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Maracanã um velho/novo templo do futebol



Não vi a reabertura do Maracanã, no sábado que passou, tinham outros jogos mais decentes para serem vistos e uma pelada, liderada por dois caras que não marcaram época no mais famoso estádio do mundo não me atraia. 

O jogo-teste, como querem os organizadores, não me chamou a atenção, principalmente porque faltaram os dois maiores personagens do estádio, que como os mosqueteiros, poderiam ser três: Zico, Pelé e Romário, não necessariamente nesta ordem, mas no meu ponto de vista são os três maiores vencedores do velho e charmoso estádio Mário Filho.

Vivi intensamente o reinado do antigo Maracanã, aquele construído em 1950, justamente no em que nasci para o mundo o Maraca nasceu para o futebol. Vivi um outro momento no pós reforma, já como jornalista/radialista. As visitas ao estádio eram profissionais e a paixão clubística já tinha sido deixada de lado.

Vi grandes jogos, grandes times, grandes seleções, grandes jogadores, extraordinários craques e muitos pernas de pau, verdadeiros cabeças de bagre, que até viveram momentos de ídolo, como Fio, Michila, Tinteiro e Onça, para não ferir a dignidade dos torcedores de outros clubes fico apenas com os que critiquei e elogiei nos tempos de arquibancadas com a camisa do Flamengo.


Presenciei jogos memoráveis, o primeiro foi em 1963, Campeonato Carioca, quando o Fluminense precisava vencer o Flamengo para levar o título e Marcial, meu primeiro ídolo da camisa 1, segurou até o pensamento de Valdo e Escurinho, que se fartaram de perder gols diante da muralha que veio de Minas Gerais.

Assisti a despedida de Pelé, o último jogo de Garrincha, o adeus de Zico, mas as goleadas históricas entre Flamengo e Botafogo, aqueles dois 6x1, um a favor e outro contra, e o 6x0, que marcou a revanche final contra os alvinegros, eu não tive o prazer de ver, mas no último teve um represente dos Dutra, o Ralph foi lá e carimbou a vitória do nosso Flamengo sobre o eterno e grande rival.

Vi nascer o ídolo vascaíno, Roberto Dinamite, contra o Internacional, como vi também o milésimo gol de Pelé, contra o Vasco da Gama, na noite de 19 de novembro de 1969. Vi ingleses, iugoslavos, franceses, portugueses, vi o campista Didi e o miracemense Célio Silva, o paduano Jair Marinho, e os irmãos Moreira, também meus conterrâneos, do banco destinado aos treinadores, comandarem Flamengo, Fluminense e Cruzeiro. 

Foi lá que a nossa Rádio Princesinha, de Miracema, marcou época como a primeira do Noroeste Fluminense a narrar um jogo do velho Maracanã. Eu, José Luis da Silva, Francisco David, Welington Ronzê e Chiquinho Titonele estivemos presentes e contamos a vitória do Botafogo sobre o Fluminense naquela tarde memorável de domingo de sol e calor.


Foi lá que comentei, reportei e narrei jogos dos campeonatos Brasileiro e Estadual, foi lá que conheci gente maravilhosa como Denis Menezes, Washington Rodrigues, Jorge Cury, Valdir Amaral e papeei com João Saldanha, Ruy Porto e tantos outros cronistas da velha e nova geração como Eraldo Leite, Loureiro Neto e Kléber Leite, foi lá que conheci o único amigo do rádio carioca, que não está mais ao nosso lado, Danilo Bahia, hoje uma grande saudade.

Maracanã velho de guerra, hoje todo remodelado, bonito, enfeitado e cheio de novidades, mas garanto que o que faltará ao nosso eterno Maraca o charme das gerais e a simplicidade do torcedor, que não será mais vista pelas cadeiras e sociais do novo estádio, a Fifa não quer este tipo de gente na Copa 2014, mas tenho fé que no futuro a CBF e a Ferj irão dar aquele jeitinho brasileiro e retornar esta gente maravilhosa ao convívio com sua casa. 

Eu vou lá num jogo qualquer do Brasileiro porque Copa do Mundo eu vou mais longe, quero ver alguns jogos lá em Cuiabá ao lado dos amigos de Mato Grosso

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