quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Rink o templo sagrado do esporte

Ontem me surpreendi de forma bem bacana, meu amigo Luiz Carlos Reis, companheiro dos bons tempos do Banerj, me encontra no Boulevard Shopping, aqui na Planície Goitacá, e desanda a falar do futebol de Miracema, naqueles anos dourados do Rink, do Ginásio Miracemense e das peladas no Buraco da Égua, que hoje não existem mais já que a vida se transformou em Internet e outras coisas menos decentes e que dispensa comentários. 

Falamos muito sobre os torneios de Futebol de Salão, hoje apelidado de Futsal, na quadra do Rink, até ousei e tentei falar sobre as peladas de basquete, lideradas pelo Gute Lontra, pois acreditei que Luiz Carlos não se lembraria delas. 

Engano meu, o amigo tem uma memória muito boa e enumerou os craques que por ali jogavam o esporte da cesta, como Careca, Scilio, Antônio Miguel, e, anos depois vieram Júlio, Thiara, Cervejinha, este que vos escreve e muitos outros apaixonados pelo basquete e que movimentavam tanto o Rink quando a quadra do Ginásio. 

Mas queríamos mesmo era lembrar dos torneios de futebol de salão, falar dos caras que animavam aquele pedaço do jardim e relembrar nossos momentos de alegria vividos ali na Praça Dona Ermelinda. 

- O Rink era nosso Maracanãzinho, certo Adilson? Diz Luiz Carlos me parecendo chorar de emoção ao lembrar nossa terrinha. 

Realmente o Luiz tem razão, era mais do que um Maracanãzinho, era nosso templo sagrado do esporte e por ali vivemos grandes emoções e vivenciamos grandes peladas ou jogos valendo dois pontos dos torneios organizados pela turma, isto mesmo, não tinha diretor ou coisa parecida, a turma se reunia, formava times e conseguia árbitros e a torcida comparecia em grande número e tudo corria muito bem deixando claro que as vezes muita organização complica, o improvisado e feito com amor sempre dá certo. 

Já contei aqui sobre os craques do cimento do Rink, mas é bom lembrar do time do Palmeiras, que tinha o Zé Bolão no gol, aliás e a propósito este foi um dos grandes goleiros da cidade, e Lucho, outro goleiro badalado, se mostrava bem no gol do (esqueci o nome do time dele) até quando o Miguel Prescurio ameaçava chutar contra o gol dele, aí era o caos:

- Segura o Miguel, não deixe o homem chutar. Gritava alucinadamente o Lucho. 

Velhos tempos, belos dias, belas tardes de qualquer dia e de qualquer mês, só a chuva parava a turma que batia suas peladas no Rink porque a quadra era liza e escorregadia. Valeu, Luiz Carlos, boa prosa e boas lembranças, mas hoje, meu caro amigo Luiz Carlos Reis, nosso Rink está sem conservação, quase abandonado, o piso é irregular e ruim como mostra a foto que escolhi para ilustrar o comentário. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Chumbo trocado não dói, mas incomoda

Hoje vou sair do lugar comum, conto histórias e causos por aqui e narro algumas passagens de minha infância ou juventude na minha Miracema, porém, tem sempre um porém, hoje eu vou escrever sobre o mundo de hoje e sobre uma matéria que vi agora à pouco, na Globo, no programa de Ana Maria Braga, que relata os problemas com vizinhos barulhentos ou com sem sensibilidade para viver em condomínios ou em grupo. 

A apresentadora levou para o programa o tema "barulho" e entre estes o que mais e destacou foi o da música alta, volume elevado da tevê ou aparelho de som, entre outros, como eu coloco aqui os latidos de cachorros, que é a nova reclamação em condomínios, já que os barulhos dos sapatos altos ou de sandálias com saltinho, vindos do andar de cima, pode até ser resolvido na paz. 

Visto isto eu conto duas passagens, que eu reputo de inteligentes, que se passaram comigo e com o já saudoso amigo Ronald, vizinho aqui do condomínio Itaparica, que tiramos de letra justamente por pensar rápido e de forma que o cidadão barulhento sinta na carne os mesmos problemas que tínhamos em nossas casas. 


