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A saideira que não aconteceu

 


Hoje seria nossa despedida de Belém.  Seria.

Fomos obrigados a abortar o passeio de dois dias à Ilha de Marajó, reflexo ainda da queda em que conheci, literalmente, o chão de Alter do Chão. Não me sinto seguro para me aventurar pelas águas amazônicas ou pelas terras de Marajó. Ficará para outra oportunidade.

Mas Belém ainda tinha muito a nos mostrar.

Hoje fomos ao Mercado Ver-o-Peso para saber o quanto pesaria, em nosso roteiro, aquele lugar tão famoso instalado às margens da Baía do Guajará. E minha impressão é de que realmente merece nota máxima, embora ainda precise de alguns retoques em seu ambiente.

Foi uma manhã inteira girando por lá. Comprinhas de lembranças, observação de uma mistura interessante entre o antigo e o moderno, contato com o artesanato regional e, principalmente, a oportunidade de sentir de perto o calor humano do povo paraense.

Eu e Marina vimos também a nossa primeira chuva da tarde em Belém. E foi de dentro de um táxi. Durante uns quinze minutos, enquanto a água caía, conversamos com o motorista e aprendemos um pouco mais sobre o clima da cidade. Afinal, em Belém, até a chuva parece fazer parte do roteiro.

Mas a cereja do bolo desta segunda-feira estava reservada para o final: a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

A pedra fundamental da atual igreja foi lançada em 24 de outubro de 1909. Muito antes disso, por volta de 1700, começava ali uma história de fé que atravessaria séculos: Plácido José de Souza encontrou, às margens do Igarapé Murutucu, a pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Naquele local surgiria uma ermida e, com o passar do tempo, cresceria uma devoção que hoje se confunde com a própria história do povo paraense.

Brevemente contarei essa história.

Só que hoje, não.

O lugar me emocionou de tal maneira que prefiro guardar por algum tempo aquilo que meus olhos viram e meu coração sentiu.

Quero deixar tudo bem memorizado.

Para depois escrever sem me perder na emoção.

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