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Conversa de Botequim: Papo de vizinhos

E lá se foi mais um Natal e lá se foram as prosas do final de ano, aliás, como sempre, proveitosas e cheias de novidades para o colunista, que escreve em função destas conversas de botequim e das ruas da cidade.  Um grande presente de Natal foi a surpresa da visita do amigo José Souto Tostes, por quem nutro uma profundo respeito e amizade, e ao lado do Ló Leitão e do Abelardo do Belo (foto ao lado), me deram a alegria de passar o dia 24 de dezembro em excelente companhia e proseando sobre a terrinha e, claro, sobre passado, presente e futuro de nossa cidade.  Relembramos nosso "Triângulo das Bermudas", que é como chamo aquele trecho onde moramos (Praça Ary Parreiras, Centro Redentor e Praça Dona Ermelinda), recordamos nossos pais, no caso Zebinho, Amaro Leitão e Belo do Táxi, lembramos de nossas infâncias, bem vividas e saudáveis passadas naquele reduto de amigos e gente do bem, sentimos a firmeza da amizade e do carinho que nutrimos uns pelos outros e pelas famílias de t...

E por falar em Natal, por onde anda o Natal?

Cadê o Natal que estava aqui? Parece que os governos comeram. Cadê o Natal que a gente tinha? Os governos comeram. Verdade, a crise que assola o país, principalmente a crise moral dos polítcos brasileiros, deixa o Natal mais triste, menos agitado e sem aquela perspectiva de uma reunião de amigos em torno de uma mesa de bar ou uma grande reunião de família em torno de uma ceia  natalina.  Cadê o Natal que estava aqui na Praça? Os vândalos comeram. Verdade, os bandidos e os vândalos de todo o país deixaram as ruas mais tristes, as lojas mais secas e fechadas, o povo preso dentro de casa com medo de sair às ruas para abraçar os amigos e desejar Feliz Natal aos desconhecidos que transitam pelas cidades.  Cadê o meu Natal? A modernidade comeu. Esta é a mais dura das realidades, nossos filhos ficavam ao redor de nossas mesas e hoje cada um segue o seu rumo, suas famílias já crescidas já necessitam da presença deles muito mais do que nós, pais e tios esperançosos que eles re...

De Miracema para o mundo

Sabem aquela máxima? "Penso, logo existo". Ela pode ser modificada por uma outra, que sempre gosto de colocar em um papo com amigos; "Ando, logo existo". Isto mesmo andar por aí é viver intensamente, viajar é um programa que está sempre em aberto na minha agenda e, para refrescar minha memória, estou sempre andando pelas fotografias, são quase dez mil arquivadas, relendo meus textos sobre viagens e conversando com quem gosta da andança e está sempre reinventando lugares e roteiros.  Já contei nos blogs, já postei no Facebook e Instagram, sempre estou com novidades na cabeça para contar minhas andanças, que vão do Noroeste do Estado do Rio de Janeiro ao Leste da Europa, que vão de Laje do Muriaé, meu primeiro destino de férias, até Madrid, o nais visitado lugar nestes dez anos de andanças pelo exterior. Gosto muito de andar por aí. Gosto de narrar minhas aventuras, afinal tenho que aproveitar o dom que Deus me deu.  Certo dia, em uma conversa sobre viagens, um ...

Na Kombi do Nicanor ou do Percy

Tem coisas na vida da gente que nós não esquecemos jamais, uma destas são as aventuras de juventude, as traquinagens de crianças, as peladas na adolescência e tem outra coisa que não sai da nossa cabeça, os dias de futebol pra valer, com amigos e companheiros de um time histórico.  Mas hoje, aqui no nosso encontro semanal, o que me faz escrever são as viagens pelo redor do Norte Fluminense, naquele tempo não era Noroeste, em  que o Vasquinho ou Esportivo ou o Tupan ou a Associação Atlética Miracema rodavam em busca de amistosos e torneios não oficiais.  E nesta busca vem um nome na cabeça: Nicanor dos Santos, ou simplesmente o Nicador "da Kombi", um baita cara, alegre, fanático por futebol, equilibrado e um motorista responsável e consciente de que carregava jovens vidas e uma turma que só lhe dava alegria dentro e fora dos gramados como ele sempre me contou.  E escrevendo e procurando detalhes além do Nicanor o que me vem a cabeça? Percy, que era a opção que v...

Paris em Preto & Branco

Certo dia, me lembrei hoje este fato, estava sentado no tradicional Papo Quente, um bar bem frequentado, que um dia pertenceu ao meu grande amigo, já falecido, Joelcio Gomes Rangel, ouvindo Apollo Ramidam, um dos grandes nomes da música campista, e em  um dos intervalos um senhor, beirando aos oitenta anos, contava suas aventuras amorosas e suas viagens a Paris, Mônaco e Nice, e um dos presentes duvidou de suas histórias e o desafiou.  Bem ao estilo Pedro Pedreira, da "Escolinha do Professor Raimundo", o moço exigiu que o seu companheiro, contador de histórias maravilhosas, mostrasse fotos ou documentos. O senhor, já irado, prometeu ir à casa buscar as fotos e mostrar ao desafiante.  Dito e feito, pediu a um outro companheiro da mesa para que o levasse até sua casa e, depois de alguns minutos, voltou ele, com várias fotografias, ainda em preto e branco, algumas desbotadas pelo tempo, pelo visto as fotos são da década de 60 e cada uma delas era mostrada com ...

Dia de Flamengo e Ademir "Queixada" em Miracema

Sempre, quando chego a Terrinha, encontro com um ou dois amigos que gostam de me passar pautas para nossas colunas semanais aqui no Dois Estados, na semana que passou não foi diferente, no meio do caos da Rua Direita, onde a chuva complicou ainda mais o caótico trânsito da cidade, provocado pelo "calçamento" que se foi, me encontro com o velho companheiro Cleoacyr Schueler, que chegou animado, falante, elogiando a última coluna sobre os grandes jogadores da cidade.  - Como você consegue estes causos? Pergunta Cleoacyr.  Expliquei que eram eles, os amigos, que me enchiam a pauta e o gravador com causos vivenciados por eles ou ouvidos nos bares ou nas suas casas. E, imediatamente, começamos a lembrar de algumas boas histórias do nosso futebol, principalmente do Rink, que ele viveu no tempo dos craques liderados pelo Chiquinho Maracanã, e vários destes foram citados na prosa de quase uma hora ali em frente ao antigo Hotel Braga.  - Rapaz, você precisa contar sobre o ...

Salve o Ribeirão Santo Antônio

Sentado às margens do Ribeirão Santo Antônio, observando a descida da água, que é pouca e quase inexiste, me bateu a lembrança dos bons mergulhos e das boas descidas da Usina até o Aéro Clube, no período de cheias do nosso ribeirão.  Não foram poucas as vezes que eu e minha turma nos aventuramos em descer, a nado ou em boia de câmara de ar, aqueles dois ou três quilômetros do Santo Antônio em busca de um pouco de adrenalina. Dizem que foram as obras de desvio de curso e as construções ribeirinhas que fizeram o Santo Antônio ficar mais fraco, pode ser, mas o Rio Pomba, o Rio Paraíba e tantos outros por este Brasil afora, estão a sofrer com o mesmo problema e creio que o homem e seu descaso é o principal responsável pela agonia dos rios brasileiros.  Hoje as águas só crescem no período de chuva forte, mas felizmente não há mais aquele risco de grandes enchentes, como a de 1971 e outros que vieram depois, e dizem que foi por causa deste trabalho de limpeza e de mudança de c...