Alter do Chão — nota 10 até no chão
Infelizmente, a primeira impressão de Alter do Chão não foi das melhores. Logo na chegada, ao tentarmos encontrar a pousada que havíamos reservado, veio o susto: lugar ermo, ruas de terra, mato e lixo pelo caminho. O cenário não combinava em nada com as imagens paradisíacas que eu tinha na cabeça.
Quando finalmente chegamos, a surpresa foi ainda maior. A casa, praticamente ao lado da floresta, parecia cenário daqueles filmes de suspense em que a gente já sabe que alguma coisa vai dar errado.
Olhei para os companheiros e fui direto:
— Aqui eu não fico nem se me embebedarem!
Felizmente, os outros quatro tiveram a mesma impressão. O consenso foi imediato: procurar outro lugar. Além de tudo, aquela pousada ficava distante do centro, cerca de 15 minutos de táxi, com acesso nada convidativo.
Resolvido o problema e encontrada outra pousada, o panorama mudou completamente. O patamar subiu. Ficamos num lugar simples, limpo, aconchegante e bem localizado. E, como num passe de mágica, a luz voltou a brilhar em Alter do Chão.
No dia seguinte, seguimos por terra até Belterra. No caminho, conhecemos algumas das belas praias formadas às margens do Tapajós, entre elas a famosa Pindobal. Depois, fomos descobrir um pouco da história de Belterra, cidade planejada na década de 1930 como parte do projeto de Henry Ford para produzir borracha na Amazônia e abastecer sua indústria automobilística.
Foi um passeio cansativo, mas daqueles que acrescentam páginas à viagem e histórias ao velho escriba.
À noite, nada de grandes aventuras. Depois de tanta estrada, um belo sanduíche, uma saborosa cerveja paraense e uma boa conversa foram suficientes para fechar a terça-feira.
E deixamos o melhor para a quarta-feira.
Era hora de conhecer aquela que, até então, eu só tinha visto em fotografias: a bela, famosa e sedutora Ilha do Amor.
Depois daquele começo assustador, Alter do Chão começava a justificar a fama.
E a nota?
Dez. Até no chão.

Comentários