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A boa vida de um repórter de rádio

Uma das boas coisas da vida de repórter é poder conviver, conversar ou apenas observar de perto seus ídolos ou os grandes jogadores de futebol ou ver, nos bastidores, que são simples mortais e homens com os mesmos pensamentos nossos e certos de que estão ali para da alegria a quem pagou para ve-los.

As entrevistas em campo ou em hoteis e vestiários sempre me deram um grande prazer, conversar com Zico, Roberto, Júnior, Sócrates, Leandro e toda aquela geração de ouro do nosso futebol foi fantástico, mas tem alguns momentos que nos tiram do sério e nos fazem tornar fã e por pouco tempo esquecemos da missão e nos tormamos tietes de verdade.

Um dos grandes momentos desta tietagem foi quando, a mando do editor da Folha da Manhã, fui a um restaurante da cidade fazer uma matéria com o ídolo campista, Waldir Pereira, mundialmente conhecido como Didi, craque do Botafogo e da Seleção Brasileira, e levei comigo meu pai, que me visita em Campos.

Didi era o que podíamos dizer um ótimo entrevistado e uma personalidade sem nenhuma vaidade e gostava de contar seus "causos" e vitórias, e, quando viu a sua frente um homem de sua idade, que viveu intensamente seus grandes momentos no Glorioso, ele se soltou ainda mais e conversou por longos e longos minutos, horas talvez, com o Zebinho Dutra, que também estava inspirado naquela noite e se soltou como nunca.

Meu pai voltou para casa feliz da vida e esfregando as mãos, como era seu jeito, pensando no momento de voltar, no dia seguinte, para a nova conversa, no Shopping da Pelinca, com o Mestre da Folha Seca, e foi bonito ver os dois, Didi e Zebinho, se abraçando como se fossem dois velhos amigos quando se reencontraram no salão de festas da casa.

Um outro grande momento foi quando trouxe, para ver de perto o seu Fluminense, o saudoso amigo José Salim, um dos irmãos do Bar Pracinha, e, para homenagea-lo o levei até o Hotel Palace, onde estava hospedada a delegação tricolor, e pude lhe proporcionar momentos inesquecíveis, como ele mesmo me contou por muito tempo, e ver de perto todos os seus ídolos, que mais tarde enfrentariam o Americano, no Godofredo Cruz.

Na volta pra Miracema José Salim veio feliz, contava as jogadas do Casal 20, da conversa com Paulinho, ponta esquerda tricolor, no hall do hotel, e não escondia a felicidade de ter visto a vitória do seu Fluminense, 1x0, gol de Aldo, e de ter visto seu time de coração jogar bem pertinho de seus olhos.

Outros amigos vieram comigo nas quartas, sábados e domingos, quando ainda não residia por aqui, e outros me visitaram, pós mudança, só para pegar uma carona comigo para ver seus times jogar no Arisão ou no Godofredo Cruz. Arthur Monteiro, meu cunhado, também proporcionou um causo interessante em uma transmissão de Goytacaz x Botafogo, no Estádio Ary de Oliveira e Souza.

Arthur veio para ver seu Botafogo, que jogou no sábado e perdeu, para o Americano, entrou em campo com a camisa da Campos Difusora, ficou pertinho de seus ídolos no momento das reportagens pré-jogo, trabalhava como puxador de fios para poder entrar no gramado, e curtiu feliz da vida apesar da chuva que caia na cidade.

No domingo, no Arisão, lá fomos nós para um outro jogo, Goytacaz x Vasco da Gama, e desta vez Arthur preferiu ficar à beira do alambrado com o nosso conterrâneo Bebeto Alvim, chefe da torcida desorganizada do alambrado do Arisão, e tomando todas mais dez por cento com a turma do Passarinho, como é conhecido o Bebeto em Campos.

Tudo corria bem, meu cunhado ouvia o jogo em um radio importado, ganhei de presente do meu gerente Sérgio Salles, do Banerj, e o digo cujo era um luxo só, ficava preso ao ouvido e era um dos primeiros chegados ao Brasil, e lá estav a Arthur tirando onda com aquele radinho no ouvido sem precisar botar a mão para segura-lo.

Mas ver jogo ao lado da torcida do alambrado tem seu preço, ali geralmente tudo acabava em briga ou empurra-empurra, principalmente dentro do bar, e, bingo! Em uma destas confusões lá estava meu cunhado, tentando se desvencilhar da muvuca e, para minha tristeza e para desespero do Arthur, um dos brigões errou o soco, desferido em um torcedor vascaíno, que passava pelo bar, e a porrada acertou justamente, sabe o que? Meu radinho de pilha importado, que se dividiu ao meio pra desespero do Arthur Monteiro, que não sabia onde enfiava a cara de tanta vergonha.

Porém, tem sempre um porém, o Bebeto, que estava por perto, me explicou o que houve e jamais cobrei o prejuízo do meu amigo e pai dos meus sobrinhos queridos. E tem muito mais, o Mário do Carmo Costa, o Marão do Banerj, também me deu o prazer da visita para ver seu Vascão, no Godofredo Cruz, e admirar seus ídolos na churrascaria top da cidade, mas isto é papo para outro capítulo.

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