Pular para o conteúdo principal

Estes fizeram a alegria da galera


Tempos atrás fui contestado pelos amigos por citar meu antigo jogador, da Escolinha da AAM, Chico Felicíssimo, como um grande atacante e um dos craques que não vingaram aí na terrinha. Um pouco depois contei, aqui neste mesmo espaço, algumas de minhas jornadas inesquecíveis e, pimba, lá veio de novo o bombardeio de contestações. 

Contei histórias, causos, passagens curiosas como as do Jucão, do Genuíno e do Belisca, falei de bons goleiros, como Zil, Navalha, Geneci, Zé Geraldo, Bizuca e Rubinho Camelo, falei de ótimos atacantes, como Thiara, Pedrinho (os dois), Cacá, Chiquinho, de fabulosos meias, Ademir, Alvinho, Dequinha, Paulo Lolita, Manoel Lima, Zé Augusto Provinciale, e outros que vingaram ou não aí na nossa terrinha.

E agora, quem serão os homenageados do espaço? Os zagueiros ou os laterais? Podemos fazer um apanhado geral  e contar por aqui que Dilsinho, hoje morando em Venda das Flores, foi um dos mais completos de sua geração, concorda comigo? Que David Resende foi perfeito e, sem medo de errar, se joga hoje desbancava Daniel Alves ou seus concorrentes. 

Do Edil, outro baita goleador lá de Flores, eu já falei por aqui, dos irmão Ari e Ariel, o primeiro um craque e o segundo um ótimo lateral,  ao lado do Renato fizeram o Flores EC entrar na história do nosso futebol. 

Já contei aqui que os irmãos Utrine, Clóvis e Clênio, do nosso querido Paraíso do Tobias, fazem parte de todas as seleções que tentarem escrever lá na terra do José Chacourt e que Totonho, Chiquinho, olha ele aí outra vez, Toninho Barão, Bóia e seu mano Zeínha, como os rapazes do Flores, também incluíram o Paraíso na história do nosso futebol.

Minha gente como é difícil contar prá vocês quem brilhou, quem fez sucesso e quem eram os craques da cidade. Nem adianta voltar a escolher os melhores, estes terão espaço reservado no meu time a qualquer dia ou hora, como o Júlio Barros e o Lauro Carvalho, dois talentos que jamais serão esquecidos como amigos ou jogadores de bola. Indiscutíveis nos dois sentidos.

Algum de vocês, que deve estar me contestando agora, viu o Tachinha jogar na zaga? Viu o Biluzinho partir para o ataque, descambado pelo lado esquerdo, levando a loucura qualquer defesa? Lembra que o Beto fazia o mesmo pelo lado direito? E que Ronzê deitava e rolava no meio deste ataque?

Já entenderam, né mesmo, que estou subindo as gerações e lembrando de outros baitas jogadores. Aproveito para dar um toque na lembrança e encontrar Fernando Monteiro, eita lateral raçudo e competente, do Luis Carlos, que completava a zaga do Bandeirantes com qualidade.

Todas as vezes que me vejo na terrinha, sentado em algum lugar, seja no bar ou no jardim, sinto a necessidade de prosear com velhos companheiros e relembrar estes moços bons de bola e de coração. Meu amigo José Souto, que passou a gostar de futebol bem tarde, não teve este prazer e, mesmo sendo de uma geração maravilhosa, jamais teve gosto pela bola ou de freqüentar as arquibancadas do Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros ou o Estádio Luiz Fernando Linhares, o Ferradurão. Ele, e muitos outros, me convidam para um dedo de prosa só para conhecerem o passado do nosso alegre futebol.

Aqui, no meu convívio quase que diário com os amigos blogueiros, ou no Dois Estados, nosso jornal da terrinha, procuro sempre destacar quem mereceu um dia ser chamado de zagueiraço, goleador, rompedor ou carregador de piano, e sempre peço perdão pelo esquecimento de um ou de outro, mas hoje rendo homenagens ao produtivo Zé Paulo e o artilheiro Ronzê, que um dia fizeram a alegria das torcidas da cidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...