debates que preferi não assistir e das propagandas e...

O Doutor do Papo Quente

  Uma história de fotografias, viagens e amizade Lembrei-me hoje de um fato que merece sair do meu baú de recordações. Estava sentado no tradicional Papo Quente, um bar muito frequentado em Campos, que um dia pertenceu ao meu grande amigo, já falecido, Joelcio Gomes Rangel. Ouvia Apollo Ramidam, um dos grandes nomes da música campista, quando, em um dos intervalos, um senhor beirando os oitenta anos começou a contar suas aventuras amorosas e suas viagens a Paris, Mônaco e Nice. As histórias eram tão interessantes que um dos presentes resolveu duvidar e desafiar o contador de aventuras. Bem ao estilo Pedro Pedreira, da inesquecível Escolinha do Professor Raimundo, o sujeito exigiu provas. Queria fotografias, documentos, qualquer coisa que confirmasse aquelas histórias maravilhosas. O senhor, já bastante irritado, prometeu ir até sua casa buscar as fotografias e esfregá-las, figurativamente, no nariz do desafiante. Dito e feito! Pediu a outro companheiro de mesa que o levasse até sua...

A primeira neta e primeira emoção do vovô

  LUNA — O DIA EM QUE NASCI AVÔ Uma crônica de Adilson Dutra — 2011 Quando Gisele ligou avisando que estava saindo para o hospital e que tudo corria conforme o planejado, senti aquele frio na barriga que não se explica. Pensei com meus botões: finalmente, o sonho estava prestes a virar realidade. Naquele momento, só me restava torcer para que Luna chegasse cercada de paz, saúde e proteção dos anjos. Afinal, aquela menina, antes mesmo de nascer, já era um anjinho abençoado pelo Senhor. Confesso que me faltou coragem para ir até a maternidade. A lembrança do episódio com David, meu sobrinho-neto, que chegou para Thais, ainda estava muito viva em minha memória. E, por alguns instantes, confesso também que medrei. Preferi ficar no bar, ao lado dos amigos, esperando a ligação de Marina com a notícia que mudaria definitivamente a minha vida. E ela veio! Por volta das nove da noite, Luna chegou ao mundo. Tudo correu dentro da normalidade esperada, Gisele passou bem pela cirurgia e a famíl...

Ermê Sollon - Saudade do Velho Escriba

Enquanto batuco nas pretinhas e busco no Baú do Penacho novas (velhas) colunas, que já podemos dizer que são milhares, me dá uma saudade danada do meu guru, o verdadeiro Velho Escriba, de quem "roubei" o apelido: Ermenegildo Sollon, ou simplesmente Ermê Sollon, meu conterrâneo lá da Terrinha, que me deu suporte e grandes ideias para meus textos sobre o mundo da bola, do jornalismo e da minha Miracema. Quando se perde um grande amigo, a dor é profunda. Mas a partida de Sollon, decretada numa canetada, ou melhor, em algumas batidas nas letrinhas do laptop, foi sentida demais. Ele faz uma falta danada na hora de escrever coisas que só ele sabia contar. Um velho escriba de verdade! Andou pelo mundo afora fazendo o que mais gostava: viajar e escrever. O futebol era seu mundo, e viveu momentos de glória ao lado de seu ídolo, Dida, o alagoano que, por sinal, também era o ídolo do ainda menino Zico, o Galinho Eterno do Flamengo. Foram vários encontros imaginários lá na nossa Terrinha...