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E por falar em Natal, por onde anda o Natal?

Cadê o Natal que estava aqui? Parece que os governos comeram. Cadê o Natal que a gente tinha? Os governos comeram. Verdade, a crise que assola o país, principalmente a crise moral dos polítcos brasileiros, deixa o Natal mais triste, menos agitado e sem aquela perspectiva de uma reunião de amigos em torno de uma mesa de bar ou uma grande reunião de família em torno de uma ceia  natalina. 

Cadê o Natal que estava aqui na Praça? Os vândalos comeram. Verdade, os bandidos e os vândalos de todo o país deixaram as ruas mais tristes, as lojas mais secas e fechadas, o povo preso dentro de casa com medo de sair às ruas para abraçar os amigos e desejar Feliz Natal aos desconhecidos que transitam pelas cidades. 

Cadê o meu Natal? A modernidade comeu. Esta é a mais dura das realidades, nossos filhos ficavam ao redor de nossas mesas e hoje cada um segue o seu rumo, suas famílias já crescidas já necessitam da presença deles muito mais do que nós, pais e tios esperançosos que eles resolvam participar de nossa festa caseira. 

O Natal do Padre Alberto não existe mais, nem mesmo do Padre André ou do Padre Antônio, muito menos do Padre Luiz, eles já  não estão mais no meio de nós e fazem suas orações lá no Oriente Eterno, ao lado do PAI, mas quando as fizeram por aqui, na Igreja de Santo Antônio, em Miracema, sabíamos que além da alegria de ser Natal era dia de muita oração e pedidos ao aniversariante do dia. 

Ainda bem que hoje o Natal da Praça Dona Ermelinda é mais bonito, o espetáculo pode não ser de um luxo como um da Broadway, pode não ser grandioso como um Natal da Globo, mas a Paróquia, através de seus orientadores e gestores garante um bom espetáculo para quem chega para ver o Natal da Igreja Santo Antônio. Muito bom, eu recomendo.

Mas cadê o Natal que estava na Rua Direita? Bem, aí a crise não é culpada, mesmo nos tempos de "vacas gordas" a nossa Rua Marechal Floriano já estava esvaziada, sem o brilho dos meus tempos de juventude, os bares sumiram, as lojas desapareceram, claro que ainda existe a Leader, mas as outras foram substituídas por butiques e lojas de 1,99 que não tem a tradição e o charme das nossas antigas lojas da Rua Direita. Ou não? 

E o Natal do Jardim, será que ainda é revivido ano a ano? Era por ali que exibíamos nossos presentes, ganhos na noite de 24 de dezembro, e no dia dedicado ao Menino Jesus os Meninos da Terrinha corriam para a Praça Dona Ermelinda ávidos por mostrarem os presentes ganhos e fazer as comparações com os dos amigos da rodinha de peladas no Rink ou das brincadeiras no Parque do Seu Ademar. 

Cadê o nosso Natal? Eu, tenho certeza, vou me reunir com a família, alguns já não se reúnem mais conosco, vou me reunir com os amigos, como sempre, nas mesas da Kiskina, na Rua Direita, onde fico a espera de um transeunte disposto a um dedo de prosa e a sorver comigo um copo de cerveja. Te espero por lá, combinado?

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