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Comidas, bebidas por aqui e pelo mundo


Na quarta-feira bateu uma fome e Marina pediu uma pizza, uma das mais famosas da cidade. Depois de minutos de prosa para definir o sabor e o que pediria para acompanhar, nos sentamos e começamos a relembrar as boas refeições que fizemos durante nossas viagens pelo Brasil e pelo exterior.


Começamos pela pizza de Florença, não pela qualidade da massa, mas pelo lugar maravilhoso e pelo entorno da cantina bem ao estilo napolitano. O vinho servido e o jeito simpático das garçonetes, a música ambiente dava um toque especial a pizza e a massa servida. 


Estes detalhes fizeram com que a pizza fosse considerada a melhor de todos os tempos, mas não acreditem, pode ter sido apenas um reflexo do bom vinho sorvido em quantidade superior a normal e pela magia do lugar.


Voltamos ao tempo e nos vimos sentados á beira do Rio Tejo, em Lisboa, esperando a hora de nos deliciarmos com bacalhau autêntico, com um visual deslumbrante e um luxo mediano, aquele que não é nem chique e nem brega, mas bem ao estilo português de ser e no final um ahhhh! Que mostrou toda nossa satisfação por estar ali e o prazer de ter comido um dos mais gostosos pratos servidos em nossas viagens.


Marina tinha dúvidas sobre a melhor carne servida nestas excursões. Seria a do restaurante do centro de Buenos Aires? Não. Seria a que comemos em Santiago do Chile? Pode ser, foi bem melhor. Não podemos esquecer a churrascaria do Recife, meu Deus! Filé dos deuses. Porém, tem sempre um porém, no centro de Zurique, na Suíça, a carne degustada jamais será igualada, eu repetiria o refrão do sucesso atual: “Ah que delícia!”


Churrascos, pizzas, peixes, sopas, caldos e cadê o arroz/feijão? Não tem. Não há na Europa a nossa comidinha tradicional e por isto a culinária do nordeste brasileiro, principalmente a de Fortaleza, suplantará sempre as comidas servidas fora daqui.


Discute-se aqui, no bom sentido, e claro, comenta ali e não chegamos a conclusão de qual a melhor comida do planeta. Seria a massa italiana, degustada com prazer e acompanhada de um bom vinho em Roma, na praça onde está a nossa embaixada, Piazza Novona, a mais célebre da capital da Itália?


Não sei se posso citar por aqui o belo jantar, ao lado de companheiros gaúchos, no bairro romântico de Paris, Montmartre, onde sentamos à uma grande mesa e nos deliciamos com um prato nosso de cada dia, o churrasco, especialidade rara para se encontrar em terras parisienses.


No final de semana, passado na nossa terrinha, pude comprovar, ao lado de alguns amigos, como os médicos Paulo Afonso Sales e Carlos Sérgio Barbuto, que a carne servida pelo Sebastião, em seu BDF, não fica devendo a todas estas citadas por aqui, e as companhias, como a do Rubinho Tostes e família, e das minhas irmãs Teresa, Eliane e Patrícia, alimentam ainda mais a alma.


Um dia escrevia aqui que os bares nossos de cada dia estão devendo ótimas iscas, a que chamávamos de “tira gosto”. Não encontro, há algum tempo, algo que pudesse dizer “que delícia”. Aliás, e a propósito, o torresmo de traíra, servido no Restaurante Cascudão, em Venâncio, do meu primo Chicão, é um dos que estão sobrando na turma e o restante opta pela simples “carne na tábua”, batata frita ou  um bifinho acebolado.


O BDF ainda me faz lembrar as boas casa de carne e o ambiente, pode acreditar, é bem melhor do que todos os que encontrei por ande andei nestes últimos anos, afinal não é em qualquer lugar que se come bem e tem ao lado pessoas amadas e queridas da nossa terrinha.

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