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Amigos não tem idade é como a história, ficam para sempre

Esta semana, quando estive rapidamente em Miracema, me perguntaram de onde vem tanta inspiração e tanto conhecimento para contar causos da cidade e dos seus personagens. Sinceramente falando não é inspiração, é realmente conhecimento dos fatos devido as minhas amizades, que eram de meu avô Vicente Dutra e de meu pai, Zebinho Dutra, e um bastante do meu tio Ari, que me fez gostar de histórias e de causos. 

Sempre tive influência dos mais velhos e por isto cito meu avô, que me apresentou a um grande narrador da nossa história, Altivo Mendes Linhares, que perdia seu tempo, no cafezinho do nosso bar, para me contar suas aventuras e as coisas de Miracema antiga. Capitão Altivo Linhares só tinha o jeito e a cara de bravo, seu coração era juvenil e sua vontade de transmitir seus feitos era intensa e eu devo ter tido nele o primeiro porta voz de minhas histórias. 

Fui amigo pessoal dos amigos de meu pai, Altair Tostes, Jofre Salim, Michel Salim, Amadeu Poly, Erasmo Tostes e com estes realmente tomei gosto da prosa, dividimos mesa de cerveja e café por vários anos seguidos e com Jofre, um raro talento oratório, aprendi muito e tomei conhecimento de outros fatos históricos de nossa Miracema, era gostoso ficar aos domingos, pela manhã, conversando com a dupla Jofre e Michel, ambos Salim. 

Altair Tostes me ensinou a história da Maçonaria, onde entrei em 1975 levado por ele e pelo José Heller, o nosso Helinho Relojoeiro, que também fez parte de minha turma ao lado de Lauro Quintal e José Carlos Rabelo. Aprendi com Farid Salim o jeito de falar em público e com o professor Télio Mercante, o Ferrugem, um pouco da política miracemense e foi ele, Ferrugem, que me abriu as portas para os jornais antigos e que me transmitiu um punhado de informações sobre a Prefeitura e seus prefeitos. 

Convivi bastante com José de Carvalho, prefeito eleito com os votos da massa humilde, Zé Colado, como era chamado, era um gigante em sabedoria popular e, como frequentador assíduo de nossa casa, era amigo pessoal da família Dutra, me passou também o gosto da conversa ao pé do ouvido e me ensinou que ouvir é melhor do que falar, mas isto eu não levei muito a sério porque gosto mais de falar do que ouvir, vocês sabem disto. 

Em uma das viagens que fiz a São Paulo, nos anos 80, outro grande amigo, também com mais idade do que este que vos fala, José Maria de Aquino, me levou a conhecer seu irmão, Paulo Moledo, e nos tornamos grandes prosadores e ele, Paulo, se assustava quando eu lhe contava histórias do seu tempo, ele era pelo menos uns 20 anos mais velho do que eu naquela época, e perguntava: "Como você pode narrar, tão bem, a historia de Miracema e como pode conhecer tão profundamente os personagens do lugar?"

Expliquei que os fatos, além de ouvir de Altivo Linhares, Ferrugem, Altair, Jofre, Michel e tantos outros, meu tio Átila nos deixou uma coleção de jornais antigos, encadernados, onde eu lia de tudo que aconteceu desde a luta pela Emancipação e sobre o futebol da cidade, e por isto, eu dizia ao Paulo, eu conheço muito bem todos os grandes jogadores dos anos 30, vinte anos antes de eu nascer, e sei muito sobre o velho esquadrão do Miracema FC, que brilhou no Norte Fluminense até  o dia em que perdeu a única partida e teve seu fim decretado pelo Chicrala Amim. 

É assim que me fiz contador de causos e foi assim que vivi ao lado dos grandes homens da cidade e ouvi, no bar do Vicente Dutra e nas mesas dos bares da cidade, as histórias, a vida dos nossos líderes políticos e dos grandes desportistas miracemenses, bem... aqui neste quesito eu aprendi com dois gigantes do futebol de nossa terra, Gerson de Alvim Coimbra e Alcir Fernandes de Oliveira, o Maninho, que perdiam seus tempos contando os fatos e as coisas do nosso alegre futebol.


Comentários

TADEU MIRACEMA disse…
Show de bola. E esses jornais encadernados? rsss
Adilson Dutra disse…
Sumiram...ninguém sabe, ninguém viu. Vovô morreu em 77 e os jornais parece que foram enterrados com ele. Rsss

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