LUNA — O DIA EM QUE NASCI AVÔ
Uma crônica de Adilson Dutra — 2011
Quando Gisele ligou avisando que estava saindo para o hospital e que tudo corria conforme o planejado, senti aquele frio na barriga que não se explica. Pensei com meus botões: finalmente, o sonho estava prestes a virar realidade.
Naquele momento, só me restava torcer para que Luna chegasse cercada de paz, saúde e proteção dos anjos. Afinal, aquela menina, antes mesmo de nascer, já era um anjinho abençoado pelo Senhor.
Confesso que me faltou coragem para ir até a maternidade. A lembrança do episódio com David, meu sobrinho-neto, que chegou para Thais, ainda estava muito viva em minha memória. E, por alguns instantes, confesso também que medrei.
Preferi ficar no bar, ao lado dos amigos, esperando a ligação de Marina com a notícia que mudaria definitivamente a minha vida.
E ela veio!
Por volta das nove da noite, Luna chegou ao mundo. Tudo correu dentro da normalidade esperada, Gisele passou bem pela cirurgia e a família ganhou uma nova estrela.
Adalberto, meu genro, filmou, fotografou, vibrou e não escondeu a emoção. Quando pegou a pequena Luna nos braços, exibiu-a com o orgulho de quem acabara de conquistar o maior troféu da vida.
E eu? Continuei esperando a minha vez de conhecer aquela pequena criatura que já havia provocado uma revolução nos sentimentos da família Dutra.
Somente doze horas depois do nascimento fui conhecer, de perto, o motivo de tanta felicidade.
Luna era doce, meiga, com os trejeitos da mãe e um charme especial que, logo no primeiro encontro, conquistou definitivamente este vovô coruja que vos fala.
Mas havia um pequeno detalhe: eu ainda não tinha criado coragem para pegá-la no colo!
Logo eu, que carreguei Ralph, Gisele e Leandro quando eram pequenos, agora me via diante de uma menininha que parecia feita de porcelana. Preferia ficar pertinho, admirando seus olhinhos azuis — será que permanecerão assim? — e observando cada movimento.
Ela se espreguiçava com vontade, fazia suas primeiras gracinhas e parecia anunciar, sem precisar dizer uma palavra, que havia chegado para ocupar o centro das atenções.
E conseguiu!
Contava os minutos para vencer o receio, tomá-la nos braços e anunciar ao mundo, com aquele orgulho que só os avós conhecem:
— Esta é Luna. Minha neta!
A primeira de muitas?
Não sei. Perguntem a Ralph, Gisele e Leandro. Só eles têm a resposta!
Os amigos já começaram a me chamar de vovô coruja. Mas, se existe uma corujona nesta história, seu nome é Marina.
A vovó estreante não para de paparicar a pequena. Está encantada, emocionada e completamente entregue à nova função. Sua felicidade contagia a todos nós.
Luna já virou o xodó da família.
E, pelo jeito, ainda vai dar muito trabalho quando crescer! Com aquela pele morena, os olhos azuis e um charme que já veio de fábrica, imagino que Adalberto terá boas razões para se preocupar daqui a alguns anos.
Mas isso é assunto para o futuro.
Hoje, quero apenas contemplar esta pequena maravilha que chegou para iluminar nossos dias, multiplicar nossos sorrisos e ensinar que o amor de um avô tem uma dimensão que a gente só descobre quando se torna um.
Seja bem-vinda, Luna!
Você chegou pequenininha, mas já ocupa um espaço imenso em nossos corações.
A estrela maior da nossa família acaba de nascer. Luna Dutra Magno

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