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CASARÕES, PRAÇAS E O AERO CLUBE

Hoje, me perdoem aqueles que esperam a semana para ler sobre as coisas do futebol, vou mudar um pouco a prosa e falar – também – de resgate do passado, está na moda este termo depois da queda da Praça das Quatro Jornadas, em Campos. Para quem não sabe a PMCG derrubou a tombada praça da cidade para erguer um novo espaço, cujo custo no momento é o que menos nos interessa – dizem que foi 46 milhões de reais – e o que nos preocupa, como diz Paula Virgínia, em sua coluna no Monitor Campista: Quanto custaria para retornar o que foi derrubado?

Em Miracema vimos a reforma do Estádio Municipal de Miracema ser concluída e, além de mantida toda a arquitetura da época da construção Foram recuperados os locais destruídos pelo homem e pelo tempo. Esta consciência deveria estar presente também quando destruíram o Teatro Trianon, em Campos, e a Praça da Matriz –principalmente o Coreto – em Miracema, onde a tradição, além da beleza dos lugares, deveria ser preservada.

Passeando pela minha Miracema, principalmente agora quando a máquina fotográfica digital é uma febre mundial, fotografo e mostro em um site especial todos os locais preferidos por 10 entre 10 miracemenses. Nestes passeios eu me decepciono a cada cinqüenta metros, os casarões estão em estado de conservação lamentável. Recebi uma mensagem de um amigo dizendo que alguns destes casarões estão com seus destinos traçados pela justiça, pendengas judiciais correm as soltas e impedem a municipalidade auxiliar na reconstrução. Tá legal, eu concordo, mas espero atitudes com aqueles que não estão embargados pela justiça, como o Aero Clube de Miracema, que pelo visto está um pouco maltratado pelo tempo apesar de ser tratado com carinho pelos seus administradores atuais.

Recordo-me da visita do velho Solon, cronista antigo e que saiu da terrinha há mais de quarenta anos. Quando passamos pelo Aero Clube, hoje Casa da Amizade do Rotary Clube de Miracema, ele deu uma parada, suspirou forte e deixou sair um comentário que, sinceramente não esperava. –Aqui tive grandes decepções. Deixou escapar o visitante ilustre. Sem querer entrar no mérito eu apenas fiz um murmurado –O que?- Fingindo não estar entendendo nada daquilo.

-Simples, meu caro Dutra. Aqui, neste salão, ajudei muito ao amigo Zébinho –meu pai tocava o bar do clube- e aqui tentei dançar, como no Primavera, mas sempre fui rechaçado pelas moças e moçoilas da cidade, dizia Solon com misto de tristeza e saudade. – Aqui, continua ele, as mesmas meninas que me agarravam nas matinês do Primavera –onde se fazia o melhor baile de carnaval da cidade- vestidas e escondidas em palhaços, me ignoravam e fingiam não me reconhecer. Lamenta Solon, que não quis prolongar o assunto, chamando-me para continuar o passeio.

Entendi a colocação do amigo, principalmente porque também vivi, pouco é verdade, aqueles bons bailes do Primavera e concordava com Solon, um mulato bonito, pobre financeiramente, naquela época, mas rico em idéias, em inteligência e em amizades. Pensei que tudo isto pudesse ter acontecido comigo, mas felizmente o Aero Clube é um dos lugares em que a alegria, para mim, sempre foi um pouco maior do que as tristezas, prá falar a verdade posso ter saudades, mas jamais vivi um momento triste naquele clube.

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