quarta-feira, 22 de maio de 2013

O centenário do Professor Nézio


Faltam alguns dias, dois meses aproximadamente, mas é preciso que lembremos agora para despertar nossas autoridades, muitos sem memória ou sem viver o que nós, simples mortais e desportistas, vivemos a seu lado ou recebemos dele os ensinamentos e incentivos para gostar do esporte. 

Faltam aproximadamente cem dias para se comemorar o centenário de nascimento do contador Genserico Câmera Castro, que assim pelo nome é possível que o amigo não se ligue imediatamente na pessoa tão importante que foi para nossa cidade, mas se eu disser que, no dia 4 de agosto de 2013, o Professor Nézio completaria cem anos de nascimento, minha turma e vocês se lembrarão imediatamente de quem foi este moço para Miracema. Certo? 

Claro que você, de imediato, lembrará das “Ferinhas do Nézio”, o melhor basquete de Miracema de todos os tempos. Você lembrará de uma história qualquer, contada por seu pai, seu avô, seu tio ou seus irmãos, sobre as aulas de contabilidade, no Colégio Miracemense, dos treinos de basquete, na quadra do Rink, do Ginásio, do futebol no Tupã EC, onde Seu Nézio foi o primeiro treinador.

Meu pai jogou com ele, no Tupã, eu joguei com ele, no Basquete do Miracemense, e quem, da minha geração, não viu um treino das meninas, famosas não só pelo talento pelo esporte como também pela beleza física?  Elas se exibiam nas quadras da cidade. 

Seu Nézio era uma paixão para todos nós e cada um de seus alunos tem uma história para contar deste mestre do xadrez, do basquete, do futebol e da contabilidade.

Uso este espaço para alertar aos seus ex-alunos, principalmente o hoje vereador, Gutemberg Damasceno, discípulo de Seu Nézio na arte milenar do xadrez, para que abra o caminho para as homenagens, na Câmara Municipal e em toda a cidade, para este grande chefe de todos nós, que nos deixou prematuramente no início dos anos 80.

Eu tenho boas histórias e ótimas recordações do professor, do treinador e do torcedor apaixonado do Tupã, e vou recordar, neste meu primeiro texto homenageando seu centenário, apenas um, passado dentro de sala de aula, no curso de contabilidade do Colégio Miracemense, e espero que você, que me lê agora, me conte outros para eu colar nos próximos textos que virão na serei “Professor Nézio, cem anos de esporte”.

Eu jogava no Tupã, que no domingo enfrentara o Operário, de Cataguazes, em amistoso realizado no Estádio Municipal. Naquela segunda-feira tínhamos uma prova de contabilidade, no Miracemense, e, por ter levado uma pancada no braço direito, estava eu impossibilitado de fazer a tal prova, mas fui até ao colégio para justificar.

- O que houve com o braço? Perguntou o professor Nézio.

- Machuquei ontem, jogando pelo Tupã, contra o Operário, de Cataguazes.

- Quanto ficou o jogo?

- Ganhamos por 2x1 e eu fiz o gol da vitória, foi neste lance que o zagueiro me pisou no braço.

- Quanto você tirou na prova passada?

- Oito, professor.

- Sua nota vai ser repetida, não se preocupe, vá para casa e cuide do braço para o treino de basquete na quinta.

E nas próximas provas eu sempre estava machucado e um dia ele descobriu que estava de “migué”, me chamou no seu escritório e me passou um sermão daqueles, mas no final deu uma boa gargalhada e me falou: “Você pensa que me engana, mas eu estou de olho em você”.


Grande homem, ótimo esposo, pai exemplar, amigo do peito, leal e um cara, como diriam os jovens de hoje, do bem. Salve Nézio. Salve Genserico. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quem foi o grande goleiro de Miracema?


Desde o “Dia do Goleiro”, comemorado em 26 de abril, discute-se quem foi ou quem é o melhor goleiro do Brasil, quem foi ou quem é o melhor goleiro do mundo, quem foi ou quem é o melhor goleiro de Miracema?

Justamente sobre este último que vou traçar estas linhas para tentar descobrir, junto com vocês, quem foi o melhor, porque o quem é o melhor eu não posso afirmar nem mesmo analisar, afinal estou longe e nem sei quem são os atuais goleiros de nossos times da terrinha.

