Pular para o conteúdo principal

Meu adeus ao amigo Erasmo

Há alguns dias atrás perdemos um grande miracemense, aquele que nos contava as histórias, narrava causos e casos e falava de cada um dos personagens desta cidade com orgulho e competência. Perdemos um amigo, um irmão, um cara que era referência na Rua Paulino Padilha e que estava sempre pronto, com um sorriso no rosto, para uma prosa sobre qualquer tema. 

Há alguns dias atrás Miracema perd eu um filho querido, que muito fez por ela, aquele que narrou em livros e crônicas cada um dos seus oitenta anos de historia, que ninguém como ele sabe ou saberá conta-las. 

Há algum dias atras perdemos um homem de postura impecável, todos nós temos momentos ruins e vivemos altos e baixos na vida, mas poucos sabem como enfrentar os problemas e sair deles como se nada tivesse acontecido e,  com toda certeza, com a moral intocável e que fez dos momentos ruins a força para superar obstáculos e viver intensamente para a família e amigos. 

Há alguns dias atrás a Maçonaria perdeu um dos seus mais ilustres irmãos, venerável de fala serena e de pulso forte. Perdeu a cidade, perderam os maçons e ganhou o Grande Arquiteto do Universo um grande irmão para seu reino eterno. 

Há alguns dias atrás perdemos José Erasmo Tostes, amigo de meu pai, amigo de meu avô, com toda alegria do mundo eu digo, meu amigo particular e um grande incentivador de minha carreira no banco e no jornalismo. 

Há alguns dias atrás eu perdi um incentivador, José Erasmo Tostes, ou simplesmente Erasmo para todos nós, que sempre tinha uma palavra de incentivo sobre minha vontade de escrever, sempre com um elogio para meus textos e com rascunhos dos cálculos de custos de um possível livro que eu um dia pretendo publicar. 

Sua amada e querida esposa, minha professora no primário, já havia partido, a morte de Dona Nilcéia deixou Erasmo triste mas nunca perdeu a postura elegante de tratar seus amigos e irmãos e seus filhos, Cícero e Eraceia, sempre estiveram a seu lado, confortando o pai pela irreparável perda da esposa, mas a lacuna ficou machucando aquele bom. coração que parou há alguns dias atrás. 

Sou do tempo em que o pai de Erasmo, um Seu Cícero, nos recebia em sua casa e na sua loja para doce, comprado sempre no Caboclo ou no Garibaldi, e por ser amigo do Roberto, o nosso Pernoca, convivi intensamente com Erasmo desde em que eu era criança pequena em Miracema. 

Queria falar mais, achar mais motivos para elogiar o amigo e irmão José Erasmo Tostes, mas creio que a sua boa passagem por aqui, sempre fazendo o bem, já foi o suficiente para lembrarmos dele eternamente. Ide em Paz, meu caro amigo, que o Senhor te receba de braços abertos em sua nova morada. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...