Saga do Norte — Capítulo 3
Pará, começando por Santarém
A etapa paraense da nossa Saga do Norte começou em Santarém, na segunda. E começou devagar: um dia de repouso para recuperar o fôlego e ganhar disposição para entrar no 21º estado brasileiro do nosso roteiro de viagens, iniciado lá atrás, em 1979.
Para abrir a grande aventura pelo Pará, escolhemos Santarém, uma das cidades mais antigas da Amazônia brasileira, carregada de história e privilegiada pela natureza.
Como em toda a região, o calor é presença constante. Mas, às margens do Tapajós, tudo parece ficar mais agradável. A beleza do rio, o vento gostoso vindo das águas, a culinária local e, claro, uma cerveja bem gelada ajudaram a compor o cenário. Melhor ainda quando tudo isso vem acompanhado de uma boa conversa entre os três casais que formam nosso grupo de seis viajantes.
Foi apenas um dia em Santarém e, por lá, não tivemos decepção. Tivemos, sim, uma cena hilariante.
O amigo José Luiz pediu dois táxis para irmos até a orla. Só esqueceu de me avisar de um pequeno detalhe: havia combinado com os motoristas uma espécie de mini city tour, com a corrida sendo cobrada pelo taxímetro.
Nosso taxista, muito educado, começou a rodar pela cidade e comentar o trajeto como se fosse um guia turístico. Até aí, tudo ótimo.
O problema é que passou pelo nosso ponto de encontro — que nós desconhecíamos — uma vez. Depois, passou novamente.
Na terceira, anunciou:
— Vamos até o porto e, na volta, deixo vocês aqui.
Alguma coisa me pareceu estranha.
Perguntei:
— O restaurante é aquele ali?
Quando ele respondeu que sim, meus olhos foram imediatamente para o taxímetro.
R$ 60,00.
Foi quando Santarém ouviu um grito vindo do banco de trás:
— PARE AGORA!
Risadas gerais.
Não aceitei muita explicação. Paguei, abrimos a porta e descemos. Afinal, uma coisa é fazer city tour. Outra é passar três vezes pelo restaurante onde você pretende almoçar!
Na manhã seguinte, já refeitos, fizemos as últimas fotos no mirante, contemplamos mais uma vez aquele imenso Tapajós e pegamos a estrada.
Nosso próximo destino era um dos lugares mais famosos da Amazônia:
Alter do Chão.
Eu levava comigo uma enorme expectativa. Queria conhecer de perto aquele cenário tantas vezes chamado de “Caribe Amazônico”.
E conheci.
Só não imaginava que, entre paisagens espetaculares e momentos inesquecíveis, Alter do Chão também nos reservaria decepções e aventuras.
Mas isso é assunto para o próximo capítulo.
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