Quem foi melhor? Sebastião Molequinho, Dizinho, Getúlio Bastos, Souto ou Aymoré? Digam vocês, mais antigos, porque estes eu só vi um pouco do Molequinho, quando já era um super veterano e queria jogar no Miracema FC do meu inesquecível amigo Jair Polaca. 

Na minha geração vi grandes goleiros, não me peçam para dizer quem foi o melhor porque não direi, cada um com sua qualidade e cada um com seu defeito, gostava até de um goleiro com altura somente para futebol de salão, mas as vezes se dava bem no campo, o baixinho Mansur, gostava de ver o Zé Navalha no meu Vasquinho, o Geneci na Associação, o Zé Geraldo também na AAM, e do Zil, no Miracema, todos competentes debaixo das traves e sem aquele treinamento específico de hoje.

Tenho o melhor de todos os tempos e não abro mão, já disse aqui que Rubinho Camelo foi o melhor que vi jogar e confirmo. Bizuca foi ótimo, mas foi um tempo antes de mim, mas sua trajetória foi marcante como goleiro no Tupã e por onde passou, mas Rubinho, apesar da baixa estatura, era quase que perfeito e fazer um gol naquele moço era complicado.

Histórias de goleiros dão para encher o baú e nomes destes heróis do futebol, isto mesmo, goleiro é o nosso herói, sem eles as peladas seriam desinteressantes e os jogos um pouco menos emocionante. Você vai se lembrar de frangos incríveis do Toti, vai se lembrar de defesas maravilhosas do Geneci, vamos nos lembrar de jogos em que Rubinho foi o melhor em campo e que Zil tomou aquele gol lá do meio da rua.

Busquem na memória uma vitória que não tivesse a participação direta de um goleiro? Você vai me dizer que aquela goleada histórica do seu time o goleiro sequer pegou na bola. Certo, mas e o goleiro adversário, será que não levou nenhum frango que você se lembre? Claro que sim, tem sempre uma falhá de goleiro para ser comentada.


Vi grandes goleiros e tenho dois ídolos da camisa UM, o primeiro deles foi Marcial, goleiro do Flamengo nos anos 60, que vi fechar o gol num Fla x Flu, em 63, e dar o título ao Flamengo segurando o 0x0 no placar, o segundo é Rubinho, que é um baita goleiro, um baita cara e um amigo que até hoje troca um ou dois dedos de prosa.

Se esqueci de algum destes heróis dos três paus que me perdoem, vão me cobrar quem foi melhor no Bandeirantes, Lolinha ou Zé Maria? Vão me cobrar porque não citei o Pompéia, não o do América, mas o nosso Pompéia, como um dos grandes da cidade. Quem foi melhor Eduardo ou Zé Bolão? Luxo, o irmão do Eduardo, era tipo Toti, um dia sim outro dia não. 

Tá bom, tem o Arílson, que jogou no Botafogo, Americano, Goytacaz e brilhou no Distrito Federal, mas é preciso lembrar de outros para que tenhamos o segundo capítulo desta história, que se não faltasse algum maluco, que gostava ou gosta de ficar no gol, não seria interessante. Me ajude a escrever o segundo capítulo desta crônica sobre os grandes goleiros da cidade. 

sábado, 18 de maio de 2013

Culinária europeia = Parte 1


Eu tive problemas sérios para me acostumar com a comida européia, claro que em Portugal foi fácil escolher e muito mais fácil ainda pedir, se o bacalhau é divino em qualquer canto deste nosso país imagine na terra dos especialistas? 

Comer um bacalhau no Adegão Português, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é ótimo, porém, tem sempre um porém, sentar à beira do Rio Tejo, em um restaurante chique, pedir bacalhau em quatro receitas diferentes, é algo para turista que sabe o que quer.

Mas nem tudo são flores nas viagens, na Espanha, onde a paella é o prato principal, tive dificuldades na primeira vez que por lá passei. O cardápio é mais variado do que em outros
países, mas o peixe é uma constante em todos eles. Frango, massas ou um bom bife aparecem nos restaurantes ou pensões, mas uma boa opção foi pedir uma especiaria difícil cá pelos nossos lados, perdiz, que chegou com cara de quem vai comer e dizer: Fantástico.

