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O Jardim de Miracema

Andar pelo jardim de Miracema é dar uma volta ao passado. Sentar em um daqueles bancos, patrocinados por empresas que desapareceram e que algum dia fizeram o progresso chegar à cidade, é a certeza de lágrimas nos olhos.  Ver o Rink, mesmo vazio e sem as crianças para iluminarem o ambiente, é como se ali estivéssemos eu, Júlio e Gutinho, correndo atrás de  uma bola de borracha a espera dos amigos para um racha, rápido, antes que um de nossos pais viessem correndo nos chamar para estudar ou coisa parecida. Ver minha neta, Luna, brincando no Parque Infantil é recordar do seu Waldemar, zeloso guardador do local e que com sua simpatia e paciência, nos enchia de alegria e energia para correr um a um daqueles brinquedos instalados naquele espaço que leva o nome do seu Marcílio Poly. Naquele coreto, que hoje está refeito e praticamente igual ao original, ainda não subi ou entrei para ver como é que ficou. Não tive coragem, minhas pernas tremeram nas duas oportunidades que tiv...

Estes fizeram a alegria da galera

Tempos atrás fui contestado pelos amigos por citar meu antigo jogador, da Escolinha da AAM, Chico Felicíssimo, como um grande atacante e um dos craques que não vingaram aí na terrinha. Um pouco depois contei, aqui neste mesmo espaço, algumas de minhas jornadas inesquecíveis e, pimba, lá veio de novo o bombardeio de contestações.  Contei histórias, causos, passagens curiosas como as do Jucão, do Genuíno e do Belisca, falei de bons goleiros, como Zil, Navalha, Geneci, Zé Geraldo, Bizuca e Rubinho Camelo, falei de ótimos atacantes, como Thiara, Pedrinho (os dois), Cacá, Chiquinho, de fabulosos meias, Ademir, Alvinho, Dequinha, Paulo Lolita, Manoel Lima, Zé Augusto Provinciale, e outros que vingaram ou não aí na nossa terrinha. E agora, quem serão os homenageados do espaço? Os zagueiros ou os laterais? Podemos fazer um apanhado geral  e contar por aqui que Dilsinho, hoje morando em Venda das Flores, foi um dos mais completos de sua geração, concorda comigo? Que David Resende fo...

Na cadeira do babeiro

No início do ano, creio que ainda estava curtindo Guarapari com a família, li sobre o cinquentenário do primeiro título mundial de Éder Jofre, nosso maior pugilista de todos os tempos, e no exato momento em que a manchete chegou no meu laptop a minha mente me transportou para Miracema, Rua Direita, salão de barbearia do Seu Gérson Coimbra, onde fui encontrar Eloi Natividade, um dos mais tranqüilos e competentes profissionais do ramo que conheci. O que teria Eloi Barbeiro com Éder Jofre, por acaso ele lutava boxe ou era bravo ou violento? Nem pensar. Eloi, já disse acima, sempre foi um pacato cidadão, tranquilo e com uma paciência de Jó, basta você saber que sempre fui irriquieto e agitado e ele, com sua calma, tratava de minha cabeleira com categoria dos grandes profissionais. - E então, conta aí? Dirão os apressados e eu atendo. Um dos adversários de Éder Jofre foi o mexicano Elói Mendes, batido por nocaute pelo nosso ‘Galo de Ouro” em decisão nos anos 60 e, de lá prá cá, passei ...

Comidas, bebidas por aqui e pelo mundo

Na quarta-feira bateu uma fome e Marina pediu uma pizza, uma das mais famosas da cidade. Depois de minutos de prosa para definir o sabor e o que pediria para acompanhar, nos sentamos e começamos a relembrar as boas refeições que fizemos durante nossas viagens pelo Brasil e pelo exterior. Começamos pela pizza de Florença, não pela qualidade da massa, mas pelo lugar maravilhoso e pelo entorno da cantina bem ao estilo napolitano. O vinho servido e o jeito simpático das garçonetes, a música ambiente dava um toque especial a pizza e a massa servida.  Estes detalhes fizeram com que a pizza fosse considerada a melhor de todos os tempos, mas não acreditem, pode ter sido apenas um reflexo do bom vinho sorvido em quantidade superior a normal e pela magia do lugar. Voltamos ao tempo e nos vimos sentados á beira do Rio Tejo, em Lisboa, esperando a hora de nos deliciarmos com bacalhau autêntico, com um visual deslumbrante e um luxo mediano, aquele que não é nem chique e nem brega, mas be...

As celebridades na terrinha

Esta semana, folheando, via internet, um livro sobre o Estádio Presidente Vargas, o PV, de Fortaleza/CE, botei a imaginação para funcionar e a memória para trabalhar na busca por grandes personagens que já pisaram no gramado do Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros, lá na minha terrinha querida. Tentei usar o chip do cérebro e guardar os nomes das celebridades no arquivo do laptop. Porém, tem sempre um porém, gostaria de contar a história de cada uma destas visitas e falar um pouco mais, por exemplo, da partida em que Garrincha marcou presença no Plínio Bastos de Barros, mas juro que tudo aqui no meu chip está apagado e não vejo nada na minha frente.  Soube, através de José Maria de Aquino, nosso conterrâneo celebridade, que Zezé Moreira levou o time titular do Fluminense, na década de 50, para uma exibição por lá e a cidade parou para ver os craques tricolores, campeões cariocas e com fama em todo território brasileiro.  Vi e participei, dos jogos em que Quarentinh...

A história de Ermê Sollon

Os amigos me param na rua para um dedo de prosa e, geralmente, querem saber mais sobre Emernegildo Sollon, meu guru de longa data, e de suas histórias. No final de janeiro, ainda em Guarapari, o velho jornalista abriu o coração e me contou detalhes que só quem o conheceu ainda garoto, na pequena e pacata cidade de Miracema, no Noroeste do Estado do Rio, pode identificar.   - Fui um menino comum, andei pela cidade a procura do que fazer para ajudar a família. Enquanto os amigos, filhos de médicos, advogados, bancários ou fazendeiros andavam pelas ruas com suas bicicletas ou jogando pelada no jardim ou no Rink, eu trabalhava duro para ter meu divertimento predileto, os seriados dos Cines XV e 7 nos domingos.   A medida que Sollon contava sua história de vida os olhos dele brilhavam intensamente e, para minha surpresa, o velho amigo pediu uma cerveja e me fez companhia com pelo menos dois copos, que segundo ele era para abrir a mente. - Minha trajetória nas letrin...

Gonçalves Dias X Michel Teló

Meu mais novo “amigo de infância”, Renato Caveare, me envia um torpedo, via Twitter, que julgo ser um dos mais interessantes deste novo ano que começa agora. “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, sorte sua poeta Gonçalves Dias, aqui, hoje em dia, é “Ai se eu te pego...Ai.. Ai”.  Diria Milton Leite: “Que beleza!” e eu digo, tudo o que penso em apenas uma frase inteligente, criativa e cheia de verdade. Que beleza! Caveare, sua inspiração pode até ter vindo da vizinha, conforme você me explicou em um novo torpedo, mas com certeza, usando a frase da moda, esta inspiração lhe foi passada pelo poeta, Gonçalves Dias, autor da bela “Canção do Exílio”, que um dia serviu de inspiração para este escriba falar de sua saudade da terrinha. Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá, é o primeiro verso da poesia eterna do eterno poeta, já Michel Teló, o desconhecido que virou sucesso e, em breve, se esconderá de novo, diz a beleza:...