O Cachorro bravo - Meu vizinho tinha um cão de estimação que latia o dia inteiro reclamando da solidão, todos saiam de casa e o "menino" ficava sozinho e com fome no apartamento. Um dia, após ouvir por quase 20 horas o latido do pequenino cão, eu perdi a paciência e esperei o danado ficar quieto e achei no you tube um latido de pastor alemão. Meu som é potente e por isto não ouço música ata, mas aquele era o momento certo. 

Resolvi colocar o latido do Pastor Alemão em bom tom e com uma altura bem acima do permitido no condomínio. O latido espantou o pequeno cão do vizinho, que começou a latir, por volta das dez da noite, sem parar e incomodando os "pais" do "guri", que vieram reclamar comigo sobre o latido do "meu cachorro" que fazia o cãozinho dele ficar nervoso. 

- Senhor Dutra, o seu cão está incomodando o meu, pode fazer com que ele pare de latir? 
- Posso, o meu latido é gravado e paro a hora que quiser desde que o seu cão pare de latir o dia inteiro me incomodando 15 horas mais ou menos por dia, que tal o senhor levar o seu "filhote" para sua oficina? 

Nunca mais o cãozinho me incomodou, foi morar na oficina do vizinho. Eita pastor alemão porreta este do You Tube!


O Troco na Praia - Meu amigo Ronald tinha um vizinho, que morava de aluguel, na praia que não tinha o menor senso ou não noção de respeito ao próximo. Suas madrugadas eram regadas a cerveja e a música alta, música não, aquele negócio de pagode e sertanejo universitário, quando não era o funk barulhento acompanhado de gritaria motivada pela vodka e outras cositas más. 

Certo dia fui visita-lo e ele reclamou muito e disse que não iria sair conosco porque aproveitaria a folga do som e dormiria a tarde, justamente na hora que os rapazes e a família dormia, e foi aí que eu dei a dica que pegou de surpresa os vizinhos chatos e sem noção. 

Vamos fazer um churrasco, vamos botar um rock and roll e umas serestas no som do carro do seu filho, que é de alta qualidade, e deixar os vizinhos acordados? O amigo topou e lá fomos nós, para o quintal, que é aberto dos dois lados, colocamos um Santana para começar, um Rolling Stones para arrematar e alguns sucessos do Nelson Gonçalves e do Altemar Dutra para incomodar a vizinhança por volta das duas da tarde. 

Meia hora depois o chefe da casa veio conversar e pediu para deligar o som porque estava incomodando o sono dos filhos. O Ronald só olhou para ele, mostrando as olheiras provocadas por várias noites insones devido a bagunça provocada por eles e mostrou o relógio que marcava 14:08, portanto dentro do horário permitido por lei. 

O vizinho botou a viola no saco e foi embora, e, pelo que falou meu saudoso amigo Ronald, a coisa seguiu assim, durante dois dias, eles botavam o som na madrugada e ele à tarde e em dois dias os caras foram embora para nunca mais voltar para aquela rua. Troco dado com equilíbrio e qualidade de música. 

O gosto musical - Sentamos, como sempre fazemos, no Armazém do Lenílson às sextas-feira e em poucas oportunidades ouvimos música, nosso objetivo é conversar bastante e saborear algumas cervejas. Uma bela noite um dos frequentadores, não muito assíduo, resolveu encostar o carro, abrir o volume do som, bom por sinal, e deixar tocas as suas músicas, um funk muito dos desbocados, e quando ameaçamos nos levantar ele disse que nós poderíamos colocar a música que gostaríamos de ouvir que ele não se incomodaria. 

Sinal para eu ir à casa pegar um CD do Jonhny Mathis e colocar uma música chamada Maria, tão lenta e chata que nem mesmo na zona teria audiência O rapaz reclamou e falamos que a outra que viria seria do mesmo jeito e era aquilo que desejaríamos ouvir. E lá foi Mathis cantando Maria... Maria... Maria... e o cara se irritou, pagou a conta, devolveu nosso CD e foi embora. 

