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Afinal, onde canta o sabiá?

Ouvindo alguns sucessos do meu tempo de criança e juventude, bossa nova era um dos meus preferidos, me vejo de calça curta, sentado na calçada da Prefeitura, com um talo de mamão, uma caneca de alumínio, com água e muito sabão, soprando o canudo, feito do talo, e soltando bolas, bolinhas e bolões como hoje as crianças, da geração Luna e Felipe, meus netos, fazem com brinquedos comprados em lojas especializadas. Porque me lembrei desta peraltice ouvindo música? Fácil explicar. Na música, interpretada pela Dóris Monteiro, diz: "Sentado na calçada com canudo e canequinha..." e nada mais do que um verso deste para me levar, como gosto, de volta ao meu passado na minha Miracema.  Certo dia, postando meus contos e crônicas no Facebook, alguém contestou um texto escrito parodiando Gonçalves Dias. "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá.." e o amigo disse que o sabiá não canta em palmeiras.  Tudo bem, onde canta o sabiá?  Tenho certeza de que não era nas pa...

Um momento de recordação

Certa vez, passando pelos principais pontos da cidade, revi amigos, companheiros de futebol, de música, de colégio e, principalmente, aqueles que me conhecem apenas pela voz, os ouvintes da Rádio Princesinha do Norte, que foi uma “criança” que nasceu graças ao trabalho deste que vos escreve, do Renato Mercante e, principalmente do Orlando Mercante, nosso professor saudoso, o verdadeiro responsável pelo sucesso da criação e pelo desenvolvimento da emissora que encantou toda região. Na última visita a Miracema eu andei pelo Noroeste, fui a Natividade, orar no Santuário de Nossa Senhora de Natividade, passei por Porciúncula, onde visite a Paróquia do Padre Tiago Linhares, e almocei em Varre-Sai, onde fui encontrar um velho jogador do NAC, Lima, que me fez recordar bons momentos da Copa Noroeste de Futebol e ouvir boas histórias sobre o futebol da nossa região. Ao olhar a placa do meu carro, que é de Campos dos Goytacazes, o senhor do lado do restaurante me falou: - Tenho um ami...

Um álbum de figurinhas

  Conversando com meu guru, Ermenegildo Sollon, que esta semana está saudosista demais, entrei na onda e lembrei ao velho jornalista os grandes momentos da infância, quando, ele na década de 50 e eu na década de 60, corríamos de padaria em padaria atrás das balas que traziam figurinhas de jogadores de futebol.   Meu avô, o velho Vicente Dutra, sempre me protegeu nesta hora e, com o apoio da Vó Maria, soltava sempre uma graninha para as balas recheadas de craques paulistas e cariocas. – Você teve sorte, eu tinha que ralar os joelhos nas calçadas engraxando sapatos dos freqüentadores da missa de domingo, na Igreja Matriz, diz o grande Sollon.   Acredito que todos os garotos daquela época eram fissurados pelas figurinhas do Dida, do Pepe, do Zagalo, do Vavá, do Delém, Garrincha era carimbada, assim como a do Rei Pelé, mas tinham aquelas fáceis, como do Tomires, Pavão, Beline, que eram disputadas no “jogo do bafo”, onde meninos de mão grandes levavam vantagem sobre...

Emoções de um final de semana

A próxima  semana será cheia de emoções para este velho escriba, a começar logo no amanhecer de sábado (30/04/16) quando a cidade recebe centenas de amigos e conterrâneos ausentes do torrão natal por longos anos para vir, a convite dos organizadores, participar de mais um encontro de miracemenses e amigos, que este ano repetirá o sucesso do ano passado no evento realizado no mesmo local deste ano, ou seja, na Barraca do Bode, no recinto da Exposição. Mas o grande motivo para prevenir as lágrimas e emoções mais forte, está reservado para a noite deste mesmo sábado, no Clube XV, quando receberei das mãos do Vereador João Magalhães a Comenda do Mérito Esportivo, que leva o nome do meu grande amigo e amigo do futebol miracemense, Jair do Nascimento (Polaca), que se vivo fosse estaria completando cem anos de idade. O que falar deste momento? O que falar de Jair Polaca? Sobre o momento é impossível antecipar alguma coisa, o mínimo que vai acontecer são os abraços dos amigos e da...

Miracema: Oitenta anos de história

Por onde andei tinha sempre um caminho aberto para conhecimento, fui da minha Miracema até um lugar bem longe, como Viena, por exemplo, sonho de minha mãe em conhecer os "Destinos de Sissi, a Imperatriz", como Paris, onde ela queria ser a Lili do filme do mesmo nome. Estudei o suficiente para falar o bom português e não encontrei dificuldades para usar meu inglês, de balcão de portaria de hotel, para me virar em Londres, nem meu espanhol, aprendido na tevê, como o italiano, para lidar com as pessoas em Madrid ou Roma, mas encontrei dificuldades para me comunicar com as pessoas em Praga, em Budapeste ou em Varsóvia.  A comida, outra grande chateação nas viagens internacionais, também não me atrapalhou, aprendi, em Lisboa, que o "nosso" bacalhau é servido em qualquer bom restaurante europeu e que a "nossa" massa está nos cardápios dos mais sofisticados e até mesmo nos self service menos requintados mas com boa comida para os turistas brasileiros ou não. ...

Um enredo para o samba do Calil: O Triângulo das Bermudas

Ontem foi dia de fisioterapia, tento curar uma tendinite no ombro, provocada por longos anos de jornalismo e serviço bancário, o uso constante das máquinas de escrever, sem saudade, do computador e hoje dos pequenos tablets e smartphones, provocaram uma inflamação aguda em todos os membros dos braços e ombros. E dia de fisioterapia é sinal que a manhã é perdida e haja conversa fiada nos corredores da clínica. E, por minha sorte, encontrei um veterano miracemense, afastado da terrinha por muitos anos, que me lembrou do carnaval, das festas de Santo Antônio e começou a perguntar pelos antigos moradores do meu reduto. Fui falando em todos eles, com muita saudade e alegria, e o moço conheceu todos, do Caboclo ao Vicente Dutra, e, ao chegar à casa, vejo uma foto do saudoso amigo Calil Saluan Neto, carnavalesco e homem da publicidade volante, na página de sua filha, Dina, no Facebook, e juntando o papo com o Abraão, lá na clínica, e o pensamento para o Calil, me lembrei imediatamente de um...

E na vitrola o som de Johnhy Rivers

Sei lá, acho que lá se vão cinquenta anos ou mais daqueles bailes nas varandas das nossas casas, lá na Terrinha. Os garotos já estão com netos quase na idade daquela que tínhamos e o som que ouvíamos hoje não cai muito bem no gosto da moçada moderna. Uma Sonata, que ainda deve ter por aí alguma para matar a saudade, resolvia o problema e os compactos, simples ou duplos, ou LPs faziam as duas ou três horas de dança sem maldade, sem culpa e, as vezes, rolava um rostinho colado e nada mais. Tempo de felicidade pura, de simplicidade e de música de qualidade em nossas reuniões. A nossa varanda, na casa em frente a Prefeitura, era uma das preferidas da turma, ali perto, no Seu Neném Braga, era outro território aprovado pela rapaziada, Seu Noqueta, mais embaixo um pouco, também permitia os nossos bailinhos que na cidade, em todos os bairros, virou febre e era comum receber um convite para dançar nas casas dos amigos ao som de Trini Lopes e suas guarânias como La Bamba e o famoso charara l...