Se a fome bater e estiver perto de uma padaria pode pedir um pão com presunto, lá chamado de Jamon, que vai se deliciar com o melhor dos melhores. O porco pata negra é “matéria prima” para o melhor presunto do mundo. Vale conferir.

Antes de continuar a prosa sobre comidas européias é bom ir logo dizendo que estes pratos, logicamente, são melhores degustados com um bom vinho na taça, ou na copa, como dizem os de língua espanhola, mas não se esqueçam de pedir sempre o vinho da casa, é mais qualificado e com um preço menos salgado do que aqueles de marcas famosas.


Alguém vai perguntar: E a pizza italiana é tudo de bom? Diferente das nossas e com um toque muito particular. Gostei, claro, mas o melhor de tudo é entrar em uma tradicional cantina italiana, como em Florença ou Veneza, olhar o entorno do lugar e ver a peculiaridade de cada detalhe da casa. O vinho também é produzido especialmente para eles e a massa, bem, a massa é realmente especial e tudo de bom.

Arrhhgg! Comida inglesa não, por favor. Não há pior do que uma comida dos nascidos na Inglaterra, o arroz é terrível, quando existe, e a tal de batatas com peixe é simplesmente incomível. Não dá, em território inglês eu preferi a boa massa italiana e, por sorte, achei, na Trafalgar Square, um ótimo restaurante bem ao nosso estilo, churrasco, batata frita e um molho especial. Deu para sentir o sabor de uma boa carne, mas foi só e com muita sorte mesmo.

E por falar em carne, bife ou churrasco confesso, a melhor carne do mundo dizem ser dos chilenos e dos argentinos, provei em Santiago e Buenos Aires e realmente gostei, tem um quê diferente e um sabor bem típico dos andinos e platenses, mas o melhor bife, a melhor carne, que até hoje ainda está entranhada no meu olfato e no meu paladar, foi a que comi em Berna, na Suíça. Apenas uma frase para justificar o elogio: É o manjar dos deuses. Precisa mais?

Então veja a parte 2

Culinária europeia - parte 2


A mais chique, a mais cara e a mais  badalada culinária mundial é a francesa, mas cá prá nós, que ninguém nos ouça, é a pior do mundo para um turista faminto. O tal de foie gras, o cogumelo ou outra especialidade deles é bem fraquinha, é melhor optar pela sempre bem-vinda massa italiana ou pegar uma baguette com presunto ou com manteiga e sair comendo pelas avenidas de Paris, Lion ou Mônaco. Sem comentários maiores, não gostei e até passei a pão e vinho por lá.

Salsichas na Alemanha é como se fosse um prato principal e é servida de todas as maneiras e comidas no café da manhã, no almoço, lanche da tarde, no jantar e no tira gosto da cerveja maravilhosa daquele país. Nem é preciso escolher, basta pegar qualquer uma no self service e degustar com prazer, mas cuidado como tal joelho de porco, é muito bom para provocar uma baita crise de vesícula.

Um ditado popular alemão tem o significado: "Tomo o café-da-manhã como um imperador, almoço como um rei e janto como um mendigo". O café-da-manhã é geralmente uma seleção de pães e baguettes com geléia e mel ou carnes frias e queijo, por vezes acompanhado de um ovo cozido. Cereais ou granola com leite ou iogurte é menos comum, mas generalizado.3


Este penúltimo parágrafo serve também para os países da Europa Central, aqueles próximos a Alemanha ou que foram colonizados por russos e alemães, como a Polônia, Áustria, Bélgica, Holanda, mas na República Tcheca e na Eslováquia a carne é especial e se der sorte ao conseguir decifrar o cardápio, que as vezes vem em inglês ou francês, vai se deliciar com um prato típico prá lá de apetitoso.

Não sou um gourmet, mas gosto de boas comidas e sei me virar quando saio deste nosso Brasil cheio de boas opções culinárias. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A vida é um livro aberto


Difícil é você chegar à casa, após um dia inteiro de trabalho, e ser recebido com olhares estranhos, não ter um abraço para esquentar a frieza do tempo passado ao lado de colegas falsos, de clientes chatos, chefes enciumados e incompetentes; a fuga é sempre para um cantinho com uma televisão, um jornal e uma bebida para chamar o sono e espantar os maus fluidos. 

