Pular para o conteúdo principal

Aventuras e decepções no Norte 6

Despedida de Alter

Felizmente, o tombo no penúltimo dia em Alter do Chão deixou apenas algumas marcas no joelho e dores nas duas mãos. Nada que me impedisse de acompanhar o grupo na despedida da vila mais famosa do Pará.

E qual foi o programa? Conhecer um pouco mais da Ilha do Amor, caminhar pela areia e aproveitar aquele cenário que parece ter sido desenhado com capricho pela natureza.

Só tivemos que mudar algumas vezes de lugar, de ponta a ponta, por causa das caixas de som em volume exagerado, levadas por turistas que parecem se sentir donos da praia. E isso, infelizmente, não é exclusividade de Alter do Chão. É um mal que se espalhou por praias e outros recantos turísticos do Brasil: nem todo mundo percebe que o direito de ouvir sua música termina onde começa o direito do outro de ouvir o barulho do vento e das águas.

Tirando isso, tudo de bom.

Alter do Chão é, realmente, um lugar paradisíaco. A natureza foi generosa por aqui. A Ilha do Amor, as águas do Tapajós, a areia clara e aquele horizonte imenso fazem a gente esquecer até o calor.

Encontramos bons restaurantes, preços agradáveis e gente educada e prestativa. Os moradores sabem receber e tratam os visitantes como devem ser tratados aqueles que chegam para conhecer e admirar a terra deles.

A exceção gastronômica ficou por conta do italiano, que parece se considerar o dono da massa. Talvez por isso esteja sempre meio cheio. Ou seria meio vazio?

De qualquer maneira, Alter do Chão fica na memória com saldo amplamente positivo. Chegamos com uma primeira impressão nada boa, mudamos de pousada, descobrimos Belterra, conhecemos praias do Tapajós, atravessamos para a Ilha do Amor, vimos o dia cair e até um tombo entrou no roteiro para deixar a história mais completa.

Agora, sentado na areia, em repouso, escrevo estas últimas linhas olhando para esse pedaço bonito do Pará.

Amanhã tem estrada — ou melhor, tem viagem.

O destino é Belém.

Vamos conhecer a capital paraense, passar pelo famoso Ver-o-Peso e, como este velho escriba também vive de futebol, conhecer algumas das canchas onde a bola rola por aquelas bandas.

Alter do Chão fica para trás.

Mas vai junto na bagagem.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...