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Viajando pela culinária brasileira


Hoje  amanheci com vontade de voltar a Recife, rever Olinda e andar pelas ladeiras do  bucólico lugar. Me deu uma vontade louca de retornar ao Nordeste brasileiro, sentir de perto o calor do povo e do ambiente provocado pelo sol que queima a pele dos brasileiros daquele pedaço do país. 

Nem sei porque acordei assim, talvez motivado pelas cobranças de amigos, que insistem em dizer que é preciso conhecer bem o Brasil antes de sair pelo mundo a procura de novos conhecimentos, sem saber que eu, este moleque, saído de Miracema, já andou milhares de quilômetros por terras brasis antes de se aventurar pelo mundo.

Nordeste é meu velho conhecido, gosto de ler, ouvir, ver e viajar até os estados daquele canto do país, de comer, antes que me cobrem de novo eu digo que acarajé não, não me convidem para uma rodada desta delícia baiana, é condimentado demais e demasiadamente picante para o meu paladar.


Podem me chamar para uma panelada de pato ao tucupi que estarei na primeira fila ou na cadeira da cabeceira, não me importo em pagar a conta e nem briguem comigo para me informar que este prato é típico no Pará, mais precisamente em Belém, que fica no Norte e não Nordeste do Brasil. Sei disto, mas foi apenas para ilustrar a prosa.

Eu sinto prazer apenas de sentir o cheiro do sururu, em Maceió, do vatapá, em Salvador, e da sopa de camarão, em São Luiz, mas aqui também eu fico só na vontade, estes pratos, principalmente com frutos do mar, não me caem bem e fico apenas matando a vontade com o olfato.

Sair pela Praia de Iracema, a pé, conversando a beira mar ou sentando de quiosque em quiosque para um dedo de prosa e uma boa cerveja gelada até chegar a Ponte dos Ingleses é algo que só fazendo ao vivo dá para descrever, olhando pelo cartão postal ou pelas fotos nunca será a mesma coisa.


Descer as dunas de Natal ralando a bunda na areia é um outro programa, que dizem ser de jovens ou crianças, e estão completamente enganados, nós, os veteranos ou os bem adultos, podemos fazer-lo sem medo de ser feliz. Acordar com dores no corpo e lembrar o motivo é gratificante e prazeroso. 

Claro que meu crítico tem razões, que a própria razão desconhece, mas é um pouco injusto com este viajante, não tão inverterado como gostaria de ser, que adora sair por aí, com destino certo, com programa traçado e com poucas aventuras e jamais com rumo ao desconhecido. Gosto de sair pelo Brasil, de conhecer nossa gente, nossa cultura, nossa culinária e as vezes peco por gostar também do mundo lá de fora, onde a tradição é um pouco mais bem cultuada do que aqui.


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