Duro é você não ter um colo para sentar, um ombro para encostar a cabeça ou um filho para correr atrás e fazer o tempo passar, jogar o stress para longe, procurar um ânimo novo dentro de suas paredes.  A falta destes opcionais da vida que faz o cidadão retardar a chegada á casa e esquentar a cadeira do botequim e afogar as mágoas em um copo de cerveja ou uma taça de vinho.

Quantos amigos eu embalei e trouxe para minha casa para evitar males piores, quantos amigos ou colegas de trabalho viveram este momento duro da vida de um homem sério e trabalhador? Centenas, milhares, alguns até se entregaram de forma mais bruta para a bebida e hoje pagam o preço da falta de uma família unida e perfeita.

Meus ombros serviram de suporte para muitos, minha família foi escada de apoio para alguns companheiros, ávidos por um carinho ou uma palavra amiga no chamado pós expediente, minha sala foi reduto de papos e conversas de botequim para meus parceiros de fé e de caminhada em busca do pão nosso de cada dia.

O maus momento vivido por todos nós, durante a vida profissional, teve guarida nas horas duras ou de desespero porque encontramos a família unida, de mãos dadas com os problemas vividos por nós. Superamos arduamente as situações complicadas, éramos muitos a sofrer com a incerteza e a desesperança e quem teve a mão forte da família apoiada no ombro passou incólume por tudo e vive em paz com os amigos e de bem com a vida.

Feliz é aquele que soube montar a família e traçar o seu perfil para todos integrantes, feliz é aquele que tem a seu lado uma esposa perfeita, filhos educados a sua maneira, que juntos são os seus companheiros de todas as horas. 

O tempo passa e nos deixa marcas indeléveis. O tempo passa e transforma toda sua vida em um livro aberto e com capítulos especiais, que são escritos por você em decorrência daquilo que plantou pelo caminho. 

Abra o livro na página do trabalho e veja o que criou por lá, abra o livro na página da família e veja o que você montou durante sua vida, abra o livro na página do futuro e verá que a semente do passado é aquela que você colherá nos próximos anos de sua passagem por aqui.

Viva intensamente enquanto pode colher os frutos de sua plantação, não adianta guarda-los para uma outra oportunidade porque o tempo pode ter passado para você. O ditado popular nos ensina, a carruagem só passa uma vez para você, pegue carona e vá em frente. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Viajando pela culinária brasileira


Hoje  amanheci com vontade de voltar a Recife, rever Olinda e andar pelas ladeiras do  bucólico lugar. Me deu uma vontade louca de retornar ao Nordeste brasileiro, sentir de perto o calor do povo e do ambiente provocado pelo sol que queima a pele dos brasileiros daquele pedaço do país. 

Nem sei porque acordei assim, talvez motivado pelas cobranças de amigos, que insistem em dizer que é preciso conhecer bem o Brasil antes de sair pelo mundo a procura de novos conhecimentos, sem saber que eu, este moleque, saído de Miracema, já andou milhares de quilômetros por terras brasis antes de se aventurar pelo mundo.

Nordeste é meu velho conhecido, gosto de ler, ouvir, ver e viajar até os estados daquele canto do país, de comer, antes que me cobrem de novo eu digo que acarajé não, não me convidem para uma rodada desta delícia baiana, é condimentado demais e demasiadamente picante para o meu paladar.


Podem me chamar para uma panelada de pato ao tucupi que estarei na primeira fila ou na cadeira da cabeceira, não me importo em pagar a conta e nem briguem comigo para me informar que este prato é típico no Pará, mais precisamente em Belém, que fica no Norte e não Nordeste do Brasil. Sei disto, mas foi apenas para ilustrar a prosa.

Eu sinto prazer apenas de sentir o cheiro do sururu, em Maceió, do vatapá, em Salvador, e da sopa de camarão, em São Luiz, mas aqui também eu fico só na vontade, estes pratos, principalmente com frutos do mar, não me caem bem e fico apenas matando a vontade com o olfato.

Sair pela Praia de Iracema, a pé, conversando a beira mar ou sentando de quiosque em quiosque para um dedo de prosa e uma boa cerveja gelada até chegar a Ponte dos Ingleses é algo que só fazendo ao vivo dá para descrever, olhando pelo cartão postal ou pelas fotos nunca será a mesma coisa.


