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Chumbo trocado não dói, mas incomoda

Hoje vou sair do lugar comum, conto histórias e causos por aqui e narro algumas passagens de minha infância ou juventude na minha Miracema, porém, tem sempre um porém, hoje eu vou escrever sobre o mundo de hoje e sobre uma matéria que vi agora à pouco, na Globo, no programa de Ana Maria Braga, que relata os problemas com vizinhos barulhentos ou com sem sensibilidade para viver em condomínios ou em grupo. 

A apresentadora levou para o programa o tema "barulho" e entre estes o que mais e destacou foi o da música alta, volume elevado da tevê ou aparelho de som, entre outros, como eu coloco aqui os latidos de cachorros, que é a nova reclamação em condomínios, já que os barulhos dos sapatos altos ou de sandálias com saltinho, vindos do andar de cima, pode até ser resolvido na paz. 

Visto isto eu conto duas passagens, que eu reputo de inteligentes, que se passaram comigo e com o já saudoso amigo Ronald, vizinho aqui do condomínio Itaparica, que tiramos de letra justamente por pensar rápido e de forma que o cidadão barulhento sinta na carne os mesmos problemas que tínhamos em nossas casas. 


O Cachorro bravo - Meu vizinho tinha um cão de estimação que latia o dia inteiro reclamando da solidão, todos saiam de casa e o "menino" ficava sozinho e com fome no apartamento. Um dia, após ouvir por quase 20 horas o latido do pequenino cão, eu perdi a paciência e esperei o danado ficar quieto e achei no you tube um latido de pastor alemão. Meu som é potente e por isto não ouço música ata, mas aquele era o momento certo. 

Resolvi colocar o latido do Pastor Alemão em bom tom e com uma altura bem acima do permitido no condomínio. O latido espantou o pequeno cão do vizinho, que começou a latir, por volta das dez da noite, sem parar e incomodando os "pais" do "guri", que vieram reclamar comigo sobre o latido do "meu cachorro" que fazia o cãozinho dele ficar nervoso. 

- Senhor Dutra, o seu cão está incomodando o meu, pode fazer com que ele pare de latir? 
- Posso, o meu latido é gravado e paro a hora que quiser desde que o seu cão pare de latir o dia inteiro me incomodando 15 horas mais ou menos por dia, que tal o senhor levar o seu "filhote" para sua oficina? 

Nunca mais o cãozinho me incomodou, foi morar na oficina do vizinho. Eita pastor alemão porreta este do You Tube!


O Troco na Praia - Meu amigo Ronald tinha um vizinho, que morava de aluguel, na praia que não tinha o menor senso ou não noção de respeito ao próximo. Suas madrugadas eram regadas a cerveja e a música alta, música não, aquele negócio de pagode e sertanejo universitário, quando não era o funk barulhento acompanhado de gritaria motivada pela vodka e outras cositas más. 

Certo dia fui visita-lo e ele reclamou muito e disse que não iria sair conosco porque aproveitaria a folga do som e dormiria a tarde, justamente na hora que os rapazes e a família dormia, e foi aí que eu dei a dica que pegou de surpresa os vizinhos chatos e sem noção. 

Vamos fazer um churrasco, vamos botar um rock and roll e umas serestas no som do carro do seu filho, que é de alta qualidade, e deixar os vizinhos acordados? O amigo topou e lá fomos nós, para o quintal, que é aberto dos dois lados, colocamos um Santana para começar, um Rolling Stones para arrematar e alguns sucessos do Nelson Gonçalves e do Altemar Dutra para incomodar a vizinhança por volta das duas da tarde. 

Meia hora depois o chefe da casa veio conversar e pediu para deligar o som porque estava incomodando o sono dos filhos. O Ronald só olhou para ele, mostrando as olheiras provocadas por várias noites insones devido a bagunça provocada por eles e mostrou o relógio que marcava 14:08, portanto dentro do horário permitido por lei. 

O vizinho botou a viola no saco e foi embora, e, pelo que falou meu saudoso amigo Ronald, a coisa seguiu assim, durante dois dias, eles botavam o som na madrugada e ele à tarde e em dois dias os caras foram embora para nunca mais voltar para aquela rua. Troco dado com equilíbrio e qualidade de música. 

O gosto musical - Sentamos, como sempre fazemos, no Armazém do Lenílson às sextas-feira e em poucas oportunidades ouvimos música, nosso objetivo é conversar bastante e saborear algumas cervejas. Uma bela noite um dos frequentadores, não muito assíduo, resolveu encostar o carro, abrir o volume do som, bom por sinal, e deixar tocas as suas músicas, um funk muito dos desbocados, e quando ameaçamos nos levantar ele disse que nós poderíamos colocar a música que gostaríamos de ouvir que ele não se incomodaria. 

Sinal para eu ir à casa pegar um CD do Jonhny Mathis e colocar uma música chamada Maria, tão lenta e chata que nem mesmo na zona teria audiência O rapaz reclamou e falamos que a outra que viria seria do mesmo jeito e era aquilo que desejaríamos ouvir. E lá foi Mathis cantando Maria... Maria... Maria... e o cara se irritou, pagou a conta, devolveu nosso CD e foi embora. 

Na outra semana ele chegou, com o som desligado e falou: PQP vocês conseguiram me tirar do sério, nunca mais ouço música com vocês. Era o que queríamos e aplaudimos de pé a sua ideia. E assim o silêncio voltou a reinar no Armazém, no meu apartamento e na casa de praia do Ronald, chumbo trocado não dói mas incomoda. 


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