Na outra semana ele chegou, com o som desligado e falou: PQP vocês conseguiram me tirar do sério, nunca mais ouço música com vocês. Era o que queríamos e aplaudimos de pé a sua ideia. E assim o silêncio voltou a reinar no Armazém, no meu apartamento e na casa de praia do Ronald, chumbo trocado não dói mas incomoda. 


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O dia que perdi meu rádio/fone no Arisão

O ano, consegui agora a pouco através do Ademir Tadeu, era 1987 e os personagens, além da Fiel Torcida Alvianil e a Turma do Alambrado, liderada pelo meu saudoso amigo Bebeto Alvim, o Passarinho, com a ajuda luxuosa do Vórcio e do Fernando Bimbinha, e nome importante dos fatos é o de Arthur Monteiro, meu cunhado, Arthur, que  me visitava neste dia, 14 de fevereiro, para ver seu Glorioso Botafogo enfrentar o Goytacaz FC, no Arisão. 

Na véspera fomos ao Godofredo Cruz, Arthur adentrou o gramado para ver as estrelas do Vasco da Gama, com Célio, ainda sem o Silva, na zaga ao lado de Donato, e a vitória do Americano, 2x1, com gols de Gilmar e a torcida do meu cabo man, isto mesmo, Arthur entrou em campo, com o uniforme da Campos Difusora, para ser meu auxiliar no gramado e viu o jogo de um lugar privilegiado. 

E no domingo, logo pela manhã, resolvemos sair para ver a cidade e encontramos, nas imediações do Arisão, com Bebeto e sua turma, já devidamente paramentados para o jogo da tarde, naquele tempo já começava às quatro da tarde, e dali fomos ao Pálace Hotel, na Avenida XV de Novembro, na orla do Paraíba, para que ele, meu cunhado, único da época, conhecer alguns jogadores do Botafogo e conversar com eles no saguão. 

Naquele tempo não havia celular e não teve Selfie, mas grande papo com Fernando Macaé e Berg, os queridinhos daquele elenco alvinegro, que era bem fraco, pelo menos era o que reclamava meu amigo, o treinador Joel, não o Santana, mas o Martins, antigo lateral do Glorioso. Arthur ficou feliz e durante o almoço, na concentração e pago pelo Emil Pinheiro,  senti o nervosismo dele, já pensou se ele visitasse minha casa um pouco mais? Poderia ter vistos grandes craques, mas como veio uma vez apenas teve que se contentar com Mário Mimi, Isac, Derval ou Brasília, que não me lembro sequer tê-los visto jogar. 

Mas o que Ademir Tadeu me lembra e eu quero contar foi o durante o jogo, acontecido no Bar do Arisão, quando Arthur foi envolvido, sem querer, em uma tremenda confusão, briga iniciada pelo famoso torcedor, gente boa, Russão, chefe de uma organizada do Botafogo, os mais antigos se lembram dele, e que se arrastou pelo alambrado e findou no bar. 

Meu querido cunhado estreava um rádio, que Sérgio Sales, meu gerente no Banerj, trouxe dos Estados Unidos de presente para mim, era um sonho de todos os radialistas, um rádio que era também fone de ouvido e não precisávamos de dois aparelhos para trabalhar, só aquele fone/rádio no ouvido e estávamos pronto para as entrevistas e para informações dos bastidores. 

E, para encurtar a história e não tomar o espaço todo da coluna, na tal confusão, para proteger o Bebeto, Arthur entrou a frente de um torcedor do Botafogo e... pimba, levou uma porrada no ouvido e meu rádio, novinho em folha, virou saudade e sequer foi usado nas transmissões, quebrou em três partes e não deu para aproveitar nada do aparelho americano. 