Descer as dunas de Natal ralando a bunda na areia é um outro programa, que dizem ser de jovens ou crianças, e estão completamente enganados, nós, os veteranos ou os bem adultos, podemos fazer-lo sem medo de ser feliz. Acordar com dores no corpo e lembrar o motivo é gratificante e prazeroso. 

Claro que meu crítico tem razões, que a própria razão desconhece, mas é um pouco injusto com este viajante, não tão inverterado como gostaria de ser, que adora sair por aí, com destino certo, com programa traçado e com poucas aventuras e jamais com rumo ao desconhecido. Gosto de sair pelo Brasil, de conhecer nossa gente, nossa cultura, nossa culinária e as vezes peco por gostar também do mundo lá de fora, onde a tradição é um pouco mais bem cultuada do que aqui.


domingo, 5 de maio de 2013

Maracanã um velho/novo templo do futebol



Não vi a reabertura do Maracanã, no sábado que passou, tinham outros jogos mais decentes para serem vistos e uma pelada, liderada por dois caras que não marcaram época no mais famoso estádio do mundo não me atraia. 

O jogo-teste, como querem os organizadores, não me chamou a atenção, principalmente porque faltaram os dois maiores personagens do estádio, que como os mosqueteiros, poderiam ser três: Zico, Pelé e Romário, não necessariamente nesta ordem, mas no meu ponto de vista são os três maiores vencedores do velho e charmoso estádio Mário Filho.

Vivi intensamente o reinado do antigo Maracanã, aquele construído em 1950, justamente no em que nasci para o mundo o Maraca nasceu para o futebol. Vivi um outro momento no pós reforma, já como jornalista/radialista. As visitas ao estádio eram profissionais e a paixão clubística já tinha sido deixada de lado.

Vi grandes jogos, grandes times, grandes seleções, grandes jogadores, extraordinários craques e muitos pernas de pau, verdadeiros cabeças de bagre, que até viveram momentos de ídolo, como Fio, Michila, Tinteiro e Onça, para não ferir a dignidade dos torcedores de outros clubes fico apenas com os que critiquei e elogiei nos tempos de arquibancadas com a camisa do Flamengo.


Presenciei jogos memoráveis, o primeiro foi em 1963, Campeonato Carioca, quando o Fluminense precisava vencer o Flamengo para levar o título e Marcial, meu primeiro ídolo da camisa 1, segurou até o pensamento de Valdo e Escurinho, que se fartaram de perder gols diante da muralha que veio de Minas Gerais.

Assisti a despedida de Pelé, o último jogo de Garrincha, o adeus de Zico, mas as goleadas históricas entre Flamengo e Botafogo, aqueles dois 6x1, um a favor e outro contra, e o 6x0, que marcou a revanche final contra os alvinegros, eu não tive o prazer de ver, mas no último teve um represente dos Dutra, o Ralph foi lá e carimbou a vitória do nosso Flamengo sobre o eterno e grande rival.

Vi nascer o ídolo vascaíno, Roberto Dinamite, contra o Internacional, como vi também o milésimo gol de Pelé, contra o Vasco da Gama, na noite de 19 de novembro de 1969. Vi ingleses, iugoslavos, franceses, portugueses, vi o campista Didi e o miracemense Célio Silva, o paduano Jair Marinho, e os irmãos Moreira, também meus conterrâneos, do banco destinado aos treinadores, comandarem Flamengo, Fluminense e Cruzeiro. 

Foi lá que a nossa Rádio Princesinha, de Miracema, marcou época como a primeira do Noroeste Fluminense a narrar um jogo do velho Maracanã. Eu, José Luis da Silva, Francisco David, Welington Ronzê e Chiquinho Titonele estivemos presentes e contamos a vitória do Botafogo sobre o Fluminense naquela tarde memorável de domingo de sol e calor.


Foi lá que joguei, comentei, reportei e narrei jogos dos campeonatos Brasileiro e Estadual, foi lá que conheci gente maravilhosa como Denis Menezes, Washington Rodrigues, Jorge Cury, Valdir Amaral e papeei com João Saldanha, Ruy Porto e tantos outros cronistas da velha e nova geração como Eraldo Leite, Loureiro Neto e Kléber Leite, foi lá que conheci o único amigo do rádio carioca, que não está mais ao nosso lado, Danilo Bahia, hoje uma grande saudade.

