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Papo de Calçadão: Um amigo nada amigo

Ontem eu, creio, perdi um amigo, que aliás se ficar brigado comigo não é um amigo que merecia meu respeito ou minha amizade, e tudo por causa de uma discussão, com razão deste que vos fala, sobre Fluminense, Flamengo, Ferj e favorecimentos para a conquista de títulos estaduais. Passava, calmamente e caminhando devagar, como sempre faço, pelo Calçadão de Campos e levei um dedo de prosa com Arleide, o moço de Italva, promotor de grandes eventos na cidade goitacá, e ao sair do banco onde estávamos o tricolor se aproximou e começou a falar de favorecimentos ao Flamengo sem ninguém na roda estar falando de futebol. - Calma, Betinho, ninguém aqui está discutindo futebol, estamos falando dos shows que o Arleide promoveu e sobre a música de ontem e de hoje, era Amaro tetando tirar o foco de uma possível discussão. - Tem isto não, estava atravessado há muito tempo e tinha que falar para vocês, rubro-negros apaixonados, que a federação ajuda demais este tal de Flamengo e por isto vocês ...

A boa vida de um repórter de rádio

Uma das boas coisas da vida de repórter é poder conviver, conversar ou apenas observar de perto seus ídolos ou os grandes jogadores de futebol ou ver, nos bastidores, que são simples mortais e homens com os mesmos pensamentos nossos e certos de que estão ali para da alegria a quem pagou para ve-los. As entrevistas em campo ou em hoteis e vestiários sempre me deram um grande prazer, conversar com Zico, Roberto, Júnior, Sócrates, Leandro e toda aquela geração de ouro do nosso futebol foi fantástico, mas tem alguns momentos que nos tiram do sério e nos fazem tornar fã e por pouco tempo esquecemos da missão e nos tormamos tietes de verdade. Um dos grandes momentos desta tietagem foi quando, a mando do editor da Folha da Manhã, fui a um restaurante da cidade fazer uma matéria com o ídolo campista, Waldir Pereira, mundialmente conhecido como Didi, craque do Botafogo e da Seleção Brasileira, e levei comigo meu pai, que me visita em Campos. Didi era o que podíamos dizer um ótimo entre...

Minha gente humilde da terrinha

Tem certos dias em que eu penso em minha gente, diz a canção de Chico, Garoto e Vinícius, e pensando bem eu todo dia penso em minha gente e recordo, com muita emoção, as cadeiras na calçada e sinto meu peito apertando de uma jeito que ele fala "estou com saudade", e parece que tudo acontece de repente sem que a gente menos espera acontecer. Vejos, nos meus pensamentos, as casas simples, as ruas sem paralelepipedos e sem trânsito, e me pego andando de bicicleta, pelas ruas da terrinha, sem pensar em futuro, em passado e olhando só o presente, que na verdade foi um presente de Deus em minha vida ter nascido e crescido olhando gente passando e vivendo sem se deixar notar. Gosto de falar das pessoas. Gosto de falar dos lugares. Gosto de falar da vida dos anos 60 e 70. Gosto de recordar os amigos meus, os amigos de meus pais, os amigos de meus avós, e porque não os amigos da família Dutra, que são muitos e espalhados por todas as ruas da nossa cidade? Na minha rua, a famo...

Praça da Matriz: Um caso de amor não resolvido

A passagem por Miracema sempre é agradável e, principalmente, quando encontro alguém para reviver os bons tempos passados na terrinha a viagem é ainda muito mais deliciosa.O jardim e a Praça das Mães, meus points preferidos, tem sempre uma história nova, um causo novo ou um jeito diferente de contar ou ouvir as passagens dos amigos por ali, quando é sobre o Rink o coração bate mais forte e fica difícil segurar a emoção. Desde o seu Ademar Barbosa, citado em coluna anterior, passando pelo Sabiá, jardineiro feliz e abençoado, pelo Nicanor, Mocinho e Jorge Ripada, os homens da sonorização e também já citados em colunas diversas, até o pipoqueiro Tarciso, ainda em pé e com um sorriso de felicidade no rosto, as histórias e os causos deste lugar sagrado fazem parte de meus contos, textos ou crônicas. Já disse aqui que minha terra tem palmeiras, tudo bem os sabiás não cantam por ali, mas pertinho delas tem o jardineiro Sabiá, que não canta mas encanta, já narrei aqui as grandes peladas da qua...

Personagens do nosso futebol

Esta Copa do Mundo, que se encerrou recentemente, deixou marcas e certezas. A marca maior foi provocada pela derrota humilhante para Alemanha, o país chorou, os garotos choraram e a CBF deu de braços talvez querendo dizer que não tem nada com a história, foi a fatalidade, diriam seus dirigentes. O pós jogo é recheado de declarações e de previsões negras para o futuro, jornalistas, comentaristas, ex-jogadores entram em cena e começam a descobrir as causas e as razões para o fracasso tão retumbante quando o brado do Hino Nacional. Seria a falta de uma divisão de base mais ajustada? Seria o excesso de brucutus formados nas bases do futebol brasileiro? Seria o ultrapassado esquema defensivo o principal culpado? Todas estas perguntas se calam apo dois ou três meses passados do vexame e o que ficará marcado? Ficará a falta de qualidade e profissionalismo nas divisões de base e o excesso de zelo com os garotos fortes, preferidos por 10 entre 10 treinadores da categoria, e o desprezo para ...

Na sombra de um pé de jambo

Sentado a sombra do pé de jambo, em um banco bem confortável e solitário, apenas o jornal do dia, comprado na banca Souza, ao lado da Matriz, me fazia companhia. Olhava para o jornal e ouvia o canto dos pássaros, que ainda reinavam no cercado inaugurado pelo prefeito José de Carvalho com pompa e orgulho. Nem prestava atenção na leitura e, se me perguntarem qual foi a manchete que me chamou a atenção eu não sei lhes dizer, sei que minha imaginação fluía e meu pensamento viajava para bem longe ou para um passado bem distante e batia uma saudade incrível de alguns personagens marcantes da cidade, como Altivo Linhares, chamado de Capitão por seus seguidores, mas que foi um dos “monstros sagrados” de nossa terra, sem ele Miracema talvez fosse um pouco diferente nos dias de hoje, tinha ideias avançadas apesar de ser considerado um ditador. Me lembro de cada um destes políticos em épocas distintas, do Jamil Cardoso me lembro sempre quando o tema é Exposição Agropecuária e Industrial da ...

O circo chegou

A cidade está movimentada. Hoje até parece que vai chegar um circo por aqui. Isto mesmo, um circo. Quem não tem saudades de um circo? Eu guardo dentro de mim a alegria e a tristeza de ver um circo. A alegria fica por conta dos palhaços, eternos e velhos palhaços com suas roupas coloridas, frouxas e com babados rasgados caindo pelos lados.  Me recordo de um menino/palhaço fazendo graças, mas de olho nas gurias do Prudente de Moraes. Eu me vejo, quando me lembro de um circo, correndo com medo da dona Edir Tostes, mas ciente de que tinha que fazer algo para entreter a pequena platéia de estudantes naquele circo improvisado em uma tourada. “Viva o seu Laerte, que deu a luz”, foi o que saiu quando a energia foi re-estabelecida e o espetáculo pode continuar. Vejo o lado triste, porém para mim até certo ponto alegre, quando retornava do Maracanã, onde fui ver o meu Flamengo. Na manhã daquele domingo o meu tio, Clery Picanço, me oferecia duas opções: “Guri, Flamengo no Maracanã ...