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HISTÓRIAS DE FLAMENGO E BOTAFOGO

Domingo de Botafogo x Flamengo é dia de reunião de família, lá na “terrinha” e de grandes emoções em outros lugares deste imenso país do futebol. Arthur Emílio e Rafael, pai e filho, botam o retrato do velho Olavo na parede e pedem proteção a todos os santos que passarem no momento das orações. Maria Celeste prepara o tira-gosto, que muitas vezes não é servido tal é a tensão na varanda do quintal da Rua Nova. A cerveja, que chega geladinha lá do armazém do João, volta prá geladeira à espera de um gol do Fogão, que sempre é comemorado de joelhos com pai e filho abraçados como se fosse um agradecimento ao Olavo, que lá de cima olha por filho e neto com aquele olhar de quem passou por aqui e viveu momentos bem melhores com o seu Botafogo. Domingo de Botafogo x Flamengo é dia de tirar do armário a camisa de Mauro Galvão, presente que Marquinho ganhou do afilhado de casamento e que até hoje guarda para ocasiões especiais. Hoje, domingo, não tem jogo decisivo e não é jogo especial, mas para ...

DIA MAIS FELIZ DA PRINCESINHA

O ano: 84. O mês: novembro. O dia 18. O local: O evento: Botafogo x Fluminense. A competição: Campeonato Carioca de Futebol. A transmissão: Rádio Princesinha do Norte. O narrador: Adilson Dutra. O comentarista: Francisco David. Os repórteres: José Luiz da Silva e Welington Ronzê. O operador: Chiquinho Titonelli. A razão: Primeira emissora do noroeste fluminense a transmitir, ao vivo, do Estádio Mário Filho. O responsável: Orlando Mercante da Cunha. Dito isto, minha gente, não precisaria de mais nada para contar, porém, tem sempre um porém, foi o dia mais feliz de todos nós e para a Rádio Princesinha um momento inesquecível, não vou dizer que a audiência chegou a 100%, seria utopia, mas que aproximou dos 90% eu não tenho medo de dizer. Nossa festa foi total, desde a saída até a chegada, até certo ponto triunfal, e o dia seguinte, juro, foi de celebridade de novela ou de filmes de Hollywood. Não distribuí autógrafos, mas contei a mesma história centenas de vezes para uma mesma quantidad...

Brasil está vazio na tarde de domingo

Hoje é domingo e nós, boleiros amantes de um bom futebol - pode até ser uma pelada, né mesmo? - estamos tristes com este domingão vazio, mais parecendo um daqueles dias de dezembro, vésperas de Natal, quando a bola para de rolar e a gente fica assim como se estivesse faltando alguma coisa em nossas vidas. Ah, tem jogo da seleção brasileira logo mais! Me diz Júnior, do armazém do Lenílson. Certo, mas contra a Bolívia, lá nas alturas, com o time desfalcado, ainda bem que tem Adriano prometendo gols. É um joguinho que não vale nada, nem mesmo para os bolivianos.  Não tem nem uma peladinha pela segunda divisão por aqui, já que a Ferj colocou o jogo do Goytacaz, no Arisão, ontem, contra o Nova Iguaçu, justamente no horário de Flamengo e São Paulo, que passou na tevê e os bares ficaram lotados e o a Rua do Gás até que teve um bom movimento. Esta turma alvianil é mesmo fanática pelo Goytacaz, benza Deus. Hoje pelo menos é dia de lembrar alguns lances do meu tempo de rádio, l...