Maracanã velho de guerra, hoje todo remodelado, bonito, enfeitado e cheio de novidades, mas garanto que o que faltará ao nosso eterno Maraca o charme das gerais e a simplicidade do torcedor, que não será mais vista pelas cadeiras e sociais do novo estádio, a Fifa não quer este tipo de gente na Copa 2014, mas tenho fé que no futuro a CBF e a Ferj irão dar aquele jeitinho brasileiro e retornar esta gente maravilhosa ao convívio com sua casa. 

Eu vou lá num jogo qualquer do Brasileiro porque Copa do Mundo eu vou mais longe, quero ver alguns jogos lá em Cuiabá ao lado dos amigos de Mato Grosso. 

Serestas, saudades e lembranças


Hoje amanheci nostálgico, não sei se foi a não ida a Miracema ou as lembranças das festas da cidade em que eu e minha turma aproveitávamos a cada instante ou momento oferecido por ela. 

Saí de casa disposto a comprar cerveja, vinho, queijos e alguns quitutes para acompanhar o fim de noite, que promete ser daqueles melhores do que os do Armazém do Lenílson.

Logo após os primeiros raios de sol o Marco Aurélio liga e diz: “Tem jogo logo mais?”, claro que ele não estava falando de futebol, basquete ou outro esporte qualquer, pensava no Armazém ou no Bar do Miguel porque hoje é sexta-feira, e antes mesmo de ouvir o sim ele pergunta de novo: “Você vai a Miracema?”

Ao ouvir o sim e o não o amigo Comprido se animou e, antes de desligar deu a notícia de que o seguro do carro está vencendo amanhã e é preciso renovar e prometeu mandar os boletos por e-mail. Marco desligou e sai para as compras e a ida obrigatória no banco, hoje é dia de receber os caraminguás do INSS e botar grana na conta para cobrir as despesas mensais.

Dinheiro no bolso é um perigo, principalmente para quem está pensando em fazer uma super sexta-feira, com cerveja, queijos e vinhos, e, para isto, é preciso uma boa música. 

Olhei para o lado, com atenção de um sexagenário para atravessar a rua, e deparei com uma promoção de Cds nas Lojas Americanas. Bingo! Será que vou encontrar o que quero para esta noite?


E não é que o primeirão da fila era um CD com 20 super sucessos do seresteiro maior, Carlos José, que por coincidência eu não tenho nada, o que tinha sumiu em um destes lava jatos das cidades em que ponho meu carango para lavar. Nem pensei duas vezes, comprei Carlos José, Diogo Nogueira (em Cuba), Roberto Carlos duetos e o seu clone espanhol, Julio Iglesias, também com seus 20 sucessos.

Nem pensei duas vezes ao entrar no carro, Carlos José no som e as lembranças vieram imediatamente, fazendo com que a nostalgia permanecesse viva dentro de mim e as recordações dos bons tempos da banda do Zé Viana, naquele tempo em que os Bailes do Polaca eram animados por nós e eu, a pedido dos dançarinos, cantava praticamente o repertório de nosso seresteiro maior.

Só que nesta coletânea o danado do cantor resolveu incluir “Naquela Mesa”, “Como Vai Você”, “Um dia de Domingo”, e como tem “Aguenta Coração”, eu prometi que agüentava e segurava o choro e a emoção de ouvir “Fio de Cabelo” e, principalmente uma das minhas serestas favoritas, “Esmeralda” e a “Lembrança” não poderia faltar no repertório nostálgico.


Como é gostoso lembrar e fazer a imaginação dar uma guinada de 40 anos atrás e lembrar dos parques de diversões que chegavam a cidade e, nos serviços de alto falantes tocava “India”, “Cabecinha no Ombro”, “Guarânia da Saudade” e  outras deste velho/moço cantador.

E prá encerrar um “Outra Vez”, que Isolda ofertou a Roberto Carlos e transformou um hino mor dos caras, que como eu, tem saudade e vive dela como forma de estar sempre pensando nas boas coisas que um dia viveu.

40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...