Ele ficou sem graça, quis pagar e eu falei: Não sei nem quanto vale e nem onde encontrar, quando você for o dono da Chevrolet me dá um igual. E, como ele continua gerente e não é o dono, até hoje ele paga as despesas no João Righ para compensar a grande perda daquele dia. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Amigos não tem idade é como a história, ficam para sempre

Esta semana, quando estive rapidamente em Miracema, me perguntaram de onde vem tanta inspiração e tanto conhecimento para contar causos da cidade e dos seus personagens. Sinceramente falando não é inspiração, é realmente conhecimento dos fatos devido as minhas amizades, que eram de meu avô Vicente Dutra e de meu pai, Zebinho Dutra, e um bastante do meu tio Ari, que me fez gostar de histórias e de causos. 

Sempre tive influência dos mais velhos e por isto cito meu avô, que me apresentou a um grande narrador da nossa história, Altivo Mendes Linhares, que perdia seu tempo, no cafezinho do nosso bar, para me contar suas aventuras e as coisas de Miracema antiga. Capitão Altivo Linhares só tinha o jeito e a cara de bravo, seu coração era juvenil e sua vontade de transmitir seus feitos era intensa e eu devo ter tido nele o primeiro porta voz de minhas histórias. 

Fui amigo pessoal dos amigos de meu pai, Altair Tostes, Jofre Salim, Michel Salim, Amadeu Poly, Erasmo Tostes e com estes realmente tomei gosto da prosa, dividimos mesa de cerveja e café por vários anos seguidos e com Jofre, um raro talento oratório, aprendi muito e tomei conhecimento de outros fatos históricos de nossa Miracema, era gostoso ficar aos domingos, pela manhã, conversando com a dupla Jofre e Michel, ambos Salim. 

Altair Tostes me ensinou a história da Maçonaria, onde entrei em 1975 levado por ele e pelo José Heller, o nosso Helinho Relojoeiro, que também fez parte de minha turma ao lado de Lauro Quintal e José Carlos Rabelo. Aprendi com Farid Salim o jeito de falar em público e com o professor Télio Mercante, o Ferrugem, um pouco da política miracemense e foi ele, Ferrugem, que me abriu as portas para os jornais antigos e que me transmitiu um punhado de informações sobre a Prefeitura e seus prefeitos. 

Convivi bastante com José de Carvalho, prefeito eleito com os votos da massa humilde, Zé Colado, como era chamado, era um gigante em sabedoria popular e, como frequentador assíduo de nossa casa, era amigo pessoal da família Dutra, me passou também o gosto da conversa ao pé do ouvido e me ensinou que ouvir é melhor do que falar, mas isto eu não levei muito a sério porque gosto mais de falar do que ouvir, vocês sabem disto. 

Em uma das viagens que fiz a São Paulo, nos anos 80, outro grande amigo, também com mais idade do que este que vos fala, José Maria de Aquino, me levou a conhecer seu irmão, Paulo Moledo, e nos tornamos grandes prosadores e ele, Paulo, se assustava quando eu lhe contava histórias do seu tempo, ele era pelo menos uns 20 anos mais velho do que eu naquela época, e perguntava: "Como você pode narrar, tão bem, a historia de Miracema e como pode conhecer tão profundamente os personagens do lugar?"

Expliquei que os fatos, além de ouvir de Altivo Linhares, Ferrugem, Altair, Jofre, Michel e tantos outros, meu tio Átila nos deixou uma coleção de jornais antigos, encadernados, onde eu lia de tudo que aconteceu desde a luta pela Emancipação e sobre o futebol da cidade, e por isto, eu dizia ao Paulo, eu conheço muito bem todos os grandes jogadores dos anos 30, vinte anos antes de eu nascer, e sei muito sobre o velho esquadrão do Miracema FC, que brilhou no Norte Fluminense até  o dia em que perdeu a única partida e teve seu fim decretado pelo Chicrala Amim. 

É assim que me fiz contador de causos e foi assim que vivi ao lado dos grandes homens da cidade e ouvi, no bar do Vicente Dutra e nas mesas dos bares da cidade, as histórias, a vida dos nossos líderes políticos e dos grandes desportistas miracemenses, bem... aqui neste quesito eu aprendi com dois gigantes do futebol de nossa terra, Gerson de Alvim Coimbra e Alcir Fernandes de Oliveira, o Maninho, que perdiam seus tempos contando os fatos e as coisas do nosso alegre futebol.


40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...