O JOAQUIM ME FEZ LEMBRAR DE MUITA COISA

Na semana passada, creio que foi na segunda-feira, dia 21/09, li um texto que me comoveu e me deixou emocionado durante algum tempo. Joaquim Ferreira dos Santos escreveu, no Segundo Caderno do O Globo, uma crônica em homenagem a um companheiro seu, falecido recentemente, e passeou pelos anos 60 com maestria e, tenho certeza, foi no fundo da alma de muitos contemporâneos nossos. Ele diz, entre outras preciosidades, que lembrava de um ataque do Flamengo formado por Joel, Moacir, Henrique, Dida e Babá. Veja só vocês, um timaço jogando no 4-2-4, muito usado naquela época, mesmo período em que por aqui jogavam, pelo Rink, Frederico, Emanoel, Braizinho, Silvinho e Lair, um ataque leve, mas com um peso incrível contra as defesas adversárias. Em outro pedaço do texto Joaquim Ferreira dos Santos nos traz de volta a lembrança dos programas da Rádio Nacional, como Anjo e Jerônimo, o herói do sertão, que parava a turma da Praça da Matriz diante do rádio, emprestado pelo meu avô – Vicente Dutra – e...

PAPO COM UM AMIGO DESCONHECIDO

Certo dia, um daqueles em que a gente não quer conversa e a primeira pergunta a gente evita para cortar o interlocutor logo no inicio, sabe como é né, a gente não está com vontade de falar com ninguém e te aparece logo um daqueles prosaicos companheiros, que pensam que irão levantar o seu astral com mensagens de otimismo. Mas eu falava que um certo dia, tem dias que a gente não se sente bem e quer ficar sozinho em um canto qualquer de um apartamento, de uma casa ou até mesmo de um jardim. E foi em um dias destes que me apareceu um desconhecido, para mim é claro, ele deve ser uma figura tradicional aí na Santa Terrinha. "O senhor é o Adilson Dutra?" Perguntou-me com uma voz trêmula, talvez sabendo que eu não estava prá conversa e abaixava a cabeça no jornal, tentando com a leitura esconder-me do resto do mudo. Custei a responder, mas como não tenho hábito de dar fora ou me sentir importante, respondi que sim. - Posso me sentar ao seu lado? – Claro. Fique a vontade. Respondi. –...

DOMINGO DOS PAIS E DE SAUDADE

Na sexta-feira, ao fazer minha caminhada matinal, o vascaíno Antonio Francisco se juntou a mim e abriu a caixa de conversa para reclamar do filho, Francisco Antonio, que trocara o Vasco, seu time desde a infância, pelo Fluminense, no final do Brasileiro do ano passado. - Dutra, eu não agüento mais a cantilena lá em casa, o Chiquinho pensa em voltar a torcer pelo Vasco, já ensaia o retorno vestindo a surrada camisa cruzmaltina nos jogos da Série B, e, de vez em quando o pego xingando Renato Gaúcho e cia ltda. - Bom sinal, Antonio, parece que o rapaz pensou melhor e pretende conquistar novamente o coração do velho pai. - Que nada, ele não agüenta mais é a gozação da turma da faculdade, não tem coragem para vestir a camisa tricolor e fica me pedindo opinião se deve ou não torcer pelo Internacional, time de sua namorada lá da faculdade de direito. - Eu tive este problema em casa, meu caro amigo, mas desde menino o Leandro torcia pelo São Paulo FC e nada tirou de sua cabeça a paixão pelo tr...

Saudades de que? O que é saudade?

Eu tenho saudades dos meus tempos de guri, quando corria leve e solto pelas ruas da cidade sem preocupação alguma. Eram tempos felizes, não que hoje não traga comigo a felicidade, mas era diferente. Tenho saudades de um tornozelo torcido, de um queixo doído devido a uma pancada no chão, de um olho roxo – provocado por soco ou cotovelada no campo ginásio ou no Rink - de um pontapé do Brecó ou do Valdir. Lembro-me quando xingava prá cacete quando mordia a língua ou batia com a cabeça numa quina de mesa. Saudade doída esta, não? Hoje tenho saudades das minhas irmãs, que moram longe de mim, tenho saudades da cachoeira do Conde, desta todos têm saudades, tenho saudades de um filho, que trabalha longe, e da filha, que casou e mudou. Saudade do gosto de uma fruta tirada do pé, roubada nos quintais do Seu Lino ou do Seu Pedrinho Soares, era mais gostosa. Do meu pai, que já se foi, de minha mãe, de meu avô e minha avó, que também acompanharam o velho Zebinho. Tenho até saudades de um amigo que ...